Resumo semanal: 02/02/2026 a 06/02/2026
Por Matheus Gomes de Souza, CEA
Estados Unidos
A atividade econômica norte-americana iniciou o ano com expansão moderada, sustentada principalmente pelo setor de serviços. O PMI composto subiu de 52,7 para 53,0 em janeiro, refletindo crescimento acima da linha de neutralidade, enquanto o PMI de serviços avançou para 52,7, superando levemente as expectativas do mercado. A leitura sugere um ritmo anualizado de crescimento próximo de 1,7%, segundo a S&P Global. Apesar do desempenho positivo da atividade, persistem pressões inflacionárias nos serviços, associadas ao repasse de custos salariais e tarifários, ainda que a concorrência venha limitando aumentos mais expressivos nos preços finais.
No mercado de trabalho, os dados apontam para um processo gradual de desaquecimento. A criação de vagas no setor privado ficou em apenas 22 mil em janeiro, abaixo do esperado, enquanto os pedidos iniciais de auxílio-desemprego subiram para 231 mil, influenciados por eventos climáticos adversos. O relatório JOLTS mostrou queda das vagas em aberto para 6,542 milhões, o menor nível desde 2020, com redução da taxa de vagas para 3,9% e da relação vagas/desempregado para 0,87. Esse conjunto de indicadores reforçou a leitura de “baixa contratação e baixa demissão”, aumentando as expectativas de flexibilização monetária, com o mercado elevando a probabilidade de cortes de juros já nas próximas reuniões do Fed, embora a autoridade monetária siga cautelosa. No campo geopolítico, os EUA retomaram canais de diálogo estratégico com a Rússia após a expiração do tratado New START e mantiveram negociações indiretas com o Irã, em um ambiente de elevada tensão e riscos à estabilidade internacional.
Brasil
Os indicadores de preços e atividade econômica reforçaram sinais de desaceleração gradual da economia no início de 2026. O IPC-Fipe subiu 0,21% em janeiro, abaixo das expectativas de mercado e com inflação acumulada em 12 meses de 3,80%, indicando alívio inflacionário na margem, apesar de pressões pontuais em Educação (5,12%) e Vestuário (1,28%). O IGP-DI avançou 0,20% no mês, acelerando em relação a dezembro, mas manteve deflação de 1,11% em 12 meses, refletindo acomodação nos preços ao produtor e queda em matérias-primas. No campo real, a produção industrial recuou 1,2% em dezembro frente a novembro, desempenho pior que o esperado, ainda que tenha registrado alta de 0,4% na comparação anual, consolidando um crescimento modesto de 0,6% em 2025.
No âmbito da política monetária, a ata do Copom confirmou a sinalização de início de um ciclo de cortes da Selic a partir de março, após a manutenção da taxa em 15% ao ano pela quinta reunião consecutiva. O Banco Central destacou melhora do cenário inflacionário corrente e expectativas menos distantes da meta, mas reforçou a necessidade de manter juros em patamar restritivo diante da resiliência do mercado de trabalho e das incertezas fiscais. A expectativa do mercado é de redução para 14,5% em março e para 12,25% ao fim de 2026. No plano fiscal e institucional, o debate sobre a ampliação de benefícios no Legislativo elevou o ruído político, apesar do impacto fiscal direto limitado, levando o STF a suspender pagamentos acima do teto constitucional. A reação do mercado também foi sensível às discussões sobre mudanças na diretoria do Banco Central, com abertura da curva de juros longos, evidenciando preocupação com a credibilidade da política econômica no horizonte mais longo.
Europa
O cenário europeu combinou fragilidade econômica com elevada instabilidade política. Na atividade, a indústria da zona do euro permaneceu em contração pelo terceiro mês consecutivo, com o PMI manufatureiro avançando para 49,5 em janeiro, ainda abaixo do nível de expansão, apesar da retomada moderada da produção. A fraqueza dos novos pedidos seguiu limitando a recuperação, enquanto os cortes de empregos industriais persistiram pelo 32º mês consecutivo. Em contraste, o setor de serviços mostrou maior resiliência, especialmente na Alemanha, onde o PMI de serviços permaneceu em expansão em 52,4, sustentado por novos negócios, embora com desaceleração no ritmo de crescimento e queda no emprego. O Banco Central Europeu manteve os juros inalterados pela quinta reunião consecutiva, com a taxa de depósito em 2,00%, reforçando uma postura de cautela e dependência dos dados diante de uma inflação ainda em convergência gradual à meta.
