Vai rolar: RPM e IPCA-15 aqui; PCE e PIB nos EUA

[25/06/26] Tudo que o mercado mais espera é que quem tenha escrito o Relatório de Política Monetária dissipe a confusão armada pelo comunicado e a ata do Copom. O documento sai às 8h e o BC não pode desperdiçar mais esta chance de operar consenso e administrar melhor as expectativas sobre um corte ou pausa da Selic na próxima reunião de política monetária.

Se o texto não der as respostas que se espera, Galípolo ainda pode se explicar na coletiva, às 11h, sobre o RPM.

Ainda na agenda, a inflação é destaque, com o IPCA-15 de junho (9h) aqui e o PCE de maio nos Estados Unidos, às 9h30, que deve superar 4% em termos anualizados, contribuindo para a inclinação hawkish do Fed.

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Iniciamos as transmissões do BDM Online com o BDM Morning Call, que traz as expectativas da pré-abertura.

BDM Morning Call: RPM e PCE concentram atenções

[25/06/26] Tudo que o mercado mais espera é que quem tenha escrito o Relatório de Política Monetária dissipe a confusão armada pelo comunicado e a ata do Copom. O documento sai às 8h e o BC não pode desperdiçar mais esta chance de operar consenso e administrar melhor as expectativas sobre um corte ou pausa da Selic na próxima reunião de política monetária. Se o texto não der as respostas que se espera, Galípolo ainda pode se explicar na coletiva, às 11h, sobre o RPM. Ainda na agenda, a inflação é destaque, com o IPCA-15 de junho (9h) aqui e o PCE de maio nos Estados Unidos, às 9h30, que deve superar 4% em termos anualizados, contribuindo para a inclinação hawkish do Fed. (Rosa Riscala)

Leia o BDM Morning Call na íntegra acessando o link
www.bomdiamercado.com.br

RPM e PCE concentram atenções

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato

… Tudo que o mercado mais espera é que quem tenha escrito o Relatório de Política Monetária dissipe a confusão armada pelo comunicado e a ata do Copom. O documento sai às 8h e o BC não pode desperdiçar mais esta chance de operar consenso e administrar melhor as expectativas sobre um corte ou pausa da Selic na próxima reunião de política monetária. Se o texto não der as respostas que se espera, Galípolo ainda pode se explicar na coletiva, às 11h, sobre o RPM. Ainda na agenda, a inflação é destaque, com o IPCA-15 de junho (9h) aqui e o PCE de maio nos Estados Unidos, às 9h30, que deve superar 4% em termos anualizados, contribuindo para a inclinação hawkish do Fed.

DANDO O QUE FALAR – A falta de convergência entre as análises sobre os próximos passos do Copom mantém as apostas divididas, com o mercado rachado ao meio: metade confiando em Selic estável e metade em nova queda.  

… Foi uma novidade a ata apresentar vários sinais interpretados como mais conservadores do que o comunicado, reconhecendo a assimetria altista no balanço de riscos, a piora nas expectativas de inflação e a atividade forte.

… Mas até esta visão mais realista foi, de certo modo, considerada incoerente por parte do mercado, já que o BC, ao mesmo tempo, não escondeu a preferência pelo processo mais gradual de convergência do IPCA ao centro da meta.  

… A linguagem da ata não encerrou a polêmica gerada pelo comunicado e voltou a confundir, mais que esclarecer, transferindo toda a expectativa para hoje e mantendo no ar os questionamentos sobre a credibilidade do BC.

… O desafio é colocar, de uma vez por todas, um ponto final aos ruídos e desconfianças, e transmitir de volta a sensação de segurança a investidor de que o BC sabe o que está fazendo para ancorar as expectativas de inflação.

… Quem leu a ata pelo lado dovish, acredita que o texto tenha concentrado a atenção no potencial desinflacionário da reversão da escalada do petróleo, diante do acordo diplomático provisório firmado entre os Estados Unidos e Irã.

… Em meio à retomada do fluxo no Estreito de Ormuz, o barril está de volta aos menores níveis desde o início da guerra. Só o que não se sabe ainda é se já dá para apostar todas as fichas que a guerra não oferece mais perigo.

… O desenrolar dos próximos capítulos para o fim do conflito promete ser o fiel da balança para o Copom.

… Otimista, a curva dos juros reprecifica o cenário da política monetária e derrete junto com o petróleo, mesmo sem alívio no câmbio, agora que o real parece ter esgotado a sua melhor fase, diante do fortalecimento global do dólar.

