IBC-Br – Nov/25 – Análise PicPay

Por Departamento Econômico PicPay

O IBC-Br de novembro avançou 0,7% em sua comparação mensal, revertendo a queda de 0,2% observada em outubro. Frente mesmo período do ano anterior, a alta foi de 1,3% na base de comparação dessazonalizada. Entre os componentes do indicador, destaque para a alta de 0,8% do setor industrial e de 0,6% do setor de serviços.

No primeiro caso, o resultado do setor industrial pode ser atribuído à correção das quedas observadas nos dois meses anteriores. Foram sete quedas nas onze divulgações do IBC-Br em 2025, com o setor ainda enfrentando dificuldades advindas do cenário de uma demanda enfraquecida e menor propensão à gastos com bens industriais de maior valor agregado.

O setor de serviços, por sua vez, beneficiou-se especialmente do bom desempenho do comércio, conforme visto na PMC divulgada ontem (15/01), para auferir a taxa de crescimento supracitada, haja vista que seus componentes mais intensivos em trabalho, casos dos serviços prestados às famílias ou serviços de apoio às atividades empresariais, apresentaram resultados que circularam entre estagnação e retração em novembro.

O forte desempenho apresentado pelo IBC-Br se mostra suficiente para evitar uma possível estagnação do PIB no último trimestre do ano, possibilidade aventada quando da divulgação do seu antecessor. Seguimos projetando crescimento de 2,1% do PIB ao final de 2025.

Outro debate importante que que pode ser traçado a partir deste dado diz respeito à política monetária. Quando somado aos dados sólidos do mercado de trabalho, a sinalização positiva advinda do nível de atividade sugere a possibilidade de manutenção do hiato do produto no campo positivo por tempo adicional, criando um ambiente propício para o início do ciclo de queda dos juros apenas em março, além de reduzir a importância relativa do debate sobre o início deste processo e sinalizar maior importância sobre a discussão de sua magnitude.

Petróleo sobe enquanto os riscos de oferta permanecem em foco

O petróleo sobe a despeito das preocupações com a oferta. O WTI/fev ganha 1,01%, a US$ 59,79 o barril, enquanto o brent para março sobe 1,02%, a US$ 64,41. Embora tenham diminuído um pouco, após Trump afirmar que a repressão de Teerã aos manifestantes estava esfriando, os riscos continuam, dada a instabilidade política. Qualquer escalada nas tensões aumentaria preocupações sobre interrupção do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, um ponto de estrangulamento por onde passam cerca de 20 milhões de barris por dia.

Os analistas preveem um aumento da oferta este ano, o que poderá criar um limite máximo para o prêmio de risco geopolítico nos preços. O balanço subjacente ainda aponta para uma oferta abundante, mantendo o petróleo em uma faixa de preço definida, com o Brent oscilando entre US$ 57 e US$ 67. Uma mudança no cenário se daria por uma recuperação consistente na demanda chinesa ou um gargalo significativo no fluxo físico de barris.

Bolsas europeias estão mistas e preocupações com a Groenlândia ainda são prioridade

As bolsas europeias estão mistas, com os investidores ainda preocupados com os desdobramentos geopolíticos. Uma reunião entre altos funcionários dos EUA, da Dinamarca e da Groenlândia, no início da semana, não resultou em acordo. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que ainda persiste um “desacordo fundamental” com os EUA, após Trump insistir que os EUA “precisam” da Groenlândia.

Frederiksen também alertou que um conflito com os EUA poderia significar o fim da OTAN, levando os países europeus a enfrentarem rebaixamentos de um nível em suas classificações de crédito, segundo o analista da Fitch. James Longsdon. Ele observa que a proximidade com a Rússia seria fator chave para determinar a vulnerabilidade. Nações europeias, incluindo Alemanha, França, Noruega e Suécia, já começaram a enviar tropas para a Groenlândia em demonstração de apoio. Londres sobe +0,10%; Frankfurt cai -0,20% e Paris -0,39%.