Abertura: Dólar sobe e juros futuros avançam com cenário eleitoral e RPM no foco
O dólar à vista negociava em alta nesta manhã (+0,51%, a R$ 5,5512), superando o avanço da moeda americana frente a pares (DXY +0,18% há pouco).
Os investidores estão atentos ao cenário eleitoral e a dados do exterior, além das novas projeções do BC.
Hoje, uma pesquisa LatAm Pulse divulgada pela Bloomberg, feita pela AtlasIntel, mostra que Lula venceria em todos os cenários de primeiro e segundo turno.
Ele teria quase 48% dos votos, contra 21,3% de Flávio Bolsonaro, o segundo colocado, no início da corrida ao Planalto.
Já a margem de vitória de Lula sobre o favorito do mercado, Tarcísio de Freitas, seria de apenas 4 pp em um eventual segundo turno.
Os juros futuros sobem, em reação ao Relatório de Política Monetária (RPM), que reforçou a postura conservadora ao manter em 3,2% a projeção de inflação no horizonte relevante.
Isso afasta ainda mais as chances de corte da Selic em janeiro. O Ibovespa abriu estável em 157.326,40 pontos.
Em NY, os futuros das bolsas operam em alta (Dow Jones +0,16%; S&P500 +0,40%; Nasdaq +0,81%), à espera do CPI de novembro e pedidos de auxílio-desemprego nos EUA, logo mais.
Relatório de Política Monetária (RPM) | Análise PicPay
Por Matheus Pires Mariniello Pizzani
Seguem os destaques dos RPM de acordo com a avaliação do nosso departamento econômico:
Contrastes na leitura sobre inflação
Apesar de ter reconhecido as surpresas positivas no desempenho da inflação do último trimestre, causadas em grande parte pelo movimento de apreciação cambial, o patamar restritivo das condições financeiras e o efeito de fatores sazonais, o BC buscou evitar a presença exclusiva de elementos exclusivamente benignos que pudessem passar uma mensagem demasiadamente dovish, especialmente em face da maior pressão prevista para os próximos meses tanto sobre o preço dos alimentos quanto sobre o grupo de serviços.
Contrapostos como forma de equilibrar cenário
Seguindo o modelo de seus últimos comunicados, a apresentação de pontos positivos relacionados ao cenário do BC veio imediatamente acompanhada dos pontos de atenção que ainda cercam seu mandato.
No caso do RPM, a projeção de convergência para a meta de inflação apenas no 1T/28 combinada com a leitura de bom comportamento do mercado de trabalho, revisão positiva para o PIB de 2026 e condições financeiras ligeiramente mais frouxas são alguns dos sinais de que o Copom não aparenta estar incomodado com o atual nível de juros, ainda vendo espaço o suficiente para mantê-lo inalterado até o fim do primeiro trimestre do próximo ano.
Embora tenha optado por trabalhar com um balanço de riscos assimétrico, a análise do cenário como um todo sugere que a materialização dos riscos de alta segue prevalecendo em detrimento aos riscos de baixa para a inflação.
Corroboram esta hipótese a ênfase dada em diversos pontos do documento à desancoragem prolongada das expectativas de inflação e seus custos para a política monetária, elemento central nas últimas comunicações do comitê, bem como o temor em relação à questões inerciais relacionadas à inflação de serviços, que deve voltar a acelerar no início de 2026 e continua como principal foco de preocupação do atual mandato de inflação do BC.
Futuros de NY sobem na expectativa pela divulgação do CPI e dados de emprego
Os futuros de índices em NY registram alta nesta manhã (Dow Jones +0,18%; S&P 500 +0,43% e Nasdaq +0,75%), de olho na divulgação de dados de inflação e do mercado de trabalho. Às 10h30, sai o CPI de novembro e pedidos de auxílio-desemprego, na primeira leitura desde o fim da paralisação recorde do governo americano, no mês passado.
Os resultados podem ajudar a guiar as apostas sobre os rumos da política monetária americana a partir de 2026. Entre os principais setores, as fortes previsões da fabricante de chips Micron amenizaram temporariamente as preocupações sobre uma precificação exageradas dos negócios de tecnologia. (BDM Online)