Resumo semanal: 02/02/2026 a 06/02/2026
Por Matheus Gomes de Souza, CEA Estados Unidos A atividade econômica norte-americana iniciou o ano com expansão moderada, sustentada principalmente pelo setor de serviços. O PMI composto subiu de 52,7 para 53,0 em janeiro, refletindo crescimento acima da linha de neutralidade, enquanto o PMI de serviços avançou para 52,7, superando levemente as expectativas do mercado. […]
Por Matheus Gomes de Souza, CEA
Estados Unidos
A atividade econômica norte-americana iniciou o ano com expansão moderada, sustentada principalmente pelo setor de serviços. O PMI composto subiu de 52,7 para 53,0 em janeiro, refletindo crescimento acima da linha de neutralidade, enquanto o PMI de serviços avançou para 52,7, superando levemente as expectativas do mercado. A leitura sugere um ritmo anualizado de crescimento próximo de 1,7%, segundo a S&P Global. Apesar do desempenho positivo da atividade, persistem pressões inflacionárias nos serviços, associadas ao repasse de custos salariais e tarifários, ainda que a concorrência venha limitando aumentos mais expressivos nos preços finais.
No mercado de trabalho, os dados apontam para um processo gradual de desaquecimento. A criação de vagas no setor privado ficou em apenas 22 mil em janeiro, abaixo do esperado, enquanto os pedidos iniciais de auxílio-desemprego subiram para 231 mil, influenciados por eventos climáticos adversos. O relatório JOLTS mostrou queda das vagas em aberto para 6,542 milhões, o menor nível desde 2020, com redução da taxa de vagas para 3,9% e da relação vagas/desempregado para 0,87. Esse conjunto de indicadores reforçou a leitura de “baixa contratação e baixa demissão”, aumentando as expectativas de flexibilização monetária, com o mercado elevando a probabilidade de cortes de juros já nas próximas reuniões do Fed, embora a autoridade monetária siga cautelosa. No campo geopolítico, os EUA retomaram canais de diálogo estratégico com a Rússia após a expiração do tratado New START e mantiveram negociações indiretas com o Irã, em um ambiente de elevada tensão e riscos à estabilidade internacional.
Brasil
Os indicadores de preços e atividade econômica reforçaram sinais de desaceleração gradual da economia no início de 2026. O IPC-Fipe subiu 0,21% em janeiro, abaixo das expectativas de mercado e com inflação acumulada em 12 meses de 3,80%, indicando alívio inflacionário na margem, apesar de pressões pontuais em Educação (5,12%) e Vestuário (1,28%). O IGP-DI avançou 0,20% no mês, acelerando em relação a dezembro, mas manteve deflação de 1,11% em 12 meses, refletindo acomodação nos preços ao produtor e queda em matérias-primas. No campo real, a produção industrial recuou 1,2% em dezembro frente a novembro, desempenho pior que o esperado, ainda que tenha registrado alta de 0,4% na comparação anual, consolidando um crescimento modesto de 0,6% em 2025.
No âmbito da política monetária, a ata do Copom confirmou a sinalização de início de um ciclo de cortes da Selic a partir de março, após a manutenção da taxa em 15% ao ano pela quinta reunião consecutiva. O Banco Central destacou melhora do cenário inflacionário corrente e expectativas menos distantes da meta, mas reforçou a necessidade de manter juros em patamar restritivo diante da resiliência do mercado de trabalho e das incertezas fiscais. A expectativa do mercado é de redução para 14,5% em março e para 12,25% ao fim de 2026. No plano fiscal e institucional, o debate sobre a ampliação de benefícios no Legislativo elevou o ruído político, apesar do impacto fiscal direto limitado, levando o STF a suspender pagamentos acima do teto constitucional. A reação do mercado também foi sensível às discussões sobre mudanças na diretoria do Banco Central, com abertura da curva de juros longos, evidenciando preocupação com a credibilidade da política econômica no horizonte mais longo.
Europa
O cenário europeu combinou fragilidade econômica com elevada instabilidade política. Na atividade, a indústria da zona do euro permaneceu em contração pelo terceiro mês consecutivo, com o PMI manufatureiro avançando para 49,5 em janeiro, ainda abaixo do nível de expansão, apesar da retomada moderada da produção. A fraqueza dos novos pedidos seguiu limitando a recuperação, enquanto os cortes de empregos industriais persistiram pelo 32º mês consecutivo. Em contraste, o setor de serviços mostrou maior resiliência, especialmente na Alemanha, onde o PMI de serviços permaneceu em expansão em 52,4, sustentado por novos negócios, embora com desaceleração no ritmo de crescimento e queda no emprego. O Banco Central Europeu manteve os juros inalterados pela quinta reunião consecutiva, com a taxa de depósito em 2,00%, reforçando uma postura de cautela e dependência dos dados diante de uma inflação ainda em convergência gradual à meta.
