Copom – janeiro | Análise PicPay

Por Departamento Econômico PicPay

O Comitê de Política Monetária decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 15,00% ao ano, reforçando que a política monetária permanece em território significativamente contracionista. O comunicado reconhece a moderação do crescimento da atividade, conforme o esperado, ao mesmo tempo em que destaca a resiliência do mercado de trabalho e a persistência de pressões, especialmente por meio da inflação de serviços e da dinâmica do hiato do produto.

O ponto central da comunicação é a sinalização prospectiva: o Copom antevê, se confirmado o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária na próxima reunião, enfatizando que seguirá preservando o grau de restrição necessário para garantir a convergência da inflação ao redor da meta no horizonte relevante. Ao mesmo tempo, o Comitê reforça que, dada a elevada incerteza, o compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão do grau de confiança na trajetória prospectiva de inflação.

O balanço de riscos segue descrito como mais elevado do que o usual, contemplando vetores de alta e de baixa. Entre os riscos altistas, o comunicado ressalta a possibilidade de desancoragem prolongada das expectativas, maior resiliência da inflação de serviços e uma combinação de políticas econômicas externa e interna que resulte em impacto inflacionário acima do esperado, inclusive via taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Entre os riscos baixistas, o Comitê menciona desaceleração doméstica mais intensa, desaceleração global mais pronunciada e queda de commodities com efeitos desinflacionários.

Em paralelo, o Copom enfatiza que as expectativas de inflação seguem desancoradas, com a pesquisa Focus apontando 4,0% para 2026 e 3,8% para 2027. No cenário de referência, a projeção do Comitê para o IPCA no 3º trimestre de 2027 (horizonte relevante) é de 3,2%, o que reforça que a convergência ainda demanda manutenção de uma postura restritiva.

Assim, o comunicado combina tom dovish condicional, ao indicar início de cortes já na próxima reunião, com uma âncora de prudência, ao reiterar que o ciclo será calibrado e orientado pela convergência das expectativas e pela dinâmica da inflação, em especial de serviços, além do comportamento do câmbio e do ambiente fiscal. Esperamos que BC inicie o seu ciclo de cortes na reunião de março na magnitude de 0,50p.p.

Futuros de NY avançam no pós-Fed, com big techs no foco

Os futuros de NY avançam, com o mercado avaliando a manutenção dos juros pelo Fed, dentro do esperado, na primeira decisão da política monetária do BC americano em 2026.

Também estão no foco big techs que apresentaram seus balanços ontem. Meta, IBM e Tesla se destacaram positivamente no after market, impulsionados por seus resultados, ao contrário de Microsoft, que despencou, em reação especialmente à desaceleração do crescimento da nuvem Azure.

Os investidores ainda aguardam o balanço da Apple, após o fechamento.

Há pouco, o Dow Jones tinha alta de 0,44%, o S&P 500 subia 0,19% e o Nasdaq ganhava 0,17%.

Contratos futuros do Brent atingem US$ 70 o barril em meio a novas ameaças de Trump ao Irã

Em meio à nova ameaça de Donald Trump contra o Irã, os contratos futuros do petróleo Brent atingiram US$ 70 o barril pela primeira vez desde setembro.

Ontem, o presidente americano alertou que uma “enorme armada” está a caminho do país do Oriente Médio e que o tempo está se esgotando para um acordo sobre seu programa nuclear.

Já o ministro das relações exteriores do Irã reiterou que as forças iranianas estão prontas para responder a qualquer ataque.

Um ataque dos EUA poderia colocar em risco os fluxos de petróleo bruto na região.

Há pouco, Brent para março avançava 1,65%, a US$ 70,05; o WTI para março subia 1,60%, a US$ 64,81.