No campo político e fiscal, as tensões se intensificaram em diversos países. Na Hungria, pesquisas indicaram vantagem do partido de oposição Tisza sobre o Fidesz do primeiro-ministro Viktor Orbán às vésperas das eleições de abril, em um ambiente de déficits fiscais persistentes próximos a 5% do PIB e alertas das agências de rating sobre riscos à dívida pública. Na França, a aprovação do orçamento de 2026 encerrou um período prolongado de instabilidade política, reduzindo o prêmio de risco da dívida, apesar da manutenção de um déficit elevado estimado em 5% do PIB e do adiamento de reformas estruturais sensíveis. Em Portugal, pesquisas apontaram vitória expressiva do candidato socialista moderado no segundo turno das eleições presidenciais, sinalizando contenção do avanço da extrema-direita. No plano geopolítico, avançaram negociações mediadas pelos Estados Unidos entre Rússia e Ucrânia, incluindo troca de prisioneiros, enquanto países do Norte da Europa, como a Noruega, alertaram para o aumento dos riscos de espionagem e sabotagem russa, elevando a percepção de insegurança estratégica no continente.
Ásia
Os indicadores econômicos da região mostraram desempenho heterogêneo, combinando resiliência do consumo com inflação moderada ou negativa em algumas economias. Em Hong Kong, as vendas no varejo cresceram 6,6% em dezembro na comparação anual, o oitavo mês consecutivo de alta, impulsionadas pela recuperação do turismo, com 4,65 milhões de visitantes no mês (+9,2%). A confiança empresarial também avançou, com mais de 50% das empresas otimistas para 2026, apesar das persistentes incertezas geopolíticas e comerciais entre Estados Unidos e China. Na Coreia do Sul, a inflação ao consumidor desacelerou para 2,0% em janeiro, o menor nível em cinco meses, em linha com a meta do banco central, enquanto a autoridade monetária manteve os juros inalterados, priorizando a estabilidade cambial diante da desvalorização do won. Na Tailândia, a inflação anual permaneceu negativa pelo décimo mês consecutivo (-0,66%), muito abaixo da meta oficial, reforçando expectativas de novos cortes de juros nos próximos meses.
No campo político e geopolítico, a região foi marcada por eleições e tensões estratégicas relevantes. No Japão, pesquisas indicaram ampla vantagem da primeira-ministra Sanae Takaichi às vésperas das eleições nacionais, em meio a preocupações fiscais associadas a promessas de estímulo e ao aumento da dívida pública, além de tensões crescentes com a China em torno de Taiwan. Na Tailândia, as eleições gerais apontaram um cenário fragmentado, com liderança do Partido Popular reformista, após a dissolução do parlamento e em um ambiente de forte polarização política. Na Coreia do Sul, o governo avançou na elaboração de um projeto de lei para viabilizar investimentos de até US$ 350 bilhões nos Estados Unidos, como parte de um acordo comercial para mitigar riscos tarifários. Em Taiwan, autoridades alertaram para o aumento da pressão militar chinesa, com alta de 23% nas incursões aéreas em 2025, reforçando a necessidade de maior prontidão defensiva em um contexto de deterioração do ambiente de segurança no Indo-Pacífico.
Oriente Médio
A região permaneceu marcada por elevada instabilidade geopolítica, com recrudescimento da violência em Gaza apesar do cessar-fogo em vigor desde outubro. Israel suspendeu temporariamente a travessia de palestinos pela passagem de Rafah, alegando falhas de coordenação por parte da Organização Mundial da Saúde, o que reduziu significativamente o fluxo de pacientes e feridos rumo ao Egito, abaixo do volume diário previsto no acordo. Paralelamente, ataques israelenses em diferentes áreas da Faixa de Gaza deixaram ao menos 23 mortos em um único dia, incluindo civis e profissionais de saúde, elevando para mais de 530 o número de palestinos mortos desde o início da trégua e para mais de 71.800 desde outubro de 2023. No plano regional mais amplo, avançaram negociações indiretas entre Estados Unidos e Irã, mediadas por Omã, em um ambiente de forte tensão militar, com reforço da presença naval americana no Golfo e ameaças explícitas de retaliação caso não haja progresso diplomático.
