Ouro fecha em leve queda com realização de lucros, de olho no Fed

O ouro apresentou forte volatidade hoje, terminando com uma leve realização de lucros após recordes recentes, em meio a dados de inflação dos EUA que consolidaram as apostas em novos cortes nos juros pelo Fed neste ano – pelo menos dois, apesar da expectativa de manutenção em janeiro –, além das persistentes incertezas geopolíticas e econômicas impulsionando a busca por ativos seguros.

Taxas de juros mais baixas tendem a ser favoráveis para o metal precioso, que não gera rendimento.

Em outra frente, as preocupações com a independência do Fed aumentaram depois que o governo Trump abriu uma investigação criminal contra o presidente do Fed, Jerome Powell, atraindo críticas de ex-presidentes do Fed e banqueiros centrais globais.

Além disso, o líder dos EUA ameaçou impor uma tarifa de 25% sobre os países que negociam com o Irã, correndo o risco de reabrir antigas feridas com Pequim, o principal parceiro de Teerã. Em outro contexto, a Rússia atacou cidades na Ucrânia com mísseis e drones durante a noite.

O contrato do metal precioso para fevereiro fechou em baixa de 0,34% na Comex, cotado a US$ 4.599,10 por onça-troy. Vale registrar que o CME Group anunciou recentemente que ajustará as margens para metais preciosos a fim de lidar com a volatilidade do mercado.

Giro das 15h: Bolsas devolvem ganhos e dólar sobe com CPI em linha e tensões no Irã

O dólar ganha força globalmente (DXY +0,28%, aos 99,143 pontos) e também diante do real (+0,18%, a R$ 5,3820), após o CPI americano em dezembro vir em linha com o esperado, reforçando as expectativas de que o Fed só deve voltar a cortar juros em junho.

Já as bolsas em NY (Dow Jones -0,68%; S&P500 -0,34%; Nasdaq -0,17%) passam por correção após baterem novos recordes de fechamento, em meio ao aumento das tensões no Irã e também ao ruído em torno da tentativa de intervenção de Trump no Fed.

O mercado também analisa o resultado do JP Morgan (-3,5%), que abriu a temporada de balanços do 4TRI25.

Por aqui, o clima de aversão ao risco lá fora mantém o Ibovespa no vermelho (-0,63%, aos 162.115 pontos). Os juros futuros operam em queda moderada (Jan/27 a 13,695%; Jan/29 a 12,955%) com o volume de serviços em novembro (-0,1%) pior que o esperado (+0,1%).

Bolsas europeias fecham mistas, com cautela frente a tensões geopolíticas

As principais bolsas europeias fecharam mistas nesta 3ªF, praticamente estáveis.

Investidores globais se mantêm cautelosos e avaliam o aumento das tensões geopolíticas envolvendo Irã, Venezuela e Groenlândia, todas com a participação direta dos EUA.

Os atritos estão concentrados na pressão de Trump sobre o presidente do Fed, Jerome Powell, o que levanta questionamentos sobre a independência do BC dos EUA.

O presidente norte-americano fez novo alerta ao Irã hoje, cancelando reuniões com autoridades do país “até que a matança acabe” e deixou no ar a frase: “A ajuda está a caminho”.

Do ponto de vista macro, o CPI de dezembro dos EUA veio dentro do esperado.

No fechamento: Londres -0,03%; Frankfurt +0,06%; Paris -0,14%; e Stoxx 600 -0,08%, aos 610,44 pontos.