Giro das 15h: Ibovespa sobe e dólar cai após Copom e pausa no ruído de Brasília
O Ibovespa sustenta os 159 mil pontos com alta moderada nesta tarde (+0,29%, aos 159.536 pontos), enquanto o dólar à vista devolve boa parte dos ganhos recentes (-1,01%, a R$ 5,4134) em uma sessão sem novos ruídos sobre o cenário eleitoral para 2026, enquanto o mercado digere a decisão “hawkish” do Copom, que não trouxe nenhuma pista de que o BC possa aliviar os juros no início do ano que vem.
Os juros futuros curtos avançam (DI Jan/27 a 13,770%), com as apostas de início de corte da Selic migrando de janeiro para março.
Lá fora, as bolsas operam mistas (Dow Jones +1,22%; S&P500 -0,05%; Nasdaq -0,61%), com investidores divididos entre a repercussão positiva do Fed, que não fechou a porta para um novo corte de juros em janeiro, e o retorno das preocupações com uma bolha em IA, após o balanço da Oracle (-13,2%).
Bolsas europeias fecham em alta após susto com techs, puxadas por bancos após Fed
As principais bolsas europeias fecharam em alta nesta 5ª feira, após um início de pregão morno, pressionado pela queda das ações do setor de tecnologia
Movimento ocorreu depois que a Oracle divulgou projeções pessimistas e reascendeu o temor sobre uma bolha de IA.
A recuperação foi capitaneada por papéis do setor bancário.
Ontem, o Fed confirmou as expectativas e cortou os juros americanos pela terceira vez consecutiva.
Na entrevista coletiva, o presidente Jerome Powell disse que haveria uma “pausa”.
Por outro lado, afirmou que o cenário estava aberto para janeiro, à espera de dados, o que foi lido pelos investidores como uma pista dovish.
No fechamento: Londres +0,49%; Frankfurt +0,61%; Paris +0,79%; Stoxx 600 +0,55%, aos 581,34 pontos.
Varejo em outubro – Análise PicPay
Por Ariane Amanda Benedito, economista-chefe do PicPay
O volume de vendas no varejo cresceu 0,5% em outubro na sua base de comparação mensal, resultado mais que suficiente para reverter a queda de 0,3% verificada no mês anterior. Em seu conceito ampliado, que incorpora também os segmentos de vendas de veículos e motos, material de construção e alimentos e bebidas no atacado, o indicador apresentou alta de 1,1%, avançando significativamente na comparação com o mês de setembro, quando a alta fora de 0,2%.
Frente ao mesmo período do ano anterior, o volume de vendas do setor avançou 1,1%, resultado também superior ao do mês de setembro, quando a alta foi de 0,8%.No conceito ampliado, houve queda de 0,3%, devolução apenas parcial do crescimento de 1,1% verificado no mês anterior.
Em 12 meses, o setor varejista acumula expansão de 1,7% em seu volume de vendas, dinâmica relativamente surpreendente em face das expectativas para o desempenho do setor desde o início do ano, com benefícios conjunturais, especialmente ligados à inflação e mercado de trabalho, sendo responsáveis por parcela importante deste desempenho.
Especificamente no mês de outubro, o bom desempenho verificado refletiu uma dinâmica mais benigna em ambos os conceitos que compõem a PMC. No caso do varejo restrito, a alta se deu tanto nos componentes mais sensíveis à fatores conjunturais, com destaque para o subgrupo de combustíveis e lubrificantes (+1,4%), resultado em linha com as expectativas antecedentes para seu resultado haja vista a melhora em termos de preço apresentada por seus componentes, bem como os grupos com maior sensibilidade aos ciclos econômicos, cujo protagonismo ficou com o grupo de Móveis e eletrodomésticos (+1,0%), que interrompeu uma série de resultados abaixo do esperado que já durava dois meses, período no qual seu resultado variou entre estagnações e quedas.
No conceito ampliado da pesquisa, a alta verificada em outubro pode ser amplamente atribuída ao crescimento de 1,1% no volume de vendas de veículos e motos, grupo que, embora seja um dos mais afetados pelo efeito deletério da política monetária, aproveitou de características sazonais relacionadas à demanda, como a maior procura por veículos no momento da transição de modelos, para recobrar parte das perdas recentes que havia registrado.
Prospectivamente, a expectativa é majoritariamente positiva para o desempenho do setor de comércio, que contará com dois impulsos importantes em termos de consumo nos resultados dos próximos dois meses, sendo o primeiro deles relacionado à Black Friday em novembro, que deve influenciar o consumo de grande parte dos componentes da PMC em seu conceito restrito, bem como as festividades de final de ano, que além de dinamizarem a demanda de itens pertencentes à grupos como vestuário e artigos de consumo pessoal, pode se beneficiar ainda do melhor comportamento do preço dos alimentos e bebidas para elevar ainda mais o resultado do setor.
Embora o cenário aparente ser demasiadamente positivo, vale destacar que os impactos supracitados são pontuais e, por se tratarem de movimentos amplamente presentes na série histórica do setor, já são naturalmente incorporados nas projeções, de modo que as expectativas para indicadores que tomam este resultado em sua base de cálculo, como é o caso do PIB, não devem sofrer alterações muito expressivas. Nossa projeção, inclusive, continua sendo de um crescimento de 2,2% para o produto interno bruto do país ao final deste ano.