Dólar recua com tombo do petróleo e expectativa de fim da guerra em breve

O dólar à vista registrou queda expressiva diante do real nesta 4ªF, acompanhando o enfraquecimento da moeda americana no exterior, após o tombo no preço do petróleo aliviar as preocupações com a inflação global e a possibilidade de alta dos juros pelo Fed e outros BCs.

Os mercados reagiram à liberação da passagem de 26 navios pelo Estreito de Ormuz, inclusive três superpetroleiros, e às sinalizações tanto do Irã como dos EUA de demonstrarem disposição em encerrar logo a guerra.

A divulgação da Ata do Fed ficou em segundo plano e não fez preço no câmbio. O documento mostrou que maioria dos membros do BC americano indicou que um aumento dos juros pode ser necessário, caso a guerra com o Irã continue a agravar a inflação.

O dólar à vista fechou em baixa de 0,74%, a R$ 5,0034, após oscilar entre R$ 4,9999 e R$ 5,0576.

Às 17h04, o dólar futuro para junho caía 0,89%, a R$ 5,0160.

Lá fora, índice DXY recuava 0,22%, para 99,108 pontos. O euro subia 0,17%, a US$ 1,1627. E a libra ganhava 0,29%, a US$ 1,3439.

Petróleo desaba quase 6% com expectativa de acordo EUA-Irã e fluxo maior em Ormuz

Os contratos futuros de petróleo despencaram nesta 4ªF, diante da expectativa de solução para a guerra entre EUA/Israel e o Irã. Trump disse que as negociações para um eventual acordo de paz estariam na “fase final”, mas voltou a ameaçar com um ataque ainda mais forte se os iranianos não cederem.

O mercado reagiu também à notícia de que 26 navios, incluindo superpetroleiros, teriam conseguido atravessar o Estreito de Ormuz nas últimas 24 horas – ainda que, em paralelo, a Reuters tenha informado que o país está implementando um sistema de múltiplas etapas para a liberação de embarcações na região.

Duas autoridades iranianas se manifestaram hoje, primeiro o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, dizendo que o foco está em acabar com a guerra e atender às demandas claras do país.

Mais tarde, o presidente Masoud Pezeshkian afirmou que “todas as vias continuam abertas” para evitar o conflito, mas que “forçar o país a se render por meio da coerção não passa de ilusão”, sendo a diplomacia o caminho mais sábio.

O dia teve ainda a divulgação, pelo DoE, de que os estoques de petróleo bruto nos EUA caíram em 7,864 milhões de barris na semana passada, a 445 milhões, ante expectativa de recuo de 3 milhões, conforme analistas consultados pelo Wall Street Journal.

No fechamento, o contrato do Brent para julho desabou 5,62%, a US$ 105,02 por barril na ICE, enquanto o WTI para o mesmo mês também caiu forte: -5,66%, a US$ 98,26 por barril na Nymex.

Ibovespa sobe firme e retoma dos 177 mil pontos

Ibovespa sobe firme e retoma dos 177 mil pontos com impulso de NY

A bolsa brasileira acompanhou a melhora na percepção de risco no exterior, na expectativa de um fim breve da guerra no Irã, e registrou alta firme nesta 4ªF. No fechamento, o Ibovespa apresentou ganho de 1,77%, aos 177.355,73 pontos, com giro de R$ 28,1 bilhões. Entre as blue chips, destaque para a recuperação dos bancos: Bradesco PN +2,70% (R$ 17,86), Santander unit +2,62% (R$ 27,45), BB +2,32% (R$ 20,70), Itaú PN +2,29% (R$ 39,67) e BTG unit +2,13% (R$ 54,20). A Vale também avançou (+1,21%; 82,00), superando com folga o minério de ferro (+0,19%). As ações da Petrobras, em contrapartida, sentiram a derrocada do petróleo e caíram forte (ON -3,85%, na mínima de R$ 49,68; e PN -3,23%, a R$ 44,60), liderando as perdas do índice – com SLC Agrícola em terceiro (-1,61%; R$ 16,52) e Prio em quarto (-1,00%; R$ 68,63), as únicas baixas do indicador. Na outra ponta, CSN Mineração, que aprovou um novo programa de recompra de ações, ficou no topo com +10,29% (R$ 4,50), seguida de Cury (+8,53%; R$ 31,30) e Renner (+7,77%; R$ 14,70). (Márcio Anaya)