Morning Call

Relatório Jolts nos EUA e PIB no Brasil são destaques

Atualizado 05/12/2023 às 00:11:38

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[05/12/23]

… Índices de serviços na zona do euro, Alemanha, Reino Unido e, mais tarde, nos EUA, movimentam a agenda internacional, mas a atenção maior é para o relatório Jolts (12h), o primeiro dos três indicadores do emprego americano da semana, que levaram os investidores a assumirem cautela e baixarem o entusiasmo com a queda dos juros do Fed, nesta 2ªF. Amanhã (4ªF) ainda sai a pesquisa ADP e, na 6ªF, o payroll de outubro. No CME Group, as apostas em corte da taxa já em março continuam majoritárias, mas o humor dos próximos dias dependerá dos dados do mercado de trabalho. Aqui, o IBGE divulgará o PIB/3Tri (9h), que deve trazer recuo de 0,2% na margem, segundo mediana do Broadcast, após avanço de 0,9% no trimestre anterior. Na medida anual, o PIB deverá desacelerar de 3,4% para 1,8%.

… O levantamento não apresenta um consenso sobre os motivos de retração do PIB, sendo que alguns apontam a queda dos serviços, de 1,3% em agosto e 0,3% em setembro, e outros, o payback do PIB agropecuário, depois do salto de 20% no primeiro semestre.

… Para Rodolfo Margato (XP Investimentos), os serviços e a indústria podem até contribuir positivamente, embora em menor proporção, mas que não evitariam uma queda de 0,2% no terceiro trimestre e outra queda de 0,1% no último trimestre do ano.

… Menos pessimista, André Galhardo (Análise Econômica) espera estabilidade para o terceiro trimestre.

… Já com os números do PIB em mãos, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, participa de live do portal Jota (11h). Às 12h, participa de almoço da Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE), para um debate sobre a agenda do #BC.

… Ontem, em duas falas, RCN não tratou de política monetária, enquanto a curva dos juros operou no embalo dos Treasuries.

… Em NY, na contagem regressiva para a reunião do Fed, na próxima 4ªF, 13 (mesmo dia do Copom), os investidores decidiram corrigir os exageros da semana passada, com medo de serem surpreendidos por dados fortes do Jolts e do payroll (leia abaixo).

… O dia foi de alta generalizada do dólar e de queda das bolsas em Wall Street e no Ibovespa, que não sustentou os 128 mil pontos, com o mercado de commodities registrando perdas. Da China, ainda vêm a balança comercial (5ªF) e dados de inflação (6ªF à noite).

… Ontem à noite, o PMI/S&P chinês composto de novembro indicou alta para 51,6 (de 49,5 em outubro). Já no Japão, o mesmo indicador caiu de 50,5 para 49,6 em igual período, entrando em território contracionista.

CONSIGNADO – Os bancos levaram a pior na disputa pelos juros do consignado a aposentados. O Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) aprovou nova queda no teto, que saiu de 1,84% para 1,80%.

MAIS AGENDA – O BC divulga, às 8h30, os dados de crédito em outubro. A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) retoma discussão sobre a privatização da Sabesp. A base aliada espera votar amanhã (4ªF).

NOS EUA – O relatório Jolts, que é muito olhado pelo Fed, tem previsão de uma desaceleração leve na abertura de vagas de trabalho em outubro, para 9,350 milhões (contra 9,553 milhões em setembro).

… Estão ainda na agenda de NY dois PMIs de serviços: o da S&P Global (11h45), que tem previsão de subir para 50,8 em novembro, contra 50,6 em outubro, e do ISM (12h), com estimativa de 52,0 (de 51,8).

… Mais cedo, a inflação ao produtor (PPI) em outubro é destaque na zona do euro (7h).

MUITA CALMA NESTA HORA – Na correção do otimismo exagerado com o ciclo de cortes do Fed, o dólar bateu em quase R$ 4,95, o DI embutiu prêmio e o Ibov primeiro entregou os 128 mil pontos e, depois, os 127 mil.

… A realização foi atribuída a um ajuste natural, mas o movimento pode persistir, dependendo de como vieram nesta semana os dados de emprego nos EUA, que, junto com a inflação, se tornam o fiel da balança para o Fed.

… Aparando os excessos de euforia da última 6ªF, o dólar subiu 1,39%, ao nível de um mês atrás, a R$ 4,9487. A valorização foi acentuada pela demanda de fim de ano das empresas para remessas às matrizes no exterior.

