IPCA-15 – Dez/25

Por Equipe Econômica PicPay

O IPCA-15 de dezembro registrou variação de 0,25%, acelerando frente ao desempenho observado em novembro (0,20%), embora tenha sido menor do que o mesmo período do ano anterior, quando a alta fora de 0,34%. Em 12 meses, a prévia da inflação registrou alta de 4,41%.

A variação observada no período se deve majoritariamente ao impacto de fatores sazonais sobre componentes com participação relativa mais elevada, com destaque para as altas de itens como Passagens aéreas (+12,71%) e Transporte por aplicativo (+9%). Embora vários de seus componentes tenham registrado deflação no período, casos de Tomate (-14,53%), Leite longa vida (-5,37%) e Arroz (-2,37%), o grupo de Alimentação e bebidas deu continuidade ao processo de afastamento do campo deflacionário, registrando alta de 0,13%.

O dado fechado de dezembro deve captar em melhor proporção o quadro inflacionário esperado para o período. Além da tendência de maior pressão sobre os preços dos alimentos por conta do aumento da demanda na segunda quinzena do mês, o início do processo de reversão dos descontos oferecidos na Black Friday sobre bens industriais e a manutenção da pressão sobre os preços de serviços relacionados aos setores de turismo e lazer são destaques até aqui.

Apesar da forte presença de fatores sazonais, a ausência de elementos que forneçam uma perspectiva mais positiva para o desempenho do IPCA, especialmente no caso dos preços de serviços, não altera nosso cenário prospectivo para inflação e a política monetária. Neste sentido, nossa projeção para o IPCA em 2025 segue em 4,4%, ainda dentro do limite superior estabelecido pelo Regime de Metas para Inflação (RMI), enquanto o início do ciclo de corte de juros tem como início o mês de março.

Resumo semanal: 15/12 a 19/12

Por Matheus Gomes de Souza, CEA

Estados Unidos

O cenário político e de segurança externa se deteriorou com a escalada das tensões entre Washington e Caracas. Cinco aeronaves militares norte-americanas, incluindo modelos EA-18G Growler e F/A-18E Super Hornet, sobrevoaram o Mar do Caribe a poucos quilômetros da costa venezuelana, enquanto o presidente Donald Trump declarou não descartar uma ação militar contra o país e reforçou o bloqueio a petroleiros sancionados. O discurso ocorre após apreensão de embarcação venezuelana e deslocamento de ativos navais e tropas para a região. Internamente, indicadores econômicos apontam desaceleração: em novembro foram criadas 64 mil vagas, concentradas em saúde e construção, com taxa de desemprego subindo a 4,6% e salários avançando apenas 0,1% no mês, sinalizando menor dinamismo no mercado de trabalho. O PMI composto caiu para 53 pontos em dezembro, menor nível em seis meses, refletindo perda de fôlego tanto nos serviços quanto na indústria.

A inflação ao consumidor avançou 2,7% em novembro, abaixo da expectativa de 3,1%, influenciada por efeitos técnicos decorrentes da paralisação do governo e descontos sazonais, mas com núcleo em 2,6% e tendência de aceleração no curto prazo. Economistas apontam que o impacto das tarifas de importação ampliadas pelo governo já foi parcialmente repassado aos preços e deve alcançar até 70% até março de 2026, mantendo pressão inflacionária. Embora a S&P Global estime crescimento anualizado de 2,5% do PIB no quarto trimestre, o ritmo arrefeceu nos últimos meses, com enfraquecimento das novas encomendas e confiança empresarial mais baixa. O conjunto de dados reforça a leitura de um ciclo de expansão menos vigoroso, com atividade sob risco de desaceleração adicional no início de 2026, em meio a incertezas políticas, tensões geopolíticas e persistentes desafios de custo para consumidores e empresas.

