Morning Call

China e S&P garantem a festa

Atualizado 15/06/2023 às 01:23:59

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[15/6/2023]

… A festa continua hoje, com a decisão da China de cortar seu juro de um ano para 2,65% e a revisão da perspectiva do rating do Brasil pela S&P. Os mercados em NY ainda absorviam o Fomc mais hawkish, apesar da pausa no aperto, quando estourou a notícia, que ampliou os ganhos do Ibovespa e derrubou as taxas futuras e dólar para R$ 4,80. A melhora do outlook foi inesperada e recebida com euforia, já que deve ajudar a atrair investimentos e, de quebra, consolidar os avanços da agenda econômica no Congresso. Em NY, Powell conseguiu aliviar a mensagem pesada do gráfico de pontos, que projetou mais dois aumentos neste ano e nada de queda. Hoje (9h15) é a vez de o BCE aumentar o juro da zona do euro em mais 25pb, com entrevista de Christine Lagarde na sequência.

… Com a inflação ainda muito elevada (6,1% no CPI cheio e 5,3% no núcleo), o BCE deu sinais muito claros de que continuará a apertar os juros, mesmo diante da desaceleração da economia, em recessão técnica. E a expectativa é de que não pare por aqui.

… Não será uma surpresa se Lagarde considerar um novo aumento de 25pb em julho. Se ela falar em pausa, seria apenas para indicar uma retomada das atuações no segundo semestre, de modo a dar tempo para os efeitos atrasados da política monetária.

… Ao contrário do que pensa uma parcela dos economistas, a presidente do BCE não acredita que a inflação já atingiu seu pico.

… Em NY, o Fomc correspondeu às expectativas amplamente majoritárias e manteve o juro entre 5% e 5,25%, mas surpreendeu com um comunicado duro e, sobretudo, com as projeções do gráfico de pontos, que assustou os mercados no primeiro momento.

… A informação de que nove integrantes do Comitê esperam que o juro encerre o ano entre 5,50% e 5,75% desencadeou uma súbita fuga do risco, com as bolsas renovando mínimas em Wall Street. Isso pressupõe uma elevação de mais 50pb.

… O mercado vinha trabalhando com, no máximo, mais um aumento de 25pb em julho, e os mais otimistas, com mais nenhuma alta.

… Como é de praxe, coube a Powell baixar a bola na entrevista. Nem tanto, porque ele confirmou que a maioria espera novos ajustes, além de descartar um corte do juro este ano e garantir que o Fed perseguirá a meta de 2% (ainda muito longe).

… Mas falou o suficiente para dar algum alívio aos mercados, como quando disse que a reunião de julho ainda “está em aberto” e que, espera “algum aperto, mais adiante, neste ano” – o que limitaria a ação a mais um e não a mais dois aumentos.

… Nasdaq e S&P 500 recuperaram o sinal positivo e os juros dos Treasuries devolveram o susto, recuperando os ativos domésticos. Resta saber se hoje, depois de uma noite de sono, o investidor não vai acordar mais pessimista numa segunda leitura.

… Independente de NY, os mercados aqui têm todos os motivos para se descolar e curtir os bons ventos.

… Além da decisão da S&P de revisar de estável para positiva a perspectiva do rating soberano BB-, que ainda deve repercutir, a China confirma o empenho em garantir o crescimento da sua economia (leia mais abaixo).

VIVA HADDAD – Se o ministro da Fazenda já era o novo crush da Faria Lima, agora estão de casamento marcado. Tudo o que acontece de bom é atribuído à sua capacidade de articulação. E ele faz por merecer. Ontem, “dedicou o prêmio” aos Três Poderes.

… E aproveitou a deixa para mandar um recado com toda a fineza a Roberto Campos Neto, a uma semana da reunião do Copom.

… “Gostaria de compartilhar com o Congresso e o Judiciário as iniciativas que estão sendo tomadas na direção correta de arrumar as contas do Brasil. A harmonia entre os Poderes contribuiu para os resultados. [Só] Está faltando o BC se somar a esse esforço.”

… O ministro admitiu que a revisão positiva do rating ainda é um resultado “modesto” e que o grau de investimento poderá “levar alguns anos”. Mas disse que a mudança na perspectiva da S&P é o início desse processo, que considera “inevitável”.

