Foco no emprego antes do payroll
… O petróleo promete abrir com gap de queda firme, depois de Trump ter dito ontem à noite que a Venezuela entregará entre 30 e 50 milhões de barris para os americanos. No geral, porém, o mercado tem estado indiferente à crise de transição de poder e o investidor global volta a concentrar o foco na agenda dos indicadores econômicos. As atenções se voltam nesta quarta-feira para dois dados de emprego nos Estados Unidos: o relatório Jolts de novembro (12h) e a pesquisa ADP sobre os empregos no setor privado em dezembro (10h15), que deve apontar a criação de 48 mil vagas de trabalho, revertendo a eliminação de 32 mil postos no mês anterior. Os números podem ajudar o mercado a preparar o espírito para o payroll da sexta-feira, mesmo com as diferenças metodológicas.
PARADA ESTRATÉGICA – Apesar da sinalização de pausa do juro em janeiro, apostas do CME apontam flexibilização entre março ou abril, com alguns dirigentes do Fed olhando mais para a piora do emprego do que para a inflação.
… Em novembro, o desemprego subiu ao maior nível em mais de quatro anos, pedindo novos cortes de juro à frente.
… Na coletiva da última reunião de política monetária, Powell adotou uma linguagem de risco, observando que a expansão do emprego tem perdido dinamismo e que os dados sugerem um arrefecimento gradual das contratações.
… Comentários de outros integrantes do Fed também já destacaram a preocupação com a fragilidade do trabalho.
… A percepção de que o emprego está esfriando coincide com os esforços de Trump para emplacar um nome com perfil dovish e alinhado à sua visão econômica para o comando do Fed, depois de tantas provocações a Powell.
… Não é desprezível a chance de que o juro americano, hoje na faixa de 3,50% a 3,75%, caia até 3% no ano. O Fed boy de Trump, Stephen Miran, voltou a defender cortes agressivos ontem, de mais de 100 pontos-base em 2026.
… Ele disse esperar que os próximos indicadores reforcem a avaliação de que as reduções “são apropriadas” e alertou que a política monetária “excessivamente restritiva” pode “sufocar o crescimento econômico ainda na raiz”.
… Dificilmente o “novo Fed” será tão relaxado quanto Miran prega. Mas o ciclo de corte de juros contratado nos Estados Unidos deve manter o dólar fraco no mundo e preservar o diferencial de juros ainda favorável ao Brasil.
… Neste contexto, apesar da volatilidade eleitoral, investidores estrangeiros ouvidos pelo Valor acreditam quea Selic ainda elevada deve manter em vigor apostas favoráveis à moeda brasileira, ao menos na primeira metade do ano.
… A perspectiva de que o Copom só derrube o juro no final do primeiro trimestre (março), num ajuste gradual, mantém o real bem posicionado no ranking de moedas e sustenta a relevância da estratégia do carry trade.
… Ao Broadcast, economistas também projetam o dólar sob controle este ano, com câmbio médio em R$ 5,35, apesar dos picos de estresse projetados para o segundo semestre, quando o trade eleitoral estará pegando fogo.
… Como disse o BBVA, “estamos otimistas com o real até a metade do ano; depois ficaremos cautelosos”.
… Superada a sazonalidade do fluxo de remessas ao exterior, o dólar furou ontem a marca de R$ 5,40 (abaixo) pela primeira vez em mais de um mês, desde a véspera do anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência.
POSTO IPIRANGA – Flávio afirmou ontem, em entrevista ao canal do YouTube do influenciador Paulo Figueiredo, que pretende anunciar antes das eleições quem será seu ministro da Economia, caso seja eleito para o Planalto.
… O parlamentar repetirá a estratégia do pai, que anunciou Paulo Guedes no comando da economia antes de virar presidente. O senador afirmou já ter um nome em mente para a vaga, mas disse que ainda não revelará quem é.
… Só antecipou que, “com certeza”, será alguém liberal. Sugeriu ainda o irmão Eduardo para o Itamaraty.
CASO MASTER – BC recorreu da decisão monocrática do ministro do TCU Jhonatan de Jesus de inspeção para exame de documentos. Segundo a autoridade monetária, medidas dessa natureza devem ser decididas de forma colegiada.
