Bolsas europeias fecham em alta após reabertura do Estreito de Ormuz
As bolsas europeias fecharam em alta com o otimismo impulsionado pela reabertura do Estreito de Ormuz antes mesmo da reunião entre EUA e Irã que pode acontecer neste fim de semana.
Trump alegou, sem apresentar provas, que o Irã concordou com termos aos quais resistia anteriormente.
Mais cedo, o superávit comercial da Zona do Euro diminuiu para 11,5 bilhões de euros em fevereiro, contra 23,1 bilhões de euros no ano anterior, ligeiramente abaixo das expectativas de 11,7 bilhões de euros. As exportações caíram 6,7% e as importações recuaram 2,2%.
Londres subiu menos que seus pares, refletindo sentimento cauteloso.
No fechamento: Londres +0,73%; Frankfurt +2,27%; Paris +1,95%; Stoxx 600 +1,47% (626,00).
Giro das 12h: Ibovespa cai com Petrobras, que acompanha petróleo após reabertura de Ormuz
A reabertura do Estreito de Ormuz alivia preocupações com a inflação no curto prazo e leva os investidores a subirem apostas em cortes nas taxas de juros.
Após o chanceler iraniano Abbas Araghchi confirmar que a rota está reaberta a todas as embarcações comerciais durante o cessar-fogo, o petróleo despenca entre 13% e 14%.
A baixa da commodity derruba Petrobras (ON -8,01% e PN -7,49%), que devolve ganhos com a aquisição de fatia no bloco 3, na costa de São Tomé e Príncipe.
Com grande participação na carteira, o papel pesa sobre o Ibovespa, agora em queda de 0,49% (195.852,14).
A queda de cerca de 20 pontos nos juros futuros apoia bancos (Itaú +0,83%; Bradesco PN +2,69%).
Além disso, limita perdas maiores a subida de Vale (+1,70%) com minério e relatório de produção.
Em NY, fazendo novos recordes, Dow Jones avança 2,16%, o S&P 500 tem alta de 1,36% e o Nasdaq registra ganho de 1,56%.
O rendimento dos Treasuries de 10 anos caiu a 4,22% e o DXY marca seu nível mais baixo desde o início da guerra, a 97,784 pontos (-0,44%). Aqui, a moeda perde 0,45%, a R$ 4,9702.
Resumo semanal: 13/04/2026 a 17/04/2026
Por Matheus Gomes de Souza, CEA
1. Cenário global e geopolítica
O bloqueio total dos portos iranianos pelos Estados Unidos marcou o início da semana com um choque geopolítico relevante, elevando o risco de disrupção no fluxo global de energia e pressionando fortemente o petróleo. A decisão ocorreu após o fracasso das negociações em Islamabad e manteve sob tensão o Estreito de Ormuz, rota crítica por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. A reação do Irã foi dura, com reforço militar e retórica de confronto, enquanto Washington intensificou sua presença na região, elevando o risco de um evento sistêmico no mercado de energia.
Ao longo dos dias, sinais de reabertura diplomática (com discussões sobre um novo encontro entre EUA e Irã e a mediação do Paquistão) reduziram o estresse inicial. Houve também avanço tático em outro front, com a trégua temporária entre Israel e Líbano. Ainda assim, o mercado passou a diferenciar discurso de fato: sem datas confirmadas ou concessões concretas sobre o programa nuclear iraniano e o controle de Ormuz, o conflito saiu da fase de choque e entrou em um impasse negociado, mantendo prêmio de risco geopolítico elevado, porém mais estável.
2. Política monetária e inflação
Nos Estados Unidos, a alta recente do petróleo contaminou os dados de inflação, com o CPI de março acelerando para 3,3% em 12 meses, impulsionado principalmente pelos combustíveis. Apesar disso, o núcleo veio levemente abaixo do esperado, e o PPI divulgado ao longo da semana surpreendeu para baixo, ajudando a aliviar temores de efeitos secundários mais persistentes. O mercado manteve a leitura de que cortes de juros pelo Fed seguem distantes, concentrados apenas a partir da segunda metade de 2027, com Treasuries oscilando conforme o noticiário geopolítico.
