Ouro se recupera e dispara 6% com tensão geopolítica no radar, de olho no Fed

O ouro subiu forte nesta 3ªF, após duas sessões negativas, com os investidores de olho no risco geopolítico e nas perspectivas econômicas dos EUA, com horizonte de troca na presidência do Fed a partir de maio.

Hoje, o diretor do BC americano Stephen Miran voltou a defender cortes agressivos nos juros americanos, de 1 pp ao longo deste ano.

Em meio à expectativa quanto à reunião entre EUA e autoridades do Irã na sexta (06/02) para um possível acordo nuclear, militares americanos abateram hoje um drone iraniano que se aproximava “agressivamente” do porta-aviões Abraham Lincoln no Mar Arábico, disseram fontes da Reuters.

O contrato do ouro para abril fechou em alta de 6,07% na Comex, cotado a US$ 4.935,00 por onça-troy. Na máxima intradia, chegou a bater US$ 5.018,10.

Ata do Copom – janeiro | Análise PicPay

Ariane Benedito – Economista-Chefe do PicPay

A Ata da 276ª reunião do Copom reforça e aprofunda a sinalização apresentada no comunicado de janeiro, marcando uma inflexão relevante na comunicação ao explicitar que o Comitê julgou adequado sinalizar o início de um ciclo de flexibilização na próxima reunião, condicionado à confirmação do cenário esperado, ao mesmo tempo em que preserva a necessidade de cautela quanto ao ritmo e à magnitude dos ajustes.

No diagnóstico da conjuntura, o Copom reconhece a moderação da atividade econômica em linha com o previsto, mas enfatiza que o mercado de trabalho permanece aquecido, com taxa de desemprego em níveis historicamente baixos e crescimento dos salários reais acima da produtividade. Esse quadro sustenta a leitura de que a inflação de serviços segue resiliente, configurando o principal vetor de atenção na condução prospectiva da política monetária. A Ata reforça que, embora o processo de desinflação esteja em curso, ele ainda é incompleto e requer a manutenção de condições financeiras restritivas.

No campo inflacionário, o Comitê avalia que o IPCA cheio e as medidas subjacentes apresentaram arrefecimento recente, beneficiados por câmbio mais apreciado e por um ambiente de commodities mais benigno. Ainda assim, as expectativas de inflação permanecem desancoradas: a pesquisa Focus aponta 4,0% para 2026 e 3,8% para 2027, acima da meta. No cenário de referência, a projeção do Copom para o IPCA no horizonte relevante (3º trimestre de 2027) é de 3,2%, indicando convergência apenas gradual e reforçando a necessidade de uma postura cautelosa.

O balanço de riscos segue descrito como mais elevado do que o usual. Entre os riscos de alta, o Copom destaca a possibilidade de desancoragem prolongada das expectativas, maior persistência da inflação de serviços e uma combinação de políticas econômicas – domésticas e externas – que gere impactos inflacionários acima do esperado, inclusive via taxa de câmbio. Entre os riscos de baixa, o Comitê menciona uma desaceleração doméstica mais intensa, uma desaceleração global mais pronunciada e quedas adicionais nos preços das commodities. A Ata reconhece alguma redução das incertezas no curto prazo, mas ressalta que o horizonte mais longo segue cercado de elevada incerteza.

A leitura técnica da Ata indica um tom dovish condicional, ao formalizar a intenção de iniciar o ciclo de cortes, combinado com uma âncora de prudência. O Banco Central reforça que a calibragem do ciclo dependerá da evolução da inflação prospectiva, especialmente de serviços, do comportamento do mercado de trabalho, das expectativas e do câmbio. Mantemos nossa avaliação de que o Copom deverá iniciar o ciclo de flexibilização na próxima reunião, com um corte inicial de 0,50 p.p., seguido por um processo gradual e cuidadosamente calibrado.

Giro das 15h: Ibovespa avança com Vale e fluxo gringo; NY recua com big techs

O Ibovespa (+1,35%, aos 185.263 pontos) se afastou da nova máxima histórica (187.333 pontos) registrada mais cedo, mas segue em alta nesta tarde.

O índice é embalado principalmente pelas ações da Vale ON (+3,63%).

Operadores relatam a continuidade da entrada de fluxo estrangeiro, após a Ata do Copom divulgada pela manhã confirmar que o BC deve mesmo iniciar os cortes de juros em março.

O dólar à vista recua 0,52%, para R$ 5,2319, e os juros futuros devolvem prêmios, especialmente na ponta longa (DI Jan/27 a 13,420%; Jan/33 a 13,275%).

Em NY, as bolsas operam no vermelho (Dow Jones -0,74%; S&P500 -1,11%; Nasdaq -1,76%), com investidores cautelosos com a votação do shutdown na Câmara

Eles também liquidam posições principalmente em big techs (Nvidia -3,37%; Microsoft -3,3%).