Morning Call

Deflação do IGP-10 e IBC-Br fecham a semana

Atualizado 16/06/2023 às 10:51:57


Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[16/6/2023]

… O BoJ ainda não mexeu nos juros na reunião desta 6ªF, mas analistas acreditam que a política ultra acomodatícia mudará em breve. Em NY, dados mais fracos da atividade e emprego ajudaram o mercado a esquecer a mensagem hawkish do Fed sobre novos aumentos, mas a depender dos próximos indicadores, a volatilidade pode voltar. Já hoje é importante o Sentimento do Consumidor de Michigan, com as expectativas de inflação em um ano e cinco anos (11h). Mais cedo, investidores recuperam uma fala de Bullard na Noruega (4h) e monitoram o CPI na zona do euro (6h), após o BCE contratar nova alta para julho. Aqui, tem IGP-10 com forte deflação (8h), além do IBC-Br de abril (9h), enquanto o mercado repercute o desmentido de que o governo pode estender o programa do carro popular.

… Em entrevista concedida ao final da reunião de ministros que durou mais de nove horas, Rui Costa disse que o presidente Lula falou em tom de “brincadeira” que queria estender os descontos tributários para montadoras reduzirem os preços dos veículos.

… A informação vazou e pesou na meia hora final de negócios com mercado de juros futuros, que passaram a subir temendo por nova investida contra os esforços de Haddad para aumentar a receita e ajustar as contas públicas às regras do arcabouço fiscal.

… Desde o início, o ministro definiu o limite de R$ 1,5 bilhão para o subsídio (R$ 500 milhões para os carros), e para bancar esse custo antecipou parcialmente a reoneração do diesel para setembro, quando voltarão a incidir 11 centavos no preço do combustível.

… Segundo várias mídias, Lula está empolgado com o programa e interrompeu Haddad na reunião para dizer que era “um sucesso”.

… Até sair o highlight, o mercado de juros sustentava leves quedas com a perspectiva de queda iminente da Selic, melhora do outlook do rating soberano pela agência S&P e os novos estímulos anunciados pela China para sustentar sua economia.

… Pelos mesmos motivos, o dólar se manteve na faixa de R$ 4,80, aproveitando ainda a queda em escala global com o fortalecimento do euro, enquanto o Ibovespa só não conquistou os 120 mil pontos, porque Petrobras não ajudou (leia abaixo).

… Desprezando a alta superior a 3% do petróleo, as ações reagiram negativamente ao anúncio de redução da gasolina, que fica 4,66% (R$ 0,13/litro) mais barata, a partir de hoje, nas refinarias. A decisão causou estranheza, porque os preços já estavam defasados.

… Não demorou a surgir nas mesas a especulação de que a Petrobras estaria sendo alvo de nova intervenção do governo.

… Já nos juros, a queda da gasolina entrou rapidinho nas planilhas dos economistas, que estimaram impacto favorável de até 0,03pp para o IPCA de junho, o que favorece a chance de deflação (prevista por RCN), e de até 0,10pp na inflação de 2023.

… Em declaração no final da tarde à Agência Estado, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, disse que cresceu a probabilidade de o IPCA deste ano terminar perto de 5% ou mesmo abaixo deste nível.

… “É até possível que a meta (4,75% no teto) seja cumprida, o que não era mais esperado.”

… Em paralelo, novos sinais de esfriamento da atividade no 2Tri reforçaram as expectativas de que o BC perdeu todos os argumentos para manter a Selic nesse nível, sobretudo, do volume de serviços, que caiu 1,6% na margem, bem pior que a mediana (-0,4%).

… Pesquisa Broadcast nesta 5ªF mostrou que a maioria do mercado espera que o Copom sinalize no comunicado da próxima semana a queda da Selic já em agosto. Essa é a aposta de 24 de 46 casas (52,2%). Já 37% só esperam o primeiro corte em setembro.