Brasil

A inflação medida pelo IGP-10 encerrou dezembro com alta de 0,04%, desacelerando frente ao mês anterior e acumulando deflação de 0,76% em 12 meses, após avanço de 6,61% em 2024. O resultado foi influenciado pela queda do IPA-10 (-2,87% no ano), refletindo recuo nos preços agropecuários e industriais, enquanto o IPC-10 registrou alta anual de 4,01%, com habitação assumindo protagonismo devido à volatilidade das tarifas de energia elétrica. No lado da atividade, o IBC-Br mostrou retração de 0,2% em outubro, segundo mês consecutivo de queda, com indústria (-0,7%) e serviços (-0,2%) recuando, apesar do varejo surpreender com alta de 0,5% e a agropecuária avançar 3,1%. O Banco Central manteve a Selic em 15% ao ano e reiterou na ata do Copom que não há espaço para flexibilização no curto prazo, sinalizando política monetária restritiva prolongada para ancorar expectativas e convergir a inflação à meta.

No setor externo, as transações correntes registraram déficit de US$ 4,94 bilhões em novembro, equivalente a 3,47% do PIB em 12 meses, compensado por forte ingresso de investimento direto — US$ 9,82 bilhões no mês. Apesar disso, o fluxo estrangeiro para ações e fundos de investimento manteve saldo negativo, respectivamente de US$ 670 milhões e US$ 290 milhões, enquanto títulos de renda fixa tiveram saída líquida de US$ 1,76 bilhão. No acumulado do ano, apenas o mercado de renda fixa se mantém positivo (+US$ 14,95 bilhões), sustentando parte do fluxo externo. No campo legislativo, o Senado aprovou projeto que altera a execução penal para condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, vedando cumulação de penas e definindo novos critérios de progressão de regime, com regras mais duras para crimes hediondos e liderança de organizações criminosas. O projeto segue para sanção presidencial e poderá impactar julgamentos em curso no STF.

Europa

A Alemanha lançou o Deutschlandfonds, pacote de € 30 bilhões para estimular investimentos privados em transição energética, tecnologia e modernização industrial, com meta de mobilizar € 130 bilhões adicionais. O fundo será operado pelo KfW com garantias e financiamentos direcionados a descarbonização, infraestrutura renovável e startups, enquanto por outro lado, indicadores como o índice Ifo e o PMI apontam estagnação econômica e queda de confiança empresarial. No Reino Unido, o Banco da Inglaterra reduziu a taxa básica para 3,75% após inflação cair para 3,2%, menor nível desde março, embora desemprego tenha atingido 5,1%, o mais alto desde 2021. Em paralelo, líderes da UE ainda negociam apoio financeiro à Ucrânia via empréstimo de reparações com ativos russos congelados, com decisão prevista para início de 2026. Na França, o orçamento de 2026 segue em disputa no parlamento, prevendo déficit acima de 5%. As negociações comerciais também avançam com pressão sobre a Itália para aprovar o acordo UE–Mercosul.

No leste europeu, confrontos na guerra da Ucrânia continuam intensos, com Kiev afirmando controlar 90% de Kupiansk e Moscou negando avanços ucranianos. Líderes europeus condicionaram qualquer concessão territorial à implementação de garantias de segurança, incluindo força multinacional liderada pela Europa e capacidade militar ucraniana de 800 mil soldados. A Polônia decidiu retomar a produção de milhões de minas antipessoais para fortificar fronteiras com Belarus e Kaliningrado, medida que poderá prover excedente à Ucrânia e aliados da OTAN. A economia europeia enfrenta fragilidade, com queda na produção industrial alemã e desaceleração dos serviços, além de mercado de trabalho britânico enfraquecido. O contexto geopolítico e econômico mantém projeções de baixo crescimento para 2026, enquanto o bloco busca consolidar acordos estratégicos e preservar coesão diante de desafios externos e internos.

