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Atualizado 30/06/2023 às 06:05:32

Inflação na zona do euro (6h) e nos EUA (9h30) está na agenda dos mercados globais; os dados podem ser importantes para reforçar as expectativas de um aperto mais prolongado dos juros. Em NY, a probabilidade de mais 25pb em julho elevou-se a 90% na CME, após o PIB/1Tri crescer acima do consenso, assim como cresceu a probabilidade de um ajuste adicional. Ainda hoje, o sentimento do consumidor americano (11h), com as expectativas inflacionárias, pode influenciar.

Já aqui, a política monetária vai na direção oposta. A decisão do CMN de manter a meta de inflação em 3% e o intervalo de oscilação de 1,50pp em 2024, 2025 e 2026 deu o start para apostas mais agressivas de queda da Selic, com a curva do DI projetando taxa de 11,75% para o final do ano e de 9% no final de 2024.

O mercado de juros futuros ainda estava aberto quando Haddad e Tebet começaram a entrevista para anunciar as medidas do CMN, que confirmou a adoção da meta contínua a partir de 2025, quando Campos Neto já terá encerrado o seu mandato no BC.

As taxas acentuaram as quedas, enquanto o ministro manifestava “grande expectativa de cortes consistentes” da Selic já a partir de agosto. No fechamento, a aposta em uma redução inicial de 50pb (40%) caminhava para empatar com 25pb (60%). A percepção é de que o CMN terá impacto sobre as expectativas de inflação, abrindo espaço para um Copom mais generoso.

Para Marco Caruso (PicPay): “Foi golaço do governo; podemos ter melhora de até 0,5 pp nas projeções de IPCA.” Carlos Kawall (Oriz): “Desfecho muito bom; mostra amadurecimento institucional após tensão entre governo e BC.” Fábio Kanczuk (ASA): “Decisão do CMN foi ótima, a melhor possível.” Rodolfo Margato (XP): “Mudança para meta contínua é um aperfeiçoamento do sistema.” Alberto Ramos (Goldman Sachs): “CMN remove elemento de incerteza e melhora sistema de metas.” Maurício Oreng (Santander): “Se houver queda maior das expectativas, pode corroborar para corte em agosto.”

O resultado representou um grande alívio para quem ainda guardava algum receio de que o intervalo de oscilação da meta pudesse ser expandido. Na entrevista para comentar o RTI, Campos Neto antecipou a defesa da meta contínua, considerando um “aperfeiçoamento”. Já no final da tarde, foi a vez de Haddad lembrar que o ano-calendário só existe ainda no Brasil e na Turquia.

Apesar de a meta contínua ter sido aprovada, deixou no ar dúvidas que ainda terão de ser respondidas. Haddad deu informações contraditórias, uma hora dizendo que a meta contínua será, “na prática, de 24 meses”, outra hora, que “a meta será de 3% nos próximos anos após de 2026”, que “pode ser revista, mas é muito mais raro”. Não há detalhes de como funcionará a prestação de contas sobre o cumprimento ou não da meta.

COMBUSTÍVEIS – Termina hoje a desoneração de combustíveis e, segundo Haddad, não há qualquer intenção de prorrogar. No início do ano, o governo retomou parcialmente a cobrança de impostos federais sobre gasolina e etanol, que havia sido zerada às vésperas da campanha eleitoral de 2022 pelo então presidente Bolsonaro. A partir de julho, os tributos voltam à alíquota cheia.

AGENDA – As contas do setor público consolidado, que o BC divulga às 8h30, devem registrar déficit primário de R$ 45,60 bilhões em maio, na mediana de pesquisa Broadcast. Às 9h, sai a Pnad. A taxa de desemprego deve recuar de 8,5% (até abril) para 8,2% no trimestre móvel até maio. O julgamento do TSE será retomado ao meio-dia. O placar está em 3 a 1 contra Bolsonaro.

LÁ FORA – A inflação do PCE nos EUA deve desacelerar para 3,8% em maio, contra 4,4% em junho. Às 10h45, sai o PMI/ISM de Chicago em junho. Às 14h, a Baker Hughes informa os poços de petróleo e plataformas em operação. Na China, o PMI industrial oficial subiu de 48,8 em maio para 49,0 em junho.

O BDM Express é uma versão resumida em dez parágrafos do BDM Morning Call, ideal para ser distribuído aos clientes de sua empresa à primeira hora do dia.

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