… Na reunião ministerial com Lula, Fernando Haddad teria denunciado uma “certa alienação” do BC por manter a taxa Selic em 13,75% desde agosto do ano passado, mas se mostrou confiante ao afirmar que “o caminho é a queda dos juros”.

ARCABOUÇO VOLTA PARA A CÂMARA – Reunião de Rodrigo Pacheco com lideranças do Senado e os ministros Fernando Haddad e Simone Tebet decidiu que o texto da regra fiscal será votado na 3ªF, 20, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

… O relator do projeto, Omar Aziz (PSD), quer votar no plenário, “no máximo”, até 4ªF, 21. Ele confirmou que vai retirar o dispositivo que limita o crescimento do Fundo Constitucional do DF e que os recursos para o Fundeb ficarão fora do controle de gastos.

… Com essas mudanças, o projeto voltará à Câmara, mas Lira já indicou que colocará em votação logo após a aprovação no Senado.

… Uma terceira alteração desejada pelo relator, mudar o período da inflação para o ajuste do limite das despesas, não deve prosperar, já que enfrenta resistência de Lira. Essa mudança permitiria ao governo aumentar os gastos em até R$ 40 bilhões em 2024.

REFORMA TRIBUTÁRIA – Na manchete do Estadão/hoje, a proposta de tributação diferenciada para produtores rurais e empresas que atuam no agronegócio, apresentada pelo Grupo de Trabalho, ameaça travar as negociações no Congresso.

… Coordenador do grupo, deputado Reginaldo Lopes (PT) confirmou que o tratamento especial será dado só ao produto in natura. “Se ele for modificado, não”, disse ao jornal. A decisão, porém, não é consenso e pode se transformar em novo ponto de atrito.

MAIS AGENDA – No mais novo alívio da inflação, o IGP-10 deve registrar a maior queda da série histórica, de 2,12% em junho (pesquisa Broadcast), acentuando a deflação de 1,53% em maio. Também às 8h, sai a prévia do IPC-S.

… Do lado da atividade, o IBC-Br deve vir estável em abril, após a queda de 0,15% em março. O piso das apostas é de -1,50% e o teto, de 1,30%. Os efeitos residuais positivos da agropecuária prometem impedir uma piora no dado.

… Servidores do BC, com paralisações parciais previstas para as próximas 3ªF e 5ªF, reúnem-se hoje com o presidente Campos Neto. O movimento reflete a insatisfação com o tratamento desigual do governo com carreiras similares, como da Receita.

LÁ FORA – O diretor do Fed Christopher Waller participa de evento às 8h45. Os dados da Baker Hughes saem às 14h.

ROLO COMPRESSOR – Só nas últimas 48h, surgiram mais dois gatilhos (gasolina mais barata e a melhora da perspectiva do rating do Brasil pela S&P) para pressionar o Copom a amolecer o coração e relaxar o juro em agosto.

… Economistas acreditam que o outlook da S&P se transforme em um aliado indireto importante para antecipar a queda da Selic, na medida em que a boa notícia tem potencial desinflacionário, especialmente via câmbio.

… Segundo os profissionais, a sinalização positiva para o selo de qualidade da nota de crédito do País colabora para reduzir as expectativas inflacionárias, além de desanuviar o balanço de riscos do BC do ponto de vista fiscal.

… Haddad também tem cobrado RCN a baixar o juro como prêmio pela aprovação do arcabouço na Câmara.

… Nos últimos dias, diante da onda de revisões em baixa na Focus para as estimativas do IPCA, parte do mercado também já começou a colocar as fichas nas apostas de que o Brasil não estourará o teto do alvo (4,75%) em 2023.

… O Citi antecipou ontem de setembro para novembro o timing do Copom para iniciar o ciclo de corte da Selic, citando a melhora inflacionária recente e o início do processo de ancoragem de expectativas após a S&P.

… A curva do DI operou em dois tempos ontem. Caiu em boa parte do dia, esticando a festa com a história do rating e reagindo ao corte da gasolina pela Petrobras, à queda das taxas dos Treasuries e à fraqueza no volume de serviços.

