Guerra prevalece sobre agenda cheia em semana da Páscoa
… A semana é mais curta com o feriado da Sexta-Feira Santa, que fecha os mercados na Europa, Estados Unidos e no Brasil, mas a agenda é intensa, com dados do mercado de trabalho americano, incluindo o payroll, e índices da atividade global. Aqui, também são destaques o Caged e a produção industrial de fevereiro, que podem ajudar a medir as chances de novo corte da Selic em abril. É verdade que essas chances dependem da evolução da guerra no Oriente Médio, que completou um mês sem sinal de trégua. Segundo a mídia israelense, autoridades americanas afirmam que forças suficientes estarão posicionadas no início desta semana para possível operação terrestre contra o Irã. Na abertura dos pregões asiáticos, o Brent rompia US$ 115 e os futuros de Nova York ampliavam as perdas.
SEM TRÉGUA – A guerra entre Estados Unidos, Irã e Israel completa um mês com sinais de intensificação militar e elevada incerteza sobre seus desdobramentos, tornando-se a principal preocupação dos mercados financeiros globais.
… Ao mesmo tempo em que reforça que ainda busca uma solução negociada, Washington segue enviando milhares de soldados ao Oriente Médio, mantendo uma retórica de ambiguidade sobre uma possível ofensiva terrestre.
… O WSJ informou que o presidente americano considera uma operação militar para extrair quase 450 quilos de urânio do Irã e que os Estados Unidos já têm mais de 50 mil soldados no Oriente, 10 mil a mais do que o normal.
… Os ataques se ampliaram para infraestrutura iraniana, incluindo instalações de energia e siderúrgicas, enquanto aliados regionais, como os houthis no Iêmen, entram no conflito, e Israel sinaliza expansão da ofensiva no sul do Líbano contra o Hezbollah.
… Teerã respondeu com ameaças diretas a uma eventual invasão por terra, elevando o risco de escalada regional.
… Apesar da intensificação, seguem tentativas diplomáticas. Os Estados Unidos dizem que aguardam resposta do Irã a uma proposta de cessar-fogo, enquanto potências regionais articulam negociações no Paquistão.
… Na noite deste domingo, em conversa com repórteres a bordo do Air Force One, Trump disse que os EUA estão negociando “direta e indiretamente” com o Irã e que Washington tem tido desempenho “excelente” nas conversas.
… Ainda assim, não há sinal claro de avanço, e autoridades americanas admitem que o conflito pode se estender por mais algumas semanas.
… O principal vetor de risco segue sendo o Estreito de Ormuz, com impacto direto sobre o fluxo global de energia e o Brent acima de US$ 100, com cenários que apontam para níveis ainda mais elevados caso o conflito se prolongue ou haja interrupção mais duradoura da oferta.
… A guerra adiciona pressão inflacionária e risco de desaceleração global como preocupações.
… Estimativas indicam que o choque de energia pode elevar a inflação global em até 0,8 ponto percentual no cenário-base e até 2 pontos em cenário adverso, ao mesmo tempo em que reduz o crescimento e limita o espaço para cortes de juros.
… O ambiente de incerteza se reflete em grande volatilidade: bolsas americanas acumulam perdas, juros longos avançam e o dólar se fortalece, enquanto investidores reagem a sinais contraditórios sobre a evolução do conflito, que, por ora, permanece sem horizonte de trégua.
O SOCORRO DO GOVERNO – No Brasil, o governo Lula admite prorrogar o subsídio ao diesel, caso persista o impacto da escalada do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio. Geraldo Alckmin disse que a medida, inicialmente prevista por 60 dias, poderá ser estendida.
… A proposta em discussão prevê uma subvenção total de R$ 1,20 por litro na importação de diesel, dividida entre União e Estados.
… Do lado federal, o subsídio pode chegar a R$ 0,92 por litro, somando-se aos R$ 0,32 já anunciados. Segundo o secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, um número “significativo” de Estados já sinalizou adesão, enquanto outros devem se posicionar até hoje.
… A adesão não é obrigatória e o governo reconhece que pode haver diferenças regionais nos preços caso parte dos Estados fique de fora.
… A equipe econômica avalia alternativas caso não haja participação ampla, em meio à preocupação com risco de desabastecimento e pressão sobre a cadeia logística. O governo estuda liberar até R$ 7 bilhões em crédito via BNDES para distribuidoras de energia elétrica.
… A medida busca suavizar o impacto nas contas de luz, após aumentos recentes que chegaram a quase 20% para consumidores de alta tensão, com foco nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde os reajustes tarifários foram mais elevados.
