Morning Call

Semana tem Fed, Copom e esforço concentrado no Congresso

Atualizado 10/12/2023 às 23:56:36

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[11/12/23]

… Começa hoje a semana mais intensa e movimentada desse final de ano, que inclui a Super Quarta, quando o Fed vai manter os juros nos EUA e o Copom vai cortar a Selic em 0,50pp. BCE e BoE também fazem reuniões de política monetária na 5ªF. E Brasília vai ferver. Na corrida contra o tempo, antes do recesso parlamentar, o Congresso precisa aprovar praticamente toda a agenda econômica para viabilizar um déficit fiscal próximo de zero no ano que vem. A fila inclui a MP que trata da subvenção do ICMS, considerada a “bala de prata” de arrecadação para cumprir o arcabouço, a taxação das bets, análise dos vetos de Lula, a votação da LDO/24 e a reforma tributária. Às 9h30, Lula reúne-se com os ministros Haddad, Rui Costa e Padilha e os líderes do governo no Legislativo para planejar o calendário decisivo.

… Como noticiou a imprensa, o Congresso exige R$ 6 bilhões em recursos extras ainda este ano para destravar a pauta.

… A briga é pelo fundo eleitoral para 2024, já que o valor proposto pelo governo (R$ 939,3 milhões) é considerado insuficiente. O parecer da LDO já incluiu um valor de quase R$ 5 bilhões para o fundão no ano que vem. Resta saber de onde vai tirar o dinheiro.

… Entre os ajustes políticos estão, ainda, a negociação das vice-presidências de Tecnologia e Digital e de Negócios e Varejo da Caixa, além do comando da Funasa. A presidência da Caixa já foi assumida por Carlos Antônio Vieira Fernandes, indicado de Lira.

… Na MP da subvenção, remanescem pontas desamarradas e a necessidade de concessões que podem afetar as estimativas de receita para 2024. O parecer do deputado Luiz Fernando Faria (PSD) deve ser apresentado amanhã (3ªF) na comissão mista e votado na 4ªF.

… O relator disse que pretende incluir no texto o abatimento da CSLL do valor devido pelas empresas em impostos federais.

… A proposta atual, que segue em negociação, prevê que a empresa receberá um crédito de 25% sobre o valor do ICMS, mas equivalente apenas à alíquota do IRPJ. A ideia é ampliar esse crédito para que a CSLL também seja contemplada.

… O abatimento da CSLL no pagamento dos impostos federais significaria uma perda do potencial de R$ 8 bilhões a R$ 10 bilhões. Em vez de arrecadar R$ 35,3 bilhões com a MP em 2024, o governo conseguiria entre R$ 25 bilhões e R$ 27 bilhões.

… Faria acredita que ainda poderá reduzir esse impacto, após a concessão feita pelo governo nas mudanças do JCP, que será apensada na MP e prevê descontos de até 80% no valor devido pelas empresas, além de parcelamento em 12 vezes.

… A previsão é de que a votação da MP da subvenção seja concluída no plenário da Câmara só na semana que vem. No Senado, Rodrigo Pacheco assumiu compromisso de pautar a matéria no dia 18, às vésperas do recesso parlamentar do fim do ano.

… Já o projeto que tributa as apostas esportivas (bets), e pode gerar até R$ 10 bilhões aos cofres públicos em 2024, está pacificado e tem votação confirmada para amanhã (3ªF) no Senado, segundo o relator, senador Angelo Coronel (PSD).

LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS – Também amanhã deve ser votado na Comissão Mista do Orçamento o parecer final do relator da LDO/2024, deputado Danilo Forte (União). Depois de passar pela comissão, a LDO precisa ser votada no plenário do Congresso.

… Na 6ªF, causou surpresa a notícia de que Forte colocou no parecer um trecho para limitar o bloqueio dos gastos a R$ 23 bilhões em 2024, como queria o governo. O gesto ocorreu após ele ter rejeitado a emenda Randolfe sobre o mesmo tema.

… O dispositivo foi costurado com o apoio da Fazenda.

… O relator incluiu um inciso que diz que não poderão ser objeto de bloqueio as despesas necessárias para garantir o crescimento real de 0,6% dos gastos. Forte se valeu de uma autorização que a LRF dá à LDO para ressalvar despesas passíveis de serem contingenciadas.

