Giro das 15h: Juros avançam com IPCA elevado e nova disparada do petróleo; Ibovespa zera ganhos
A menos de uma semana da decisão do Copom, os juros futuros seguem com alta expressiva nos prêmios nesta 5ª feira (DI Jan/27 a 13,860%; Jan/29 a 13,375%; Jan/33 a 13,800%), especialmente entre os vencimentos mais curtos.
As taxas refletem a nova disparada do petróleo (Brent/maio +8,18%, a US$ 99,50; WTI/abril +8,92%, a US$ 95,03), que encosta nos US$ 100/barril
O IPCA de fevereiro (+0,70%) acima do esperado (+0,70%), quase no topo das expectativas dos economistas (+0,72%), também pesa.
As medidas anunciadas pelo governo para amenizar um eventual reajuste do diesel ajudaram a afastar os juros das máximas.
Por outro lado, reacenderam a preocupação com o cenário fiscal e com o risco de a medida ter caráter eleitoreiro.
O dólar volta a ganhar força globalmente (DXY +0,42%, aos 99,645 pontos), mas, dessa vez, o câmbio por aqui não escapa do clima de aversão ao risco (+1,19%, a R$ 5,2214).
Em NY, as bolsas seguem no vermelho (Dow Jones -1,19%; S&P500 -1,16%; Nasdaq -1,49%), diante da avaliação de que a guerra não será tão curta como Trump prometeu.
Há ainda os efeitos sobre a inflação, afastando as chances de um novo corte de juros pelo Fed no curto prazo.
Já o Ibovespa (-2,58%, aos 179.183 pontos) praticamente zera os ganhos da semana, com Petrobras ON (+1,37%) e PN (+0,38%) registrando altas mais modestas.
Os bancos, por sua vez, registram fortes baixas: Bradesco PN -3,06% e Itaú PN -2,87%.
Ouro volta a cair diante da alta do dólar e temores inflacionários
O ouro fechou em baixa nesta 5ªF, pelo segundo dia consecutivo, diante da valorização do dólar e da volta de preocupações inflacionárias depois que o petróleo superou a marca de US$ 100 o barril.
Há pouco, a moeda americana subia 0,41% (DXY) frente a pares.
Dois petroleiros pegaram fogo em águas iraquianas, em uma aparente escalada da guerra, enquanto o novo líder do Irã, Mojtaba Khamenei, adotou tom radical em seu primeiro pronunciamento.
Ele disse que “certamente” manterá o Estreito de Ormuz fechado e seguirá com ataques a bases dos EUA.
Ontem, a AIE concordou em liberar 400 milhões de barris de petróleo para lidar com a queda no fornecimento, mas ainda não existe cronograma para isso.
O contrato do metal precioso para abril fechou em baixa de 1,03% na Comex, cotado a US$ 5.125,80 por onça-troy.
Europa: Bolsas caem com ceticismo de que reservas irão conter alta do petróleo
As principais bolsas europeias fecharam em queda nesta 5ª feira, ampliando as perdas de ontem, com o petróleo novamente no foco, diante dos desdobramentos da guerra entre EUA e Irã.
Ontem, a AIE concordou em liberar 400 milhões de barris da commodity para lidar com o bloqueio do Estreito de Ormuz, no Oriente Médio, por onde escoava cerca de 20% do fluxo mundial da commodity.
A Agência, no entanto, ainda não estabeleceu um cronograma para quando os estoques chegarão ao mercado.
Os investidores permanecem céticos quanto à capacidade de a liberação estratégica compensar o choque global de oferta causado pelo conflito.
Há pouco, o Brent para maio era negociado em alta de 7,82%, a US$ 99,17 o barril.
Em outra frente, Trump anunciou novas investigações comerciais contra a UE e mais de uma dúzia de outras economias, conduzidas de acordo com a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
No fechamento: Londres -0,47%; Frankfurt -0,21%; Paris -0,71%; e Stoxx 600 -0,61%, aos 598,86 pontos.