Reprecificação global dos juros chega à Selic
… O payroll desencadeou uma reprecificação global dos juros que continua se espalhando pelos mercados. Ao mesmo tempo, a tentativa de descompressão no Oriente Médio não foi suficiente para dissipar os temores com petróleo, inflação e crescimento, mantendo elevada a cautela dos investidores. No Brasil, a combinação de atividade resiliente, guerra prolongada e juros altos por mais tempo levou a uma nova rodada de revisões para inflação e Selic, enquanto a curva passou a embutir não apenas o fim dos cortes, mas também a possibilidade de novas altas. A agenda é esvaziada, aqui e lá fora, e tem como destaque o leilão do Tesouro, após a forte abertura das taxas nesta segunda-feira.
TRÉGUA SOB DESCONFIANÇA – A tentativa de descompressão no Oriente Médio não foi suficiente para convencer os mercados de que o pior ficou para trás. Israel e Irã prometeram reduzir os ataques, mas ambos condicionaram a trégua ao comportamento do adversário.
… O petróleo devolveu parte da disparada observada durante a madrugada, após os conflitos do fim de semana, mas ainda permaneceu acima de US$ 94, enquanto investidores continuam monitorando os desdobramentos das negociações lideradas pelos Estados Unidos.
… O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que Israel suspenderá os ataques ao Irã “por enquanto”, mas ressaltou que “a guerra ainda não terminou” e que qualquer nova ofensiva iraniana será respondida com força.
… Do outro lado, o comando militar iraniano declarou que encerrou suas operações, mas advertiu que qualquer ação israelense contra interesses iranianos ou contra o Hezbollah poderá provocar uma resposta ainda mais dura.
… A retórica reforçou a percepção de que a redução das hostilidades tem caráter tático e não representa uma solução definitiva para o conflito.
… Trump intensificou a pressão por uma desescalada após a nova rodada de ataques ameaçar as negociações entre Washington e Teerã. Segundo relatos da imprensa, o presidente teria alertado Netanyahu que Israel poderia acabar isolado caso retomasse a guerra neste momento.
… Trump continua defendendo uma trégua de 60 dias que permita avançar para um acordo mais amplo com Teerã, mas enfrenta resistências dos dois lados. O objetivo é preservar as negociações em curso, que voltaram a ficar sob risco após a escalada do fim de semana.
… Ao Financial Times, ele chegou a afirmar que qualquer entendimento negociado por Washington terá de ser aceito por Israel.
… Os sinais vindos da região continuam sugerindo um cenário de elevada instabilidade. O Irã suspendeu operações nos principais aeroportos de Teerã e de outras cidades do país, enquanto Israel avalia restrições temporárias ao espaço aéreo.
… No Líbano, o governo acusou Israel de ter realizado quase 3.500 bombardeios desde abril, mesmo durante o período de cessar-fogo. Paralelamente, os houthis voltaram a ameaçar o tráfego marítimo no Mar Vermelho, ampliando os temores sobre as rotas globais de energia.
… Investidores também seguem monitorando a retomada parcial do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, ainda cercada de incertezas após semanas de interrupções e ameaças à navegação. O impacto econômico da guerra começa a aparecer de forma mais explícita.
… A Fitch alterou sua perspectiva para o setor soberano global de 2026 de neutra para “em deterioração”, citando riscos para crescimento, inflação e mercados de dívida. Também elevou sua projeção para o Brent, que ficaria entre US$ 100 e US$ 110 nos próximos meses.
… Para os investidores, mesmo sem uma escalada imediata, o conflito segue capaz de manter o petróleo pressionado e alimentar preocupações inflacionárias justamente quando os mercados passaram a discutir novamente a possibilidade de juros mais altos no mundo.
REVISÕES EM SÉRIE –A combinação de petróleo mais caro, atividade resiliente e perspectiva de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos levou o mercado a uma nova rodada de revisões para inflação e juros no Brasil.
… Após o payroll forte da semana passada reforçar a percepção de que o Federal Reserve terá menos espaço para cortar juros, ou quem sabe até aumentar, investidores passaram a recalibrar expectativas também para a política monetária doméstica.