… Segundo técnicos em Orçamento, porém, a LRF autoriza ressalvas a programas e ações específicas. E o que Forte fez foi ressalvar toda uma regra, que abrange um conjunto expressivo de despesas, o que seria vedado pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

… Para o economista-chefe da Warren Investimentos, Felipe Salto, a nova redação da LDO provoca o mesmo efeito pretendido pela emenda rejeitada e derrubará o contingenciamento de R$ 52,7 bilhões para R$ 22,3 bilhões em 2024, uma diferença de R$ 30 bilhões.

… Trata-se, segundo ele, de “uma sistemática que piora o arcabouço e abre um precedente perigoso”.

… Além disso, destaca Salto, esse bloqueio menor deixará o governo ainda mais distante do cumprimento da meta de déficit zero no próximo ano. “O déficit esperado para 2024 piora automaticamente 0,2% do PIB. Isso já é ruim por si só.”

… Ele ainda alerta sobre o futuro: “O governo, quando chegar em março, ou até antes, vai sofrer pressão pela alteração da meta. E isso num cenário em que ele estará com as mãos ainda mais amarradas, porque poderá cortar menos o Orçamento”.

REFORMA TRIBUTÁRIA – Lira promete analisar esta semana no plenário as alterações feitas pelo Senado na PEC que muda o regime fiscal no Brasil. O relator, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP), avalia retirar algumas exceções incluídas pelos senadores.

… Em entrevista ao Estadão de sábado, Aguinaldo apontou dois temas centrais que deverão ser avaliados na segunda votação da reforma tributária na Casa: os benefícios tributários a montadoras e a Cide da Zona Franca de Manaus, que vão provocar disputas acirradas.

… Se não houver acordo, a intenção é fatiar a PEC, com a promulgação este ano do que for consenso e que foi aprovado nas duas Casas.

VETOS – Na 5ªF, está marcada sessão conjunta da Câmara e do Senado para analisar todos os vetos presidenciais que estão pendentes, entre os quais, os vetos ao arcabouço fiscal, ao Carf, à desoneração da folha de pagamento e ao marco temporal.

DINO – As sabatinas de Flávio Dino ao STF e de Paulo Gonet à PGR devem ser realizadas na 4ªF no Senado. Apesar de fortes resistências da oposição, Dino deve ser aprovado. O Planalto articula para dar a ele vitória semelhante à de Zanin, com 50 a 55 votos no plenário.

… A CAE do Senado ainda sabatina esta semana os quatro indicados de Lula ao Cade e os dois indicados à CVM.

COFRE SEM CHAVE – Em novo capítulo da disputa interna do PT, durante conferência do partido no sábado, Gleisi Hoffmann defendeu a ampliação dos gastos do governo em 2024 e meta de déficit primário de 1% sem contingenciamentos.

… Ao lado de Haddad, a presidente do PT argumentou que o aumento das despesas é necessário para a economia não desaquecer e que o crescimento deveria ser um “mantra do governo”. Após a fala de Gleisi, o ministro rebateu.

… Segundo ele, “não existe essa correspondência” de que déficit fiscal significa crescimento econômico. Haddad citou que, em governos anteriores de Lula, houve superávit primário de 2% e a economia doméstica cresceu, em média, 4%.

… Ainda durante o evento, o líder do governo na Câmara, José Guimarães, defendeu a pressão por mais gastos. “Se tiver que fazer déficit, nós vamos ter que fazer. Porque senão, a gente não ganha eleição em 2024”, afirmou.

… Também o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, defendeu no encontro que uma vitória expressiva do PT nas eleições municipais de 2024 é “decisiva” para tentar mudar a correlação de forças no Legislativo.

HADDAD – Está hoje em SP e participa, às 9h, da abertura da 1ª Conferência XP – Brasil 2024.

… No sábado, terminou sem consenso uma reunião em São Paulo entre o ministro e representantes dos maiores emissores privados de cartões de crédito do Brasil para a autorregulação das taxas cobradas pelo rotativo e parcelado sem juros.

… A proposta feita por Bradesco, Itaú, Santander e Nubank deve ser discutida pelo CMN, na próxima reunião do Conselho, no dia 21.

… O Congresso deu prazo de 90 dias para que o grupo de trabalho que reúne bancos, empresas de maquininhas, varejistas, bandeiras de cartões busque alternativas para a redução do rotativo. Esse prazo termina no começo de janeiro.

