Juros futuros vão às máximas do ano com petróleo a US$ 100 e IPCA acima do esperado; Jan/27 testa os 14%

Os juros futuros ampliaram a alta na reta final da sessão e atingiram os maiores níveis deste ano, após um dia de forte acúmulo de prêmios, em meio à sequência dos conflitos no Oriente Médio, que levaram o petróleo à casa dos US$ 100, e o IPCA de fevereiro (+0,70%) acima do esperado (+0,63%).

O avanço da commodity e o IPCA mais alto reforçaram a preocupação com a trajetória inflacionária e aumentaram as incertezas em relação à decisão do Copom da próxima semana, com o mercado praticamente enterrando as chances de um corte de 0,5 ponto e cogitando a possibilidade de o Comitê não mexer na Selic.

Além disso, os DIs também sentiram a piora na percepção de risco fiscal após as medidas anunciadas pelo governo para tentar amenizar o aumento no preço do diesel.

No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 13,995%, depois de testar os 14% no pior momento da sessão (de 13,652% no ajuste anterior); Jan/29 a 13,525%, na máxima do dia (de 13,163%); Jan/31 a 13,805% (13,473%); e Jan/33 a 13,920%, na máxima do dia (de 13,628%).

Fechamento: Ibovespa cai forte e perde os 180 mil pontos com maior aversão ao risco; dólar vai a R$ 5,24

A bolsa brasileira caiu firme nesta 5ªF, em uma sessão que teve como destaque internacional a disparada de 9% do petróleo com incertezas sobre a guerra no Irã e, por aqui, o IPCA de fevereiro (+0,70%) acima do esperado (+0,63%).

O índice fechou em baixa de 2,55%, aos 179.284,49 pontos, com giro de R$ 35,6 bilhões.

Além dos fatores gerais, a safra de balanços revelou um cenário de diversas empresas altamente endividadas, elevando a percepção de risco doméstico diante de um juro ainda bastante alto. Raízen e GPA já pediram recuperação extrajudicial, enquanto CSN e Oncoclínicas enfrentam sérias dificuldades.

Entre as blue chips, destaque para a queda dos grandes bancos, que costumam figurar nas listas de principais credores: Santander -4,44% (R$ 30,58), BB -4,38% (R$ 24,23), Bradesco PN -2,76% (R$ 19,39) e Itaú PN -2,73% (R$ 42,69).

Vale também recuou (-0,76%; R$ 79,24), na contramão do minério (+1,34%), ao passo que Petrobras avançou (ON +1,45%, a R$ 49,65, terceira maior alta do Ibovespa; e PN +0,45%, a R$ 45,00) – ainda assim de forma tímida frente ao petróleo.

Yduqs liderou as perdas do Ibovespa com -14,83% (R$ 10,28), seguida de CSN (-14,45%; R$ 6,10), ambas após balanços. Embraer vem a seguir com -11,01% (R$ 74,73).

Na outra ponta, SLC Agrícola foi a que mais subiu (+4,34%; R$ 17,56), acompanhada de MBRF (+3,16%; R$ 16,99).

O dólar à vista fechou em alta de 1,61%, a R$ 5,2423.

Fechamento dos Mercados

▫️ IBOVESPA:  -2,55% | 179.284,49 pts

▫️ DOW JONES: -1,56% | 46.677,85 pts

▫️ S&P500: -1,52% | 6.672,58 pts

▫️ NASDAQ: -1,78% | 22.311,98 pts

▫️ DÓLAR: +1,61% | R$ 5,2423

▫️ EURO: +0,54% | R$ 6,0401

▫️ BITCOIN: -0,22% | US$ 70.519,00

Dólar dispara com petróleo a US$ 100, avanço da inflação e deterioração do crédito das empresas

O dólar à vista registrou forte alta diante do real e praticamente apagou a queda acumulada nesta semana, diante de uma combinação da piora na percepção de risco doméstica com a continuidade do clima de incertezas no exterior por causa da guerra.

Por aqui, o IPCA acima do esperado em fevereiro e a expectativa de reajuste dos combustíveis pela Petrobras, a menos de uma semana da decisão do Copom, se somaram à deterioração do crédito das empresas, com anúncios recentes de pedidos de recuperação (GPA e Raízen) e preocupação com a situação financeira de outras companhias (CSN e Oncoclínicas, por exemplo).

Também não repercutiu bem o anúncio de redução de impostos federais e subvenção do diesel pelo governo. A medida gera preocupação com o quadro fiscal e pode ser interpretada pelo mercado como eleitoreira.

O dólar à vista fechou em alta de 1,61%, a R$ 5,2423, após oscilar entre R$ 5,1576 e R$ 5,2493. Às 17h09, o dólar futuro para abril subia 1,70%, a R$ 5,2685.

Lá fora, o índice DXY tinha alta de 0,50%, para 99,730 pontos.

O euro caía 0,47%, a US$ 1,1513. E a libra perdia 0,50%, a US$ 1,3346.