IPCA de novembro – Análise PicPay

Por Ariane Amanda Benedito, economista-chefe do PicPay

O IPCA de novembro registrou alta de 0,18%, acelerando em relação aos 0,09% observados em outubro, mas permanecendo dentro de um quadro benigno de inflação. No acumulado em 12 meses, o índice passou de 4,68% para 4,46%, movimento influenciado tanto pela base mais elevada de dezembro de 2024 quanto pela continuidade da desinflação em grupos importantes.

A composição do índice reforçou uma leitura qualitativa favorável. A inflação de serviços permaneceu controlada, com exceção do item hospedagem, que subiu de forma atípica por conta da realização da COP 30 em Belém, um choque temporário, sem implicações estruturais para a trajetória prospectiva. Entre os grupos, o destaque altista veio de Habitação, impulsionado pela correção das tarifas de energia elétrica, enquanto Despesas pessoais também contribuíram positivamente. Por outro lado, houve alívio expressivo em Artigos de residência (-1,00%) e a alimentação no domicílio apresentou sua sexta deflação consecutiva, atenuando a pressão inflacionária do mês.

Setorialmente, o comportamento dos bens industriais seguiu favorável, com deflação em eletrodomésticos e estabilidade em itens de maior sensibilidade ao câmbio. Os serviços subjacentes continuam perdendo tração, refletindo a combinação de política monetária ainda restritiva, recomposição plena da oferta de serviços pós-pandemia e desaceleração no mercado de trabalho. A difusão segue em patamar moderado, mesmo com a alta de 52% para 56% no mês, indicando que as pressões permanecem concentradas em poucos itens e não sugerem uma disseminação mais ampla da inflação.

Mantemos leitura construtiva para o curto prazo, projetando alta de 0,46% para o IPCA de dezembro e revisando nossa estimativa de fechamento de 2025 para 4,40%, refletindo a surpresa baixista nos núcleos, a continuidade da deflação de alimentos no domicílio, o comportamento benigno dos bens industriais e a perda de força dos serviços subjacentes, fatores que sustentam a convergência gradual e consistente da inflação ao longo do ano.

Futuros de NY negociam praticamente estáveis, na expectativa pelo Fed

Os futuros de NY negociam em leve baixa nesta manhã, perto da estabilidade (Dow Jones -0,06%; S&P 500 -0,05% e Nasdaq -0,12%), com os investidores confiantes de que o Fed reduzirá os juros americanos novamente em 25 bps hoje à tarde. Mais do que a decisão em si, já amplamente precificada, a grande expectativa do mercado é quanto ao comunicado do BC americano e, principalmente, a entrevista coletiva do presidente Jerome Powell.

Ele terá a missão de falar após um placar provavelmente bastante dividido sobre os rumos da política monetária americana, podendo dar pistas sobre os próximos passos, em 2026.  (BDM Online)

Petróleo sobe de olho em negociações de paz na Ucrânia, à espera do Fed

Os contratos futuros de petróleo apresentam alta nesta manhã, com os investidores monitorando as movimentações em torno de um possível acordo de paz entre Rússia e Ucrânia, na expectativa também sobre os relatórios da Opep+ e da AIE, amanhã, que podem dar pistas sobre o equilíbrio atual entre oferta e demanda. O WTI/jan subia 0,41%, a US$ 58,49, enquanto o Brent/fev avançava 0,34%, a US$ 62,15.

Ontem, Zelensky se reuniu com líderes europeus e fica a expectativa sobre mais ajustes na proposta americana, considerando principalmente garantias de segurança à Ucrânia e toda a Europa. O líder ucraniano busca resistir à pressão para ceder territórios ocupados, enquanto Moscou não demonstra interesse em abrir mão das regiões. O mercado monitora também a decisão do Fed hoje, que deve reduzir o juro americano. (BDM Online)