No campo econômico, a Arábia Saudita seguiu apresentando desempenho robusto fora do setor petrolífero, com o PMI não petrolífero em 56,3 em janeiro, ainda em território de expansão, apesar da desaceleração no ritmo e do aumento das pressões de custos. O PIB saudita cresceu 4,5% em 2025 e 4,9% no quarto trimestre, impulsionado tanto pelo avanço das atividades não petrolíferas quanto pela maior produção de petróleo, embora o governo venha reavaliando prioridades de gastos diante de restrições fiscais. Na Turquia, a inflação mensal acelerou para 4,84% em janeiro, enquanto a taxa anual recuou para 30,65%, mantendo o desafio do processo de desinflação mesmo após cortes sucessivos de juros, com a taxa básica em 37%. Em paralelo, a Arábia Saudita intensificou sua atuação no Iêmen, destinando bilhões de dólares para estabilizar áreas sob controle do governo reconhecido internacionalmente, em uma tentativa de conter a influência dos houthis e reforçar sua posição estratégica regional, ainda que com custos fiscais e riscos de sustentabilidade no médio prazo.
Resumo semanal: 26/02/26 a 30/02/26
Por Matheus Gomes de Souza, CEA
Estados Unidos
O cenário norte-americano da semana foi marcado por decisões relevantes de política monetária, indicadores mistos de atividade e aumento das tensões geopolíticas. O presidente Donald Trump indicou Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve, substituindo Jerome Powell, após um processo de seleção que envolveu quatro finalistas. Warsh, ex-membro do Conselho de Governadores do Fed, ganhou destaque por sua mudança recente de postura, passando a defender juros mais baixos. Em paralelo, o Fed manteve a taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75%, em decisão dividida, citando inflação ainda elevada e crescimento econômico sólido. Indicadores de mercado de trabalho mostraram pedidos iniciais de seguro-desemprego em 209 mil, enquanto a taxa de desemprego em dezembro ficou em 4,4%.
Do ponto de vista econômico, os dados reforçaram um ambiente de incerteza quanto à trajetória futura dos juros. A confiança do consumidor caiu 9,7 pontos em janeiro, para 84,5, o menor nível desde 2014, refletindo preocupação com preços elevados e um mercado de trabalho menos dinâmico. Ao mesmo tempo, o índice de preços ao produtor subiu 0,5% em dezembro, acima das expectativas, mantendo alta anual de 3,0%, sinalizando pressões inflacionárias persistentes, possivelmente associadas ao repasse de tarifas de importação. No campo político e geopolítico, as tensões com o Irã se intensificaram, com declarações do Departamento de Defesa e reforço da presença militar no Oriente Médio, adicionando um componente adicional de risco ao ambiente macroeconômico e às expectativas dos investidores.
Brasil
A semana no Brasil foi marcada por um quadro fiscal e monetário desafiador, combinado a sinais ainda heterogêneos da atividade econômica. A dívida bruta do setor público consolidado encerrou 2025 em 78,7% do PIB (R$ 10 trilhões), ante 76,3% no fim de 2024, refletindo aumento de gastos, despesas com juros e déficits recorrentes. Pelo critério do FMI, o endividamento alcançou 93,4% do PIB, acima da média de emergentes. No campo monetário, o Banco Central manteve a taxa Selic em 15% ao ano, citando incertezas externas, tensões geopolíticas e a necessidade de cautela diante da política fiscal. O IPCA-15 desacelerou na margem para 0,20% em janeiro, mas a inflação em 12 meses subiu para 4,50%, no limite superior da meta contínua.
