Morning Call

IPCA-15 ajuda a definir Copom

Atualizado 24/07/2023 às 23:06:47

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[25/7/2023]

… Na véspera do Fed, os investidores em NY seguem esperando uma mensagem mais suave, apesar de convencidos de mais uma alta de 25pb do juro americano. Mesmo que Powell sinalize mais um aumento, deve pular setembro, e essa percepção tem assegurado a demanda por risco. Hoje, Wall Street também será movimentada pelos balanços da Alphabet e Microsoft, à noite. A expectativa de estímulos pela China, por outro lado, garante a força das commodities, do Ibovespa e derruba o dólar, enquanto os juros futuros assumiram alguma cautela antes do IPCA-15, que sai às 9h. A mediana aponta para leve deflação, mas o mais importante será o comportamento dos serviços, que pode esvaziar as apostas mais agressivas para o Copom da próxima semana.

… Já a pressão dos serviços no IPCA fechado de junho preocupou o mercado, mas muita gente ainda acredita que o Banco Central poderá começar as quedas da Selic com um corte de 50pb. O IPCA-15 será um bom teste para definir um consenso.

… Após a expansão de 0,04% em junho, pesquisa do Broadcast apurou estimativas entre deflação de 0,40% e alta de 0,09%, com mediana de -0,03%, que jogaria o acumulado em 12 meses para 3,23% (nível mais baixo desde setembro/2020).

… Os bônus de Itaipu sobre a energia elétrica e o subsídio às montadoras sobre os automóveis novos devem puxar a queda, mas o efeito baixista será compensado pelo aumento da gasolina, com o retorno da cobrança integral do PIS/Cofins.

… Para serviços, a expectativa é de desaceleração, de 0,56% no IPCA-15/junho para 0,45%, e para serviços subjacentes, de 0,56% para 0,43%. A média dos cinco núcleos deve desacelerar a 0,16% (0,35% em junho), para 5,70% em 12 meses.

… As expectativas indicam arrefecimento também de preços livres (0,06% para -0,07%) e bens industriais (-0,08% para -0,39%). Só os preços administrados (-0,03% para 0,10%) e a alimentação no domicílio (-0,81% para -0,77%) devem acelerar.

… Mais cedo, o mercado também vai monitorar a pesquisa Focus, cuja divulgação foi adiada para hoje (8h25).

… A ala do mercado que defende um corte de 50pb se apoia na forte valorização do câmbio, com o dólar caindo abaixo de R$ 4,23 na mínima desta 2ªF. A perspectiva de fluxo é amparada pela expectativa de reação chinesa e recuperação das commodities.

… No Ibovespa, ações ligadas a materiais básicos, como Vale e Petrobras, subiram firme e a alta do índice só não foi maior, porque os bancos responderam mal à notícia de que Haddad quer acabar com os Juros sobre Capital Próprio (leia abaixo).

… Junto com o petróleo, ainda as commodities agrícolas, em especial trigo e milho, registraram ganhos expressivos na Bolsa de Chicago, diante dos ataques russos à infraestrutura ucraniana e calor intenso no meio oeste dos Estados Unidos.

… O potencial impacto inflacionário nos alimentos foi combatido pelo câmbio e repercutiu nas apostas para o Copom.

… O fato de o Fed reduzir o ritmo do aperto monetário é considerado positivo e não pesa nas perspectivas para o fluxo, já que o diferencial das taxas continuará garantindo a atratividade do carry trade, segundo profissionais do mercado.

JCP – Falando aos jornalistas na porta do Palácio do Planalto, Haddad confirmou nesta 2ªF que o governo pretende acabar com os juros sobre capital próprio no ano que vem. “É uma das medidas que está sendo elaborada pela Fazenda”, disse ele.

… A medida visa elevar a arrecadação para zerar o déficit das contas públicas em 2024. Em abril, o ministro deu o primeiro sinal de que pretendia promover essa alteração, encomendando o estudo à sua equipe, como revelou o Estadão.