… Se não houver acordo, prevalece a lei do Desenrola, que definiu o teto de 100% do valor da dívida para a cobrança de juros.

SERVIDORES DO BC – Convocaram paralisação de 24h na 4ªF e começam a discutir chance de entrar em greve.

A POSSE – Destaque do fim de semana, Javier Milei tomou posse como presidente da Argentina neste domingo defendendo um “tratamento de choque” e “um forte ajuste nas contas públicas”, porque “não há dinheiro, nem espaço para o gradualismo”.

… Reconheceu que será um “primeiro gole amargo” para começar a reconstrução da Argentina, que, “a curto prazo, a situação vai piorar”, que, “vai afetar o nível de atividade, do emprego, dos salários e do número de pobres e indigentes”.

… Milei avisou que “não será fácil”, que “tempos difíceis estão chegando”, mas que “não há alternativa ao ajuste, ao choque”, que haverá “estagflação”, “mas que não será nada muito diferente dos últimos 12 anos, quando acumulamos uma inflação de 5.000%”.

… Segundo o jornal Clarín, um pacote com 14 medidas econômicas será anunciado hoje, prevendo corte de gastos, aumento de impostos, privatizações e desvalorização do peso. São medidas de “realização imediata” e que não precisam de aprovação do Congresso.

… Entre elas, estariam: proibição ao BC de emitir e financiar o Tesouro, remover subsídios tarifários até abril, cessar obras públicas, aumento de impostos sobre importações, congelamento de gastos públicos, de salários e benefícios fiscais a empresas.

… A questão cambial e o valor do dólar ainda em aberto, mas o peso deve ficar entre US$ 700 e US$ 800, segundo reportagem do Clarín.

… Ontem à noite, no primeiro decreto como presidente da Argentina, Milei cortou os ministérios pela metade.

AGENDA DE INDICADORES – Um dia antes do Copom, sai o IPCA de novembro (3ªF), com expectativa de aceleração para 0,29%, segundo a mediana de pesquisa Broadcast, contra 0,24% em outubro, mas aposta de núcleos menos pressionados.

… Na última 6ªF, o Goldman Sachs revisou para baixo a previsão para o índice oficial de inflação no ano que vem, de 4,6% para 4,1%, agora abaixo do teto da meta, de 4,50%. O banco acredita em Selic terminal de um dígito: 9,5%.

… A Fitch tem projeção ainda menor para a Selic: 9,0%. Mas a agência de risco pondera que o BC pode adotar uma postura mais cautelosa se a “crescente incerteza no cenário fiscal ou nos acontecimentos globais pressionarem as expectativas de inflação”.

… Em participação gravada dez dias antes para evento na última 6ªF, Campos Neto (BC) afirmou que, apesar das conquistas em relação ao controle de preços, o BC está ciente de que [ainda] “há muito trabalho pela frente”.

… Nem o IPCA e nem nada tem potencial de mudar a convicção no mercado de que o BC baixará o juro na 4ªF em 0,5pp, de 12,25% para 11,75%, e confirmará mais um corte da mesma dose para a reunião de janeiro.

… Depois de o PIB/3Tri (+0,1%) ter zerado, na semana passada, as especulações entre os traders de que o Copom aceleraria o ritmo de queda da Selic (0,75pp) em março, o DI passou a precificar nova redução de meio ponto.

… No radar, fica a possibilidade de baixa dos preços da gasolina nas próximas semanas, depois de a Petrobras já ter cortado o diesel. Mas como o petróleo testou na 6ªF uma reação às quedas em série, o cenário está indefinido.

… Na Focus de hoje (8h25), não se descarta algum ajuste em alta na mediana do PIB deste ano (2,84%). Para 2024, a Fitch elevou a previsão de crescimento do Brasil para 1,5%, de 1,3% na estimativa anterior, divulgada em setembro.

… Do lado da atividade, também saem indicadores importantes esta semana, com o IBC-Br de outubro (6ªF), o volume de serviços (4ªF) e as vendas no varejo (5ªF). Quanto à inflação, além do IPCA, saem o IGP-10 (6ªF) e 1ª prévia de dezembro do IPC-Fipe (hoje, 5h).

… Além do Copom, outros três BCs de países emergentes decidem juros esta semana: Rússia (6ªF), México e Peru (5ªF).

