Resumo semanal: 25/08 a 29/08

China tem queda no lucro industrial, compensada por alta tecnologia. Europa sofre com guerra e desaceleração econômica. Oriente Médio mantém instabilidade e petróleo volátil.
EUA registram inflação alta e mercado imobiliário fraco; Brasil enfrenta déficits e pressão fiscal.

Crystal globe with stock information
Foto: Crystal globe with stock information on the computer screen and dark blue background

Por Matheus Gomes de Souza, CEA

Ásia

Entre janeiro e julho, o lucro da indústria chinesa recuou 1,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o Departamento Nacional de Estatísticas. Em julho, a queda foi de 1,5%, marcando o terceiro mês consecutivo de retração. O desempenho fraco foi puxado por estatais ligadas à mineração — especialmente carvão, petróleo e metais ferrosos —, enquanto empresas privadas tiveram resultados positivos. Apesar do cenário agregado negativo, setores estratégicos apoiados por políticas públicas, como manufaturas avançadas de circuitos integrados e equipamentos aeroespaciais, registraram crescimento robusto. A demanda externa por produtos tecnológicos também sustentou bom desempenho nos segmentos de eletrônicos, máquinas e bens de consumo.

Contudo, as perspectivas indicam possível perda de fôlego nos próximos meses, diante de sinais de enfraquecimento da demanda externa e tensões comerciais persistentes. As tarifas mais altas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos chineses devem reduzir a competitividade de exportações-chave, pressionando margens. A desaceleração global também pode impactar a diversificação de mercados, ampliando o desafio para manter a produção e o emprego industrial. Para mitigar o risco, Pequim tende a intensificar estímulos fiscais e direcionar crédito para setores prioritários. Ainda assim, o cenário sugere que o crescimento da indústria seguirá desigual, com resiliência concentrada em nichos de alta tecnologia.

Europa

A guerra entre Rússia e Ucrânia entra no quarto ano sem avanços concretos em direção a um acordo de paz ou cessar-fogo, apesar das recentes reuniões envolvendo o presidente americano e líderes europeus. Os ataques permanecem recorrentes em ambos os lados, prolongando o desgaste humanitário e econômico na região. A instabilidade geopolítica mantém elevados os riscos para cadeias de energia e alimentos, pressionando a inflação e a confiança dos investidores. Analistas destacam que uma solução definitiva continua distante no horizonte, alimentando incertezas sobre a trajetória econômica do bloco. Esse cenário mantém a União Europeia exposta a choques externos e desafios fiscais persistentes.

No campo econômico, o índice de confiança na economia da zona do euro recuou em agosto, segundo a Comissão Europeia, refletindo deterioração tanto no sentimento dos consumidores quanto no setor de serviços. A confiança da indústria já vinha em patamar baixo e seguiu sem sinais de retomada. O enfraquecimento do consumo e da atividade empresarial reforça a percepção de desaceleração, enquanto indicadores agregados permanecem abaixo dos níveis pré-pandemia. Esse quadro aumenta a pressão sobre o Banco Central Europeu para calibrar a política monetária sem comprometer ainda mais o crescimento. O desafio será equilibrar combate à inflação e estímulo à atividade em meio à instabilidade geopolítica.

Oriente Médio

A região segue marcada por instabilidade geopolítica, com conflitos e tensões diplomáticas envolvendo diferentes frentes, incluindo a continuidade de operações militares em áreas críticas. Pressões políticas internas e externas afetam negociações multilaterais, enquanto eventos como disputas em zonas de fronteira e ataques pontuais mantêm o ambiente de risco elevado. No eixo energético, a OPEP+ mantém postura cautelosa, avaliando cortes de produção para sustentar os preços do petróleo diante de volatilidade global. Essa dinâmica impacta diretamente receitas fiscais de países produtores. Analistas monitoram efeitos sobre fluxos comerciais e balanços de pagamento, especialmente de nações dependentes da commodity.

No âmbito econômico, economias do Golfo continuam investindo em diversificação, buscando reduzir dependência do petróleo por meio de projetos de infraestrutura, tecnologia e turismo. O crescimento regional, entretanto, permanece sensível às flutuações do barril, ao apetite de investidores globais e às sanções vigentes sobre alguns atores-chave. A incerteza sobre a demanda global de energia influencia decisões orçamentárias e políticas monetárias locais. Ainda que acordos bilaterais estejam sendo firmados para atrair capital estrangeiro, o cenário político volátil pode limitar a efetividade dessas estratégias. A convergência entre segurança e economia tende a nortear as políticas regionais no curto prazo.

Estados Unidos

Em julho, o núcleo do índice de Preços de Gastos com Consumo (Core PCE) avançou em linha com as expectativas, acumulando alta anual de 2,9%, o que mantém a inflação acima da meta do Federal Reserve. O detalhamento do indicador revelou pressões distintas: bens apresentaram variação mais moderada, enquanto serviços continuaram exercendo maior peso sobre os preços. O Departamento do Comércio reportou crescimento da renda das famílias e expansão nos investimentos, reforçando o dinamismo da demanda interna. Apesar disso, a confiança do consumidor recuou 1,3 ponto em agosto, segundo o Conference Board, refletindo maior cautela com o mercado de trabalho. Esse conjunto de dados mantém a expectativa de que o Fed adote postura vigilante antes de deliberar cortes de juros.

No setor imobiliário, a atividade permanece fragilizada, com recuos de 0,6% nas vendas de casas novas e 0,4% nas vendas pendentes em julho. As taxas de hipoteca seguem elevadas, restringindo o acesso ao crédito e comprimindo o poder de compra das famílias. Embora os estoques estejam relativamente ajustados, o ritmo de vendas e construções continua abaixo dos níveis pré-pandemia, sinalizando um segmento ainda longe da normalização. Os dados corroboram a percepção de que a política monetária restritiva mantém impacto significativo sobre o setor. Assim, o mercado imobiliário segue como um dos principais canais de transmissão da política do Fed, amplificando os efeitos da taxa de juros sobre a economia real.

Brasil

Em agosto, o IGP-M avançou 0,36%, superando a mediana das projeções de mercado (0,19%). O indicador refletiu queda no IPA agrícola (-0,52%) e no núcleo do IPA industrial (-0,26%), enquanto, em 12 meses, acumula alta de 3,0%. A inflação ao consumidor (IPCA) registra variação anual de 4,2%. No atacado, observa-se alívio de preços em função da queda das commodities em reais, reduzindo pressões de custos para a indústria e o varejo. Apesar desse movimento, núcleos inflacionários e serviços mantêm-se monitorados, especialmente diante de um mercado de trabalho aquecido.

No setor externo, a conta corrente apresentou déficit de US$ 7,1 bilhões em julho, ou US$ 6,3 bilhões na série dessazonalizada. Em 12 meses, o déficit equivale a 3,5% do PIB (US$ 75,3 bilhões), com projeção de encerrar 2025 em US$ 58 bilhões. No campo fiscal, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 66,6 bilhões no mês, influenciado pelo pagamento extraordinário de R$ 67,5 bilhões em precatórios. A dívida líquida alcançou 63,7% do PIB, o maior patamar desde 2001. Esse cenário reforça desafios para o equilíbrio fiscal e a credibilidade da política econômica.

whatsapp icon - Bom dia Mercado twitter icon - Bom dia Mercado facebook icon - Bom dia Mercado telegram icon - Bom dia Mercado
-->