Ouro cai quase 4% com incertezas sobre a guerra e temor de inflação
Após a reação de ontem, o ouro voltou a cair forte nesta 5ªF, diante de impasses e incertezas sobre uma possível negociação de paz entre EUA e o Irã.
O cenário fez o petróleo disparar novamente, trazendo preocupações inflacionárias e delineando um horizonte de manutenção ou até aumento das taxas de juros das principais economias do planeta.
Em paralelo, dados divulgados hoje mostraram que os novos pedidos de auxílio-desemprego nos EUA aumentaram ligeiramente na semana passada, dando ao Fed margem para manter os juros estáveis enquanto monitora os riscos ligados à guerra no Oriente Médio.
Trump deu prazo até amanhã para uma resposta do Irã – que considerou a proposta americana excessiva, pois inclui o desmantelamento do programa nuclear iraniano, a limitação de mísseis e o fim do apoio regional. O regime busca exigências mais moderadas antes de concordar com negociações de cessar-fogo.
No fechamento, o contrato do ouro para abril recuou 3,87% na Comex, cotado a US$ 4.376,30 por onça-troy.
Trata-se da terceira menor cotação final deste ano e a primeira vez, desde janeiro, que termina abaixo de US$ 4,4 mil por onça-troy. (BDM Online)
Giro das 15h: Bolsas afundam e petróleo dispara 6% em meio a dúvidas sobre cessar-fogo no Irã; juros avançam após IPCA-15
O clima de aversão ao risco ganha força nos mercados globais, conforme cresce a incerteza sobre os próximos passos da guerra no Oriente Médio, após o Irã rejeitar inicialmente a proposta de cessar-fogo dos EUA e Donald Trump subir o tom das ameaças ao país.
Em NY, Dow Jones (-0,96%); S&P500 (-1,48%) e Nasdaq (-2,03%) acentuam as perdas, sendo acompanhados de perto pelo Ibovespa (-1,34%, aos 182.938 pontos).
O petróleo volta a disparar (Brent/maio +6,58%, a US$ 108,95; WTI/maio +5,50%, a US$ 95,29). O dólar à vista avança 0,61%, a R$ 5,2520, mesmo após o BC realizar há pouco um leilão de linha de até US$1 bilhão.
E os juros futuros avançam principalmente na ponta curta (Jan/27 a 14,330%; Jan/33 a 14,135%), após Galípolo reforçar o tom de cautela da Ata do Copom em relação à guerra e o IPCA-15 de março (+0,44%) superar as expectativas (+0,29%).
Europa: Bolsas caem diante de impasse nas negociações entre EUA e Irã para eventual acordo
Após o otimismo dos últimos dias, as principais bolsas europeias fecharam em queda nesta 5ª feira.
Isso acontece com os posicionamentos mais assertivos dos EUA e do Irã sobre uma eventual negociação de cessar-fogo.
Os dois países deixam claro que não parecem dispostos a abrir mão de seus interesses.
Trump subiu o tom logo cedo e ameaçou novamente os iranianos, dizendo que o país deveria “levar a sério” o risco que corre antes que seja tarde.
Depois, em coletiva, já admitia não saber se o governo norte-americano será capaz de conseguir fechar um acordo final para o fim do conflito.
Ao mesmo tempo, reiterou a previsão de “quatro a seis semanas” para cumprir a missão. Ele reconheceu também que reabrir o Estreito de Ormuz permanece sendo um grande desafio.
Do lado de Teerã, fontes disseram à agência de notícias semi-oficial Tasnim que a proposta de paz dos EUA é “unilateral e injusta”.
O objetivo verdadeiro seria enganar o mundo, além de ganhar tempo para se preparar para uma invasão terrestre.
O cenário faz o petróleo voltar a disparar, reascendo preocupações inflacionários mundo afora.
No fechamento: Londres -1,33%; Frankfurt -1,50%; Paris -0,98%; e Stoxx 600 -1,17%, aos 580,59 pontos.