… Na transição de comando do Fed, a presidência de Warsh surpreendeu, enfatizou a prioridade de conter as pressões inflacionárias. Aqui, a moeda americana volta ao patamar mais caro em três meses, na faixa de R$ 5,20.

PCE & PIB – Sem resistência do novo Fed ao ciclo de aperto monetário, o mercado projeta chance ampla (70%) de o juro dos EUA subir em setembro. O BofA está agressivo e prevê três altas seguidas 25 pontos-base nas taxas no ano.

… A equipe de economistas do banco calcula que o núcleo do PCE, que é a medida favorita de inflação do Fed, possa atingir 3,5% em maio, quase 0,70 ponto percentual acima do nível de um ano atrás, consolidando a aposta hawkish.

… A mediana das expectativas do mercado é de alta de 3,3% para o núcleo na base anualizada e de 4,1% para o índice cheio, contra 3,8% na leitura anterior. Na base mensal, as apostas são de 0,4% (núcleo) e 0,5% (PCE cheio).

… Outro termômetro do grau de aquecimento da economia americana virá hoje da terceira leitura do PIB do primeiro trimestre, também às 9h30. A previsão é de crescimento de 1,7%, contra 1,6% nos três meses anteriores.

… Ainda às 9h30, serão divulgados mais três indicadores: o índice de atividade nacional medido pelo Fed de Chicago em maio, as encomendas de bens duráveis do mesmo mês e os pedidos semanais de auxílio-desemprego.

… Dois Fed boys falam neste dia de PCE: John Williams (16h30) e Austan Goolsbee (19h30).

… O BC do México divulga decisão de política monetária às 16h.

IPCA-15 – Por aqui, sob as suspeitas de parte do mercado de negligência do BC no compromisso com a meta de inflação, a prévia do IPCA-15 de junho deve desacelerar para 0,44% (mediana do Broadcast), contra 0,62% em maio.

… O intervalo das projeções varia de 0,34% a 0,57%. O enfraquecimento dos preços em Transportes deve aliviar.

… Também os núcleos da prévia da inflação devem perder força, de 0,48% em maio para 0,40% em junho.

… Confira: preços livres (0,69% para 0,51%); administrados (0,43% para 0,22%); alimentação no domicílio (1,73% para 1,11%); bens industriais (0,31% para 0,28%); serviços (0,48% para 0,41%) e serviços subjacentes (0,53% para 0,43%).

… Além do IPCA-15, sai hoje a inflação medida pela terceira prévia do IPC-Fipe (5h). Ainda na agenda doméstica, é importante a arrecadação federal de maio, às 11h, que deve ser sustentada pelas receitas ligadas ao petróleo.

… A previsão é de R$ 253,050 bi, após R$ 278,823 bi em abril. As estimativas variam de R$ 240,9 bi a R$ 269,7 bi.

… No final da tarde (18h), o CMN anuncia as deliberações de sua reunião mensal.

PEDE PARA SAIR – O senador Jaques Wagner (PT-BA) decidiu deixar a liderança do governo no Senado, após ter sido alvo de fase da Operação Compliance Zero, deflagrada semana passada, no âmbito das investigações do caso Master.

… Em publicação nas redes sociais, o parlamentar afirmou que a decisão sobre o afastamento foi tomada “em comum acordo” com o presidente Lula, durante reunião realizada entre os dois na tarde desta quarta-feira.

… Após a sua saída, Teresa Leitão (PT-PE) e Camilo Santana (PT-CE) são cotados para assumir o cargo de liderança.

MAIS CURTAS DA POLÍTICA -Hoje é a vez de o Jota soltar seu levantamento eleitoral e, amanhã, tem PoderData.

… Ontem, a sondagem Gerp mostrou empate em primeiro turno entre Lula (37%) e Flávio Bolsonaro (34%), que, em um eventual segundo turno, aparece com 42%, numericamente à frente do presidente (40%).

YANKEE, GO HOME. O Itamaraty divulgou nota rebatendo as críticas de Flávio Bolsonaro pelo governo não enviar representantes à audiência nos Estados Unidos, dia 6, que discutirá novas tarifas contra produtos brasileiros.

… Sem mencionar o parlamentar, o Ministério das Relações Exteriores disse que o tarifaço tem origem na “tentativa de interferência externa na justiça brasileira” e que os “traidores da Pátria” não conseguirão “reescrever a história”.

AFTER HOURS – A recente liquidação do setor de tecnologia no Nasdaq promete ser interrompida hoje pelas boas notícias de duas empresas de semicondutores e ligadas à inteligência artificial: as gigantes Micron e Qualcomm.