Ásia

A China oficializou a transformação de Hainan em porto de livre comércio, buscando atrair investimentos estrangeiros e alinhar-se aos padrões do Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífica (CPTPP). O plano prevê permitir entrada de produtos com ao menos 30% de valor agregado local sem tarifas, ampliando a abertura para setores de serviços restritos no continente. O movimento ocorre em meio à queda de 10,4% do investimento estrangeiro direto nos três primeiros trimestres de 2025 e visa diversificar a economia de US$ 19 trilhões, atualmente dependente de estímulos. Paralelamente, Taiwan revisou sua projeção de crescimento de 2025 para 7,31% ante 4,55% anteriores, impulsionada por exportações de semicondutores e superávit comercial de US$ 143,8 bilhões com os EUA. Na Coreia do Sul, o Banco Central alertou que a inflação pode superar previsões se o câmbio won/dólar se mantiver próximo a 1.470, acima da meta de 2% desde setembro. Em Cingapura, exportações não petrolíferas subiram 11,6% em novembro, superando expectativas, enquanto Hong Kong manteve desemprego em 3,8%.

A Tailândia enfrenta forte apreciação do baht (+9,1%), impulsionada por fluxos de comércio de ouro, levando o Banco Central a sinalizar possível flexibilização adicional da política monetária após cortes acumulados de 125 pontos-base desde outubro de 2024; o PIB previsto para 2025 é de 1,5%. O cenário político local é instável com eleições em fevereiro e queda de apoio ao Pheu Thai, enquanto o Camboja permanece em disputa fronteiriça. Em Myanmar, a junta militar ganha terreno com novas táticas, aumento de efetivo para cerca de 134 mil soldados e uso intensivo de drones, fortalecida por apoio diplomático e militar da China. A tensão regional cresce com Taiwan reforçando capacidade de resposta a ataques súbitos, diante da intensificação das manobras chinesas próximas à ilha. Já no Japão, o Banco Central elevou a taxa de juros para 0,75%, maior patamar desde 1995, apontando melhora econômica e salarial. Na frente diplomática, Pequim exige retratação do Japão por declarações de Sanae Takaichi sobre Taiwan, aprofundando a deterioração nas relações bilaterais.

Oriente Médio

As tensões regionais permaneceram elevadas, com negociações críticas e conflitos latentes. Na Síria, persistem impasses para integrar as Forças Democráticas Sírias, de maioria curda, às forças estatais antes do prazo de fim de ano, em um contexto de pressão turca e mediação norte-americana. No Líbano, França, EUA e Arábia Saudita avançaram na elaboração de um roteiro para desarmar o Hezbollah e fortalecer o cessar-fogo com Israel, ameaçado por ataques aéreos e acusações mútuas. No Golfo, o Kuwait fechou contrato de US$ 3,97 bilhões com a chinesa CCCC para a primeira fase do Porto Mubarak Al-Kabeer, estratégico para a Iniciativa Cinturão e Rota. O Catar lançou a Qai, aposta bilionária em IA ancorada em energia de baixo custo, tentando competir com Arábia Saudita e Emirados. Israel, por sua vez, aprovou acordo recorde de US$ 34,67 bilhões para exportar gás ao Egito até 2040, visando estabilizar a região.

O cenário de segurança continua frágil, com o cessar-fogo entre Israel e Hamas sustentando-se, mas sem avanços nas fases decisivas do plano de 20 pontos de Trump, como o desarmamento do Hamas e a formação de órgão de transição em Gaza. Washington pressiona o Paquistão a contribuir com tropas para possível força de estabilização, o que pode gerar repercussão interna negativa. No Iêmen, o avanço do Conselho de Transição do Sul sobre áreas petrolíferas estratégicas elevou o risco de confronto indireto entre Arábia Saudita e Emirados, com a ONU alertando para impactos no Mar Vermelho e no comércio global. A China busca concluir acordo de livre comércio com o Conselho de Cooperação do Golfo, reforçando laços com Riad. No front econômico, a Arábia Saudita registrou queda da inflação anual para 1,9%. Já na Turquia, o Banco Mundial mobiliza € 1,5 bilhão para ampliar crédito a pequenas e médias empresas, especialmente de mulheres e jovens.

