Resumo semanal: 16/02/2026 a 20/02/2026

Por Matheus Gomes de Souza, CEA

Estados Unidos

Os indicadores econômicos dos Estados Unidos trouxeram sinais mistos ao longo da semana, reforçando a leitura de desaceleração gradual da atividade. O índice de atividade industrial do Federal Reserve da Filadélfia surpreendeu positivamente em fevereiro, ao subir para 16,3, acima das expectativas (8,5) e do nível anterior (12,6), indicando resiliência pontual do setor manufatureiro regional. Em contraste, o crescimento do PIB no quarto trimestre de 2025 desacelerou para 1,4% em termos anualizados, bem abaixo da projeção de 3,0%, refletindo os efeitos da paralisação do governo federal e a moderação dos gastos das famílias. Pesquisas de atividade corroboraram esse arrefecimento, com o PMI Composto da S&P Global recuando para 52,3, o menor patamar em dez meses, sugerindo expansão mais fraca no início de 2026, apesar de o mercado de trabalho ainda apresentar sinais de resiliência, como a queda dos pedidos iniciais de seguro-desemprego para 206 mil.

No campo inflacionário e de política monetária, os dados reforçaram uma postura mais cautelosa do Federal Reserve. A inflação subjacente medida pelo núcleo do PCE avançou 0,4% em dezembro, acima do esperado, elevando a taxa anual para 3,0%, com indícios de nova aceleração em janeiro, especialmente em serviços. Esse quadro sustentou o consenso no Fed por manter os juros na faixa de 3,50% a 3,75% por mais tempo, com a possibilidade de cortes apenas a partir de junho, caso a inflação mostre convergência mais clara à meta de 2%. No ambiente institucional e geopolítico, a Suprema Corte impôs um revés relevante ao governo ao derrubar tarifas amplas impostas com base em poderes de emergência, reacendendo debates sobre a autoridade do Executivo e gerando impactos imediatos nos mercados financeiros. Paralelamente, a agenda externa ganhou destaque com a criação do Conselho de Paz liderado por Donald Trump e com o aumento das tensões com o Irã, após o presidente admitir considerar um ataque militar limitado como instrumento de pressão nas negociações nucleares, ampliando as incertezas no cenário global.

Brasil

A semana no Brasil foi marcada por liquidez reduzida e agenda econômica esvaziada, em função do feriado de Carnaval e da Quarta-feira de Cinzas, o que limitou a reação dos mercados a dados e anúncios domésticos. Ainda assim, houve sinalizações relevantes no campo da atividade econômica. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) apontou crescimento de 2,5% em 2025, com queda mensal de apenas 0,2% em dezembro, desempenho melhor que o esperado. Na comparação anual, o indicador avançou 3,1%, com destaque para a agropecuária, que acumulou alta de 13,05%, enquanto serviços cresceram 2,06% e a indústria 1,45%, reforçando a leitura de desaceleração no fim do ano, porém sem ruptura do ciclo de crescimento.

No front institucional e de políticas públicas, o BNDES aprovou R$ 715,9 milhões em financiamento para a Companhia Brasileira de Alumínio, direcionados à modernização produtiva, eficiência operacional e projetos de descarbonização, alinhados à estratégia do banco de apoiar tecnologia mais limpa e redução de emissões. No campo político-jurídico, decisões recentes do Supremo Tribunal Federal reacenderam debates sobre limites institucionais, especialmente em investigações envolvendo a Receita Federal e autoridades públicas, elevando o ruído institucional. Já no mercado de trabalho, a taxa de desemprego caiu para 5,1% no quarto trimestre de 2025, o menor patamar da série recente, com aumento do rendimento médio real para R$ 3.613, indicando resiliência do emprego e da renda. Em paralelo, o governo intensificou a agenda externa com viagem presidencial à Ásia, buscando ampliar acordos comerciais, cooperação em tecnologia, minerais críticos e abertura de mercados agropecuários, dentro de uma estratégia de diversificação de parceiros e maior inserção do Brasil nas cadeias globais de valor.