… Para Haddad, a degradação política nos últimos anos influenciou a avaliação de risco do Brasil. Ele está convencido de que “se a política se arrumar, a economia vai andar e nós vamos recuperar o grau de investimento”.

… “Não tem cabimento esse País não ter grau de investimento. Há três ou quatro países latino-americanos que têm e estão em uma situação que eu não desejaria estar. Com a aprovação da reforma tributária, vai vir uma mudança, vamos subir um degrau.”

LIRA – O presidente da Câmara espera um texto “pormenorizado” da reforma tributária “o mais rápido possível”.

… Lira quer a divulgação do relatório o quanto antes para amenizar as incertezas de setores produtivos, como do agronegócio, e de Estados e municípios, que, segundo ele, “têm força para impedir a largada da votação da matéria no plenário.

CARF – Outro esforço de Lira é para votar na semana que vem o “voto de qualidade” no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.

… O PL foi enviado ao Congresso no dia 5 de maio com urgência constitucional, ou seja, com prazo de 45 dias para ser votado ou então tranca a pauta. A equipe econômica projeta uma arrecadação de até R$ 50 bilhões com a medida.

… O “voto de qualidade”, que havia sido extinto em 2020 pelo Legislativo, é um desempate a favor da Receita nos seus julgamentos. A Fazenda retomou o dispositivo em janeiro, por meio de uma Medida Provisória, que caducou sem ser votada.

ARCABOUÇO – O relator no Senado, Omar Aziz (PSD), disse, nesta 4ªF, que quer mudar o cálculo da inflação usado como referência para a regra fiscal. Em vez de usar o intervalo de julho/22 a junho/23, a ideia é definir o período de janeiro a dezembro.

… Ele também tem a intenção de retirar o Fundeb e o Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF) dos limites fiscais.

… Se o Senado promover mudanças no mérito da proposta, os deputados precisarão votar novamente o texto. Aziz pretende votar o arcabouço na CAE e no plenário no próximo dia 21 e, se possível, no plenário da Câmara na mesma data.

… Haddad e Simone Tebet apresentam hoje o arcabouço fiscal aos líderes do Senado, às 9h.

… Horas depois (10h30), Lula faz a terceira reunião ministerial de seu governo.

CHINA HOJE – O PBoC anunciou nesta 5ªF o corte dos juros da linha de empréstimo de médio prazo (MLF) para 1 ano de 2,75% para 2,65%, dois dias após a redução dos juros de recompra reversa de sete dias a 1,9%.

… A decisão reforça a expectativa de que o banco leve para baixo as taxas de referência de empréstimos (LPRs) na semana que vem.

… O PBoC injetou 237 bilhões de yuans (US$ 33,08 bilhões) de liquidez por meio da linha de crédito de médio prazo de 1 ano, a 2,65%. Também injetou 2 bilhões de yuans por meio de seu acordo de recompra reversa de sete dias, a uma taxa de 1,9%.

… Ainda hoje, a China informou que a produção industrial no país cresceu 3,5% em maio (base anual), dentro do que esperavam os economistas consultados pelo WSJ. Já as vendas no varejo registraram crescimento de 0,42% na margem e 12,7% em um ano.

MAIS AGENDA – O IBGE divulga, às 9h, o volume de serviços prestados em abril, que deve recuar 0,4% na margem em abril (mediana), após alta de 0,9% em março. As projeções vão de recuo de 2,9% a expansão de 1,1% (Broadcast).

NOS EUA – No day after do Fed, três dados de atividade econômica são destaque: vendas no varejo (9h30), com previsão de queda de 0,2%; produção industrial (10h15), que deve crescer 0,1%; e Empire State de junho (9h30).

… O auxílio-desemprego, às 9h30, tem estimativa de baixa de 10 mil pedidos, para 251 mil.

SONHAR NÃO PAGA NADA – Ilusão ou não, a melhora do outlook do rating soberano pela S&P alimentou a esperança de que o Brasil vire investment grade em algum momento e deu uma injeção de otimismo nos negócios.

… Apesar da “paulada” no gráfico de pontos do Fed, depois aliviada por Powell, o dólar derreteu contra as máximas, o DI devolveu a pressão momentânea com o statement e mergulhou com a S&P e o Ibov renovou o pico do ano.  

