Dólar e juros sobem com exterior, fluxo e dados

O dólar cede globalmente, mas aqui sobe a R$ 5,5866 (+0,04%), antes de dois leilões de linha de US$ 2 bi, após subir firme na véspera em meio a remessas de fim de ano e sessão de liquidez reduzida antes dos feriados. Na contramão dos Tesouros, nossos rendimentos recuperaram de ponta a ponta, os juros futuros sobem após o IPCA-15 avançar 0,25%, abaixo da deficiência de +0,30% e acima de novembro (+0,20%).

A queda da moeda é generalizada no exterior. O DXY (-0,36%) cai para 97,935, com o iene se recuperando (156,012/US$) após alerta de intervenção e a libra para US$ 1,35020 (+0,29%), com os investidores esperando que o BoE reduza as taxas de juros pelo menos uma vez no primeiro semestre de 2026, duas enquanto o Fed deve cortar pelo menos vezes em 2026 (50 pb para mais de 73%, sem CME), mas não em janeiro (82,3% por manutenção). A atenção está nos dados do PIB americano e PCE do 3Tri, que, mesmo atrasados, têm potencial de calibrar expectativas. A economia dos EUA deve ter crescido a uma taxa de 3,3%, inferior aos 3,8% do 2Tri. Sinais de moderação no crescimento do PIB podem ajustar-se às expectativas para o curto prazo.

Aqui, o mercado também acompanha entrevista de Jair Bolsonaro ao Metrópoles, às 11h, com divulgação às 13h. O Ibovespa opera na máxima aos 159.575,02 pontos (+0,91%). (Ana Katia)

IPCA-15 – Dez/25

Por Equipe Econômica PicPay

O IPCA-15 de dezembro registrou variação de 0,25%, acelerando frente ao desempenho observado em novembro (0,20%), embora tenha sido menor do que o mesmo período do ano anterior, quando a alta fora de 0,34%. Em 12 meses, a prévia da inflação registrou alta de 4,41%.

A variação observada no período se deve majoritariamente ao impacto de fatores sazonais sobre componentes com participação relativa mais elevada, com destaque para as altas de itens como Passagens aéreas (+12,71%) e Transporte por aplicativo (+9%). Embora vários de seus componentes tenham registrado deflação no período, casos de Tomate (-14,53%), Leite longa vida (-5,37%) e Arroz (-2,37%), o grupo de Alimentação e bebidas deu continuidade ao processo de afastamento do campo deflacionário, registrando alta de 0,13%.

O dado fechado de dezembro deve captar em melhor proporção o quadro inflacionário esperado para o período. Além da tendência de maior pressão sobre os preços dos alimentos por conta do aumento da demanda na segunda quinzena do mês, o início do processo de reversão dos descontos oferecidos na Black Friday sobre bens industriais e a manutenção da pressão sobre os preços de serviços relacionados aos setores de turismo e lazer são destaques até aqui.

Apesar da forte presença de fatores sazonais, a ausência de elementos que forneçam uma perspectiva mais positiva para o desempenho do IPCA, especialmente no caso dos preços de serviços, não altera nosso cenário prospectivo para inflação e a política monetária. Neste sentido, nossa projeção para o IPCA em 2025 segue em 4,4%, ainda dentro do limite superior estabelecido pelo Regime de Metas para Inflação (RMI), enquanto o início do ciclo de corte de juros tem como início o mês de março.

Futuros de NY se estabilizam antes de dados importantes

As ações americanas garantem os lucros antes dos dados econômicos restantes de 2025 para verificar se eles alteram significativamente as expectativas de cortes nas taxas de juros. Há poucos futuros do Dow Jones se estabilizaram em +0,03%; os do S&P 500 em +0,04% e os da Nasdaq, em +0,06%.

A desaceleração da inflação e os dados mistos do mercado de trabalho levaram os mercados a precificar pelo menos dois cortes nas taxas de juros pelo Fed em 2026. O PIB do 3tri sai logo mais (10h30) e, mesmo atrasado, atrai a atenção. Os investidores também aguardam às 12h, a confiança do consumidor (Conference Board), que sofreu forte queda em novembro .