… Já para o Norte e Nordeste, a estratégia passa pela redistribuição de recursos provenientes da repactuação de contratos hidrelétricos, com potencial de direcionar cerca de R$ 7,9 bilhões para modicidade tarifária nessas regiões, conforme previsão já aprovada pela Aneel.
BANDEIRA VERDE – A Aneel anunciou que não haverá cobrança de tarifa extra nas faturas de energia elétrica em abril. Mas especialistas projetam taxa extra na segunda metade do ano, em virtude da ocorrência do período seco.
MAIS AGENDA – A produção industrial de fevereiro, na quinta-feira, é um dos principais destaques da agenda doméstica nesta semana, junto com os dados do Caged amanhã (terça-feira), que deve registrar a criação líquida de 269 mil vagas em fevereiro (Broadcast).
… Hoje, o IGP-M de março (8h) deve subir 0,46% com a alta dos preços agropecuários ao produtor, após a deflação de 0,73% em fevereiro, e o resultado primário do Governo Central (9h30) tem estimativa de déficit de R$ 30,462 bilhões em fevereiro.
… Às 10h, entrevista do novo secretário, Daniel Leal, substituto de Rogério Ceron, que foi para a secretaria-executiva da Fazenda.
… Os dados fiscais do setor público consolidado de fevereiro saem amanhã, incluindo resultado primário e dívida bruta.
… Ainda hoje, o Banco Central divulgará o boletim Focus (8h25), as estatísticas de crédito de fevereiro (8h30) e uma nova edição da Pesquisa Firmus, com as expectativas das empresas para as variáveis econômicas (10h).
… Sem horário definido, o Ministério do Planejamento libera também nesta segunda-feira o decreto que vai detalhar o bloqueio de R$ 1,6 bilhão anunciado na última semana para cumprir o limite de gastos no ano. A divulgação costuma ser feita à noite.
GALÍPOLO –O presidente do Banco Central faz palestra hoje, às 9h, no evento J. Safra Macro Day 2026, com transmissão online pelo Youtube.
BALANÇOS – Gol e Lojas Marisa divulgam balanços hoje após o fechamento. Amanhã tem JHSF antes da abertura do mercado.
… Também é esperado para amanhã, 31, o balanço do BRB, com uma solução para o rombo deixado pelo caso Master, após o governo do DF pedir ao FGC R$ 4 bilhões em empréstimo para socorrer a instituição.
POLÍTICA NO RADAR – Novas pesquisas eleitorais para a Presidência da República são esperadas, com AtlasIntel amanhã (31).
… O recorte estadual da sondagem para a corrida ao Palácio dos Bandeirantes já saiu e apontou Tarcísio com 49,1% das intenções de voto no primeiro turno em São Paulo, 6,5 pontos porcentuais à frente de Haddad, com 42,6%.
… Em Brasília, a semana será marcada pela crise política no Rio de Janeiro, pela reta final da janela partidária e pela última reunião ministerial antes da saída de auxiliares do presidente Lula para disputar as eleições, que será realizada amanhã cedo.
… No caso do Rio, o foco está na definição do mandato-tampão após a renúncia de Cláudio Castro. O Supremo Tribunal Federal conclui nesta segunda-feira o julgamento sobre as regras da eleição indireta, enquanto há pressão por votação direta.
… No calendário institucional, a semana tende a ser esvaziada: não haverá sessões plenárias no STF nem no TSE por causa da Semana Santa.
… No plano partidário, a expectativa é pela definição do PSD sobre candidatura própria à Presidência, com decisão prevista até terça-feira entre Eduardo Leite e Ronaldo Caiado.
… No Congresso, a CPMI do INSS terminou sem relatório final após rejeição do parecer do relator, em um desfecho que expôs a mobilização da base governista para barrar o avanço das investigações.
LÁ FORA – A semana começa com a leitura preliminar do CPI de março na Zona do Euro, que pode calibrar as apostas em torno de uma elevação das taxas de juros no próximo mês. No final da manhã (11h30), expectativa para um discurso de Powell, em Harvard.
… Ainda nos EUA, os dados do mercado de trabalho estão em destaque, com o relatório Jolts de fevereiro amanhã (terça-feira), a criação de vagas no setor privado na pesquisa ADP (quarta) e o payroll de março na sexta, com expectativa de criação de 48 mil postos.
… Índices de gerentes de compras (PMIs) e leituras de atividade do ISM/março também serão conhecidos ao longo dos próximos dias.