Europa

O cenário europeu da semana combinou incertezas institucionais, tensões geopolíticas e sinais ainda frágeis de recuperação econômica. No âmbito monetário, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, buscou conter especulações sobre uma possível saída antecipada, afirmando que seu ponto de partida é concluir o mandato até outubro de 2027, embora sem descartar totalmente outras opções. O episódio reacendeu debates sobre a independência dos bancos centrais em um contexto de crescente politização na Europa e nos Estados Unidos. No campo geopolítico, a segurança voltou ao centro das atenções: a Polônia avançou no processo de saída da Convenção de Ottawa, abrindo espaço para a reinstalação de minas antipessoais em sua fronteira leste como parte do projeto “Escudo Oriental”, enquanto a guerra na Ucrânia registrou progresso técnico nas negociações mediadas pelos EUA, com Kiev indicando proximidade de um acordo sobre mecanismos de monitoramento de um eventual cessar-fogo. Em paralelo, o rei Frederik da Dinamarca visitou a Groenlândia em gesto simbólico de unidade frente às pressões dos EUA, e o Vaticano anunciou que não participará do Conselho da Paz proposto por Donald Trump, reforçando a defesa do papel central da ONU na gestão de crises internacionais.

No eixo macroeconômico, os dados apontaram para uma recuperação lenta e desigual. Na Alemanha, a confiança dos investidores caiu para 58,3 pontos em fevereiro, abaixo das expectativas, mas permaneceu em patamar compatível com crescimento modesto, enquanto a Câmara Alemã de Indústria e Comércio elevou a projeção de expansão do PIB para 1% em 2026, destacando, contudo, a necessidade de reformas estruturais para sustentar o avanço. No Reino Unido, a inflação desacelerou para 3,0% em janeiro, a menor desde março do ano anterior, reforçando apostas de corte de juros pelo Banco da Inglaterra já em março, apesar de pressões persistentes no núcleo de serviços. O mercado de trabalho britânico mostrou enfraquecimento adicional, com o desemprego subindo para 5,2% e desaceleração do crescimento salarial para 4,2%, aumentando a probabilidade de flexibilização monetária. No plano político doméstico, o governo de Keir Starmer recuou da tentativa de adiar eleições locais após risco de derrota judicial, evidenciando fragilidade política em um ambiente de baixo crescimento e maior sensibilidade social às decisões econômicas.

Ásia

A semana foi marcada por fatores sazonais e políticos que afetaram a dinâmica econômica e institucional da região. O início do Ano Novo Lunar reduziu a liquidez global e a divulgação de indicadores, com paralisações relevantes em economias asiáticas, especialmente na China, Coreias, Mongólia e países do Sudeste Asiático. O feriado impulsionou fluxos turísticos regionais e internacionais, mas implicou menor atividade produtiva no curto prazo. No campo político-estratégico, o Japão adotou um tom mais assertivo em relação à China, com a primeira-ministra Sanae Takaichi alertando para riscos crescentes de coerção econômica e militar, anunciando revisão da estratégia de defesa, flexibilização das regras de exportação militar e aceleração do programa que eleva os gastos de defesa para 2% do PIB. Na península coreana, a Coreia do Norte abriu o Nono Congresso do Partido dos Trabalhadores com discurso focado em autossuficiência e metas econômicas para os próximos cinco anos, evitando menções diretas a temas nucleares, enquanto analistas acompanham possíveis sinais de sucessão política.

No eixo econômico, os dados mostraram sinais mistos. Em Hong Kong, a taxa de desemprego subiu marginalmente para 3,9% no trimestre encerrado em janeiro, refletindo pressões em seguros, construção e finanças, apesar da avaliação oficial de que o crescimento sustentado deve dar algum suporte ao mercado de trabalho. Na Indonésia, dois vetores ganharam destaque: a política monetária e o comércio exterior. O banco central manteve a taxa básica em 4,75% pela quinta reunião consecutiva, priorizando a estabilização da rupia após sua mínima histórica, em um contexto de fuga de capitais, questionamentos sobre governança e rebaixamento da perspectiva de crédito. Em paralelo, Jacarta concluiu um acordo comercial com os Estados Unidos que reduziu tarifas de 32% para 19%, com isenções para óleo de palma e outros produtos, além de compromissos em minerais críticos, movimento visto como potencial catalisador de confiança e reformas. Na Coreia do Sul, o ambiente político permaneceu instável após a condenação do ex-presidente Yoon Suk Yeol à prisão perpétua por insurreição ligada à decretação de lei marcial em 2024, aprofundando incertezas institucionais em uma economia já sensível a choques regionais e globais.