Na Europa, o choque de energia foi tratado como potencialmente temporário. Dirigentes do BCE reforçaram que a inflação já havia retornado a níveis próximos de 2% antes do conflito, dando espaço para avaliar os impactos sem reação imediata. Ainda assim, dados de comércio evidenciaram fragilidade adicional: o superávit comercial da União Europeia caiu 60% em fevereiro, com forte retração das exportações para os EUA após a imposição de tarifas, adicionando um vetor de desaceleração ao cenário macro do bloco.
3. Brasil: Macro, fiscal e política
O IPCA de março confirmou a deterioração do quadro inflacionário, com alta de 0,88% no mês e aceleração para 4,14% em 12 meses, acima do teto implícito das projeções. O choque veio majoritariamente dos combustíveis, em linha com a disparada do petróleo, mas também houve pressão relevante em alimentação. Em resposta, o Banco Central reforçou o tom de cautela: diretores indicaram que o ciclo de cortes da Selic será calibrado e lento, com ampla precificação de redução de apenas 0,25 pp na próxima reunião, diante da desancoragem das expectativas.
No campo fiscal, o governo enviou o PLDO de 2027 mantendo a meta de superávit primário de 0,5% do PIB. Embora o desenho sinalize compromisso com consolidação gradual e acione gatilhos do arcabouço, analistas destacaram que o cumprimento depende de exclusões relevantes de gastos, como precatórios, o que reduz o esforço fiscal efetivo. Politicamente, avançaram pautas sensíveis (como o fim da escala 6×1 e programas de crédito para famílias endividadas) reforçando o viés social da agenda, mas também ampliando a percepção de risco fiscal em um horizonte pré-eleitoral.
4. Mercados financeiros
O petróleo foi o principal vetor da semana: disparou acima de US$ 100 com o bloqueio ao Irã, recuou com sinais de negociação e voltou a se aproximar desse patamar diante da ausência de desfecho concreto. Essa volatilidade se refletiu nos mercados globais, com bolsas americanas renovando máximas históricas à medida que o choque inicial era absorvido, enquanto Treasuries e o dólar global (DXY) oscilaram sem direção clara, refletindo ceticismo crescente quanto às declarações políticas.
No Brasil, o destaque foi o fluxo externo extraordinariamente forte. O Ibovespa acumulou novas máximas históricas ao longo da semana, aproximando-se da marca simbólica dos 200 mil pontos, impulsionado por entradas relevantes de capital estrangeiro e pelo diferencial de juros elevado. O dólar rompeu o nível de R$ 5,00, mas mostrou sinais de esgotamento, sugerindo que o real pode estar próximo de um limite de valorização no curto prazo. Nos juros, a curva curta permaneceu pressionada pelo IPCA e pelo choque de energia, enquanto os vértices longos refletiram alívio parcial com a atividade mais fraca e a percepção de que o conflito, embora persistente, tende a ser negociado.
Síntese da Semana
▪️ O conflito no Oriente Médio saiu da fase de choque e entrou em um impasse negociado, mantendo prêmio de risco elevado, mas sem ruptura sistêmica imediata.
▪️ O choque do petróleo reacendeu preocupações inflacionárias, limitando o espaço para cortes de juros e reforçando discursos de cautela dos bancos centrais.
▪️ No Brasil, inflação pressionada, atividade em desaceleração marginal e um fiscal formalmente ambicioso, porém dependente de exceções, moldaram a leitura macro.
▪️ Os mercados foram sustentados por fluxo e liquidez, especialmente no Brasil, mas terminaram a semana mais céticos, exigindo fatos (não apenas sinalizações) para novas reprecificações.