… Na Ásia, sai à noite a inflação ao consumidor de março no Japão e os PMIs industriais na China.
… A Europa entrou em horário de verão; as bolsas de Londres, Frankfurt, Paris, Milão e Madri fecham às 12h30 (de Brasília) a partir de hoje.
O CALL DA GUERRA – Sem perspectiva de um desfecho rápido para a ofensiva militar no Irã, que já ameaça durar o dobro de tempo do que Trump prometia inicialmente, um ciclo mais curto da “calibração” da Selic está no radar.
… O contágio inflacionário do petróleo, que resiste acima dos US$ 100, entra cada vez mais no radar do mercado, desperta ajustes no orçamento total da política monetária e esvazia a esperança de Selic abaixo de 12% no ano.
… Na sexta, o Santander elevou a projeção do IPCA de 2026 de 3,9% para 4,5%, no teto da meta de inflação, e puxou a previsão para a taxa Selic de 12% para 12,5% (mesmo valor do Focus), tendo como justificativa a escalada do barril.
… Na ata da semana passada, o Copom já aproveitou para fazer o hedge e não se comprometeu com os próximos passos para os juros, diante do contexto imprevisível da guerra, que pode acabar em semanas ou durar meses.
… Pouco menos de um mês separam o BC da próxima reunião de política monetária e o retrato do momento é de que as circunstâncias exigem cautela e gradualismo. A barra está alta para um corte de meio ponto da Selic.
… Se vem 0,25pp ou nada, é a pergunta que vale dinheiro e que vai movimentar as apostas nas próximas semanas.
… Com menos margem para incorporar um ciclo de relaxamento maior, a curva inteira do DI projeta taxas acima de 14% e as apostas para o Copom de abril apontam que as chances de manutenção da Selic não são desprezíveis (30%).
… A alta do petróleo pressionou os vencimentos de curto prazo na sexta-feira. Já a queda do dólar diante do real e o apetite dos estrangeiros pela renda fixa doméstica ajudaram a amenizar os efeitos da guerra na ponta longa.
… No fechamento, o DI para janeiro de 2027 marcou 14,395% (contra 14,327% no ajuste anterior); e Jan/29 subiu a 14,115% (de 14,070% na véspera). Já o Jan/31 fechou a 14,150% (14,155%) e Jan/33, a 14,190% (de 14,194%).
… Sem impacto na curva, a taxa de desemprego medida pelo IBGE voltou a subir, passou para 5,8% no trimestre até janeiro, segundo dados da Pnad Contínua, a mais elevada desde o trimestre terminado em junho do ano passado.
… Apesar disso, o desemprego ainda está no patamar mais baixo para trimestres encerrados em fevereiro em toda a série histórica. Segundo o Bradesco, o mercado de trabalho ainda apresenta sinais discretos de enfraquecimento.
… O emprego aquecido deve continuar como foco de atenção do BC para as potenciais pressões inflacionárias.
É COISA NOSSA – Sorte o Brasil ser exportador de petróleo, porque este tem sido um motivo decisivo para o real se manter em níveis relativamente comportados, abaixo de R$ 5,25, apesar do quadro das turbulência externas.
… Também o fluxo de k externo, que continua entrando com força total, vai ajudando a blindar o câmbio.
… Apesar de algumas saídas pontuais assim que a guerra estourou, os estrangeiros seguem interessados no Brasil e a B3 deve fechar o melhor primeiro trimestre em entrada de capital gringo em quatro anos. O saldo está em R$ 7 bi.
… O dólar fechou em baixa de 0,28%, a R$ 5,2417, e acumulou queda de 1,27% semana passada, apesar de lá fora o índice DXY ter operado acima dos 100 pontos, com os sinais de que os EUA e Israel estão desrespeitando a trégua.
… As incertezas sobre um cessar-fogo levaram o DXY a fechar em alta de 0,25%, a 100,151 pontos, com o dólar subindo contra o euro (-0,15%, a US$ 1,1517), a libra esterlina (-0,46%, a US$ 1,3269) e o iene (160,23/US$).
… Dirigentes do Fed têm assumido tom mais conservador, diante do petróleo que não consegue se acomodar.
… “É útil considerar vários cenários diferentes com a elevada incerteza sobre os desdobramentos da guerra”, disse Anna Paulson. Tom Barkin observou que, mesmo antes do choque do petróleo, a inflação já emitia preocupação.
… Semanas atrás, Powell assustou, ao comentar que nem mesmo uma alta do juro estaria fora de cogitação para o Fed. A gravidade da tensão externa não pode ser ignorada e servirá de régua para o futuro da política monetária.