Do ponto de vista macroeconômico, as contas públicas seguiram pressionadas: o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 55,0 bilhões em 2025 (0,43% do PIB), enquanto o déficit nominal somou R$ 1,063 trilhão (8,34% do PIB), com despesas de juros equivalentes a 7,91% do PIB. No setor externo, o déficit em transações correntes atingiu US$ 68,8 bilhões em 2025 (3,02% do PIB), o maior desde 2014, apesar de o investimento direto no país ter financiado integralmente esse desequilíbrio no ano. No mercado de trabalho, houve forte fechamento líquido de vagas em dezembro (-618 mil pelo Caged), movimento sazonal, enquanto a taxa de desemprego caiu para 5,1% no trimestre encerrado em dezembro, mínima histórica, com renda média real em R$ 3.613. No campo político, avançaram articulações para as eleições de 2026, com sinalizações que reforçam a polarização entre Lula e o campo bolsonarista, ao mesmo tempo em que lideranças do PSD tentam estruturar uma alternativa de terceira via, cenário acompanhado de perto pelo mercado financeiro.
Europa
A semana foi marcada por sinais de resiliência econômica na zona do euro, apesar de um ambiente ainda permeado por incertezas políticas e geopolíticas. A economia do bloco cresceu 0,3% no quarto trimestre de 2025, acima das expectativas, com avanço anual de 1,3%, sustentado por consumo e investimentos mais fortes. A Espanha permaneceu como principal motor, com expansão de 0,8%, enquanto a Alemanha cresceu 0,3%, seu melhor desempenho trimestral em três anos, e a França avançou 0,2%, em meio à instabilidade política. Dados preliminares indicam que 2026 começou em terreno mais favorável, com melhora inesperada nos indicadores de confiança, desemprego próximo de mínimas históricas e inflação em torno da meta de 2% do Banco Central Europeu.
No campo político e geopolítico, persistiram fatores de risco relevantes. Na França, o governo sobreviveu a novas moções de censura ligadas ao orçamento de 2026, mantendo um cenário de fragilidade institucional que limita perspectivas de crescimento mais robusto. No leste europeu, a Hungria entrou em um ciclo eleitoral decisivo, com a oposição abrindo vantagem de cerca de 10 pontos percentuais sobre o partido do primeiro-ministro Viktor Orbán, o que pode redefinir a relação do país com a União Europeia. No âmbito internacional, a UE avançou politicamente para incluir a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã em sua lista de organizações terroristas, enquanto acompanham-se iniciativas de desescalada no conflito entre Rússia e Ucrânia mediadas pelos Estados Unidos. Em paralelo, grandes investidores institucionais, como o fundo soberano da Noruega, alertaram que a fragmentação da economia global representa o principal risco sistêmico, apesar de manterem elevada exposição a ativos americanos, reforçando um cenário europeu de crescimento moderado, porém vulnerável a choques externos.
Ásia
O noticiário asiático combinou decisões de política monetária cautelosas, forte desempenho econômico em polos tecnológicos e mudanças políticas relevantes. No Paquistão, o banco central manteve a taxa básica em 10,50%, contrariando as expectativas de corte, apesar da inflação em 5,6% em dezembro, avaliando a taxa real como suficiente para manter a inflação dentro da meta de 5% a 7%. Em Hong Kong, o PIB cresceu 3,8% no quarto trimestre e 3,5% em 2025, sustentado por comércio regional, turismo e serviços financeiros, enquanto os preços residenciais subiram 3,3% no ano, a primeira alta desde 2021. Taiwan destacou-se com crescimento de 12,68% no quarto trimestre e 8,63% em 2025, impulsionado pela demanda por semicondutores e aplicações de inteligência artificial, o ritmo mais forte em 15 anos.
No campo político e institucional, Myanmar consolidou o domínio do partido apoiado pelos militares após eleições amplamente contestadas, com baixa participação e rejeição internacional, em meio a um conflito interno que já deslocou cerca de 3,6 milhões de pessoas. Na Tailândia, pesquisas indicaram liderança do Partido Popular Progressista às vésperas das eleições de fevereiro, enquanto o banco central anunciou limites às transações diárias de ouro para conter a valorização do baht, que subiu cerca de 9% em 2025. Na Indonésia, a nomeação de Thomas Djiwandono como vice-governador do banco central levantou dúvidas sobre a independência da autoridade monetária, pressionando a rupia. Em paralelo, autoridades regionais intensificaram medidas sanitárias após a confirmação de casos do vírus Nipah na Índia, reforçando controles em aeroportos, um fator adicional de risco para mobilidade e confiança no curto prazo.
