Giro das 12h: Ibovespa dispara a inéditos 182 mil pontos, após IPCA-15 e antes do Copom
O Ibovespa dispara pela primeira vez a 182.554,33 pontos (+2,15%) pontos, com fluxo externo às vésperas da decisão de juros do Copom.
As estimativas apontam para a manutenção da Selic em 15% e possivelmente indicações sobre o início de corte de juros.
O IPCA-15 veio abaixo das projeções e, na base anual, o acumulado em 12 meses ficou no teto da meta do BC, em 4,50%.
Apenas quatro papeis recuavam perto do meio dia e o índice tem apoio de suas ações de maior peso.
Dentre elas estão Bradesco PN, que avança 2,92% e Itaú sobe 3,22%, enquanto Petrobras tem alta de 3,36% (ON) e 2,52% (PN), acompanhando petróleo.
Já Vale avança 2,61%, apesar do minério e após o JP Morgan elevar preço-alvo do papel de R$ 86 para R$ 100, mantendo a recomendação de compra.
O dólar cai a R$ 5,2491 (-0,58%) e os juros acompanham, com a moeda enfraquecida no exterior, pela quarta sessão seguida, em meio a sinais de apoio americano ao iene.
O DXY perde 0,63% (96,426).
Adicionalmente, o investidor se posiciona antes da decisão do Fed, preocupado com a independência do BC e aguardando que Trump anuncie um novo presidente para a autoridade monetária amanhã.
Um novo shutdown nos EUA e a geopolítica seguem no radar.
Em NY, Dow Jones cai -0,76%, o S&P 500 sobe +0,26% e o Nasdaq, +0,55%, com as techs liderando antes dos balanços de algumas empresas importantes do setor.
IPCA-15 – Jan/26 – Análise PicPay
Por Departamento Econômico PicPay
O IPCA-15 registrou alta de 0,20% MoM em janeiro, resultado abaixo do dado do mês anterior, quando a variação foi positiva em 0,20%. No acumulado em 12 meses, o indicador fechou com alta de 4,5%, no teto da banda superior estipulada pelo Regime de Metas para Inflação (RMI). O resultado cheio relativamente mais ameno não deve ser confundido com uma composição essencialmente benigna do indicador de inflação, que contou com resultados difusos de seus principais grupos para alcançar o resultado em questão.
Neste sentido, destaque para a alta de 0,31% do grupo de alimentação e bebidas, que manteve a trajetória de aceleração já observada desde os últimos meses do ano anterior, movimento já esperado em função da combinação entre o aumento da demanda e fatores ligados à produtividade agropecuária do período.
A composição do resultado contou com alta tanto de componentes cuja volatilidade em termos de preço se dá em curtos espaços de tempo, como tubérculos, raízes e legumes (+10,17%), quanto por alimentos cuja oferta possui característica cíclica, caso da carne (+1,32%). Para fins de projeção para o mês de janeiro, esta composição leva a crer que o grupo como um todo tende a apresentar algum arrefecimento, embora um cenário de deflação, como visto em boa parte do segundo semestre de 2025, está praticamente descartado em função da alta dos elementos cíclicos.
Pelo lado das baixas, destaque para as deflações nos grupos de Habitação e Transportes de, respectivamente, 0,26% e 0,13%, motivadas essencialmente por vários componentes do grupo de preços administrados. No primeiro caso, o principal impacto positivo veio da queda do preço da energia elétrica residencial, reflexo da substituição da bandeira amarela, vigente durante o mês de dezembro, para a bandeira verde. No segundo caso, a redução se deu por conta da combinação entre o arrefecimento do preço de passagens aéreas (-8,92%) e ônibus urbano (-2,90%), cuja série de gratuidades aplicadas em diversas capitais foi suficiente para reverter o movimento de alta gerado pelos reajustes aplicados em cidades como São Paulo, Fortaleza e Rio de Janeiro.
Em linhas gerais, a descrição apresentada acima deixa claro que o bom comportamento do IPCA-15 ocorreu principalmente em função dos choques positivos advindos de uma série de preços administrados, assim como as passagens aéreas, item que possui volatilidade excessiva e não deve ser levado em consideração para fins de análise do indicador sob o prisma da política monetária. Para esta finalidade, atenção deve ser direcionada para a estabilidade apresentada pela subcategoria de serviços subjacentes, que contempla uma amostra significativa dos chamados “serviços intensivos em trabalho”, métrica acompanhada com proximidade pelo BC, e que variou marginalmente para cima entre dezembro e janeiro (saindo de 0,52% para 0,53%), indicando manutenção do quadro de resiliência dos preços de serviços.
Outro ponto importante diz respeito à alta do preço do aluguel residencial, que variou 0,75% no mês e forneceu um dos principais impactos inflacionários positivos do indicador (+0,03 p.p.). Embora o efeito sazonal deva ser considerado neste caso, é razoável recobrar também que trata-se de um componente com caráter inercial em termos de viés inflacionário, o que, em um ambiente de pressão remanescente dos elementos movidos à ociosidade, reforça o viés mais negativo por parte do indicador.
Em suma, a característica do indicador e seu prognóstico, por enquanto, fecham a porta para possíveis guinadas nas projeções para o comportamento do Copom no curtíssimo prazo, entendido aqui como a reunião de janeiro. Mantemos a perspectiva de início dos cortes em março e Selic terminal de 12% ao final de 2026.
https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/45736-ipca-15-foi-de-0-20-em-janeiro
Abertura: Dólar e juros caem com exterior antes da Super Quarta e após IPCA-15
Dólar e juros caem em linha com o exterior e após o IPCA-15 (+0,20%) abaixo do esperado (+0,23%), desacelerando ante os 0,25% em dezembro.
Na comparação anual, a inflação acumulada acelerou para 4,50%, no teto da meta, de 4,41%, em comparação com as previsões de 4,52%.
Há pouco o dólar cedia a R$ 5,2541 (-0,48%) e o DXY, a 96,555 pontos (-0,50%), com investidores de olho em uma intervenção coordenada dos EUA e do Japão.
Contra o iene, que se valorizou em torno de 3% nas sessões recentes, a moeda americana cede a 153,354/US$ (-0,51%).
Amanhã saem as decisões de juros do Brasil e EUA e o foco estará mais nos comunicados.
A razão é que o mercado dá como certa a manutenção da Selic em 15% e das taxas americanas na faixa entre 3,50% e 3,75%.
Trump poderá anunciar seu candidato para suceder Jerome Powell logo após a decisão e é esperado que ele critique a decisão do BC de seu país.
Como pano de fundo, há a investigação criminal contra Powell e a tentativa de demitir Lisa Cook, integrante do Fed.
Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos se estabilizam na ponta curta e sobem nos longos, em dia de leilão de US$ 70 bilhões em títulos de cinco anos.