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BDM Express: Vale e Petrobras no alvo das polêmicas

Atualizado 13/03/2024 às 05:52:09

Já liquidado o melhor da semana (CPI e IPCA), a agenda é esvaziada aqui e lá fora. Apesar de a inflação nos EUA continuar resistente, o mercado consolidou a aposta de que um corte do juro não virá tão mais tarde e deve ficar mesmo para junho. Na cena doméstica, o IPCA foi absorvido sem choque, mas ainda é difícil de saber se o Copom continuará se comprometendo com novas doses de corte de meio ponto na Selic no comunicado.

Na bolsa, as ações da Petrobras testaram ontem uma reação ao tombo recente, mas Vale caiu. O noticiário continua dominado pelas suspeitas de ingerência política e desprestígio da governança corporativa. Simultaneamente, as duas maiores blue chips do Ibovespa se veem às voltas com flagrantes desconfianças de interferências, que despertam o investidor para um ambiente de negócios muito pouco confiável.

Está dando o que falar a carta de renúncia do conselheiro da mineradora José Luciano Duarte Penido. Na correspondência, ele afirma que a sucessão vem sendo conduzida de forma “manipulada”. A correspondência diz que o processo sucessório no comando da Vale “não atende ao melhor interesse e sofre evidente e nefasta influência política”.

O executivo não poupou na carta reveladora nem mesmo os acionistas desvinculados do governo. Escreveu “não acreditar mais na honestidade de propósitos de acionistas relevantes” (Bradesco e Cosan, além da Previ). Disse ainda que os conselheiros têm atuado em privilégio de seus interesses particulares.

A Vale respondeu que a atuação do conselho “está rigorosamente em conformidade com o estatuto social” no processo de definição do novo presidente da companhia. Na novela de sucessão, a Vale decidiu na semana passada estender o fim do mandato de Eduardo Bartolomeo de abril até dezembro.  

PETROBRAS – A empresa informou ser “inverídico” que tenha prometido ou sinalizado dividendo extraordinário em evento (Deep Dive) com analistas e investidores no fim de janeiro, em NY..  

Por trás da estratégia da Petrobras de reter os dividendos em uma reserva se desenrola uma briga política de bastidor entre Alexandre Silveira e Jean Paul Prates. Prates defende a distribuição de 50% dos dividendos extraordinários. Haddad, que teria sido o último a saber que não sairia nada, queria 100% para ajudar a fechar as contas e a meta fiscal zero.

Ontem, repercutiu bem a tentativa da Fazenda de arbitrar esta briga, com a indicação do secretário executivo adjunto da pasta, Rafael Dubeux, para ocupar um assento no conselho que hoje é da cota de Lula. O próximo capítulo da guerra será a assembleia de acionistas marcada para 25 de abril.

ISENÇÃO DO IR – A Câmara aprovou projeto de lei que amplia a faixa de isenção da cobrança do IR para beneficiar quem ganha até dois salários mínimos (R$ 2.824). A proposta segue agora para a análise no Senado.

MAIS AGENDA – Haddad recebe Tarcísio hoje (10h) para tratar da dívida do Estado. Único destaque entre os indicadores é a pesquisa industrial regional de janeiro (9h). Casas Bahia e Hypera soltam balanço após o fechamento. Lá fora, saem a produção industrial de janeiro da zona do euro (7h) e os estoques de petróleo do DoE (11h30).

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