Oriente Médio
A região foi marcada por avanços diplomáticos limitados e pela intensificação de tensões políticas, militares e sociais. No centro do noticiário, os Estados Unidos detalharam no Conselho de Segurança da ONU o plano para a desmilitarização de Gaza, que prevê o desarmamento do Hamas por meio de um mecanismo internacional de monitoramento e um programa de recompra de armas financiado externamente, como condição para novas retiradas israelenses. O cessar-fogo firmado em outubro permanece frágil, com episódios pontuais de violência, mas avançou na entrega de todos os reféns israelenses, vivos ou mortos, e na devolução de corpos palestinos. A segunda fase do plano norte-americano envolve a criação de uma força internacional de estabilização e a transição da governança local, tema que segue cercado de divergências.
Em paralelo, as tensões entre Estados Unidos e Irã se agravaram, com novas ameaças de ação militar caso Teerã não aceite negociar um acordo nuclear, enquanto autoridades iranianas responderam com alertas de retaliação regional. Internamente, o Irã atravessa sua mais grave crise desde 1979, com milhares de prisões após protestos motivados por deterioração econômica, inflação anual em torno de 60% e a moeda atingindo a mínima histórica de 1.500.000 reais por dólar. A União Europeia caminha para ampliar sanções a indivíduos e entidades iranianas, embora ainda sem consenso para classificar a Guarda Revolucionária como organização terrorista. Em outros pontos da região, a Arábia Saudita anunciou uma nova estratégia de privatizações com foco em parcerias público-privadas e investimentos superiores a US$ 64 bilhões até 2030, enquanto a Síria segue sob tensão no nordeste, com enclaves curdos em alerta diante da pressão do governo central. O conjunto desses fatores reforça um cenário regional de elevada incerteza geopolítica, com impactos relevantes sobre segurança, fluxos de investimento e expectativas econômicas.
Resumo semanal: 12/01 a 16/01
Por Matheus Gomes de Souza, CEA
Estados Unidos
A economia dos EUA encerrou 2025 com inflação ao consumidor de 2,68% (CPI), acima da meta de 2,0% do Fed, impulsionada principalmente pela alta persistente de serviços e shelter, apesar da desaceleração nos preços de bens. O núcleo do CPI avançou 0,24% em dezembro, abaixo das expectativas, refletindo pressão concentrada nos segmentos de maior peso. O mercado de trabalho manteve baixa contratação e demissão, com taxa de desemprego em 4,4%, enquanto pedidos de auxílio-desemprego caíram para 198 mil na primeira semana de janeiro. Paralelamente, os Estados Unidos enfrentaram instabilidade política interna, com o presidente Donald Trump ameaçando acionar a Lei da Insurreição para conter protestos em Minnesota contra ações do ICE, além de novas sanções contra o Irã e intensificação das tensões diplomáticas com a Dinamarca e Groenlândia. O setor bancário vem registrando bons resultados, sustentados pelo aumento robusto no volume de empréstimos no quarto trimestre, reforçando a leitura de resiliência econômica, em meio a debates sobre limite de juros de cartões de crédito e defesa da independência do Fed.
A persistência da inflação de serviços mantém o desafio para o Fed atingir sua meta, adiando expectativas de cortes de juros antes da posse do novo presidente da instituição, prevista para junho de 2026. As tensões migratórias e uso potencial da Lei da Insurreição ampliam incertezas políticas, enquanto a tentativa de anexação da Groenlândia tem gerado resistência internacional e impacto na percepção de estabilidade externa. No campo financeiro, o crescimento do crédito sinaliza confiança corporativa e suporte ao PIB, mas propostas como limitar juros de cartões podem restringir a oferta de crédito e afetar consumo. O varejo apresentou expansão de 0,6% em novembro, impulsionado por segmentos específicos, porém com padrão de gastos desigual e pressão sobre famílias de baixa renda. A investigação criminal contra Jerome Powell intensifica questionamentos sobre a independência do banco central, podendo influenciar expectativas inflacionárias e decisão de política monetária. Em meio a este cenário, projeções apontam para manutenção de juros no curto prazo e potencial ajuste a partir de junho, caso haja sinais de enfraquecimento mais acentuado no mercado de trabalho.