… Nesta segunda-feira, a pesquisa Focus mostrou nova piora das projeções para a inflação. A mediana para o IPCA de 2026 avançou de 5,06% para 5,11%, enquanto a estimativa para a Selic no fim deste ano subiu de 13,25% para 13,50%.
… O movimento ocorre em meio à percepção de que a guerra no Oriente Médio está durando muito mais do que o mercado imaginava e pode manter o petróleo pressionado por mais tempo, aumentando os riscos inflacionários globais.
… O BTG Pactual também elevou a projeção para o IPCA de 2026 de 4,9% para 5,3% e a de 2027 de 4,2% para 4,5%, citando a deterioração do ambiente inflacionário após a escalada do conflito no Oriente Médio, além das pressões vindas dos alimentos.
… A instituição já havia revisado recentemente suas projeções para a Selic e passou a trabalhar com juros mais altos por mais tempo.
… O BTG também aumentou suas estimativas para a dívida bruta, que agora deve atingir 80,9% do PIB em 2026 e 85% em 2027, refletindo o impacto dos estímulos à demanda, do aumento das despesas com juros e da piora das condições financeiras.
… Segundo o banco, o espaço para novos subsídios aos combustíveis sem deterioração adicional do quadro fiscal está cada vez mais estreito.
… Mais do que os números em si, o movimento reforça uma mudança de narrativa nos mercados.
… Até poucas semanas atrás, a discussão estava concentrada na intensidade dos cortes de juros. Agora, investidores passaram a debater por quanto tempo as taxas permanecerão elevadas e até a possibilidade de novas altas, acompanhando a reprecificação global.
… Agora, é esperar pelos dados de inflação da semana, com o CPI nos Estados Unidos e o IPCA no Brasil (leia abaixo).
CARNE NA MESA – O governo prepara uma ofensiva diplomática para tentar reverter o veto da União Europeia às exportações brasileiras de produtos de origem animal, especialmente carne bovina.
… Segundo o Estadão, Lula deve discutir o tema com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no G-7, na próxima semana, na França. Bruxelas sinalizou disposição para reavaliar o caso assim que considerar suficientes as garantias sanitárias apresentadas pelo Brasil.
… Nos bastidores, porém, há um choque de avaliações. Enquanto autoridades europeias falam em uma solução relativamente rápida, integrantes do governo e do agronegócio avaliam que uma reversão completa antes de setembro será difícil, sobretudo para a carne bovina.
… Além do impacto econômico, estimado em até US$ 1,8 bilhão, o setor teme danos à reputação do Brasil em um dos mercados mais exigentes e valorizados do mundo. O acesso ao mercado europeu é um selo de qualidade sanitária que ajuda a abrir portas a outros compradores.
CURTAS DA POLÍTICA – A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República devem decidir nesta semana se aceitam ou rejeitam a nova proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master.
… Segundo o Estadão, a tendência na PF continua sendo pela rejeição do acordo, já que as informações entregues não acrescentam novidades.
ESCALA 6X1. Senadores aguardam que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, defina nos próximos dias o calendário de tramitação da PEC que acaba com a jornada de trabalho 6×1. A expectativa é que a proposta comece a avançar na CCJ ainda neste semestre.
TARIFAÇO. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo fará “todo o empenho” para evitar a entrada em vigor da tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
… Segundo ele, o Brasil pretende intensificar as negociações antes do prazo de 15 de julho.
PESQUISAS. Genial/Quaest, que será divulgada nesta quarta-feira, deve trazer perguntas sobre o encontro entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump, além dos impactos políticos da classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
… Também o novo tarifaço americano sobre produtos brasileiros será um tema abordado na pesquisa.
FLÁVIO. Em evento em São Paulo, Flávio Bolsonaro evitou antecipar o nome de um eventual ministro da Fazenda, afirmou que pretende anunciar uma equipe econômica “até melhor” que a de 2018 e voltou a sinalizar preferência por uma mulher para compor sua chapa como vice.
