Juros futuros avançam mais de 20 pb com estresse global e incerteza sobre inflação

Os juros futuros retomaram o viés de forte alta nesta 5ªF, subindo mais de 20 pb no miolo e na ponta da curva, acompanhando o estresse observado no câmbio e refletindo as preocupações com o cenário externo.

Investidores voltaram a considerar possíveis impactos da disparada do petróleo e do dólar sobre a inflação, caso o conflito seja ampliado para outros países do Oriente Médio e dure mais tempo do que as cinco semanas projetadas por Donald Trump.

A piora no cenário externo pode levar o Copom a ser mais cauteloso no ciclo de afrouxamento monetário esperado para começar no próximo dia 18.

Na agenda do dia, a Pnad Contínua confirmou as expectativas dos economistas e mostrou avanço da taxa de desemprego em janeiro para 5,4%, após registrar 5,1% em dezembro, mas o dado não fez preço na curva.

No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 13,505% (de 13,382% no ajuste anterior); Jan/29 a 13,070% (12,840%); Jan/31 a 13,470% (13,211%) e Jan/33 a 13,650% (13,401%).

Petróleo dispara e atinge nível mais alto desde janeiro de 2025 com escalada da guerra EUA-Irã

Os contratos futuros de petróleo dispararam nesta 5ªF, com o WTI atingindo o nível mais alto desde janeiro de 2025, conforme monitoramento do site Investinglive.

Segundo a publicação, o preço está no patamar mais elevado do governo Trump.

No Valor Econômico, o acompanhamento aponta os maiores patamares intradiários da commodity desde 2024.

No sexto dia de guerra entre EUA e Irã, várias notícias movimentaram o mercado de petróleo, entre elas a de que a principal refinaria do Bahrein pegou fogo após um ataque e a de que um petroleiro foi atingido por um míssil iraniano.

Entre os temores está o de que o conflito dure mais do que a previsão de quatro a cinco semanas, feita por Trump, que hoje afirmou que não pretende recorrer à reserva estratégica de petróleo dos EUA.

Segundo fontes do site Politico, a chefe de gabinete de Trump, Susie Wiles, está instruindo seus assessores a apresentarem ideias para reduzir os preços da gasolina.

No fechamento, o contrato do Brent para maio subiu 4,93%, a US$ 85,41 por barril na ICE, enquanto o WTI para abril avançou 8,51%, a US$ 81,01 por barril na Nymex.

Dólar dispara na esteira da aversão ao risco global, enquanto mercado avalia novas revelações do caso Master

O dólar à vista fechou em forte alta diante do real, acompanhando o fortalecimento da moeda americana no exterior, conforme investidores avaliam que o conflito de EUA e Israel contra o Irã pode se estender para outros países do Oriente Médio e durar mais do que as 4 ou 5 semanas sugeridas por Trump.

No ambiente doméstico, o vazamento de conversas do celular de Daniel Vorcaro com sua namorada, citando diversas personalidades da República, causou perplexidade entre os agentes do mercado, mas eventuais movimentações em busca de proteção no câmbio foram ofuscadas pelo cenário externo.

O dólar à vista fechou em alta de 1,32%, a R$ 5,2870, após oscilar entre R$ 5,2279 e R$ 5,2945.

Às 17h02, o dólar futuro para abril tinha alta de 0,97%, a R$ 5,3210. Lá fora, o índice DXY subia 0,55%, para 99,313 pontos.

O euro caía 0,54%, a US$ 1,1571. E a libra perdia 0,41%, a US$ 1,3319.