… As ações da Micron saltaram 15,8% no after hours após a fabricante de chips de memória divulgar lucro ajustado de US$ 25,11 por ação no terceiro trimestre fiscal de 2026, bem acima do consenso, de US$ 20,78.

… A receita saltou 346%, para US$ 41,46 bilhões, superando a previsão dos analistas, de US$ 35,84 bilhões. Para o trimestre atual, a empresa projetou receita de US$ 50 bilhões, contra média de US$ 43,58 bilhões do mercado.

… O lucro ajustado deverá chegar aos US$ 31,00 por ação no quarto trimestre fiscal. Segundo o presidente da Micron, Sanjay Mehrotra, acordos estratégicos de longo prazo devem melhorar a previsibilidade do desempenho.

… De seu lado, Qualcomm disparou 13% no pregão estendido, depois de ter elevado a meta de receita para o ano fiscal de 2029 para US$ 40 bilhões, aproximadamente o dobro do guidance anterior para o mesmo período.

… Além disso, a fabricante de semicondutores e tecnologias sem fio informou parcerias com a Meta.

… No setor financeiro, o teste de estresse do Fed divulgado ontem indicou que os grandes bancos estão bem posicionados para enfrentar uma eventual recessão severa e são capazes de continuar a emprestar dinheiro.

… Logo depois do anúncio de que passaram no teste do Fed, quatro das maiores instituições financeiras americanas (JPMorgan, Wells Fargo, Morgan Stanley e Goldman Sachs) anunciaram aumento em seus dividendos trimestrais.

JAPÃO HOJE – Uma semana após o BoJ ter elevado  os juros de 0,75% para 1%, o dirigente Naoki Tamura sugeriu que o BC japonês continue aumentando a taxa em 25 pontos ou até mais, caso os riscos de inflação se intensifiquem.

… Em encontro com empresários, ele disse ver espaço para apertar a política monetária até o nível neutro de 2%.

QUEIMANDO GORDURA – Os juros futuros devolveram quase 30 pontos em alguns vencimentos, na véspera da divulgação do Relatório de Política Monetária e do IPCA-15, com ajuda principalmente do tombo do petróleo.

… No dia seguinte à ata do Copom, o mercado seguiu o recuo dos Treasuries, de olho no efeito desinflacionário da queda da commodity, o que poderia justificar a continuidade dos cortes da Selic na reunião de agosto.

… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcava 14,125% (de 14,186% no ajuste anterior); Jan/28, 14,300% (de 14,566%); Jan/29, 14,355% (contra 14,659%); Jan/31, 14,345% (de 14,614%); e Jan/33, 14,285% (de 14,541%).

GANHANDO PESO – O dólar (+0,28%, a R$ 5,2020) voltou a subir, em linha com a alta da divisa americana no exterior, após a prévia do PMI composto dos Estados Unidos avançar de 51,5 em maio para 52,2 em junho.

… Com a atividade americana aquecida, na véspera do PCE, o mercado seguiu apostando que o Fed subirá os juros neste ano. Segundo o CME Group, 67% das expectativas são de alta a partir da reunião de setembro.

… O real também sentiu a queda do petróleo, o que afetou o desempenho das moedas de países produtores. O índice DXY subiu 0,18% (101,595 pontos). O euro caiu 0,26% (US$ 1,1354) e a libra perdeu 0,31% (US$ 1,3162).

CANAL LIVRE – O processo de normalização da navegação por Ormuz voltou a derrubar o petróleo. Em 24 horas, 72 navios passaram pelo Estreito, com 20 milhões de barris, disse o secretário de Energia americano, Chris Wright.

… Donald Trump também fez preço na commodity, ao afirmar que o Teerã confirmou a Washington que não está cobrando pedágios das embarcações que transitam na região.

… Em visita ao Kuwait, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, frisou que um grupo técnico de negociação voltará ainda este mês ao Oriente Médio para novas conversas com os iranianos.

… Na agenda do dia, a nova queda nos estoques americanos da commodity medidos pelo DoE semana passada, de 6,088 milhões de barris, não chegou a fazer preço, apesar de ter vindo pior que o esperado (-4,1 milhões).

… O Brent para agosto recuou 4,33%, a US$ 73,74 por barril na ICE, enquanto o WTI para o mesmo mês caiu 3,92%, a US$ 70,34 por barril na Nymex, com os contratos atingindo os menores valores desde o início da guerra.