Resumo semanal: 01/12 a 05/12

Por Matheus Gomes de Souza, CEA

Estados Unidos

A semana nos Estados Unidos foi marcada por sinais mistos na economia e por crescente tensão geopolítica envolvendo a Venezuela. No front interno, dados da EIA mostraram alta de 5,2 milhões de barris nos estoques comerciais de petróleo bruto, apesar de refinarias operando a 94,1% da capacidade e forte processamento de gasolina, com destaque para a queda nas importações para 6 milhões de bpd. O mercado de trabalho apresentou enfraquecimento, com o setor privado perdendo 32 mil vagas em novembro segundo a ADP, puxado por cortes em pequenas empresas e pela maior queda desde março de 2023, enquanto pedidos iniciais de seguro-desemprego caíram para 191 mil, sinalizando resiliência parcial. O núcleo do PCE registrou alta mensal de 0,2% e anual de 2,8% em setembro, alinhado às projeções, mas os gastos do consumidor mostraram moderação. Na indústria, o PMI manufatureiro do ISM caiu para 48,2, somando nove meses de contração, em contraste com o PMI da S&P Global, que ainda indica expansão moderada sustentada por aumento de produção, embora com demanda em desaceleração.

A política monetária deve ser influenciada pela combinação de inflação controlada, mas acima da meta, e desaquecimento no emprego, com mercados precificando alta probabilidade de mais um corte de 0,25 p.p. pelo Federal Reserve na reunião de dezembro, embora haja divisões internas sobre o ritmo do afrouxamento. No campo externo, a crise com a Venezuela escalou rapidamente: Washington fechou o espaço aéreo do país, classificou formalmente o “Cartel del los Soles” como organização terrorista e mobilizou ativos militares significativos, incluindo o porta-aviões USS Gerald R. Ford e 15 mil soldados no Caribe. As ações incluíram bombardeios a embarcações comerciais, criticados na ONU como possíveis execuções extrajudiciais. Embora Trump tenha revelado contato cordial prévio com Maduro, analistas divergem se isso indica abertura para negociação ou apenas manobra estratégica. O cenário geopolítico permanece tenso, com risco real de intervenção direta, consolidando múltiplas frentes de pressão econômica e militar nos EUA, fatores que podem influenciar mercados e decisões de política energética e externa no curto prazo.

Brasil

A economia brasileira encerrou o terceiro trimestre de 2025 com sinais de desaceleração. O PIB cresceu apenas 0,1% frente ao trimestre anterior e 1,8% na comparação anual, com serviços e consumo das famílias praticamente estáveis em meio à taxa Selic de 15% e condições de crédito restritivas. A indústria seguiu em perda de fôlego: em outubro, avançou 0,1% sobre setembro e recuou 0,5% no comparativo anual, com resultados heterogêneos entre setores. Indústrias extrativas (+3,6%), veículos (+2%) e alimentos (+0,9%) evitaram queda mais acentuada, mas bens intermediários caíram 0,8% pelo segundo mês consecutivo. No comércio exterior, novembro registrou superávit de US$ 5,84 bilhões, impulsionado por altas expressivas nas exportações de soja (+60%), carne bovina e petróleo para a China, que ampliou compras em 41%. Em contrapartida, as vendas para os EUA despencaram 28% no mês, enquanto importações vindas do mercado americano cresceram 24,5%.