… No câmbio, a moeda norte-americana já vinha em tendência de baixa desde o início da sessão, acompanhando a queda em escala global com a desaceleração do PPI nos EUA, que antecipou a pausa no juro pelo Fed logo depois.

… O dólar ensaiou uma virada com o recado duro do Fomc, mas teve tempo de acentuar a queda nos últimos minutos da sessão desta 4ªF e fechar praticamente na mínima, após a S&P abrir a porta para elevar o rating do Brasil.

… No mercado à vista, a moeda americana fechou em baixa de 1,14%, a R$ 4,8068, perto do piso do dia (R$ 4,8058). Em todos os pregões deste mês (nove), o dólar só subiu em um deles, acumulando queda de 5,25% em junho.

… No mercado futuro, o dólar para julho intensificou o alívio depois da S&P e fechou a R$ 4,8330 (-0,98%).

… Volátil, a curva do DI andou perto do zero a zero até a hora do Fed, deu uma puxada na primeira reação à leitura mais hawkish do statement e de Powell, exibiu instabilidade em seguida, para depois afundar com a decisão da S&P.

… A perspectiva positiva para o rating entra como novo fator aliado para a equipe econômica pressionar o Copom a cortar logo a Selic, neste momento em que as expectativas de inflação já parecem dar espaço para o BC relaxar. 

… No fechamento, o vencimento do juro para jan/24 caiu à mínima de 13,015% (contra 13,075% na véspera); jan/25, a 11,075% (de 11,190%); jan/26, a 10,450% (de 10,650%); e jan/27, a 10,510% (de 10,745% no pregão anterior).

… O jan/29 furou 11%, a 10,840% (contra 11,130%); e jan/31 fechou na mínima, a 11,040%, de 11,380%.

LIGOU O TURBO – O Ibovespa não caiu em nenhum momento do dia, nem mesmo quando o viés hawkish do statement do Fed assustou, e ainda acelerou os ganhos com a festa da S&P, para romper a marca dos 119 mil pontos.

… Esta barreira não era cruzada desde as vésperas do segundo turno das eleições do ano passado (outubro). O giro decolou para R$ 71,8 bilhões, bombado pelo vencimento de Ibovespa futuro e exercício de opções sobre o índice.

… O círculo virtuoso vivido pela bolsa doméstica nas últimas semanas tem sido catalisado pela convicção de que a Selic está perto de cair e pelos esforços da China para estimular a economia, que vêm puxando as commodities.

… O minério operou com gás (+1,51%) nesta 4ªF e deu impulso por aqui à Vale (+1,75%, a R$ 69,02), CSN Mineração (+1,81%) e às siderúrgicas (CSN, +3,73%; Metalúrgica Gerdau, +3,59%; Gerdau PN, +3,54%; e Usiminas, +1,51%).

… Petrobras disparou para as máximas do dia (ON, +4,30%, a R$ 33,69; e PN, +4,30%, a R$ 30,10), tendo como motor o comentário de Prates de que a empresa tem se mantido “inerte” no aumento da participação na Braskem (+3,59%).

… O rali nos papéis da estatal petrolífera destoou da fraqueza do petróleo, que reproduziu a percepção de que está sobrando oferta, reforçada pelos estoques nos EUA bem acima do esperado. O Brent/agosto caiu 1,47% (US$ 73,20).

… Ainda no radar, fontes informaram à Reutersque conversas entre os governos do Iraque e da Turquia para possível retomada das exportações no oleoduto de Ceyhan devem acontecer nos próximos dias.

… No entanto, o que se comenta é que há poucas esperanças de que se tenha uma resolução rápida.

… A nova rodada de queima de prêmio ontem na curva do DI voltou a embalar papéis mais sensíveis à economia doméstica, disparando as aéreas (Gol, +11,80%; e Azul, +8,66%) e, no setor de educação, a Yduqs (+9,86%).

… As ações dos bancos ampliaram os ganhos, mesmo depois do revés da decisão do STF sobre o PIS/Cofins: Itaú, +1,37%, a R$ 28,19; Bradesco PN, +0,66%, a R$ 16,85; BB ON, +0,49%, a R$ 48,86; e Bradesco ON, +0,28%, a R$ 14,47.

