Fechamento: Ibovespa cai forte e perde os 180 mil pontos com maior aversão ao risco; dólar vai a R$ 5,24
A bolsa brasileira caiu firme nesta 5ªF, em uma sessão que teve como destaque internacional a disparada de 9% do petróleo com incertezas sobre a guerra no Irã e, por aqui, o IPCA de fevereiro (+0,70%) acima do esperado (+0,63%).
O índice fechou em baixa de 2,55%, aos 179.284,49 pontos, com giro de R$ 35,6 bilhões.
Além dos fatores gerais, a safra de balanços revelou um cenário de diversas empresas altamente endividadas, elevando a percepção de risco doméstico diante de um juro ainda bastante alto. Raízen e GPA já pediram recuperação extrajudicial, enquanto CSN e Oncoclínicas enfrentam sérias dificuldades.
Entre as blue chips, destaque para a queda dos grandes bancos, que costumam figurar nas listas de principais credores: Santander -4,44% (R$ 30,58), BB -4,38% (R$ 24,23), Bradesco PN -2,76% (R$ 19,39) e Itaú PN -2,73% (R$ 42,69).
Vale também recuou (-0,76%; R$ 79,24), na contramão do minério (+1,34%), ao passo que Petrobras avançou (ON +1,45%, a R$ 49,65, terceira maior alta do Ibovespa; e PN +0,45%, a R$ 45,00) – ainda assim de forma tímida frente ao petróleo.
Yduqs liderou as perdas do Ibovespa com -14,83% (R$ 10,28), seguida de CSN (-14,45%; R$ 6,10), ambas após balanços. Embraer vem a seguir com -11,01% (R$ 74,73).
Na outra ponta, SLC Agrícola foi a que mais subiu (+4,34%; R$ 17,56), acompanhada de MBRF (+3,16%; R$ 16,99).
O dólar à vista fechou em alta de 1,61%, a R$ 5,2423.
Fechamento dos Mercados
▫️ IBOVESPA: -2,55% | 179.284,49 pts
▫️ DOW JONES: -1,56% | 46.677,85 pts
▫️ S&P500: -1,52% | 6.672,58 pts
▫️ NASDAQ: -1,78% | 22.311,98 pts
▫️ DÓLAR: +1,61% | R$ 5,2423
▫️ EURO: +0,54% | R$ 6,0401
▫️ BITCOIN: -0,22% | US$ 70.519,00
Dólar dispara com petróleo a US$ 100, avanço da inflação e deterioração do crédito das empresas
O dólar à vista registrou forte alta diante do real e praticamente apagou a queda acumulada nesta semana, diante de uma combinação da piora na percepção de risco doméstica com a continuidade do clima de incertezas no exterior por causa da guerra.
Por aqui, o IPCA acima do esperado em fevereiro e a expectativa de reajuste dos combustíveis pela Petrobras, a menos de uma semana da decisão do Copom, se somaram à deterioração do crédito das empresas, com anúncios recentes de pedidos de recuperação (GPA e Raízen) e preocupação com a situação financeira de outras companhias (CSN e Oncoclínicas, por exemplo).
Também não repercutiu bem o anúncio de redução de impostos federais e subvenção do diesel pelo governo. A medida gera preocupação com o quadro fiscal e pode ser interpretada pelo mercado como eleitoreira.
O dólar à vista fechou em alta de 1,61%, a R$ 5,2423, após oscilar entre R$ 5,1576 e R$ 5,2493. Às 17h09, o dólar futuro para abril subia 1,70%, a R$ 5,2685.
Lá fora, o índice DXY tinha alta de 0,50%, para 99,730 pontos.
O euro caía 0,47%, a US$ 1,1513. E a libra perdia 0,50%, a US$ 1,3346.
Petróleo dispara 9% e Brent fecha acima de US$ 100 com escalada da guerra no Irã
Os contratos futuros de petróleo seguem em disparada e, hoje, mais que dobraram a intensidade vista na última sessão, ultrapassando a marca de US$ 100 o barril no caso do Brent.
O movimento acontece devido aos ataques a petroleiros no Golfo e aos alertas do Irã, o que frustraram as perspectivas de uma iminente desescalada da guerra.
Ontem, a AIE concordou em liberar 400 milhões de barris da commodity para lidar com a queda no fornecimento, mas há dúvidas se as reservas seriam suficientes para amortecer o impacto do choque de oferta.
Em paralelo, a Marinha americana informou que não poderia escoltar navios pelo Estreito de Ormuz agora, enquanto Trump afirma que impedir o Irã de ter armas nucleares e ameaçar o Oriente Médio é “de interesse e importância muito maiores” para ele do que o preço do petróleo.
Para agravar o quadro, em seu primeiro pronunciamento, o novo líder do Irã, Mojtaba Khamenei, adotou um tom radical e afirmou que “certamente” manterá o Estreito de Ormuz bloqueado, além de seguir atacando bases dos EUA.
No fechamento, o contrato do Brent para maio subiu 9,21%, a US$ 100,46 por barril na ICE, enquanto o WTI para abril avançou 9,72%, a US$ 95,73 por barril na Nymex.