Boletim Focus
Por Ariane Amanda Benedito, economista-chefe do PicPay
O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 08 de dezembro, trouxe ajustes discretos, com destaque para nova revisão baixista da inflação de 2025. A projeção do IPCA recuou de 4,43% para 4,40%, reforçando a tendência de desinflação gradual e mantendo a expectativa abaixo do teto da meta. Para o PIB, houve revisão altista: a mediana passou de 2,16% para 2,25%, sugerindo perspectiva de atividade um pouco mais robusta no próximo ano. As projeções para o câmbio seguiram em R$ 5,40 por dólar, enquanto a Selic foi mantida em 15,0% ao ano, indicando que o mercado vê a política monetária permanecendo em território contracionista ao longo de 2025.
Para 2026, as projeções também registraram mudanças marginais. O IPCA recuou de 4,17% para 4,16%, enquanto o PIB avançou levemente de 1,78% para 1,80%. O câmbio permaneceu estável em R$ 5,50, e a Selic subiu de 12,0% para 12,25%, sinalizando ajustes graduais na expectativa de normalização monetária.
No horizonte de 2027, o Focus manteve inflação em 3,80%, revisou o PIB de 1,88% para 1,84%, e preservou as medianas de câmbio (R$ 5,50) e Selic (10,50%). Para 2028, os números seguem compatíveis com um cenário de convergência gradual: IPCA em 3,50%, PIB em 2,00%, câmbio em R$ 5,50 e taxa básica estabilizada em 9,50% ao ano.
Abertura: Dólar cai e juros recuam com correção após estresse com cenário eleitoral
O dólar negocia em queda (-0,28% há pouco, a R$ 5,4165), em um dia de correção após o estresse da última sexta (05/12), em razão do cenário eleitoral para 2026.
No fim de semana, Flávio Bolsonaro admitiu que talvez não siga até o fim com sua pré-candidatura ao Planalto.
Ele afirmou que poderia se retirar do páreo em troca de um “preço”, que inclui o apoio do Centrão à anistia para seu pai.
A semana é decisiva no campo da política monetária, com a Super Quarta (10/12) devendo confirmar novo corte de juros pelo Fed, em 25 pbs, ainda que a decisão não seja unânime.
Atualmente, as apostas na redução estão perto de 90%, segundo o CME Group.
Por aqui, o Copom deve mais uma vez manter a Selic em 15% ao ano, mas há grande expectativa quanto a possíveis sinais que possam ajustar as projeções de queda para 2026 – se logo em janeiro ou mais adiante.
Também em um movimento de ajuste, os juros futuros recuam após a forte alta da sexta, com a disputa presidencial no radar.
Os rendimentos dos Treasuries operam em alta, à espera do Fed, em uma sessão sem indicadores relevantes.
Amanhã sai o relatório Jolts de outubro, que irá detalhar a dinâmica do mercado de trabalho americano.
Futuros de NY operam sem direção única em semana de reunião do Fed
Os futuros de NY operam sem direção única (Dow Jones -0,01%; S&P 500 +0,11% e Nasdaq +0,24%) nesta 2ªF, que abre mais uma semana decisiva para a política monetária dos EUA. Na próxima quarta (10/12), o Fed se reúne pela última vez neste ano e as apostas seguem fortemente concentradas – perto de 90%, segundo o CME Group – em uma nova redução dos juros em 25 pbs.
O placar, no entanto, não deve ser unânime, expondo as visões distintas dos dirigentes diante das pressões inflacionárias e do ritmo do emprego. Nesse sentido, sai amanhã o relatório Jolts de outubro, que irá detalhar a dinâmica do mercado de trabalho americano.