… Na ocasião, Haddad disse que “tem empresas que não têm mais lucro e, portanto, não pagam imposto de renda. O que elas fizeram? Transformaram o lucro artificialmente em Juro sobre Capital Próprio.”

… O JCP é um mecanismo previsto na legislação brasileira que as empresas fazem para distribuir lucros a seus acionistas.

REFORMA ADMINISTRATIVA – Em almoço oferecido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), nesta 2ªF, em São Paulo, Arthur Lira surpreendeu com uma informação que a plateia adorou: “Vamos tratar da reforma administrativa, ela está pronta.”

… O presidente da Câmara foi bastante aplaudido neste momento e ganhou o apoio público e imediato do presidente da Febraban, Isaac Sidnei, que colocou a entidade à disposição para ajudar a sensibilizar os parlamentares sobre essa necessidade.

… Para Lira, “de todas as reformas estruturantes, é a única que falta”. Desde já, ele esclareceu que “a reforma administrativa que está pronta, uma PEC, não tira direito adquirido de ninguém, já que a proposta tem um corte para trás.”

… À saída do evento, o presidente da Câmara foi questionado por jornalistas sobre a reforma ministerial preparada por Lula para abrigar siglas do Centrão no governo e disse que ela deve ser feita no tempo “do presidente da República, não dos partidos”.

IBGE – No Estadão, o presidente interino do Instituto, Cimar Azeredo, tem feito campanha nos bastidores para se manter no cargo, em meio a um fogo cruzado no governo que envolve o movimento do PT para emplacar o economista Márcio Pochmann.

… Segundo o jornal, Azeredo já foi a Brasília 13 vezes neste ganho e ganhou a confiança da equipe da ministra Simone Tebet, que avalia de maneira positiva o seu trabalho no órgão, que assumiu no governo de Jair Bolsonaro.

… A ministra quis esperar a conclusão do Censo demográfico para começar a sondar nomes para sua substituição.

AMERICANAS – O governo Lula protocolou na Câmara pedido de urgência no projeto de lei do Ministério da Fazenda que blinda acionistas minoritários de atos ilícitos cometidos por controladores de companhias abertas.

… Segundo a Folha, o projeto foi enviado na esteira das investigações sobre a suposta fraude na Americanas, buscando dar mais proteção aos investidores e para afastar o risco de novas crises de confiança no mercado de capitais.

… Com o pedido de urgência, o governo quer acelerar a tramitação da matéria, que precisa ser analisado em 45 dias.

DIESEL – Ainda na Folha, os recordes de produção da Petrobras e a invasão de diesel russo no mercado brasileiro derrubaram os preços do combustível, a ponto de levar a maior refinaria privada brasileira a exportar o produto por falta de competitividade.

… Na semana passada, o preço médio do diesel S-10 no País ficou em R$ 4,99 por litro, abaixo dos R$ 5 pela primeira vez desde maio de 2021. Na primeira semana de janeiro, o litro custava R$ 6,60, em valores corrigidos pela inflação.

MAIS AGENDA – A prévia do IPC-Fipe abre o dia (5h). Depois, vem a arrecadação federal (10h30), que deve atingir R$ 179,450 bilhões em junho (mediana do Broadcast), queda real de 3,91% na comparação anualizada.

… O arrefecimento da atividade econômica e a base elevada de comparação explicam a previsão pior.

LÁ FORA – Sai nos EUA a confiança do consumidor medida pelo Conference Board (11h), que deve acelerar para 110,5 em julho, de 109,7 em junho. Na Alemanha, tem o índice Ifo de sentimento das empresas em julho (5h).

… O FMI publica, às 10h, atualização de relatório de Perspectivas da Economia Mundial.

BALANÇOS – Verizon, General Motors, General Eletric e 3M são destaques antes da abertura. Visa vem depois do fechamento. Aqui, Carrefour, Neoenergia e Telefônica Brasil (Vivo) divulgam seus números com a B3 já fechada.

O AGRO É POP – O salto das commodities agrícolas (trigo, +8,6%; milho, +6%; soja, +1,6%) e do petróleo (+2%) ofuscou a queda dos bancos com o plano de Haddad de acabar com o JCP e renovou a máxima do ano do Ibov.

