Petróleo sobe forte com possível envio de tropas ao Irã; Brent engata 5ª semana de alta

Após oscilar bastante ao longo do dia, os contratos futuros de petróleo apresentaram novamente forte valorização, diante das incertezas e da tensão com a guerra no Irã.

Os preços tiveram um alívio temporário, com Washington sinalizando possível suspensão das sanções ao petróleo bruto iraniano armazenado em navios-tanque e Israel dizendo que poderia ajudar a liberar o Estreito de Ormuz, mas novidades agora no fim da tarde voltaram a estressar o mercado.

Os ganhos aceleraram após uma reportagem da CBS News dizer que autoridades do Pentágono fizeram preparativos detalhados para o envio de tropas terrestres americanas ao Irã. A emissora cita diversas fontes a par das discussões.

Em resposta, a Casa Branca afirma que “é função do Pentágono fazer os preparativos necessários para dar ao Comandante-em-Chefe a máxima flexibilidade”, mas que isso não significa que Trump tenha tomado uma decisão.

Em paralelo, Trump estaria considerando ocupar ou bloquear a ilha iraniana de Kharg, para pressionar os iranianos a reabrirem Ormuz, dizem fontes do Axios. J

á a Reuters informa, também com fontes, que o Iraque declarou força maior em todos os campos de petróleo desenvolvidos por empresas estrangeiras.

No fechamento, o contrato do Brent para maio subiu 3,25%, a US$ 112,19 por barril na ICE, com valorização semanal de 8,77%, enquanto o WTI para o mesmo mês avançou 1,91% hoje, a US$ 94,74 por barril na Nymex, tendo recuado 4,02% na semana.

Foi a quinta semana consecutiva de ganhos do Brent, segundo a Dow Jones.

Giro das 15h: Mercado doméstico sofre forte correção, de olho no “Vorcaro Day”; NY segue em baixa com guerra e chance do Fed subir juros

O clima no mercado doméstico azedou sensivelmente de ontem para hoje, diante da notícia de que Daniel Vorcaro foi transferido de um presídio de segurança máxima para a sede da Polícia Federal, em Brasília.

Fontes da Bloomberg confirmaram que ele já assinou um acordo de colaboração com as investigações do caso do banco Master.

Nas mesas de operações, a possível delação premiada do ex-banqueiro já é chamada de “Vorcaro Day”, tamanho o impacto que ela pode causar nos Três Poderes da República, em pleno ano eleitoral.

Depois de acumular ganho de quase 1,5% nesta semana, investidores acharam prudente embolsar os lucros do Ibovespa (-2,22%, aos 176.264 pontos), já que o cenário lá fora também não é favorável aos ativos de risco. Papéis que subiram muito nos últimos dias, como Petrobras ON (-3,26%) e PN (-3,61%), puxam a correção.

Em NY, as bolsas têm mais um dia no vermelho (Dow Jones -0,57%; S&P500 -1,03%; Nasdaq -1,51%), diante da continuidade da guerra e da alta do petróleo (Brent/maio +2,10%, a US$ 110,93; WTI/maio +2,83%, a US$ 98,25).

O mercado também ajusta as apostas para o Fed e já vê uma pequena chance de alta dos juros nos EUA em abril (10,3%) ou junho (19,3%), embora a aposta majoritária ainda seja de manutenção das taxas.

O dólar ganha força globalmente (DXY +0,31%, aos 99,543 pontos), e dispara diante do real (+1,69%, a R$ 5,3036), mostrando que o clima doméstico é bem pior que o externo.

Na mesma linha, os juros futuros avançam em toda a curva, especialmente nos vencimentos intermediários (Jan/27 a 14,250%; Jan/29 a 13,950%; Jan/31 a 14,040%).

Ouro cai e acumula perda de 10% na semana com guerra no Irã, pior resultado desde a Covid-19

O ouro recuou nesta 6ªF, pela terceira sessão consecutiva, com as preocupações inflacionárias dominando as atenções sobre a guerra no Irã, que fez o petróleo disparar.

O conflito completa hoje 21 dias e vários bancos centrais ao redor do mundo alertaram nesta semana sobre as incertezas quanto ao impacto econômico, tendo em vista a inexistência de horizonte para um eventual cessar-fogo.

O chefe da AIE, Fatih Birol, disse que os ataques no Oriente Médio causaram “o mais grave choque energético de todos os tempos” e alertou que o restabelecimento total do fluxo de petróleo e gás no Golfo Pérsico “pode levar seis meses ou mais”.

Em paralelo, Trump mobiliza mais tropas para a região e acusa os países da Otan de “covardes” por falta apoio aos EUA.

O contrato do ouro para abril fechou hoje em baixa de 0,67% na Comex, cotado a US$ 4.574,90 por onça-troy.

Na semana, a perda acumulada é de 10,6%, a maior para o período desde o intervalo findo em 13 de março de 2020, quando recuou 9,3% durante o surto de Covid-19, conforme levantamento da Dow Jones.