… Nos minutos finais do pregão, porém, os juros futuros zeraram as perdas e ensaiaram viés de alta, na movimentação atribuída ao ruído de Lula (desmentido mais tarde) sobre a extensão do programa do carro popular.

… O DI jan/24 foi à máxima de 13,025% (de 13,041% no ajuste); jan/25, 11,145% (de 11,123%); jan/26, 10,555% (de 10,424%); jan/27, 10,620% (de 10,610%); jan/29, 10,960% (de 10,950%); e jan/31, 11,170% (máxima), de 11,116%.

… No câmbio, o dólar fechou estável (-0,09%), acomodado no suporte de R$ 4,80 e cotado a R$ 4,8025.

… Faltou fôlego para cair, porque a moeda americana vem de uma desvalorização de 1,51% nos últimos cinco pregões e acumula queda de 5,33% no mês. Mas o piso informal em que se encontra agora ainda pode ser furado.

… A tramitação do arcabouço no Congresso, que será agitada na semana que vem, pode servir como “plus a mais” para o real ganhar espaço renovado para se apreciar, no contexto de otimismo que vem dominando os negócios.

… O dólar futuro para julho seguiu à risca as oscilações no mercado à vista e fechou estável (-0,09%), a R$ 4,8285.

QUASE MELOU – Lido pelo mercado como uma manobra populista e intervencionista, sem respaldo técnico, o novo corte na gasolina descolou as ações da Petrobras do rali do petróleo e, por pouco, não custou uma realização ao Ibov.

… O índice à vista esgotou boa parte das forças e limitou a alta a 0,13%, mas deu um jeito de segurar os 119 mil pontos (119.221), bancando o oitavo fechamento positivo em nove pregões. O giro somou R$ 28,7 bilhões.

… As mais recentes demonstrações de resistência exibidas pela bolsa doméstica têm sido atribuídas ao apetite dos estrangeiros pelo Brasil. Dos quatro melhores fluxos de k externo do ano, três ocorreram nos últimos três pregões.

… Entraram R$ 1,619 bi na 3ªF, R$ 1,639 bi na 2ªF e R$ 1,825 bi na 6ªF passada. No mês, o saldo está positivo em R$ 6,145 bilhões e, no ano, em R$ 13,023 bilhões. “Gringo está incontrolável comprando Brasil”, disse Alexandre Cabral.

… Seja como for, o Ibov deu sinais de fadiga ontem, no ânimo roubado pela Petrobras, de volta ao alvo de acusações de ingerência política e destaque entre as piores perdas do dia: PN, -2,36% (R$ 29,39); e PN, -1,48% (R$ 33,19).

… Os papéis perderam a chance de embarcar na escalada do petróleo, que operou sob o estímulo redobrado do tombo do dólar e do corte de juros na China. O Brent para agosto disparou 3,37%, para US$ 75,67 por barril.

… Os esforços do governo de Pequim para resgatar o ritmo da economia chinesa foram reconhecidos pelo minério de ferro (+1,43%) e puxaram a Vale (ON, +0,78%, a R$ 69,56), que ajudou a poupar a bolsa de um ajuste em queda.

… Também os bancos subiram em bloco e contribuíram para preservar o Ibov no azul: BB ON (+2,05%) liderou o setor, seguido por Santander (+1,79%) e Itaú (+1,31%, a R$ 28,56). O Bradesco avançou 0,30% (PN), a R$ 16,90.

… Braskem PNA saltou 6,43% (R$ 29,48), com especulações de que a J&F articula uma proposta para comprar a petroquímica, que vem sendo cobiçada pela Unipar, pelo fundo americano Apollo e a petroleira de Abu Dabhi Adnoc.

… Terceira maior alta do dia, CVC (ON, +3,90%) protocolou pedido de registro de oferta pública primária de ações.

TIRE O FALCÃOZINHO DA CHUVA – A surpresa com dois indicadores econômicos mais fracos do que se imaginava nos EUA encorajou NY a lançar dúvidas sobre a ameaça hawkish do Fed no statement divulgado essa semana.