… Esta semana, Jhonatan de Jesus alertou que poderia determinar que o BC seja proibido de vender bens do Master na liquidação do banco, lançando questionamentos de que estaria extrapolando as competências do Tribunal.
… Fontes do Valor disseram que Daniel Vorcaro não pediu ao TCU a reversão da liquidação do Master, mas teria requisitado que o Tribunal acompanhe a venda dos ativos para que eles não sejam repassados “a preço de banana”.
… Na manchete do Estadão de hoje, o BC foi alvo de ataques em massa na web pela sua atuação no caso Master.
… Pouco antes da virada do ano, contas conhecidas por promover celebridades foram usadas para manchar a imagem e reputação e questionar a credibilidade de órgãos como o BC e a Febraban em relação ao processo.
… A PF marcou nova rodada de depoimentos de executivos do Master e do BRB para o fim de janeiro e início de fevereiro. O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foi intimado a prestar um segundo depoimento.
… No Congresso, que volta do recesso no dia 2 de fevereiro, assessores do deputado Carlos Jordy (PL) disseram que já há assinaturas necessárias para o requerimento de instauração de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito.
… Interlocutores dizem que 232 parlamentares (198 deputados e 34 senadores) já assinaram o documento.
MERCOSUL – Às vésperas da assinatura de um acordo do bloco com a UE, prevista para a próxima segunda-feira, a Comissão Europeia driblou a resistência da Itália e propôs antecipar acesso de agricultores a cerca de 45 bi de euros.
… Os italianos reagiram positivamente ao anúncio. Alckmin disse que o acordo está bem encaminhado.
MAIS AGENDA – Além dos relatórios de emprego, saem ainda nos Estados Unidos hoje o PMI/ISM de serviços em dezembro (12h), as encomendas à indústria em outubro (12h) e os estoques de petróleo do DoE (12h30).
… Já com os mercados americanos fechados, a dirigente do Fed Michelle Bowman participa de evento, às 18h10.
… O dia reserva ainda a inflação ao consumidor (CPI) da zona do euro em dezembro (7h).
JAPÃO HOJE – O PMI/S&P Global composto caiu de 52,0 em novembro para 51,1 na leitura final de dezembro. O indicador, entretanto, permaneceu acima do patamar neutro de 50, ou seja, indicando expansão da atividade.
… O PMI de serviços cedeu de 53,2 para 51,6 no mesmo período, ainda em território de expansão.
AQUI – O único destaque é o fluxo cambial semanal, que o BC divulga às 14h30.
FLUXO A FAVOR – O dólar caiu pela 4ª sessão consecutiva (-0,47%), para R$ 5,3800, em meio ao movimento de correção do câmbio iniciado no fim do ano passado, com o término da demanda por remessas de lucros ao exterior.
… A calmaria temporária no cenário eleitoral, o maior apetite por risco lá fora e o quadro favorável ao carry trade, com a Selic mantida em 15% pelo menos até março, também têm favorecido a entrada de capital estrangeiro.
… Lá fora, o dólar voltou a se recuperar diante dos pares, com o índice DXY em alta de 0,30%, aos 98,567 pontos. O euro caiu 0,25%, a US$ 1,1691, e a libra perdeu 0,29%, a US$ 1,3502.
… Nos juros futuros, a falta de liquidez nesta primeira semana inteira do ano deixou as taxas voláteis, enquanto o mercado aguarda os números do IPCA de 2025, na 6ªF, para direcionar os negócios.
… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 13,735% (de 13,696% no ajuste anterior); Jan/29, 13,015% (de 13,004%); Jan/31, 13,345% (de 13,316%); e Jan/33, 13,520% (de 13,463%).
A UM PASSO – Sem novos ruídos políticos e diante de uma agenda de dados esvaziada, o investidor deixou a crise na Venezuela em segundo plano e decidiu partir para as compras na bolsa doméstica neste início de ano.
… O Ibovespa subiu pelo segundo dia seguido (+1,11%), com bom giro (R$ 24,8 bilhões) e fechou aos 163.663,88 pontos, a um passo de renovar o recorde de fechamento (164.455,61), de 4 de dezembro, véspera do “Flávio Day”.
… Vale ON (+3,76%, a R$ 75,87) engatou forte alta durante a tarde e puxou todo o setor: CSN Mineração ON (+2,78%, a R$ 5,55); CSN ON (+2,98%, a R$ 9,32) e Usiminas PNA (+4,06%, a R$ 6,41).