… O mês vai chegando ao fim com alta acumulada de 50% do petróleo em março e 80% no ano. Na sexta, o barril disparou de novo após ataques de Israel ao Irã descumprirem o prazo estendido por Trump para a diplomacia.
… O contrato do Brent para maio saltou 4,22%, e fechou cotado a US$ 112,57 por barril na ICE londrina, enquanto o WTI para o mesmo prazo avançou 5,46%, a US$ 99,64 na Nymex – valor mais alto desde julho de 2022.
DORMIRAM COM MEDO – As bolsas americanas voltaram a cair sexta-feira, com o Dow Jones e o Nasdaq entrando em território de correção (bear market), após acumularem perdas de mais de 10% contra os seus picos recentes.
… O índice Dow Jones caiu 1,73%, aos 45.166,64 pontos; o S&P 500 perdeu 1,67%, aos 6.368,85 pontos; e o Nasdaq recuou 2,15%, aos 20.948,36 pontos. O investidor não quis ficar exposto a ativos de risco antes do fim de semana.
… Na reta final do pregão, os índices acentuaram as perdas com a informação de que os rebeldes Houthis do Iêmen anunciaram sua entrada na guerra para apoiar o Irã, elevando o receio de fechamento do Estreito de Bab el-Mandeb.
… A rota liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico, bloqueando a principal ligação marítima entre a Ásia e a Europa.
… O Ibovespa caiu pelo segundo dia consecutivo, ainda que de forma menos acentuada que NY, com os investidores também preferindo não passar o fim de semana a descoberto e evitar o risco diante das incertezas sobre a conflito.
… O índice à vista fechou em baixa de 0,64%, aos 181.556,76 pontos, com giro mais fraco, de R$ 26,3 bilhões.
… Petrobras (ON +2,89%, a R$ 49,41; e ON +1,74%, a R$ 54,30) reagiu à disparada do petróleo. Vale fechou em leve alta de 0,11% (R$ 79,00), contrariando o minério de ferro (-0,49%).
… Os bancos recuaram: BB ON, -1,73% (R$ 22,66); Bradesco PN, -1,59% (R$ 18,52); e Itaú PN, -1,17% (R$ 41,45).
CIAS ABERTAS NO AFTER – VALE informou que ampliou a vida útil do complexo de Itabira em 12 anos, para 2053, com aumento de 52% nas reservas minerais, para cerca de 1,15 bilhão de toneladas.
ITAÚ UNIBANCO aprovou a incorporação do Itaucard pela holding, em reorganização que não implicará aumento de capital nem emissão de novas ações.
BANCO DO BRASIL promoveu mudanças na diretoria executiva, com indicação de Bárbara Freitas (Meios de Pagamento), Bárbara Bosi (Finanças) e Bruno Nascimento (Operações), além de rodízio de nove diretores.
BB SEGURIDADE aprovou o cancelamento de 58,6 milhões de ações ON em tesouraria (2,93%), sem redução do capital social.
ASSAÍ aprovou programa de recompra de até 11,3 milhões de ações ON (0,8% do total), com duração de 12 meses.
GPA aprovou mudanças de governança, com redução do mandato do conselho para um ano e eleição de novos membros, incluindo André Diniz, Leandro Campos, Gustavo Gonçalves, Carlos Fernandes e Eleazar Filho.
SABESP propôs desdobramento de ações na proporção de 1 para 5, sem alteração do capital social.
CSN MINERAÇÃO aprovou cancelamento de 53,3 milhões de ações ON em tesouraria, sem redução do capital social.
NEOENERGIA informou que deixará o Latibex e passará a ser negociada exclusivamente na B3 a partir de amanhã.
RUMO. Moody’s colocou o rating em revisão para rebaixamento, citando risco de contágio da controladora Cosan.
KLABIN aprovou emissão de R$ 1,75 bilhão em CPR-Fs, em três séries com vencimentos de 7, 10 e 12 anos.
TUPY informou a renúncia do CEO Rafael Lucchesi, com Gueitiro Genso assumindo interinamente o cargo até a definição do sucessor.
FERTILIZANTES HERINGER registrou prejuízo de R$ 189,9 milhões no 4TRI25, queda de 71,2% na comparação anual…
… A receita líquida foi de R$ 965,4 milhões (-30,4%) e o Ebitda ficou negativo em R$ 101,1 milhões, ante -R$ 83 milhões um ano antes.
OI. Sem acordo entre as partes, a venda da participação na V.tal será decidida pela Justiça hoje. (Broadcast)
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