As projeções para a indústria indicam crescimento modesto de até 1% em 2025, refletindo a sensibilidade do setor ao aperto monetário e à pressão do “tarifaço” americano sobre produtos manufaturados. A dinâmica do PIB sugere estabilidade até o fim do ano, com eventual suporte de estímulos fiscais e transferências às famílias, mas mantendo riscos de crescimento limitado em 2026. No campo político, o cenário interno se vê tensionado pela iniciativa do ministro Gilmar Mendes de restringir o alcance da Lei de Impeachment sobre magistrados do STF, provocando reação do Senado e reacendendo disputas entre Legislativo e Judiciário, com possibilidade de impacto em pautas prioritárias de segurança pública. A agenda externa ganhou novo capítulo com a ligação entre os presidentes Lula e Donald Trump, que discutiram tarifas comerciais, combate ao crime organizado e sanções a autoridades brasileiras. Lula celebrou a retirada de tarifas sobre alguns produtos, mas pediu ampliação da desoneração, sinalizando que as relações bilaterais seguirão sendo condicionadas por negociações econômicas e questões institucionais.

Europa

O cenário europeu foi marcado por forte convergência entre tensões políticas, sanções e debates econômicos. Na República Tcheca, Andrej Babis, líder do partido populista ANO, foi confirmado como próximo primeiro-ministro após transferir seu conglomerado Agrofert para um fundo fiduciário independente, viabilizando uma coalizão com partidos de extrema-direita e postura crítica à UE. Em Bruxelas, a Comissão Europeia propôs reforço da integração dos mercados de capitais com ampliação de poderes da ESMA e supervisão centralizada de criptoativos, visando maior competitividade frente a EUA e China. No Reino Unido, novas sanções foram impostas contra a Rússia, incluindo a totalidade da GRU, após a conclusão de inquérito ligando Moscou a ataques com agente nervoso. Paralelamente, Moscou reagiu à proposta da UE de usar ativos russos congelados para financiar a Ucrânia, ameaçando retaliações, enquanto prosseguiam negociações indiretas com Washington em busca de uma solução para o conflito ucraniano. O debate interno europeu manteve-se acirrado quanto à estratégia militar e às condições de paz.

No campo econômico, a zona do euro registrou alta revisada de 0,3% no PIB do 3º trimestre de 2025, impulsionada por expansão no investimento e comércio, com Alemanha estável, França crescendo 0,5% e Espanha liderando o avanço entre as principais economias. A inflação anual subiu marginalmente para 2,2% em novembro, consolidando a expectativa de manutenção das taxas pelo BCE no curto prazo, diante de núcleo ainda elevado em serviços. A França enfrenta alerta do Tribunal de Contas sobre pressões fiscais de longo prazo devido ao envelhecimento populacional, podendo elevar os gastos públicos além de 60% do PIB nas próximas décadas. A Ucrânia, por sua vez, tenta reestruturar US$ 3,2 bilhões em warrants do PIB para aliviar pressões da dívida, enquanto disputa apoio europeu e americano sobre os termos de paz. No campo geopolítico, as ameaças de Moscou de cortar o acesso marítimo da Ucrânia e usar seus avanços militares como barganha nas negociações revelam que o ambiente permanece altamente volátil. A combinação de desafios fiscais estruturais, ajustes monetários graduais e riscos geopolíticos prolongados mantém elevada a incerteza para a economia europeia no horizonte de curto e médio prazo.

Ásia

Os eventos recentes na Ásia foram marcados por um aumento das tensões geopolíticas e atividades militares, sobretudo envolvendo China, Taiwan e Japão. Pequim reagiu de forma contundente à nova legislação americana sobre relações oficiais com Taipé, sancionada por Donald Trump, que prevê revisões periódicas nos protocolos de interação bilateral. Em paralelo, a China intensificou sua presença marítima, mobilizando mais de 100 embarcações em áreas estratégicas do Leste Asiático, prática vista como demonstração de força e resposta a declarações japonesas sobre Taiwan e anúncios de gastos militares adicionais por Taipé. No Japão, o índice Nikkei recuou 1,3% após dados fracos de gastos das famílias e expectativas de aumento da taxa de juros pelo Banco Central, enquanto os rendimentos dos títulos públicos atingiram os maiores patamares desde 2007. Já na Coreia do Sul, os preços ao consumidor avançaram 2,4% em novembro, pressionados por alimentos e serviços, mantendo-se acima da meta de inflação pelo terceiro mês consecutivo. Hong Kong, por sua vez, enfrentou um cenário político sensível com eleições legislativas restritas a candidatos pró-Pequim, realizadas em meio à recuperação da pior tragédia em décadas, enquanto suas vendas no varejo registraram alta anual de 6,9% em outubro.