… Segundo a Genial Investimentos, as ações pegaram carona na recente valorização do minério de ferro, que já acumula alta de 3% desde o Natal. Ontem, em Dalian (China), o minério subiu 0,69%, a US$ 114,68/tonelada.
… Os bancos também subiram, mas de forma mais moderada do que na véspera: Itaú PN (+0,60%, a R$ 39,96); Bradesco PN (+0,58%, a R$ 19,08); e BB ON (+1,10%, a R$ 22,12). Só Santander unit (-0,06%; R$ 33,92) ficou de lado.
… A festa não foi completa porque os papéis da Petrobras ficaram entre as maiores baixas (ON -1,92%, a R$ 31,15; e PN -1,85%, a R$ 29,64), com investidores preocupados com a futura concorrência do óleo da Venezuela.
… A queda no preço do petróleo e um vazamento de fluido na perfuração do primeiro poço na Foz do Amazonas também pesaram sobre as ações. A companhia confirmou o problema, que deve paralisar a exploração por 15 dias.
… Vivara ON liderou as perdas do índice (-3,19%, a R$ 30,30), seguida por Petrobras e Direcional ON (-1,81%, a R$ 14,07), que devolveu os ganhos do dia anterior.
… Já a lista de maiores altas trouxe Hapvida ON (+8,70%; R$ 16,49), seguida de Assaí ON (+5,62%; R$ 7,89) e Braskem PNA (+5,13%; R$ 7,99).
FUTURO NEBULOSO – O petróleo queimou os ganhos da sessão anterior, com o mercado voltando a se preocupar com o excesso de oferta global, enquanto coloca em xeque a chance de recuperação da produção da Venezuela.
… O Brent para março recuou 1,72% na ICE, a US$ 60,70 o barril.
… Para os analistas do ING, o ataque à Venezuela representa um risco de queda da oferta no curto prazo, enquanto a retomada da produção dependerá de investimentos significativos das petroleiras americanas no país.
… A Pepperstone acrescenta que o mercado está cético quanto a uma recuperação rápida da produção venezuelana, diante do estado precário da infraestrutura local e da necessidade de bilhões de dólares em investimentos.
MAIS UM – As bolsas em NY voltaram a subir, com o Dow Jones (+0,99%, aos 49.462,08 pontos) e o S&P 500 (+0,62%, aos 6.944,82) colecionando novos recordes de fechamento.
… O Nasdaq (+0,65%, aos 23.547,17 pontos) não bateu seu fechamento histórico (23.958,47), registrado em 29 de outubro, mas está a caminho, com as ações de chips em alta acelerada nos últimos dias.
… Microchip Technology avançou 11,6%, após elevar sua projeção de vendas para o 3TRI fiscal. Micron subiu 10,0%, impulsionada pela perspectiva de crescimento da demanda por semicondutores para data centers e IA.
… O segmento de empresas especializadas em armazenamento de dados também disparou: Sandisk (+27,6%), Western Digital (+16,7%) e Seagate (+14,0%).
… Na esteira dos ataques à Venezuela, Lockheed Martin voltou a subir (+2,05%). A empresa fechou acordo para triplicar a venda de mísseis para o Pentágono. Já Chevron (-4,5%) seguiu o petróleo e devolveu o ganho de 2ªF.
… Na área de saúde, Moderna disparou 10,9% após apresentar pedidos para aprovação de uma vacina do tipo RNA mensageiro contra gripe. GSK subiu 3,1% com a aprovação pelo Japão de um para tratamento de asma severa.
CIAS ABERTAS NO AFTER – GPA informou que recebeu solicitação dos acionistas Rafael Ferri e Hugo Shoiti Fujisawa para convocar assembleia geral para a eleição de todo o Conselho de Administração…
… Na solicitação, os acionistas comentam que o colegiado foi eleito em 6 de outubro pelo procedimento de voto múltiplo e, desde então, dois conselheiros renunciaram a seus respectivos cargos, deixando-os vagos…
… Os acionistas ainda indicaram Daniel Vinicius Alberini Schrickte e Gustavo Viana Volpato como candidatos para concorrer em eventual procedimento de voto múltiplo ao conselho…
… Grupo afirmou que seu Conselho de Administração analisará o requerimento e verificará o cumprimento das exigências legais antes de decidir sobre a convocação da assembleia.