LÁ FORA – O payroll acima do esperado em novembro não muda nada para o Fed de 4ªF, que deve manter o juro pela terceira vez consecutiva na faixa de 5,25% a 5,50% ao ano. Mas a barra para um corte da taxa aumentou.

… Entre os próximos indicadores, é importante o CPI de novembro amanhã (3ªF) nos EUA. Mas a onda dovish foi colocada em xeque e agora a expectativa de as quedas começarem em maio (78,4%) é bem maior do que em março (35,4%).

… O mercado de trabalho apertado também frustra a precificação de até 125pb de cortes nos juros em 2024 e facilita o trabalho de Powell, que já vinha descartando a ideia de um relaxamento das taxas no curto prazo.

… Nesta semana, ele deve manter a mensagem de que o Fed está preparado para uma alta extra do juro, se preciso.

… O payroll apontou a criação de 199 mil postos de trabalho em novembro, contra 150 mil em outubro e pouco acima do consenso de 198 mil. A taxa de desemprego ficou em 3,7%, abaixo da previsão da estabilidade (3,9%).

… O salário médio subiu de 0,2% em outubro para 0,4%, superior à estimativa de 0,3% dos analistas.

… Mesmo que o dado do emprego tenha sido, em grande parte, impulsionado pelo fim da greve das montadoras, o que pode ter distorcido o resultado, o investidor entendeu que o mercado de trabalho continua apertado.

… Nos negócios em NY, o relatório foi lido como sinal de resiliência da economia americana e evidência de que os EUA estão no curso de um pouso suave, o que serviu de estímulo para as bolsas em Wall Street (leia mais abaixo).

… Além do CPI, antes do Fed e da entrevista coletiva de Powell, sai a inflação ao produtor (PPI) em novembro nos EUA, na 4ªF. A produção industrial e a leitura preliminar de novembro do PMI/S&P Global de novembro vêm na 6ªF.

… Este mesmo indicador também será divulgado na 6ªF na zona do euro, Alemanha e Reino Unido. 

PETRÓLEO – Opep (4ªF) e AIE (5ªF) soltam relatórios mensais, com o mercado cético com os cortes de produção e a demanda na China. Apesar disso, depois de seis quedas consecutivas, o petróleo parou de cair na 6ªF (abaixo).

CHINA – Divulgada no final da noite de 6ªF, a inflação ao consumidor (CPI) teve queda anualizada de 0,5% em novembro, pior do que a expectativa dos economistas (-0,2%). O PPI caiu 3,0%, perto do consenso de 2,9%.

… Para esta semana (5ªF à noite), são esperadas a produção industrial e vendas no varejo em novembro.

GUERRA – Israel avança com sua ofensiva sobre Gaza, depois que os EUA deixaram de lado o esforço internacional para um cessar-fogo e enviaram mais munições para o país. Os combates foram intensos no fim de semana.

… Na América do Sul, a investida da Venezuela contra a Guiana levou a um telefonema de Maduro a Lula no sábado, quando o presidente do Brasil manifestou a “crescente preocupação” com a disputa em torno da região de Essequibo.

… Segundo uma nota do Planalto, Lula fez um “chamado ao diálogo” e reiterou que o Brasil está à disposição para apoiar essas iniciativas. Maduro concordou em conversar, mas ratificou “os inquestionáveis direitos soberanos da Venezuela sobre a Guiana Essequiba”.

… Para os próximos dias, está prevista uma viagem do presidente da Venezuela à Rússia, para um encontro com Putin.

GANHA-GANHA – A boa vontade com que NY leu o payroll forte, de que não vai ter recessão nos EUA, acabou combinada à força das commodities na 6ªF para levar o Ibovespa (+0,86%) a romper os 127 mil pontos (127.093,57).

… Se ainda dá tempo ou não de o índice à vista protagonizar o rali de fim de ano, rumo ao topo histórico, é o que se verá. Mas foi importante a bolsa doméstica ter passado bem (como NY) pelo teste de fogo do relatório de emprego.

… A tomada de risco também respondeu ao impulso de quase 2,5% do minério de ferro e do petróleo, que encerrou o jejum de seis pregões sem subir e puxou as ações da Petrobras (ON, +3,41%, a R$ 36,66; e PN, +3,20%, a R$ 34,49).

