Abertura: Dólar e juros sobem com exterior mirando risco fiscal e guerra comercial

Em sessão de agenda doméstica esvaziada, o dólar avança a R$ 5,3901 (+0,49%), em linha com divisas emergentes.

Os juros futuros disparam 10 pontos do miolo em diante, mais moderadamente na ponta mais curta, acompanhando os rendimentos dos títulos em todo o mundo.

Ante pares, a moeda americana despenca. O DXY cai a 98,505 (-0,89%).

O clima de aversão ao risco vem dos temores de uma nova guerra comercial e dos riscos fiscais no Japão. 

Aumentando a pressão para controlar a Groenlândia, Trump descartou voltar atrás e a UE deve responder.

Além disso, ele ameaçou taxar bebidas francesas em 200% para retaliar Emmanuel Macron.

O presidente francês teria questionado Trump sobre a Groelândia e descartado integrar Conselho de Paz para abordar Gaza e outros conflitos.

A crise na renda fixa foi detonada pela onda de venda da dívida pública japonesa.

A primeira-ministra Sanae Takaichi antecipará as eleições e promete cortes de impostos para alimentos por dois anos, o que pode pressionar mais a situação fiscal do Japão.

O impacto é estimado de 5 trilhões de ienes (US$ 32 bilhões) na receita.

A aposta eleitoral de Takaichi chega em um momento de inflação acima da meta há quase quatro anos. O Ibovespa cede 0,53%, a 163.981,44 pontos.

Disputa sobre a Groenlândia derruba futuros de NY

Os futuros de NY caem (Dow Jones -1,44%; S&P 500 -1,57% e Nasdaq -1,90%) em meio às ameaças de Trump de taxar os europeus devido ao seu desejo de controlar a Groenlândia, intensificando a retórica com taxas de 200% sobre vinhos e champanhe franceses. Líderes europeus devem se reunir na 5ªF para discutir suas opções, que podem incluir tarifas sobre 93 bilhões de euros em produtos americanos. França e Alemanha também instaram a UE a considerar a implementação de um instrumento concebido para dissuadir a coerção econômica, que poderia incluir outras restrições ao investimento ou à atividade bancária.

Esta semana, os mercados aguardam que a Suprema Corte dos EUA se pronuncie contra a legalidade das tarifas e também os resultados da Netflix, após o fechamento. Segundo as estimativas, o lucro por ação deve ficar em US$ 0,55 sobre uma receita de US$ 11,96 bilhões.

Petróleo sobe com China impulsionando confiança na demanda

O petróleo sobe após dados de crescimento da China (5% em 2025) aumentarem o otimismo em relação à demanda. Além disso, a capacidade de processamento das refinarias chinesas em 2025 aumentou 4,1% em relação ao ano anterior, enquanto a produção de petróleo bruto cresceu 1,5%. O WTI para fevereiro, que expira hoje, sobe a US$ 59,75 (+0,52%) e o contrato para março, que apresenta maior volume de negociações, sobe a US$ 59,64 (+0,51%). O brent para março avança a US$ 64,25 (+0,48%).

Os temores de uma nova guerra comercial aumentaram depois que Trump disse que imporia tarifas adicionais de 10% a partir de 1º/2 contra países europeus caso nenhum acordo sobre a Groenlândia fosse alcançado, o que enfraquece o dólar e oferece suporte à commodity.

Os mercados também estão acompanhando de perto o setor petrolífero da Venezuela. A Vitol ofereceu petróleo venezuelano a compradores chineses com descontos de cerca de US$ 5 por barril em relação ao Brent da ICE para entrega em abril, disseram fontes do setor.