Petróleo cai com expectativa de reunião EUA-Irã e acumula perda de até 13,4% na semana

Após oscilarem forte, os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa nesta 6ªF, com os investidores na expectativa para o início das reuniões entre representantes dos EUA e do Irã em busca de um eventual acordo de paz.

Em meio ao frágil cessar-fogo de duas semanas anunciado na terça (07/04), as delegações se reúnem a partir de amanhã (11/04), em Islamabad (Paquistão), sob um clima de forte tensão.

Ontem à noite, Trump alertou Teerã para “parar agora” caso esteja cobrando pedágio no Estreito de Ormuz, cuja reabertura ele considera é uma condição crítica para qualquer acordo. A passagem segue controlada pelo Irã.

Hoje, o presidente americano voltou à carga, dizendo que os iranianos não têm outras cartas na manga além de bloquear Ormuz, complementando que “a única razão pela qual eles ainda estavam vivos hoje “é para negociar”.

Do lado do Irã, o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, quer um cessar-fogo no Líbano e a liberação dos ativos bloqueados como pré-condição para as negociações.

No fechamento de hoje, o contrato do Brent para junho caiu 0,75%, a US$ 95,20 por barril na ICE, enquanto o WTI para maio recuou 1,33%, a US$ 96,57 por barril na Nymex.

No acumulado da semana, os desempenhos são negativos em 12,68% e 13,42%, respectivamente, após tanto o Brent quanto o WTI registrarem as maiores perdas intradiárias em mais de seis anos na quarta (08/04), com o anúncio da trégua temporária na guerra, segundo o Valor.

Giro das 15h: Bolsas patinam em NY, de olho em negociações de paz; Ibovespa descola do exterior e busca novo recorde; dólar testa R$ 5

As bolsas operam mistas em NY (Dow Jones -0,53%; S&P500 -0,10%; Nasdaq +0,30%) em meio à cautela antes do fim de semana, quando acontecerão as negociações de paz entre EUA e Irã em reunião presencial no Paquistão.

Declarações dadas por Trump no início da tarde deixaram investidores apreensivos. Ele afirmou que “a reabertura do Estreito de Ormuz é uma condição crítica para qualquer acordo com o Irã”.

Também declarou que “prepara uma ação militar caso o Irã não cumpra o acordo” e que os navios de guerra dos EUA estão sendo reabastecidos com “a melhor munição” caso os ataques ao Irã sejam retomados.

Trump arrematou, declarando que “a única razão pela qual [os iranianos] ainda estão vivos hoje é para negociar”.

Por aqui, a bolsa brasileira parece imune à turbulência externa, com o Ibovespa (+0,69%, aos 196.481 pontos) embalado pelo fluxo gringo e buscando novos recordes.

O fluxo também ajuda a derrubar o dólar (-0,81%, a R$ 5,0225), que chegou a testar o piso dos R$ 5 na mínima do dia (R$ 5,0076).

Já os juros futuros registram alta expressiva, especialmente entre os vencimentos curtos (Jan/27 a 14,090%; Jan/28 a 13,570%), refletindo o IPCA de março (+0,88%) acima do esperado (+0,77%), como consequência da alta dos combustíveis, o que pode levar o Copom a rever o ritmo de cortes da Selic.

Ouro interrompe sequência positiva, mas sobe 2,67% na semana com foco no cessar-fogo EUA-Irã

Após uma sequência de pregões positivos ou com os preços estáveis durante a semana, o ouro voltou a cair nesta 6ªF, com especialistas vislumbrando uma “disputa acirrada” nas apostas antes de as cotações retornarem ao patamar de US$ 5 mil por onça-troy.

“Uma quebra acima desse nível poderia reacender a tendência de alta”, diz o trader independente de metais Tai Wong, em entrevista à Reuters.

O fôlego visto nas últimas sessões foi impulsionado pela desvalorização do dólar e o anúncio de um cessar-fogo temporário na guerra entre EUA e Irã, o que diminuiu as tensões no Oriente Médio, apesar da fragilidade da trégua.

No campo macroeconômico, dados divulgados hoje mostraram que os preços ao consumidor nos EUA atingiram, em março, o ritmo mais acelerado em quase quatro anos, à medida que o conflito impulsionou o petróleo e o repasse de preços persistiu.

A pressão inflacionária faz com que os bancos centrais tendam a manter ou até mesmo elevar os juros, o que pesa contra o metal precioso.

No fechamento, o contrato do ouro para junho caiu 0,64%, cotado a US$ 4.787,40 por onça-troy na Comex.

Na semana, o desempenho acumulado é positivo em 2,67%.