Copom – dezembro | Análise PicPay

Por Ariane Amanda Benedito, economista-chefe do PicPay

O Comitê de Política Monetária decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 15,00% ao ano, encerrando o ciclo de reuniões de 2025 com uma sinalização clara de continuidade da política monetária em território significativamente contracionista. A comunicação reforça que, apesar da moderação gradual da atividade, o mercado de trabalho segue resiliente e a inflação, tanto cheia quanto as medidas subjacentes, permanece acima da meta. Além disso, o Copom enfatiza que as expectativas de inflação seguem desancoradas e que suas próprias projeções ainda não convergem plenamente no horizonte relevante.

O Banco Central avalia que o balanço de riscos segue desfavorável à convergência da inflação, refletindo principalmente a persistência das expectativas acima da meta, a inércia dos preços de serviços e a sensibilidade maior do câmbio em um ambiente externo adverso. Esses fatores reforçam que a política monetária ainda precisa atuar como âncora de credibilidade. Ao mesmo tempo, o Comitê reconhece que uma desaceleração mais intensa da atividade, no Brasil ou no exterior, poderia acelerar o processo desinflacionário, mas considera que esse cenário ainda carece de maior evidência. Diante desse quadro, o BC sustenta a necessidade de manter a Selic em patamar contracionista por um período prolongado e reafirma que seguirá vigilante, preservando a possibilidade de ajuste adicional caso identifique piora no cenário ou nas expectativas.

Considerando que esta reunião representava a principal oportunidade para o Banco Central suavizar o tom e sinalizar o início do ciclo de flexibilização, nossa avaliação é que o Copom deverá manter a Selic em 15,00% em janeiro, abrindo espaço para um corte de 0,50 p.p. em março. Para que esse cenário se materialize, será fundamental que a moderação da atividade se consolide, que os núcleos de inflação continuem arrefecendo e que não ocorram novos choques adversos. Além disso, será necessário que o comunicado anterior à decisão de março apresente sinalização mais clara de flexibilização, de modo a reforçar a confiança na trajetória de convergência da inflação.

https://www.bcb.gov.br/detalhenoticia/20960/nota

 FOMC – Dezembro | Análise PicPay

Por Ariane Amanda Benedito, economista-chefe do PicPay

O FOMC cortou a taxa básica de juros em 25 pontos-base, levando o intervalo para 3,50%–3,75%. No “dot plot” divulgado junto à decisão, a mediana projetada para 2026 é de apenas mais um corte de 25 bps, ou seja, o Comitê espera uma desaceleração no ritmo de cortes. As previsões macro atualizadas indicam expectativa de inflação ligeiramente menor e de crescimento econômico para 2026 em torno de 2,3%. O FOMC também sinalizou que os riscos ao emprego aumentaram recentemente, um dos fatores que justificou o corte.

O conjunto das projeções apresentou poucas mudanças relevantes, mas o dot plot trouxe um elemento importante: a maior dispersão das estimativas para 2026 evidenciou um Comitê mais dividido quanto ao ritmo e à extensão da flexibilização. O desenho das projeções indica que parte dos membros considera adequada a manutenção de juros em níveis elevados por mais tempo, enquanto outra parcela avalia que o enfraquecimento da atividade já justificaria reduções adicionais. Essa heterogeneidade reforça que não há trajetória predeterminada para a política monetária e que a calibragem dependerá de sinais mais consistentes de desaceleração econômica e desinflação.

A interpretação da coletiva de Jerome Powell seguiu a mesma direção. A deterioração do mercado de trabalho foi reconhecida como fator que exige ajustes, mas a inflação ainda elevada mantém a necessidade de prudência. A resposta do Fed segue condicionada a um balanço de riscos que combina atividade mais fraca, preços ainda pressionados e incertezas relevantes no cenário externo. Powell evitou orientar o mercado para qualquer aceleração do ciclo de cortes e também não indicou pausa imediata, preservando flexibilidade e reforçando que as próximas decisões dependerão da confirmação de uma tendência mais clara de convergência da inflação.

O quadro final fornecido pela decisão, pelas projeções e pela coletiva indica que o FOMC permanece em um ambiente de avaliação contínua, em que cada movimento será guiado pelo comportamento dos dados e não por um roteiro pré-estabelecido. A combinação entre dispersão maior no dot plot, manutenção da cautela na comunicação e reconhecimento das pressões persistentes sobre a inflação e o mercado de trabalho sugere que o ciclo de flexibilização deve seguir em ritmo moderado. Para os mercados, o corte reduz parte das incertezas de curto prazo, mas a ausência de consenso dentro do Comitê e a insistência em prudência mantêm a necessidade de interpretação cuidadosa das próximas leituras de atividade e preços, que serão determinantes para calibrar a trajetória da política monetária ao longo de 2026.
https://www.federalreserve.gov/default.htm

Europa: Bolsas têm ganhos moderados no pós Fed, com pressão das ações de tecnologia

As principais bolsas europeias apresentam desempenho tímido nesta 5ªF (Londres +0,10%; Frankfurt estável e Paris +0,45%), no day after da decisão do Fed, que confirmou o terceiro corte seguido nos juros americanos. O presidente do BC dos EUA, Jerome Powell, falou em “pausa” agora, mas não chegou a descartar uma nova redução em janeiro, o que animou os mercados.

Apesar da notícia positiva, os ganhos das bolsas na Europa são limitados pela queda das ações de tecnologia, com o setor pressionado pela pelas previsões pessimistas e maiores despesas de capital divulgadas pela Oracle – que reascendeu temores em relação a uma bolha de IA. Os papéis da alemã SAP, por exemplo, recuavam 2,5%. (BDM Online)