Setor de Serviços – Outubro | Análise PicPay
O setor de serviços avançou 0,3% em outubro, com destaque para transportes. Apesar da desaceleração, o resultado segue sustentando a atividade econômica no fim do ano.
Por Matheus Pires Mariniello Pizzani
Setor de serviços registra alta de 0,3% em outubro, desacelerando na comparação com o mês de setembro (+0,7%) e registrando alta de 2,2% frente ao mesmo período do ano anterior. No acumulado em 12 meses, o setor fechou com crescimento de 2.8%. O destaque do resultado de outubro ficou por conta do grupo de transportes, cujo dinamismo respondeu tanto à fatores domésticos, com o subgrupo de transporte aéreo crescendo 4,3%, dado que já era passível de antecipação em função do nível mais elevado de inflação das passagens aéreas em outubro (+4,45%), com ambos sinalizando maior nível de demanda ao longo do mês, quanto à fatores internacionais, com o crescimento das exportações em outubro (+7,8%) explicando em boa medida a expansão de 3,8% do volume de transportes aquaviários.
Em relação às demais categorias, o grupo de serviços prestados às famílias avançou 0,1%, dando sinais de perda de tração após uma sequência de resultados fortes, mesma taxa de variação dos serviços profissionais, administrativos e complementares, cujo subcomponente de serviços de apoio às atividades empresariais sofreu estagnação. Os serviços de informação e comunicação desaceleraram fortemente, saindo de 1,2% para 0,3%.
Prospectivamente, a incorporação do resultado dos serviços em um quadro mais geral demanda uma análise mais cautelosa da conjuntura. Embora do ponto de vista estrutural a desaceleração de categorias importantes como os serviços técnico-profissionais e de informação e comunicação apontem para o início de um processo de acomodação do setor, sua incorporação em um ambiente de surpresas positivas com o comércio e maior estabilidade da indústria deve impedir a queda dos indicadores de atividade que se alimentam destes dados, em especial o IBC-BR, que tende a iniciar o último trimestre do ano em ritmo mais acelerado frente aos meses anteriores, reforçando o padrão recente de métricas como o hiato do produto, todos estes elementos importantes para o debate em curso sobre questões essenciais no campo macroeconômico, em especial a política monetária.