Brasil
O governo federal sancionou a Lei Orçamentária Anual de 2026, fixando despesa total de R$ 6,54 trilhões e vetando R$ 393,8 milhões destinados ao aumento das emendas parlamentares. Entre as principais destinações, destacam-se R$ 1,6 trilhão para a Seguridade Social e R$ 2,93 trilhões para o orçamento fiscal, além de R$ 197,9 bilhões em investimentos das estatais. No campo macroeconômico, o IBC-Br cresceu 0,70% em novembro, acima das expectativas, com altas em serviços, indústria e arrecadação de impostos, enquanto o varejo avançou 1,0% no mês, beneficiado pela Black Friday e aumento amplo nas atividades comerciais. O Banco Central determinou liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora (ex-Reag), por graves violações no SFN e vínculos com investigações sobre lavagem de dinheiro.
A blindagem de emendas prevista na LOA reforça o poder do Congresso sobre a alocação orçamentária, mas mantém possibilidade de cortes para despesas obrigatórias no final do exercício. A expansão no varejo e no IBC-Br sinaliza recuperação na atividade, mesmo com desempenho setorial heterogêneo, fortalecendo as projeções positivas para o PIB. O episódio da liquidação da CBSF evidencia maior atuação regulatória no combate a ilícitos financeiros. No cenário político, a primeira pesquisa presidencial de 2026 revela liderança de Lula na maioria dos cenários de primeiro e segundo turno, com empate técnico apenas contra Tarcísio de Freitas, acompanhada de elevada rejeição ao presidente (40,8%), acima dos opositores. A combinação de estabilidade econômica recente com disputas políticas acirradas projeta um ambiente interno de crescimento moderado, mas sujeito a volatilidade conforme o ciclo eleitoral avance.
Europa
O cenário europeu em janeiro de 2026 é marcado por forte instabilidade política e diplomática. A França enfrenta um impasse sobre o orçamento de 2026, com risco de moção de desconfiança caso o governo recorra a dispositivos constitucionais para aprová-lo sem votação. Na Bulgária, a renúncia do governo provocou a oitava eleição antecipada em quatro anos, enquanto Portugal deve realizar segundo turno presidencial pela primeira vez em quatro décadas devido à fragmentação eleitoral. A Hungria caminha para uma disputa inédita em anos, com Viktor Orbán enfrentando Peter Magyar em abril. No campo geopolítico, tensões crescem com a intenção declarada de Donald Trump de adquirir a Groenlândia, levando países da OTAN (como Alemanha, França, Suécia e Noruega) a enviarem tropas para reforçar a presença na região. Em paralelo, líderes da Itália, França e Alemanha sinalizam abertura para retomar o diálogo com Moscou sobre a Ucrânia, contrastando com a postura mais rígida do Reino Unido.
A conjuntura econômica apresenta sinais mistos. A Alemanha encerrou 2025 com inflação de 2,0% e crescimento de 0,2% após dois anos de recessão, sustentada por consumo interno e gastos fiscais, mas com queda contínua nas exportações e no investimento. O índice Sentix aponta melhora da confiança dos investidores na zona do euro, embora ainda em território negativo. No Reino Unido, o PIB subiu 0,3% em novembro graças à retomada da produção automotiva, mantendo expectativa de cortes de juros pelo Banco da Inglaterra. A França cresceu cerca de 0,2% no quarto trimestre, impulsionada por setores aeroespacial e de defesa, mas enfrenta elevada incerteza devido à crise orçamentária. Na Ucrânia, o estado de emergência no setor energético busca mitigar danos de ataques russos à infraestrutura, agravados por temperaturas extremas, enquanto o Kremlin aguarda resposta dos EUA sobre a extensão do tratado nuclear Novo START. A combinação de instabilidade política interna, tensões diplomáticas e recuperação econômica desigual mantém a Europa vulnerável, porém com perspectivas de retomada moderada ao longo de 2026.
