Suzano lidera as baixas após divulgar resultados do 1TRI
Os papéis da Suzano lideram as quedas do Ibovespa, depois de a companhia ter divulgado seus resultados dos três primeiros meses de 2026.
Entre janeiro e março, a empresa teve lucro líquido de R$ 4,3 bilhões, queda de 32% na comparação anual.
Para o BTG e o Santander, foi um trimestre pressionado por fatores operacionais e macroeconômicos, com destaque para o câmbio.
Mesmo com a alta dos preços da celulose, para cerca de US$ 560 por tonelada, a valorização do real acabou limitando os ganhos, dizem as instituições financeiras.
Há pouco, ação recuava 2,22%, negociada a R$ 43,82.
Resumo semanal: 27/04/2026 a 30/04/2026
Por Matheus Gomes de Souza, CEA
1. Cenário global e geopolítica
O fracasso das negociações indiretas entre EUA e Irã reforçou a leitura de um conflito sem horizonte claro de resolução. O Estreito de Ormuz permaneceu praticamente fechado, limitando o fluxo global de petróleo, gás e insumos estratégicos, o que sustentou o Brent acima de US$ 100 ao longo da semana e o levou a tocar níveis próximos de US$ 120 após novas ameaças militares de Washington. A estratégia americana de manter o bloqueio aos portos iranianos, condicionando qualquer alívio a concessões nucleares, aprofundou o impasse e aumentou o risco de ruptura adicional na oferta global de energia.
Os efeitos colaterais começaram a se materializar fora do Oriente Médio, com relatos de racionamento de combustíveis em partes da Ásia e da África e aumento da volatilidade nos mercados globais. A saída anunciada dos Emirados Árabes Unidos da Opep+ trouxe algum debate sobre oferta futura, mas não foi suficiente para aliviar os preços no curto prazo. Ao final da semana, o mercado passou a tratar o conflito não mais como evento transitório, mas como um vetor estrutural de risco, com implicações duradouras para inflação, crescimento e política monetária global.
2. Política monetária e inflação
O Federal Reserve manteve a taxa entre 3,50% e 3,75%, mas adotou tom mais duro ao reconhecer explicitamente que o choque do petróleo ainda não atingiu seu pico e tende a pressionar inflação e cadeias produtivas. Powell reforçou a estratégia de “esperar para ver”, afastando qualquer sinalização de cortes no curto prazo. A reprecificação foi significativa: o mercado passou a empurrar o início da flexibilização para horizontes bem mais distantes, enquanto os Treasuries subiram e o dólar ganhou força ao longo da semana.
Na Europa, BCE e BoE também mantiveram juros, mas ambos destacaram a intensificação dos riscos inflacionários. A inflação da zona do euro subiu para 3,0% em abril, com energia avançando quase 11%, enquanto o núcleo mostrou apenas leve arrefecimento. O BCE deixou claro que a pausa é temporária, condicionada à duração do choque energético. No Reino Unido, o BoE reconheceu que a inflação já supera o previsto antes da guerra e alertou para efeitos de segunda ordem via salários e preços. O pano de fundo comum foi a consolidação do petróleo como choque inflacionário importado, limitando o espaço para políticas monetárias mais acomodatícias.
3. Brasil: Macro, fiscal e política
O Banco Central reduziu a Selic em 0,25 p.p., para 14,50%, mas adotou comunicação mais cautelosa. A projeção de inflação para o horizonte relevante subiu para 3,5%, acima do centro da meta, refletindo petróleo elevado e expectativas desancoradas. O Comitê evitou classificar o balanço de riscos como assimétrico, mas deslocou o foco do debate para a extensão total do ciclo de cortes, reduzindo a probabilidade de aceleração do ritmo. Dados reforçaram o dilema: o IPCA-15 acelerou, com piora qualitativa dos núcleos, enquanto o mercado de trabalho seguiu resiliente, com desemprego em 6,1%, o menor para um trimestre encerrado em março na série histórica.
No campo fiscal, o déficit do Governo Central em março foi recorde para o mês, pressionado por precatórios, enquanto o Caged surpreendeu positivamente, indicando atividade ainda firme. Politicamente, a rejeição inédita de Jorge Messias ao STF marcou uma derrota histórica para o governo Lula e escancarou fragilidade na articulação com o Senado. O episódio elevou a percepção de risco político e adicionou um vetor doméstico de incerteza em um momento já sensível do ciclo macroeconômico.
4. Mercados financeiros
No exterior, Wall Street conseguiu sustentar níveis elevados graças aos resultados robustos das big techs, embora com maior sensibilidade a guidance e capex. Alphabet surpreendeu positivamente, enquanto Meta foi penalizada pelo aumento expressivo de investimentos. Ainda assim, o avanço do petróleo e o tom hawkish do Fed limitaram o apetite por risco, elevando yields e interrompendo a sequência de recordes. O dólar se fortaleceu globalmente ao longo da semana, refletindo a reprecificação da política monetária americana.
No Brasil, o Ibovespa acumulou fortes perdas, pressionado por saída gradual de capital estrangeiro, queda acentuada de Vale após frustração com o balanço e desempenho negativo dos bancos, afetados por cenário macro mais duro e ruídos regulatórios. Petrobras foi exceção, beneficiada diretamente pelo rali do petróleo. A curva de juros abriu de forma relevante, incorporando prêmio de risco externo e doméstico, enquanto o câmbio voltou a testar R$ 5, refletindo o ambiente global mais defensivo.
Síntese da Semana
▪️ O conflito entre EUA e Irã deixou de ser ruído geopolítico e se consolidou como choque estrutural de energia, elevando inflação global e prêmios de risco.
▪️ Bancos centrais mantiveram juros, mas a comunicação ficou mais hawkish, reforçando a tese de juros elevados por mais tempo.
▪️ No Brasil, o Copom calibrou o corte, mas reconheceu piora do cenário, enquanto dados de atividade e trabalho seguem resilientes e a inflação pressiona.
▪️ A derrota política do governo no Senado adicionou risco doméstico em um ambiente já adverso.
▪️ Nos mercados, energia e dólar se fortaleceram, enquanto bolsas (sobretudo a brasileira) passaram por ajuste relevante diante do novo regime de risco.
Bolsas europeias fecham em alta com petróleo em queda e manutenção de juros estáveis
As bolsas europeias fecharam em alta após decisões de juros em sessão de recuo nos preços do petróleo das máximas de quatro anos.
O BCE manteve juros e opções em aberto para futuras reuniões, citando riscos elevados de inflação e crescimento, com Lagarde confirmando que um aumento estava sendo debatido.
O BoE também manteve as taxas, com Bailey alertando que uma resposta “enérgica” poderia ser necessária caso o impacto econômico da guerra EUA-Irã se agrave.
Mais cedo, inflação na zona do euro atingiu o maior patamar em 2,5 anos, a 3% em abril, enquanto o PIB do 1TRI desacelerou.
Resultados corporativos impulsionaram movimentos mistos: a Rolls-Royce disparou 6,49% após manter suas projeções; Unilever (+1,96%) e Glencore (+2,62%) também registraram altas. ArcelorMittal (-0,55%) e Volkswagen (-0,48%) tiveram baixa moderada.
Stellantis despencou 24,18% devido à fraca receita, o Credit Agricole recuou 3,66%, o BNP Paribas caiu 1,41%, o Société Générale perdeu 3,59%.
No fechamento: Londres +1,55%; Frankfurt +1,37%; Paris +0,53%; Stoxx 50 +1,03% (5.876,35); Stoxx 600 +1,30% (610,78).