AGENDA – Depois da forte abertura das curvas e da reprecificação das apostas para juros, o destaque desta terça-feira fica com o leilão de títulos do Tesouro, que servirá como termômetro para medir o apetite do investidor num ambiente de cautela com inflação e política monetária.
… A pauta dos indicadores é esvaziada, tanto aqui como nos Estados Unidos: o mercado acompanha o IGP-DI de maio (8h) e a balança comercial americana de abril (9h30), enquanto monitora agendas de autoridades econômicas brasileiras na China e em Brasília.
… Para o IGP-DI, a mediana do Broadcast aponta alta de 0,74%, com intervalo entre 0,62% e 0,95%, após avanço de 2,41% em abril.
… O leilão do Tesouro será realizado às 11h, com a oferta de LFTs com vencimento em 2032 e de NTN-Bs para 2031, 2037 e 2045.
… Nos Estados Unidos, a expectativa para a balança comercial é de déficit de US$ 55,5 bilhões, ante saldo negativo de US$ 56 bilhões em março.
GALÍPOLO – Na China, o presidente do BC tem reuniões com dirigentes do Bank of China, do ICBC e do PBoC, em Xangai. Em Brasília, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, concede entrevista ao UOL (11h) e, às 18h, recebe representantes da agência Moody’s.
CHINA HOJE – A balança comercial chinesa divulgada no primeiro minuto desta terça-feira mostrou alta acima do esperado das exportações, que subiram 19,4% (consenso de 15%), e das importações (+27,4%, superando a previsão de 25%).
… No final da noite de hoje (22h30), saem os índices chineses de preços ao consumidor e ao produtor, importantes para avaliar o ritmo da atividade e as pressões inflacionárias na segunda maior economia do mundo.
TRÉGUA PARA INGLÊS VER – O petróleo chegou a disparar mais de 4% na abertura dos negócios, repercutindo a escalada dos ataques entre Israel e Irã no fim de semana. O foco do estresse foi o Líbano.
… Israel quebrou o acordo firmado com os libaneses e atacou o subúrbio no sul de Beirute para atingir o Hezbollah. O Irã decidiu retaliar o ataque, disparando mísseis em direção a Israel, o que não acontecia desde abril. E Israel revidou.
… Após a intervenção de Donald Trump na manhã desta segunda-feira, Irã e Israel decidiram suspender os ataques mútuos e retomar o frágil cessar-fogo. Aos poucos, o petróleo foi se acomodando, mas ainda fechou em alta.
… O Brent para agosto subiu 1,25%, a US$ 94,25 por barril na ICE, enquanto o WTI para julho avançou 0,84%, a US$ 91,30 por barril na Nymex.
… Em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, o mercado praticamente ignorou a decisão tomada pela Opep+ no domingo, de elevar seus limites de produção em 188 mil barris por dia a partir de julho.
RECUPERAÇÃO DAS TECHS – Depois do tombo de sexta-feira, algumas ações de tecnologia ressurgiram das cinzas e deram fôlego moderado ao Nasdaq (+0,86%, aos 25.929,66 pontos) e ao S&P500 (+0,30%, aos 7.405,73 pontos).
… O mesmo não aconteceu com o Dow Jones (-0,16%, aos 50.786,01 pontos), que refletiu a cautela dos investidores com o cenário externo e a expectativa pelos dados de inflação desta semana, que podem confirmar um Fed hawk.
… Entre os destaques positivos do dia ficaram Intel (+11,11%), Micron (+9,87%), Marvell (+9,63%) e Nvidia (+1,73%). No campo negativo ficaram Apple (-1,89%), IBM (-1,41%) e Microsoft (-1,41%).
PARA O ALTO E AVANTE – O clima de tensão no Oriente Médio deixou os juros futuros voláteis ao longo da sessão. De tarde, as taxas firmaram a tendência de alta, embaladas pelo avanço dos rendimentos dos Treasuries e do dólar.
… O mercado preferiu a cautela neste começo de semana, que terá dados importantes de inflação nos EUA (CPI e PPI) e no Brasil (IPCA), que podem consolidar as apostas para o Fomc e o Copom.