… Entre indicadores domésticos, o BC informou que os Investimentos Diretos no País (IDP) somaram US$ 3,306 bilhões em outubro, mais uma vez abaixo do piso das estimativas do mercado, de US$ 3,90 bilhões.

… No ano, até outubro, o fluxo de IDP está em US$ 44,937 bi, longe da aposta do BC para 2023, de US$ 65 bi. Mas economistas no Broadcast dizem que dá para financiar com folga o déficit em c/c, de US$ 20,847 bi no ano.

… A acelerada do dólar ontem, combinada ao salto das taxas dos Treasuries, puxou a curva do DI. Os juros futuros estavam no jeito para uma correção, após o alívio recente com os comentários de RCN e Galípolo.

… A leitura dos analistas de mercado é de que os dois deixaram a porta aberta para a Selic cair 0,75pp mais à frente. Como se viu, nas duas falas públicas ontem, Campos Neto não tocou no assunto política monetária.

… Também a pesquisa Focus não trouxe novidades capazes de influenciar. Houve ajuste marginal em alta da mediana das projeções para o IPCA deste ano (de 4,53% para 4,54%) e do ano que vem (de 3,91% para 3,92%).

… Na contramão do levantamento do BC, o Pine reduziu sua projeção de IPCA de 2024, de 3,7% para 3,6%, cada vez mais perto do centro da meta, de 3%, devido à “dinâmica benigna” da inflação corrente nos últimos meses.

… Na Focus, a projeção para o déficit primário em 2024 seguiu em 0,80%, acima da meta de déficit zero de Haddad. Caio Megale (da XP) diz que o fiscal é a ponta solta que esvazia a chance de Selic terminal abaixo de 9%.

… O DI jan/25 subiu a 10,325% (de 10,273% na 6ªF); o jan/26 retomou dois dígitos, a 10,00% (9,907%); jan/27, 10,140% (10,017%); jan/29, 10,580% (10,465%); jan/31, 10,840% (10,715%); e jan/33, 10,940% (10,822%).

GRINGOLÂNDIA – Depois de o Brasil ter ficado um período na “geladeira” do investidor estrangeiro, porque estava bem mais atrativo investir nos EUA, o k externo volta a marcar presença na B3, com o pivô dovish do Fed.

… A prova está no informe do fluxo gringo da bolsa em novembro, quando entraram R$ 21,024 bi, maior aporte mensal do ano e melhor resultado para o mês desde 2020, quando os estrangeiros colocaram mais de R$ 31 bi.

… Só no último pregão do mês passado (dia 30, 5ªF), houve o ingresso-monstro de R$ 2,544 bilhões, reforçando que o capital externo está mesmo voltando com tudo, o que dá consistência ao rali de final de ano no Ibovespa.

… Segundo o Broadcast, também a balança comercial doméstica tem justificado a forte entrada de dinheiro na B3. Em novembro, até a terceira semana, o superávit foi de US$ 6,003 bi. No acumulado no ano, US$ 86,512 bi.

… Ontem, a realização de lucro coletiva nos mercados levou o Ibovespa a cair 1,08%, a 126.802,79 pontos, com volume financeiro fraco, de apenas R$ 19,5 bilhões, o que indica que os vendedores não pegaram pesado.

… A queda das commodities facilitou a correção da Vale (-2,25%, a R$ 73,53), que caiu junto com o minério de ferro (-1,79%), e da Petrobras (ON, -1,96%, a R$ 36,47; e PN, -2,13% (R$ 34,91), que colou no petróleo fraco.

… Não adiantou o príncipe saudita Abdulaziz bin Salman prometer que os cortes de produção da Opep+ (2,2 milhões de bpd) serão cumpridos, nem dizer que o enxugamento da oferta pode continuar depois do 1Tri.

… O ceticismo dos participantes do mercado persistiu e as cotações caíram pela terceira sessão consecutiva. O contrato do Brent para fevereiro, negociado na Ice londrina, caiu 1,07% e fechou cotado a US$ 78,03 o barril.

… Entre as blue chips financeiras, o sinal foi misto. Santander (+0,95%) ficou na terceira melhor posição do Ibov. Itaú subiu 0,13% (R$ 31,54) e Bradesco ON, +0,28% (R$ 14,39). BB caiu 0,39% e Bradesco PN, -0,74% (R$ 16,18).