GRUPO MATEUS. Conselho de Administração aprovou a homologação do aumento de capital parcialmente subscrito, mediante a emissão das novas ações…
… Os acionistas controladores subscreveram, substancialmente, as novas ações, tendo realizado a subscrição de 55.211.906 papéis, pelo preço de emissão de R$ 6,37, totalizando o valor de cerca de R$ 351,7 milhões…
… Isto corresponde a 99,98% da totalidade das novas ações subscritas no âmbito do aumento de capital…
… Com a operação, capital social da companhia passou dos atuais R$ 8,528 bilhões, divididos em 2.248.469.834 de ações ordinárias, para R$ 8,88 bilhões, dividido sem 2.303.692.568 de ações ordinárias…
… As 19.488.250 de ações ordinárias não subscritas durante o período para exercício do direito de preferência foram canceladas e, portanto, não foram emitidas.
EMBRAER entregou 91 aeronaves no quarto trimestre de 2025, superando os volumes do terceiro trimestre do mesmo ano e do quarto trimestre de 2024, quando as entregas somaram 62 e 75 aeronaves, respectivamente.
SABESP anunciou ajuste no valor por ação referente ao pagamento de JCP, inicialmente divulgado em 19/12…
… Valor total permaneceu em R$ 1,798 bilhão, mas o valor por ação foi corrigido para R$ 2,5677, ante os R$ 2,6305 informados anteriormente; pagamento aos acionistas está previsto para 30 de abril…
… Alteração considera o aumento do capital social da companhia aprovado pelo Conselho de Administração e a exclusão das ações mantidas em tesouraria na data-base de 23 de dezembro.
ODONTOPREV. Bradseg, anteriormente acionista indireta da companhia, anunciou que passou a deter diretamente 53,54% do capital social da empresa…
… Alteração se deu após Bradseg receber, por meio de cisão parcial, todas as ações que estavam sob titularidade da Bradesco Gestão…
… Operação faz parte de uma reorganização societária interna do grupo Bradesco e envolveu a transferência de 292,2 milhões de ações ordinárias da Odontoprev.
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Fechamento: Ibovespa avança e retoma os 163 mil pontos impulsionado pela Vale
O Ibovespa subiu nesta terça-feira, pelo segundo dia consecutivo, mais uma vez embalado pelo bom humor de NY, em uma sessão com poucos indicadores. O índice fechou em alta de 1,11%, aos 163.663,88 pontos. O giro ficou em R$ 24,6 bilhões.
Entre as blue chips, a estrela do pregão foi a Vale, que avançou 3,76% (R$ 75,87), com o aumento do fluxo estrangeiro em torno do papel, acompanhando as recentes valorizações do minério de ferro – uma alta de 3% desde o feriado de Natal, segundo a Genial Investimentos.
Já Petrobras acompanhou o petróleo e caiu (ON -1,92%, a R$ 31,15; e PN -1,85%, a R$ 29,64), ocupando a segunda e a terceira posições entre as maiores baixas do Ibovespa.
O dólar à vista caiu pelo quarto dia seguido e fechou em baixa de 0,47%, a R$ 5,3800, sem novos ruídos políticos e após o término da demanda por remessas de lucros ao exterior.
Em NY, as bolsas tiveram mais uma sessão de ganhos, mas com o foco principal dos investidores deixando de ser as tensões geopolíticas relacionadas à ação dos EUA na Venezuela, para se direcionar à divulgação de dados importantes de empregos no país ao longo da semana.
Dow Jones subiu 0,99% (49.462,08). S&P500 ganhou 0,62% (6.944,81). Nasdaq teve alta de 0,65% (23.547,17). Por sua vez, os retornos dos Treasuries também avançaram.
Fechamento dos Mercados
▫️ IBOVESPA: +1,11% | 163.663,88 pts
▫️ DOW JONES: +0,99% | 49.462,08 pts
▫️ S&P500: +0,62% | 6.944,81 pts
▫️ NASDAQ: +0,65% | 23.547,17 pts
▫️ DÓLAR: -0,47% | R$ 5,3800
▫️ EURO: -0,89% | R$ 6,2829
▫️ BITCOIN: -1,67% | US$ 92.389,00