… Pondo fim à recente queda livre de 13%, o petróleo chamou ajuste técnico e repercutiu a notícia de que os EUA vão comprar mais 3 milhões de barris para entrega em março e realizarão leilões mensais de compra até maio.

… Os esforços do governo americano para abastecer sua reserva técnica, além da interpretação de que o payroll forte é um gatilho de maior demanda pelas commodities, corrigiram o Brent para fevereiro (+2,42%, a US$ 75,84).

… Retomando a marca perdida dos US$ 70, o WTI para janeiro fechou em alta de 2,73%, a US$ 71,23 o barril.

… De carona no comportamento positivo do minério, subiram Vale (ON, +0,28%, a R$ 72,80), CSN Mineração (ON, +2,88%), CSN (ON, +1,36%), Usiminas (PNA, +1,31%), Gerdau (PN, +0,90%) e Gerdau Metalúrgica (PN, +0,39%).

… No movimento de risk-on generalizado do dia, os bancos pegaram embalo: Bradesco PN (+1,60%; R$ 16,46), Itaú (+1,27%; R$ 32,02), Santander (+1,27%; R$ 31,10), BB (+1,08%; R$ 54,45) e Bradesco ON (+1,04%; R$ 14,51).

… A maior alta do dia foi de GPA (+6,13%), com o rumor renovado de que o fundo americano Advent estaria interessado em comprar o grupo, apesar de o CEO, Marcelo Pimentel, já ter dito que não passa de especulação.

O REAL ESTÁ BARATO – Quem está dizendo são os bancos. Em relatório enviado a clientes, estrategistas do BofA qualificaram o dólar como “muito valorizado” e previram taxa de câmbio a R$ 4,75 no final do ano que vem.

… “O real está mais de 15% mais barato do que sua média de longo prazo, com os superávits comerciais recordes como evidência”, segundo o BofA, que prefere o real ao peso mexicano, considerado muito esticado no momento.

… A janela de oportunidade para a moeda brasileira também é apontada pelo Pine. “Vai sobrar dólar no Brasil em 2024, com termos de trocas favoráveis, saldo robusto da balança comercial e redução do risco-País ao longo do ano”.

… O economista-chefe do banco, Cristiano Oliveira, aposta que, dificilmente, o dólar vai ultrapassar o patamar de R$ 5 em 2024 e acredita que o impacto da redução da Selic será absorvido em termos de diferencial menos atrativo.

… Na 6ªF, porém, a dinâmica do câmbio foi afetada pelos sinais de que a flexibilização monetária nos EUA deve ficar para mais tarde (maio) e o dólar à vista encerrou o pregão cotado acima de R$ 4,90, valendo R$ 4,9295 (+0,42%).

… No mercado futuro, a moeda americana para janeiro subiu 0,29% e fechou cotada a R$ 4,9375.

… Pressionada pelo salto dos juros dos Treasuries, a curva do DI foi junto por aqui. No fechamento, jan/25 projetava 10,345% (de 10,300%); jan/26, 10,010% (9,938%); jan/27, 10,110% (10,057%); jan/29, 10,530% (10,497%); e jan/31, 10,790% (10,742%).

DOUROU A PÍLULA – Ao invés de se assustar a chance de que o primeiro corte de juro pelo Fed fique só para maio, NY encarou o payroll forte como sinal de vigor econômico, na arte de transformar risco em oportunidade.

… Também a Universidade de Michigan mostrou um consumidor americano mais otimista em dezembro (69,4 na leitura preliminar, acima do consenso de 61,6 e do dado de 61,3 em novembro) e entrou na cota de otimismo do dia.

… Para completar, a Fitch elevou a projeção do PIB/24 dos EUA de 0,3% para 1,2%, eliminando a chance de recessão.

… A despeito da disparada dos juros dos Treasuries, as bolsas em Wall Street capitalizaram o soft landing.

… O índice Dow Jones subiu 0,36%, aos 36.247,87 pontos, o S&P 500 avançou 0,41% e agora roda no melhor patamar do ano, em 4.604,37 pontos, e o Nasdaq registrou valorização de 0,45%, para 14.403,97 pontos.

… Jogando para frente o pivô dovish do Fed, o rendimento da Note-2 anos subiu 4,731%, contra 4,582% no pregão da véspera. A Note-10 anos pagou taxa de 4,233%, contra 4,148%, e o T-Bond de 30 anos, 4,314%, de 4,261%.