O COPO MEIO CHEIO – Dovish é que Powell não veio. Mas NY se contentou com o pouco de esperança que ele deu, ao considerar a chance de o juro subir só mais uma vez, o que é melhor que duas (embora pior que nenhuma).

… Em negação do recado mais hawkish que o gráfico de pontos transmitiu, o investidor quis se apegar ao fato de o presidente do Fed ter deixado tudo meio no ar, amortecendo boa parte do choque de realidade do statement.

… Dono da arte de dourar a pílula, Powell acalmou a tensão e virou os mercados. Mas a segurança é relativa, porque nada está definido e o que virá a partir de agora do BC americano depende da evolução dos próximos indicadores.

… Após um pico de estresse nos mercados, as bolsas em NY melhoraram. O S&P 500 zerou as perdas (+0,08%), aos 4.372,59 pontos; e o Nasdaq subiu 0,39%, aos 13.626,48 pontos. Só o Dow Jones caiu (-0,68%), a 33.979,33 pontos.

… As taxas dos Treasuries de curto prazo interromperam o pessimismo inicial com o Fed e o yield da Note-2 anos subiu para 4,700%, contra 4,691%. Já o rendimento do título do Tesouro de 10 anos caiu a 3,800%, de 3,829%.

… Na ferramenta do CME, a probabilidade de o Fed retomar a alta do juro em julho subiu a 70%, de 60% antes do statement. Para setembro, a aposta majoritária (62,4%) ainda é de manutenção. A chance de aperto está em 12,5%.

… A pressão do Fed no câmbio se provou pontual e o índice DXY (-0,38%) quebrou o nível dos 103 pontos (102,948). Subiram o euro (+0,38%, a US$ 1,0832), a libra (+0,38%, a US$ 1,2663) e o iene, +0,12%, a 139,86/US$.

EM TEMPO… OI teve prejuízo líquido de R$ 1,267 bilhão no 1TRI e reverteu lucro do mesmo período de 2022; Ebitda somou R$ 216 milhões, recuo de 80,2% na comparação anual.

AZUL. Fitch rebaixou ratings de inadimplência de emissor (IDRs) de longo prazo em moeda estrangeira e local (IDRs) da empresa de CCC- para C…

… Rating em escala nacional da companhia saiu de CCC para C(bra) e notas sem garantia da Azul Investments LLP de CCC-/RR4 para C/RR4.

MRV registrou vendas líquidas de R$ 1,46 bilhão entre abril e maio, segundo resultado preliminar; ticket médio somou R$ 226 mil no período.

MÉLIUZ informou alienação de 256.292 ações ON, no valor total de R$ 2,256 milhões, o equivalente a R$ 8,80/ação.

IGUATEMI. BlackRock reduziu participação na empresa de 5,041% para 4,93% das ações PN e de 1,836% para 1,38% das ações ON.

CARREFOUR. Dividendos aprovados na AGOE de 13/4, no valor de R$ 132,29 milhões, equivalente a R$ 0,06 por ação, serão pagos em parcela única no dia 23/6; ex desde 14/4.

MINERVA. Fitch reafirmou rating BB da companhia, mantendo perspectiva estável.

SABESP assinou o contrato de financiamento no valor de R$ 1 bilhão junto à International Finance Corporation (IFC), do Banco Mundial; operação foi aprovada pelo Conselho de Administração da companhia na última 2ªF.

HAPVIDA. Citi removeu classificação de alto risco para a ação da empresa, com recomendação de compra, e elevou preço-alvo de R$ 4 para R$ 6… 

… Para o banco, empresa apresenta melhora da visibilidade dos ganhos, com a combinação da evolução dos fundamentos de curto prazo e foco da administração na melhoria das margens.

AES BRASIL comunicou que acionistas que votaram contra aprovação da aquisição das holdings Ventos de São Tomé e Ventos de São Tito poderão exercer o direito de recesso até 14/7; valor de reembolso por ação será de R$ 7,2951…

… Acionistas que se abstiveram de votar e os que não compareceram à AGOE também poderão exercer este direito.

SINQIA fará terceira emissão de debêntures no valor de R$ 250 milhões em série única.

AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

*com a colaboração da equipe do BDM Online

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