… O documento havia deixado no ar a chance de o juro subir mais uma ou duas vezes este ano, após a pausa de junho. No CME, as apostas não mudaram: é majoritária a chance de uma dose de aperto de 25 pb em julho.

… A partir daí, o mercado precifica com maior probabilidade (43,7%) a manutenção da taxa até o fim do ano.

… Ou seja, o investidor admite que o ciclo de alta pode não ter acabado ainda, mas evita comprar a projeção mais conservadora do gráfico de pontos do Fed, de que o juro possa subir mês que vem e também em setembro. 

… A sensação de que o comitê de Powell não irá tão longe foi reforçada ontem pela queda inesperada na produção industrial em maio (-0,2%), contra o consenso de alta de 0,1%, e pela estabilidade do auxílio-desemprego (262 mil).

… Analistas esperavam que os pedidos caíssem para 251 mil, mas o mercado de trabalho se mostrou mais fraco.

… Os dados colocaram em xeque a chance de o Fed vir linha dura nos próximos meses e derrubaram os juros dos Treasuries, ao mesmo tempo em que embalaram as bolsas em NY. O yield da Note-2 anos caiu a 4,637%, de 4,700%.

… O rendimento do título de 10 anos do Tesouro americano recuou para 3,718%, de 3,800% no pregão da véspera.

… Os índices de ações em Wall Street aceleraram os ganhos ao longo da tarde, no entusiasmo que projetou o S&P 500 (+1,22%, a 4.425,84 pontos) e o Nasdaq (+1,15%, a 13.782,82 pontos) para os melhores níveis em 14 meses.

… O Dow Jones também foi bem (+1,26%; 34.408,06 pts), desacreditando a fama de mau deixada pelo statement.

… Por duas razões combinadas, o dólar afundou ontem: porque o Fed pode se provar mais dovish e porque o euro saltou 1,04%, a US$ 1,0950, com o recado do BCE de que o juro da zona do euro ainda não alcançou o seu pico.

… Mesmo depois de a taxa de depósito ter subido ontem para 3,5%, maior nível em mais de duas décadas, Lagarde disse que, no momento, uma pausa está descartada e que o BC europeu pretende realizar apertos adicionais.

… O índice DXY, termômetro do dólar contra outras seis moedas fortes, registrou baixa de 0,81%, a 102,115 pontos. A libra esterlina avançou 0,97%, para US$ 1,2783, e o iene caiu pouco (-0,2%), cotado a 140,28/US$ antes do BoJ.

EM TEMPO… BRADESCO vai distribuir R$ 2 bilhões em JCP, o equivalente a R$ 0,1789 por ação ON e de R$ 0,1968 por ação PN, com pagamento em 6/7; ex em 27/6.

BRASKEM. Petrobras reiterou que não há qualquer decisão em relação ao processo de desinvestimento ou de aumento de participação na petroquímica.

PETROBRAS. O Goldman Sachs manteve recomendação neutra para a ação da estatal, com preço-alvo de R$ 32,30 para ON e de R$ 29,40 para PN…

… Na avaliação do banco, o corte no preço da gasolina é reflexo de movimentos recentes dos preços internacionais do petróleo…

… XP manteve recomendação de compra para a ação da estatal, com preço-alvo de R$ 35,50…

… Com a nova política de preços em vigor, XP espera que a Petrobras alcance taxas de utilização das refinarias mais altas e intervalos de preços que oscilem entre a política de preços de exportação (PPE) e de importação (PPI).

LIGHT teria desistido do acordo de confidencialidade que permitiria o início das negociações com credores que têm aproximadamente R$ 5 bilhões em debêntures da companhia, segundo fontes do Broadcast.

KLABIN. Diretor da unidade de negócios de Papéis, Flávio Deganutti, renunciou ao cargo; interinamente posto será ocupado pelo diretor-geral da companhia, Cristiano Cardoso Teixeira.

AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

*com a colaboração da equipe do BDM Online

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