… Mais uma casa revisou para baixo suas expectativas para o Brent. O JPMorgan agora espera US$ 86 no terceiro trimestre, US$ 80 no quarto trimestre e US$ 78 no fechamento de 2026.

EM CIMA DO MURO – As bolsas americanas não definiram tendência ontem, com as ações de tecnologia novamente penalizadas pela expectativa de alta dos juros. O endividamento alto do setor preocupa os investidores.

… O Dow Jones subiu 0,35%, aos 51.848,90 pontos. O S&P 500 recuou 0,10%, aos 7.358,22 pontos, e o Nasdaq caiu 0,43%, aos 25.476,64 pontos.

… Entre os destaques negativos ficaram Oracle (-4,62%), Seagate (-4,30%), Westen Digital (-4%) e Microsoft (-2,27%).

… As petroleiras sentiram o tombo da commodity: Chevron (-2,57%), ConocoPhillips (-2,77%) e ExxonMobil (-2,03%). Já as aéreas decolaram com o alívio no preço do QAV: United Airlines (+7,40%), American (+8,05%) e Delta (+4,53%).

… O setor de construção também brilhou, após o Congresso americano aprovar um projeto para apoiar obras de moradias populares: Builders FirstSource (+11,31%), PulteGroup (+7,24%) e KB Home (+16,65%).

SEM OPÇÃO – Petrobras (ON, -2,68%, a R$ 42,80; e PN, -2,64%, a R$ 38,29) sentiu a queda do petróleo e Vale (-2,08%; R$ 77,73) foi na contramão do minério (+0,74%), repercutindo o ruído em torno da presidência do Conselho.

… Com seus dois carros-chefes no vermelho, o Ibovespa não teve alternativa, senão seguir o mesmo caminho, fechando em baixa de 0,44%, aos 170.506,66 pontos, com giro de R$ 27,2 bilhões.

… No setor financeiro, o quadro não foi muito diferente: Santander unit (-1,38%, a R$ 26,38), Bradesco PN (-1,07%; R$ 17,65), BB ON (-0,65%; R$ 19,73) e Itaú PN (-0,19%; R$ 40,97). A exceção ficou com BTG unit (+1,63%; R$ 53,66).

… CSN (-3,98%; R$ 5,06) liderou as perdas do índice, seguida de Azzas (-3,93%; R$ 19,31) e MBRF (-3,93%; R$ 16,14).

… Na outra ponta, C&A disparou 8,87% (R$ 10,68), após o Itaú BBA avaliar as ações como “irracionalmente baratas”. Cyrela ON (+4,17%, a R$ 22,50) e Assaí (+4,16%, a R$ 8,27) completaram a lista de maiores altas.

CIAS ABERTAS NO AFTER – VALE negou ter aprovado investimento na Bamin e reiterou que seguem as tratativas para otimização das concessões da EFC e da EFVM.

B3 contestou recomendação da Superintendência-Geral do Cade por supostas práticas anticoncorrenciais e afirmou que a decisão não tem efeito imediato…

… Conselho da B3 aprovou ajuste do JCP trimestral e extraordinário, para R$ 0,071 e R$ 0,149 por ação, respectivamente; pagamento será em 07/07 e ações ficam ex em 25/06

BB SEGURIDADE. Conselho aprovou pagamento de R$ 3,85 bilhões em dividendos intercalares. Valor por ação e datas de pagamento e da posição acionária serão divulgados após o balanço do segundo trimestre.

KLABIN. Conselho da aprovou programa de recompra de até 89 milhões de ações, válido até 24/12/2027.

LOCALIZA anunciou a 48ª emissão de debêntures, no valor de R$ 8,02 bilhões, para recompra de dívidas e recomposição de caixa. Já a Localiza Fleet fará a 21ª emissão de debêntures, no valor de R$ 2,01 bilhões.

AUREN aprovou a fase 2 da reorganização societária para concentrar ativos hidrelétricos na Cesp e simplificar a estrutura do grupo.

OI. O investidor Victor Adler reduziu participação nas ações preferenciais para 7,74%, ante 12,0%.

GM. Elevou o plano de investimentos no Brasil em R$ 3,5 bilhões, para R$ 10,5 bilhões até 2028, com foco em novos produtos, tecnologias e ampliação das operações.

AÉREAS. Governo estuda reduzir gradualmente o IR sobre leasing de aeronaves até zerar a alíquota em 2030, para aliviar custos das companhias; hoje a tributação é de 3% e subiria para 15% em 2027 sem mudança na lei.

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