… A promessa de estímulos pela China e os ataques de Moscou a regiões estratégicas para transporte de grãos da Ucrânia dispararam os ativos e aproximaram a bolsa doméstica dos 122 mil pontos na máxima (121.771,71).

… Na segunda metade do pregão, o índice à vista perdeu parte do pique, mas ainda fechou bem: +0,94%, aos 121.341,69 pontos. O volume financeiro, em período de férias, seguiu enfraquecido, em R$ 24,5 bilhões.

… As blue chips das commodities engataram altas firmes: Vale subiu 3,02% (R$ 69,85); Petrobras ON, +2,07% (R$ 34,00), e Petrobras PN, +2,09% (R$ 30,30). Lá fora, as cotações do petróleo cravaram o pico em três meses.

… Diante da perspectiva de maior demanda pelos chineses e de sinais adicionais de aperto na oferta pela interrupção por falhas técnicas de uma refinaria da Exxon o Brent para setembro subiu 2,05%, a US$ 82,74.

… Ouvido pelo Broadcast, o economista André Perfeito observa que, diante do petróleo cada vez mais caro, os combustíveis estão se afastando “perigosamente” da paridade internacional: diesel (-16%) e gasolina (-20%).

… Segundo ele, a defasagem cria um risco hawkish para o Copom no comunicado. Ainda para o profissional, um eventual reajuste em alta dos combustíveis pela Petrobras depois do corte da Selic daria uma sinalização ruim.

… “Se logo após a reunião, a Petrobras resolve subir a gasolina, de duas, uma: o mercado vai pensar que a Petrobras esperou a decisão do Copom para subir a gasolina e nesse caso tentou manipular o BC”.

… “Ou que a melhora do câmbio já chegou ao limite no que tange à inflação”, afirmou Perfeito.

… A força das commodities foi decisiva ontem para salvar a bolsa do choque negativo dos bancos, que aprofundaram as perdas após a confirmação de Haddad de que vai propor o fim dos juros sobre capital próprio.

… O ministro da Fazenda apontou a medida como “saneadora” para a arrecadação e equilíbrio do Orçamento.

… Na onda vendedora do setor financeiro, Bradesco PN registrou desvalorização de 2,70% (R$ 16,60); BB ON, -1,96% (R$ 47,57); Bradesco ON, -1,72% (R$ 14,84); Itaú, -1,59%, a R$ 28,54; e Santander unit, -0,77%, a R$ 29,78.

… Ainda no campo negativo, os frigoríficos foram prejudicados pela escalada dos preços dos grãos. Entre as maiores perdas do índice, Minerva caiu 4,38% (R$ 9,60), Marfrig perdeu 3,88% (R$ 6,94) e BRF, -2,28% (R$ 8,58).

… A maior desvalorização do dia foi de IRB, que despencou 14,40%, a R$ 42,15, apesar de a empresa ter reportado em maio um prejuízo (-R$ 10,4 milhões) bem menor do que um ano antes, de R$ 273,1 milhões.

… Mesmo melhor, o resultado assustou o investidor, que ainda vê desafios para a empresa voltar ao azul.

O OUTRO LADO DA MOEDA – Ao invés de ter olhado para o potencial canal inflacionário da disparada dos preços agrícolas, que poderia ter pressionado o dólar, os juros futuros caíram com o câmbio valorizado.

… O real entrou na festa do boom das commodities e, como grande exportador de grãos, o Brasil viu a sua moeda se valorizar para a máxima em 14 meses no primeiro pregão desta semana supermovimentada pelo Fed.

… O alívio do dólar por aqui contrariou a alta em escala global e, na mínima do dia, a moeda americana chegou a furar a marca de R$ 4,73, cotada a R$ 4,7237. No fechamento dos negócios, caía 0,99%, cotada a R$ 4,7331.

… O câmbio também continua valorizado pela perspectiva do fluxo positivo, diante da percepção de que os estrangeiros vão seguir explorando o diferencial de juro atrativo, mesmo com o corte da Selic no horizonte.