No campo político e fiscal, as tensões se intensificaram em diversos países. Na Hungria, pesquisas indicaram vantagem do partido de oposição Tisza sobre o Fidesz do primeiro-ministro Viktor Orbán às vésperas das eleições de abril, em um ambiente de déficits fiscais persistentes próximos a 5% do PIB e alertas das agências de rating sobre riscos à dívida pública. Na França, a aprovação do orçamento de 2026 encerrou um período prolongado de instabilidade política, reduzindo o prêmio de risco da dívida, apesar da manutenção de um déficit elevado estimado em 5% do PIB e do adiamento de reformas estruturais sensíveis. Em Portugal, pesquisas apontaram vitória expressiva do candidato socialista moderado no segundo turno das eleições presidenciais, sinalizando contenção do avanço da extrema-direita. No plano geopolítico, avançaram negociações mediadas pelos Estados Unidos entre Rússia e Ucrânia, incluindo troca de prisioneiros, enquanto países do Norte da Europa, como a Noruega, alertaram para o aumento dos riscos de espionagem e sabotagem russa, elevando a percepção de insegurança estratégica no continente.
Ásia
Os indicadores econômicos da região mostraram desempenho heterogêneo, combinando resiliência do consumo com inflação moderada ou negativa em algumas economias. Em Hong Kong, as vendas no varejo cresceram 6,6% em dezembro na comparação anual, o oitavo mês consecutivo de alta, impulsionadas pela recuperação do turismo, com 4,65 milhões de visitantes no mês (+9,2%). A confiança empresarial também avançou, com mais de 50% das empresas otimistas para 2026, apesar das persistentes incertezas geopolíticas e comerciais entre Estados Unidos e China. Na Coreia do Sul, a inflação ao consumidor desacelerou para 2,0% em janeiro, o menor nível em cinco meses, em linha com a meta do banco central, enquanto a autoridade monetária manteve os juros inalterados, priorizando a estabilidade cambial diante da desvalorização do won. Na Tailândia, a inflação anual permaneceu negativa pelo décimo mês consecutivo (-0,66%), muito abaixo da meta oficial, reforçando expectativas de novos cortes de juros nos próximos meses.
No campo político e geopolítico, a região foi marcada por eleições e tensões estratégicas relevantes. No Japão, pesquisas indicaram ampla vantagem da primeira-ministra Sanae Takaichi às vésperas das eleições nacionais, em meio a preocupações fiscais associadas a promessas de estímulo e ao aumento da dívida pública, além de tensões crescentes com a China em torno de Taiwan. Na Tailândia, as eleições gerais apontaram um cenário fragmentado, com liderança do Partido Popular reformista, após a dissolução do parlamento e em um ambiente de forte polarização política. Na Coreia do Sul, o governo avançou na elaboração de um projeto de lei para viabilizar investimentos de até US$ 350 bilhões nos Estados Unidos, como parte de um acordo comercial para mitigar riscos tarifários. Em Taiwan, autoridades alertaram para o aumento da pressão militar chinesa, com alta de 23% nas incursões aéreas em 2025, reforçando a necessidade de maior prontidão defensiva em um contexto de deterioração do ambiente de segurança no Indo-Pacífico.
Oriente Médio
A região permaneceu marcada por elevada instabilidade geopolítica, com recrudescimento da violência em Gaza apesar do cessar-fogo em vigor desde outubro. Israel suspendeu temporariamente a travessia de palestinos pela passagem de Rafah, alegando falhas de coordenação por parte da Organização Mundial da Saúde, o que reduziu significativamente o fluxo de pacientes e feridos rumo ao Egito, abaixo do volume diário previsto no acordo. Paralelamente, ataques israelenses em diferentes áreas da Faixa de Gaza deixaram ao menos 23 mortos em um único dia, incluindo civis e profissionais de saúde, elevando para mais de 530 o número de palestinos mortos desde o início da trégua e para mais de 71.800 desde outubro de 2023. No plano regional mais amplo, avançaram negociações indiretas entre Estados Unidos e Irã, mediadas por Omã, em um ambiente de forte tensão militar, com reforço da presença naval americana no Golfo e ameaças explícitas de retaliação caso não haja progresso diplomático.
No campo econômico, a Arábia Saudita seguiu apresentando desempenho robusto fora do setor petrolífero, com o PMI não petrolífero em 56,3 em janeiro, ainda em território de expansão, apesar da desaceleração no ritmo e do aumento das pressões de custos. O PIB saudita cresceu 4,5% em 2025 e 4,9% no quarto trimestre, impulsionado tanto pelo avanço das atividades não petrolíferas quanto pela maior produção de petróleo, embora o governo venha reavaliando prioridades de gastos diante de restrições fiscais. Na Turquia, a inflação mensal acelerou para 4,84% em janeiro, enquanto a taxa anual recuou para 30,65%, mantendo o desafio do processo de desinflação mesmo após cortes sucessivos de juros, com a taxa básica em 37%. Em paralelo, a Arábia Saudita intensificou sua atuação no Iêmen, destinando bilhões de dólares para estabilizar áreas sob controle do governo reconhecido internacionalmente, em uma tentativa de conter a influência dos houthis e reforçar sua posição estratégica regional, ainda que com custos fiscais e riscos de sustentabilidade no médio prazo.