Oriente Médio

O ambiente geopolítico no Oriente Médio se deteriorou de forma relevante na semana, com a intensificação das tensões entre Estados Unidos e Irã. O presidente Donald Trump estabeleceu um prazo de 10 a 15 dias para que Teerã alcance um acordo “significativo” sobre seu programa nuclear, reiterando a possibilidade de ações militares caso não haja avanço. Em resposta, o Irã comunicou formalmente à ONU que qualquer agressão resultaria em retaliação direta contra bases e ativos americanos na região. O período também foi marcado por exercícios militares iranianos no Golfo de Omã, pela participação da Rússia em manobras navais e por episódios de fechamento temporário do Estreito de Ormuz, evidenciando o aumento do risco de escalada regional. Paralelamente, imagens de satélite indicaram esforços acelerados do Irã para fortificar e enterrar instalações nucleares e bases de mísseis atingidas em ataques anteriores, reforçando preocupações sobre o avanço de capacidades estratégicas sensíveis.

No eixo Israel–Palestina–Líbano, persistem incertezas sobre a governança e a segurança pós-conflito. Avaliações militares israelenses apontam que o Hamas vem recompondo estruturas administrativas em Gaza, ampliando sua influência política e econômica apesar do cessar-fogo em vigor desde outubro, o que lança dúvidas sobre a viabilidade do plano de transição apoiado pelos EUA. Ao mesmo tempo, foi anunciado o compromisso inicial de cinco países (Indonésia, Marrocos, Cazaquistão, Kosovo e Albânia) em enviar tropas para uma força internacional de estabilização em Gaza, enquanto Egito e Jordânia se dispuseram a treinar a polícia local. No Líbano, o Hezbollah rejeitou o cronograma do governo para avançar no desarmamento, classificando-o como favorável a Israel, o que mantém elevado o risco de instabilidade na fronteira norte israelense. Em Israel, a combinação entre alívio inflacionário, recuperação econômica após a guerra e incertezas geopolíticas ligadas a um possível confronto com o Irã dividiu expectativas sobre novos cortes de juros, reforçando o peso do risco regional sobre decisões de política monetária.

Giro das 15h: NY tenta firmar alta após derrota de Trump na Suprema Corte; Ibovespa se recupera

Depois de uma manhã negativa, com PIB mais fraco e inflação mais alta nos EUA, as bolsas americanas viraram (Dow Jones +0,03%; S&P500 +0,40%; Nasdaq +0,69%).

Os mercados norte-americanos tentam se firmar em alta na tarde desta 6ª feira, repercutindo a decisão da Suprema Corte de derrubar as tarifas de Trump.

O Ibovespa também opera volátil, virando há pouco para o terreno positivo (+0,16%, aos 188.834 pontos), influenciado pelo mercado externo e pelo exercício de opções sobre ações.

O dólar à vista (-0,71%, a R$ 5,1901) segue a tendência externa de enfraquecimento da moeda americana (DXY -0,15%, aos 97,781 pontos) após a importante derrota de Trump.

Os juros futuros também apontam para baixo (Jan/27 a 13,265%; Jan/33 a 13,325%).

Bolsas europeias ampliam ganhos na semana após Suprema Corte dos EUA derrubar tarifas

As principais bolsas europeias subiram nesta 6ª feira, com os mercados globais reagindo à notícia de que a Suprema Corte dos EUA derrubou as amplas tarifas comerciais impostas por Trump.

Os investidores reagiram também aos balanços corporativos, com perspectiva de melhora nos lucros, embora as tensões geopolíticas sigam no radar.

No fechamento: Londres +0,56%, com alta de 2,30% na semana; Frankfurt +0,87% e Paris +1,39%.

Stoxx 600 teve alta de 0,76%, aos 630,09 pontos, com as três últimas acumulando ganhos de 1,39%, 2,45% e 2% na semana, respectivamente.