… A taxa básica começará a cair logo (agosto), mas só testará um dígito no ano que vem. De quebra, a tendência é de o Fed assumir daqui em diante uma linha mais dovish, mantendo o carry-trade interessante para o Brasil.

… Também o ambiente econômico mais positivo, com o andamento da agenda reformista e do regime fiscal no Congresso, além da manutenção das metas de inflação pelo CMN, têm lançado o real a um posição de destaque.

… Sintonizados à queda do dólar, os juros futuros caíram e desafiaram a alta dos juros dos Treasuries. Mas a ponta curta neutralizou boa parte das perdas na reta final e fechou praticamente estável, à espera do IPCA-15.

… No fechamento, o DI jan/24 estava em 12,700% (de 12,708%); jan/25, a 10,700% (de 10,724%), jan/26, 10,120% (de 10,168%); jan/27, 10,170% (de 10,218%); jan/29, 10,530% (10,589%); e jan/31, 10,730% (10,819%).

FEELING DOVISH – Na contagem regressiva para o Fed, bateu o sentimento de que tanto o comunicado quanto Powell não virão agressivos e que, depois da alta contratada para amanhã, virá um pausa ou será o fim do ciclo.

… Em NY, o investidor foi para o risco. Comprou bolsa e vendeu Treasuries. O Dow Jones completou a sua melhor sequência de ganhos em seis anos, com 11 sessões em alta. Subiu 0,52% ontem, a 35.411,24 pontos.

… O S&P 500 registrou valorização de 0,40%, a 4.554,64 pontos; e o Nasdaq ganhou 0,19%, a 14.058,87 pontos.

… Sem hedge por segurança, subiram as taxas da Note-2 anos (4,901%, de 4,862%) e 10 anos (3,868%, de 3,835%), apesar de o PMI/S&P composto dos EUA ter caído de 53,2 (junho) para 52 (julho) na leitura preliminar.

… O dado mais fraco também não abalou o dólar, porque os indicadores europeus vieram piores.

… Na zona do euro, o PMI composto recuou de 49,9 em junho a 48,9 em julho, mínima em oito meses. No Reino Unido, o indicador desacelerou de 52,8 para 50,7 na prévia de julho e tocou o pior patamar em seis meses.

… Os números reforçaram a esperança de que o BCE e o BoE inglês sejam menos rígidos em seus ciclos de aperto do juro e derrubaram o euro (-0,55%, a US$ 1,1063) e a libra esterlina (-0,26%, a US$ 1,2817).

… Com isso, o índice DXY, que mede a força do dólar contra outras seis moedas fortes, registrou alta de 0,27%, a 101,346 pontos. Às vésperas da reunião do BoJ, o iene foi negociado em alta de 0,24%, cotado a 141,52/US$.

EM TEMPO… ELETROBRAS prevê investimentos entre R$ 70 bilhões e R$ 80 bilhões para os próximos 5 anos; segundo a companhia, novos investimentos seguirão padrões rígidos de disciplina de capital.

JBS obteve a efetividade do registro do Formulário F-4 apresentado à SEC e relativo às ofertas de troca de 11 séries de notes (bonds), com vencimentos de 2027 a 2033 e 2052…

… Com isso, a companhia passa a ser obrigada a divulgar informações nos EUA e a estar sujeita às exigências de divulgação de informações previstas na legislação local.

TOTVS vai distribuir R$ 138,8 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,23/ação, com pagamento em 25/8; ex em 28/7.

SANEAMENTO. Iguá e Aegea estão entre as principais apostas dos bancos para o retorno de aberturas de capital no início de 2024, segundo o Valor. As empresas ainda não engajaram bancos de investimento para os IPOs…

… Mas cumprem os requisitos apontados como necessários para atrair investimentos, diz o jornal.

… Executivos das empresas dizem que a abertura de capital não é necessária para viabilizar investimentos, mas que a possibilidade é discutida.

AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

*com a colaboração da equipe do BDM Online

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