Ásia
O panorama asiático em janeiro de 2026 é marcado por intensa atividade política, diplomática e econômica. No Vietnã, o líder do Partido Comunista, To Lam, busca concentrar os principais cargos de poder, aproximando o modelo político ao chinês, enquanto negociações internas tentam equilibrar seu avanço com as prerrogativas das forças armadas. A Malásia registrou crescimento econômico robusto no quarto trimestre de 2025 (+5,7% ano a ano), acima das previsões, sustentado por serviços, manufatura e exportações, apesar de tarifas americanas de 19% sobre seus produtos. Taiwan fechou acordo com os EUA para reduzir tarifas e ampliar investimentos bilaterais em semicondutores e IA, envolvendo US$ 250 bilhões de empresas taiwanesas, com potencial de irritar Pequim. O Japão e as Filipinas assinaram novos pactos de defesa como parte de uma cooperação trilateral com os EUA diante da crescente tensão regional, enquanto Tóquio encara eleições antecipadas convocadas pela primeira-ministra Sanae Takaichi para 8 de fevereiro, visando consolidar apoio à sua política fiscal e estratégica de segurança.
Na península coreana, o Banco Central sul-coreano interrompeu o ciclo de cortes de juros, priorizando a estabilidade frente à desvalorização do won, enquanto o país enfrenta o julgamento histórico do ex-presidente Yoon Suk Yeol por insurreição. A Coreia do Norte reforçou a retórica contra Seul, rejeitando a retomada das negociações bilaterais. A Indonésia reafirmou o compromisso com o projeto de US$ 32 bilhões de sua nova capital, Nusantara, apesar de limitações fiscais e ajustes no cronograma até 2029. Tailândia e Mianmar vivem conjunturas eleitorais complexas, com o Partido Popular liderando intenções de voto na Tailândia e eleições graduais em Mianmar sob forte controle militar. A China reportou superávit comercial recorde de quase US$ 1,2 trilhão em 2025, ampliando exportações para mercados alternativos e reduzindo a dependência dos EUA, mas elevando tensões comerciais globais e a pressão internacional sobre suas práticas. O quadro na Ásia combina crescimento significativo em áreas estratégicas e tecnológicas com elevada instabilidade política e disputas geopolíticas, projetando um ambiente de oportunidades e riscos para 2026.
Oriente Médio
O início de 2026 no Oriente Médio é marcado por forte instabilidade política, pressões internacionais e tensões regionais. No Líbano, o ex-governador do Banco Central, Riad Salameh, foi indiciado por crimes de peculato e enriquecimento ilícito, em mais um capítulo do amplo escrutínio jurídico que se estende a investigações na Europa. No Irã, a repressão às manifestações (as mais intensas desde 1979) mobilizou ações coordenadas dos EUA, incluindo sanções contra autoridades iranianas e discursos de Donald Trump, que alterna ameaças de intervenção militar com declarações cautelosas após sinais de redução nas mortes; ao mesmo tempo, impôs tarifa de 25% a países que mantêm comércio com Teerã, afetando parceiros estratégicos como China e Turquia. Internamente, a oposição iraniana exilada segue fragmentada entre monarquistas ligados a Reza Pahlavi e o grupo Mujahedin-e Khalq, dificultando a formação de frente única. A Turquia manifesta posição contrária a qualquer intervenção militar americana no Irã, reforçando o apelo a soluções negociadas.
No cenário sírio, intensos combates em Aleppo entre forças governamentais e militantes curdos levaram à fuga de mais de 150 mil pessoas, com o exército declarando zonas militares e ampliando deslocamentos, enquanto a Turquia pressiona pela integração das Forças Democráticas Sírias ao governo central. No Chifre da África, a decisão do governo central da Somália de romper relações com os Emirados Árabes Unidos foi rejeitada por governos regionais autônomos, evidenciando a influência persistente de Abu Dhabi por meio de investimentos portuários e cooperação militar. No Mar Negro, ataques coordenados com drones contra petroleiros operados por gregos acenderam alerta máximo para embarcações da frota mercante da Grécia, aumentando custos de seguro e risco operacional. A conjuntura combina crises econômicas internas, como no Líbano e Irã, pressões militares na Síria e disputas por influência geopolítica, enquanto sanções e tarifas impostas por Washington têm potencial para reconfigurar fluxos comerciais e acentuar o isolamento de Teerã, mantendo elevada a tensão no eixo Oriente Médio–Eurásia.