… Comparada à zona do euro, a força da economia americana tende a continuar roubando as forças do euro, que caiu 0,34%, para US$ 1,0768, e contribuiu para que o índice DXY (+0,45%) voltasse a superar os 104,000 pontos.

… A libra perdeu 0,36%, a US$ 1,2548, e o iene (144,98/US$) devolveu parte do rali do pregão anterior, quando o mercado levantou a lebre de que pode estar chegando a hora de o BoJ abandonar a política de juros negativos.

EM TEMPO… GPA informou nesse domingo, em fato relevante à CVM, que iniciou trabalhos para a realização de potencial oferta pública de distribuição primária de ações de emissão da companhia no valor estimado de R$ 1 bilhão…

… Na nota, afirma que a oferta se insere no plano de otimização da estrutura de capital, que compreendeu a venda da participação de 34% na Cnova N.V. e o processo de venda da participação de 13,3% no Almacenes Éxito…

… O GPA também informou a convocação de AGE para o dia 11 de janeiro de 2024 para deliberar, entre outros assuntos, sobre o aumento de capital para até 800 milhões de ações ordinárias e eleição de uma nova chapa do conselho de administração.

RENOVA ENERGIA. Em recuperação judicial, pagará no dia 2/2/2024 as parcelas semestrais que venceriam em 10 de dezembro, devidas aos credores com garantia real, segundo comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

BR PROPERTIES. Celebrou na 6ªF contrato com a CBRE Serviços do Brasil, com a venda de 100% das quotas representativas do capital social da BRPR A Administradora de Ativos Imobiliários, pelo preço de R$ 1.646.192,49.

PRIO. Conselho de administração aprovou a distribuição de R$ 60,615 milhões em dividendos intermediários, correspondentes a R$ 0,07264350 por ação ordinária. O pagamento será creditado no dia 22/12. Ações passam a ser negociadas “ex” a partir do dia 14.

BRASKEM. Confirmou acordo com a prefeitura de Maceió para pagar R$ 1,7 bilhão a título de indenização, compensação e ressarcimento integral para todo e qualquer dano em decorrência do acidente geológico com a Mina 18, que rompeu parcialmente neste domingo.

DEXCO. Contratou instituição financeira para estruturar potencial emissão de notas comerciais escriturais, em uma operação de securitização, que resultará em potencial emissão de certificados de recebíveis do agronegócio (CRA)…

… Os certificados serão objeto de potencial oferta pública, com o valor total de R$ 375 milhões, direcionados a investidores profissionais…

… A nova nota comercial ocorre em complemento à operação de securitização, que resultou na emissão de CRA no montante de R$ 1,5 bilhão, cujo anúncio de encerramento ocorreu no último dia 1º de novembro.

PORTOBELLO. O conselho de administração aprovou por unanimidade a 5ª emissão de debêntures no valor de R$ 367 milhões, em série única. Os títulos são simples, não conversíveis em ações, da espécie com garantia real e garantia adicional fidejussória, para distribuição pública.

SABESP. Governador Tarcísio de Freitas sancionou, dois dias após aprovação na Assembleia Legislativo do Estado de São Paulo (Alesp), a lei que autoriza o Estado a privatizar a Sabesp. O texto foi publicado em edição extra do Diário Oficial…

… O próximo passo é conversar com os municípios sobre a substituição dos contratos.

CTEEP. Conselho de administração aprovou o pagamento aos acionistas de juros sobre o capital próprio (JCP), que poderá ser imputado ao valor do dividendo obrigatório, no valor de R$ 1,452 bilhão, correspondente a R$ 2,204083 por ação de ambas as espécies…

… O pagamento será em duas parcelas, sendo R$ 160 milhões até 15/01/2024 e R$ 1,292 bilhão até 10/04/2024. Será considerada a posição acionária do dia 13 de dezembro e a partir do dia 14 de dezembro de 2023 as ações serão negociadas “ex-direito” a JCP.

GOL. Vai aumentar para 330 o número de voos decolando a partir aeroporto do Galeão por semana, a partir de 15 de janeiro. Santos Dumont terá 170 voos semanais com destino restrito ao aeroporto de Congonhas e ao aeroporto de Brasília, este com três voos diários.

AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

*com a colaboração da equipe do BDM Online

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