… O boletim Focus trouxe nova piora nas expectativas de inflação em 2026 (de 5,09% para 5,11%) e 2027 (4,02% para 4,03%). As previsões para Selic subiram neste ano (de 13,25% para 13,50%) e no próximo (11,25% para 11,50%).
… Flávio Serrano, do BMG, disse ao Broadcast que a curva já aponta Selic de 14,80% no fim de 2026, chegando a 15,10% em março de 2027. A chance de manutenção pelo Copom está em 70%, contra 30% de corte de 0,25 ponto porcentual.
… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 14,520% (de 14,392% no ajuste anterior); Jan/28 a 14,895% (14,645%); Jan/29 a 14,945% (14,741%); Jan/31 a 14,820% (14,650%); e Jan/33 a 14,780% (14,658%).
NA DEFESA – Os ataques entre Israel e Irã no fim de semana mostraram como o cessar-fogo no Oriente Médio é frágil, levando investidores a rever a exposição ao risco e buscar proteção no dólar.
… A moeda também avançou por conta da expectativa de um Fed mais hawkish, depois do payroll forte de sexta-feira.
… A divulgação do CPI nesta semana pode servir para cravar as apostas de uma alta do juro americano neste ano.
… O dólar subiu 0,45%, para R$ 5,1803, maior cotação desde 30 de março. Lá fora, o DXY (-0,04%, aos 100,030 pontos) e a libra (+0,01%, a US$ 1,3342) ficaram de lado. E o euro subiu 0,10%, a US$ 1,1531.
NO PAREDÃO – A expectativa de juros altos no Brasil e nos Estados Unidos e a indefinição sobre a guerra no Oriente Médio, após a escalada entre Israel e Irã no fim de semana, voltaram a penalizar a bolsa brasileira.
… O Ibovespa fechou em baixa de 0,21%, aos 168.668,72 pontos, com volume financeiro de R$ 20,7 bilhões, abaixo da média diária de maio, que foi de R$ 27 bilhões, indicando que o investidor está mais cauteloso com a renda variável.
… Os grandes bancos pesaram para o sinal negativo: Bradesco PN (-1,55%, a R$ 17,20), Itaú PN (-0,80%, a R$ 38,52), BB ON (-0,37%, a R$ 19,10) e BTG unit (-0,30%, a R$ 50,50). Santander unit (+0,19%, a R$ 26,78) foi exceção.
… Vale (-0,80%, a R$ 78,07) também caiu, em linha com o minério de ferro (-0,78%). Já Petrobras (PN +0,81%, a R$ 41,22; e ON +0,72%, a R$ 46,04) seguiu a alta do petróleo.
… MRV ON (-4,64%, a R$ 5,34) liderou as perdas do índice, seguida de Cosan ON (-4,46%, a R$ 3,43) e Rumo ON (-3,01%; R$ 13,52). Do lado positivo, WEG ON ficou no topo (+3,63%, a R$ 44,00), com Prio ON (+2,32%, a R$ 62,54) e RD Saúde ON (+2,18%, a R$ 17,84).
CIAS ABERTAS NO AFTER – BANCO DO BRASIL estima que irá acolher R$ 850 milhões em propostas de financiamento durante a 20ª edição da Bahia Farm Show, feira de tecnologia agrícola e negócios em Luís Eduardo Magalhães (BA).
IRB iniciou procedimentos regulatórios para expandir suas operações internacionais, com foco na Suíça e em Malta.
PETRORECÔNCAVO produziu uma média de 23,9 mil boed em maio, queda de 1,9% frente ao mês anterior.
AXIA concluiu sua migração para o Novo Mercado da B3. Empresa terá ações ON, sob o código AXIA3, e ações preferenciais classe C (PNC), sob o código AXIA7, conversíveis ou resgatáveis em sua totalidade até 2031.
COPASA informa que a EQUATORIAL cumpriu todas as exigências previstas na operação de oferta de ações para se tornar acionista de referência.
BRAVA obteve aval de debenturistas da 3ª emissão da 3R Petroleum e da 3ª emissão da Enauta para realização de oferta de ações (OPA) devido à aquisição do controle da companhia pela Ecopetrol.
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