A escalada das iniciativas militares da China, aliada ao fortalecimento dos laços militares entre Estados Unidos e Taiwan, tende a acentuar instabilidades no Leste Asiático, aumentando riscos para a segurança regional e influenciando alianças estratégicas. A mobilização naval chinesa e os movimentos de Taiwan e Japão configuram um ambiente de alerta, com possíveis impactos sobre cadeias logísticas e fluxos comerciais marítimos. No campo econômico, a pressão inflacionária na Coreia do Sul pode adiar cortes de juros e manter o Banco Central em posição cautelosa, enquanto no Japão, os custos financeiros mais altos desafiam o consumo doméstico e podem afetar a valorização do iene. Hong Kong enfrenta tensão institucional, com baixa expectativa de comparecimento eleitoral e críticas quanto à legitimidade do processo, embora o varejo siga positivo sustentado por turismo e bens de alto valor. No setor estratégico, um avanço significativo foi a aprovação dos EUA ao programa de submarinos nucleares da Coreia do Sul, com perspectiva de alterar o equilíbrio de forças na região, reforçar capacidades defensivas contra Pyongyang e potencialmente estimular uma corrida armamentista submarina envolvendo Japão e China. Esses movimentos, somados ao afrouxamento nas licenças de exportação de terras raras pela China, indicam um alinhamento entre dinâmicas geopolíticas e impactos diretos sobre mercados asiáticos e cadeias industriais globais.

Oriente Médio

A semana no Oriente Médio foi marcada por avanços diplomáticos pontuais e tensões persistentes. No âmbito regional, Paquistão e Afeganistão realizaram nova rodada de negociações mediadas na Arábia Saudita, mantendo o frágil cessar-fogo firmado em Doha, embora sem um acordo definitivo para encerrar conflitos fronteiriços agravados desde outubro. No Levante, Israel e Líbano ampliaram o escopo de discussões do comitê militar de cessar-fogo para incluir representantes civis, em linha com exigências dos EUA e com sinalizações iniciais para cooperação econômica, apesar de acusações mútuas sobre violações por parte do Hezbollah e das forças israelenses. Em Israel, o debate sobre o orçamento de 2026 mobilizou disputas internas e incluiu previsão de gastos de 760,6 bilhões de shekels, com 90 bilhões destinados à defesa, enquanto paralelamente avançou projeto de lei para revisão da concessão de exploração de minerais do Mar Morto, visando aumentar a participação estatal e proteger o ecossistema.

Nas frentes econômicas, a Arábia Saudita aprovou orçamento para 2026 projetando déficit menor, na ordem de 3,3% do PIB, e reposicionando seu fundo soberano em setores estratégicos como logística, mineração e inteligência artificial, alinhado à nova fase do plano Visão 2030. No setor energético, a OPEP+ decidiu implementar avaliações anuais de capacidade produtiva para alinhar cotas a volumes reais, reforçando a credibilidade dos acordos diante de disparidades crescentes entre metas e produção efetiva. O Cazaquistão, impactado por redução na capacidade de sua principal rota de exportação devido a ataque de drone, ampliou embarques via oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan, embora com limitações logísticas. No campo geopolítico, as tratativas entre Israel e Líbano permanecem condicionadas ao desarmamento do Hezbollah e à retirada de tropas israelenses, enquanto o Líbano mantém abertura para presença internacional na verificação de compromissos. Apesar de alguns gestos diplomáticos, a região segue sob pressão de agendas militares, interesses energéticos estratégicos e reformas fiscais de médio prazo.