… A pressão dos juros futuros afundou as ações das varejistas, que estiveram entre as piores baixas do dia: Magalu, 7,83%; Alpargatas, -5,51%; e Casas Bahia, -5,45%. Também MRV (-5,42%) e CVC (-4,86%) foram mal.

… A maior queda do dia foi de Gol (-9,19%). Além de ter sentido o dólar apreciado e a alta dos DIs, repercutiu negativamente a contratação de consultoria internacional para auxiliar na revisão de sua estrutura de capital.

KEEP CALM – NY baixou a bola e achou que pode ter exagerado na convicção sobre um corte do juro em março pelo Fed e na precificação de um desaperto total de 125pb. Mas a esperança não está perdida, só diminuiu.

… O suspense com os dados do mercado de trabalho nos EUA e um alerta de Mohamed El-Erian, de que o investidor pode estar se excedendo na especulação dovish, deram a senha para o mercado ir mais devagar.

… El-Erian considera improvável que o Fed entregue relaxamento monetário tão agressivo quanto o precificado.

… “A não ser que você acredite que [os EUA] entrarão em recessão, e se você acredita que haverá recessão, as ações não deveriam estar onde estão. Acho que o Fed será muito cauteloso”, afirmou, em entrevista para a CNBC.

… Profissionais se perguntaram se Powell está certo quando diz que é prematuro antecipar um relaxamento.

… Na ferramenta do CME, a chance de o Fed começar o ciclo de desaperto em março ainda é majoritária (58%), mas caiu contra 6ªF passada (63%). Bem conservador, o Barclays só prevê o primeiro corte para daqui um ano.

… A consultoria britânica Oxford Economics aposta no 3Tri e projeta só duas reduções, de 25pb cada.

… Revertendo o ímpeto de queda da última 6ªF, quando tocou mínimas em vários meses, a taxa da Note-2 anos, mais ligada ao rumo da política monetária, renovou máxima na casa de 4,65% e fechou a 4,624% (de 4,554%).

… O rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos flertou com os 4,30% no pico do dia e terminou em 4,262%, contra 4,217%. O T-Bond de 30 anos pagou taxa de 4,420%, acima dos 4,406% do pregão anterior.

… Outro que recuperou terreno foi o dólar, com o índice DXY em alta de 0,42%, aos 103,712 pontos.

… A libra (-0,61%, a US$ 1,2629) sentiu o peso adicional da decisão da Fitch de reiterou o rating AA- do Reino Unido, com perspectiva negativa. O euro caiu -0,44%, para US$ 1,0835, e o iene recuou 0,27%, a 147,29/US$.

… Repensando a festa da semana passada, o índice Dow Jones caiu de leve (-0,11%), aos 36.204,44 pontos; o S&P 500 perdeu 0,54%, aos 4.569,78 pontos; e o Nasdaq fechou em baixa de 0,84%, aos 14.185,49 pontos.

EM TEMPO… Produção total de petróleo da PRIO somou 99.313 barris de óleo equivalente por dia (boepd) em novembro, queda de 4,51% contra outubro.

ELETROBRAS assinou contrato com Infraestrutura Brasil Holding XX, controlada por fundos geridos pela Pátria Investimentos, para a venda de 49% no capital social das SPEs Chapada do Piauí I e II Holding.

LOJAS RENNER. Goldman Sachs atingiu participação de 5,02% no total de ações ON da companhia, o equivalente a 48.327.761 de papéis do tipo.

AMERICANAS lamentou, em comunicado, a decisão do Safra, que entrou na Justiça pedindo anulação do plano de recuperação judicial, e disse que o posicionamento atual mostra “intenção de satisfazer interesses particulares”…

… BB, titular de debêntures da 5ª emissão da Americanas SA, optou por individualizar créditos e adotar autorrepresentação em medidas judiciais e/ou administrativas para a defesa de interesses nas negociações com cia.

LOCALIZA. Controlada Locamerica aprovou aumento de capital social de R$ 6,7 bi, para R$ 13,2 bi.

SLC AGRÍCOLA informou que, devido às chuvas abaixo da média histórica no Cerrado e às altas temperaturas, vai deixar de semear com soja 16 mil hectares em Mato Grosso, transferindo a área apenas para plantio de algodão.

AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

*com a colaboração da equipe do BDM Online

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