Boletim Focus

Por Departamento Econômico PicPay

Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 19 de janeiro, teve como principal característica a estabilidade em grande parte dos indicadores que contemplam o horizonte relevante com o qual trabalha o Banco Central e o mercado atualmente. O destaque ficou por conta de mais uma revisão de alta para projeção da Selic ao final de 2028, que em um intervalo de quatro semanas saltou de 9,75% para 10%, resultado que, caso mantido nos relatórios subsequentes, pode ter impactos importantes sobre outros indicadores além da inflação, como o PIB, câmbio e até mesmo os dados de dívida pública.

No curto prazo, a principal mudança ficou por conta de mais uma correção baixista nas projeções do IPCA de 2026, cuja mediana passou a ser de 4,02%. A estabilidade das projeções para os preços administrados sugere uma visão mais positiva para o comportamento dos preços livres, notícia positiva para fins de política monetária. Esse cenário, inclusive, pode ser um dos motivadores da revisão para baixo da projeção da Selic nos últimos cinco dias.

Embora tenha permanecido com uma mediana de 12,25% no dado oficial, as revisões feitas nas projeções inseridas nos últimos cinco dias de coleta do Focus apontam para uma redução da expectativa do mercado para Selic ao final de 2026 na ordem de 25 p.p, com a taxa caindo para 12% ao final do ano. Mantida a perspectiva do mercado, este novo dado deve constar no boletim da próxima semana. O cenário, porém, ainda demanda cautela e a tendência é que as projeções de Selic sigam passando por ajustes marginais a depender da evolução do cenário macroeconômico nos próximos meses.

Aos que nos acompanham com frequência, gostaríamos de compartilhar que estamos passando por mudanças no modelo de comunicação referente aos dados do Boletim Focus. No formato anterior, alimentávamos nosso relatório diretamente do banco de dados do BC, que é atualizado com certo atraso em relação à divulgação do Boletim. Para evitar que as informações sejam disponibilizadas com um delay excessivo para vocês, estamos alterando a metodologia de coleta e buscando entregar este conteúdo o mais rápido possível, o que implica algumas modificações no formato tradicional do relatório. Qualquer dúvida, estamos à disposição.

Abertura: Dólar e juros oscilam com liquidez reduzida e tarifas no radar

O dólar é estável ante o real, a R$ 5,3669 (-0,11%), após máxima de R$ 5,3819, em sessão de liquidez reduzida pelo feriado de Martin Luther King Jr nos EUA

Também pesa a aversão ao risco por causa das ameaças de tarifas de Trump a países europeus por causa da Groelândia.

O DXY cede 0,23%, mas mantém os 99 pontos (99,167), com alta das divisas pares do dólar, sendo que a moeda americana cai menos ante o iene, a 157,946/US$ (-0,08%).

A premiê Sanae Takaichi convocou uma eleição para 8 de fevereiro com o objetivo de testar o apoio dos eleitores a uma agenda de gastos.

No domingo, os líderes europeus concordaram em discutir esta semana medidas retaliatórias aos EUA.

O fato lança dúvidas sobre o futuro do acordo comercial firmado em 2025 entre Washington e a UE.

No sábado, Trump afirmou que imporia tarifas de 10% a oito membros da UE até que os EUA consigam comprar a Groenlândia.

As tarifas podem subir a 25% caso ele não consiga o território.

Os juros futuros, há pouco, cediam levemente, acompanhando a moeda, e o Ibovespa subia 0,10% (164.960,63), fazendo máxima de 165.070,47 pontos.

Petróleo cai com a diminuição da instabilidade no Irã

O petróleo cede com menos agitação civil no Irã, o que reduz a chance de um ataque dos EUA que poderia interromper o fornecimento do principal produtor do Oriente Médio. Trump disse nas redes sociais que o Irã havia cancelado os enforcamentos em massa de manifestantes, embora o país não tenha anunciado nenhum plano nesse sentido. Também no radar está a guerra comercial, em decorrência do impasse entre os EUA e a Europa sobre a Groenlândia, e o mercado está adicionalmente atento ao risco de danos à infraestrutura russa e ao fornecimento de destilados, em um momento de previsão de clima mais frio na América do Norte e na Europa.

Os planos para os campos de petróleo da Venezuela são acompanhados de perto, depois que Trump afirmou que os EUA administrariam sua indústria petrolífera, mas estavam menos confiantes quanto às perspectivas de aumento da produção venezuelana. O WTI/fev cai a US$ 59,10 (-0,57%) e o brent/mar, a US$ 63,70 (-0,67%).