Resumo semanal: 09/02/2026 a 13/02/2026

Por Matheus Gomes de Souza, CEA Estados Unidos Os dados recentes indicam um mercado de trabalho em processo de estabilização, após um período de enfraquecimento ao longo do ano anterior. Em janeiro, a economia norte-americana criou 130 mil vagas fora do setor agrícola, acima das expectativas, enquanto a taxa de desemprego recuou para 4,3%. Os […]

Screen showing data about the financial crisis because of the coronavirus
Foto: The screen showing data about the financial crisis because of the coronavirus

Por Matheus Gomes de Souza, CEA

Estados Unidos

Os dados recentes indicam um mercado de trabalho em processo de estabilização, após um período de enfraquecimento ao longo do ano anterior. Em janeiro, a economia norte-americana criou 130 mil vagas fora do setor agrícola, acima das expectativas, enquanto a taxa de desemprego recuou para 4,3%. Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego permaneceram em níveis historicamente baixos, em 227 mil solicitações, sugerindo ausência de deterioração significativa das condições de emprego. Ainda assim, revisões estatísticas apontam crescimento médio modesto de vagas em 2025, refletindo contratações cautelosas, influenciadas por políticas comerciais e migratórias mais restritivas. A desaceleração do crescimento salarial e dos custos trabalhistas reforça a leitura de um arrefecimento gradual, sem sinais de estresse agudo.

No consumo, os indicadores mostram perda de fôlego no curto prazo. As vendas no varejo ficaram estáveis em dezembro, com retração em segmentos sensíveis a juros, como veículos, móveis e eletrodomésticos, enquanto o núcleo de vendas recuou 0,1%. O mercado imobiliário seguiu pressionado: as vendas de casas usadas caíram 8,4% em janeiro, atingindo o menor nível desde o fim de 2023, apesar da melhora no índice de acessibilidade, que subiu para 116,5. A inflação ao consumidor desacelerou, com o CPI avançando 0,2% no mês e 2,4% em 12 meses, abaixo do consenso, reforçando a expectativa de manutenção dos juros pelo Federal Reserve no intervalo de 3,50% a 3,75%. No campo político, avançaram tensões comerciais com o Canadá, debates fiscais e imigratórios no Congresso e uma ampla reversão da agenda climática, elevando a incerteza regulatória e jurídica para os próximos trimestres.

Brasil

O ambiente político-institucional ganhou centralidade com a redistribuição, no Supremo Tribunal Federal, da relatoria das investigações envolvendo o caso Master. Após articulações internas e preocupação com a imagem da Corte, o ministro Dias Toffoli deixou o comando do processo, que passou ao ministro André Mendonça, mantendo-se válidos os atos já praticados. O caso envolve movimentações societárias e financeiras relacionadas à empresa Maridt e ao resort Tayayá, com conexões indiretas a figuras do sistema financeiro e empresarial. O episódio adiciona ruído ao cenário institucional e ocorre em paralelo à intensificação do debate eleitoral, com pesquisas indicando disputa mais competitiva para a Presidência, ainda com Lula à frente, mas com redução relevante da diferença em relação ao principal adversário, ambos exibindo elevados níveis de rejeição.

Na atividade econômica, os dados de fim de 2025 apontam desaceleração disseminada. O varejo acumulou alta de 1,6% no ano, bem abaixo de 2024, e registrou queda de 0,4% em dezembro, refletindo antecipação de compras para a Black Friday e o impacto da política monetária restritiva. O setor de serviços recuou 0,4% na margem em dezembro, pressionado principalmente por transportes, embora tenha fechado o ano com crescimento de 2,8%. Do lado dos preços, o IPCA avançou 0,33% em janeiro, levando a inflação em 12 meses a 4,44%, com pressão de combustíveis parcialmente compensada pela queda da energia elétrica. Já os preços ao produtor acumularam deflação de 4,53% em 2025, sinalizando menor pressão inflacionária à frente e reforçando a expectativa de início do ciclo de cortes da Selic, atualmente em 15%, nos próximos meses.

Europa

O cenário político europeu seguiu marcado pelo avanço de forças de direita e por instabilidade institucional em diversos países. Na Hungria, pesquisas indicam o partido de oposição Tisza com vantagem de cerca de 10 pontos sobre o Fidesz, de Viktor Orbán, às vésperas da eleição parlamentar de abril, sinalizando o maior desafio ao governo desde 2010. Na França, o conservador Bruno Retailleau oficializou sua candidatura à presidência de 2027, com discurso centrado em imigração, segurança e reindustrialização, embora enfrente elevada rejeição popular. No Reino Unido, o governo de Keir Starmer atravessou uma crise política após a nomeação de Peter Mandelson como embaixador nos EUA, levando à saída de assessores-chave e ampliando pressões internas por mudanças na liderança.

Em paralelo, eleições e disputas regionais reforçaram a consolidação da extrema-direita em partes da Europa. Na Espanha, o Vox dobrou sua bancada em Aragão, obrigando o Partido Popular a depender ainda mais do apoio do partido anti-imigração. Em Portugal, apesar da vitória ampla do socialista moderado António José Seguro na eleição presidencial, o Chega obteve cerca de um terço dos votos, confirmando sua força como principal oposição. No campo econômico, o Reino Unido registrou crescimento fraco no quarto trimestre de 2025, com PIB de apenas 0,1% e forte retração do investimento empresarial, aumentando as expectativas de novos cortes de juros pelo Banco da Inglaterra. Já no plano geopolítico, a OTAN lançou a missão Arctic Sentry para reforçar sua presença no Ártico, enquanto a Rússia afirmou que continuará respeitando voluntariamente os limites do tratado nuclear Novo START, elevando o debate sobre segurança e estabilidade estratégica no continente.

Ásia

O desempenho econômico e político da região mostrou forte heterogeneidade. Em Taiwan, as exportações dispararam 69,9% em janeiro na comparação anual, atingindo US$ 65,8 bilhões, o maior valor mensal da série, impulsionadas pela demanda global por semicondutores e aplicações ligadas à inteligência artificial. As vendas externas de componentes eletrônicos cresceram 59,8%, enquanto as exportações para os Estados Unidos avançaram 151,8%, refletindo tanto a base de comparação fraca quanto o novo acordo comercial que reduziu tarifas americanas para 15% e garantiu isenções relevantes para produtos tecnológicos. Em paralelo, o governo taiwanês enfrenta tensões políticas internas para aprovar um orçamento especial de defesa de US$ 40 bilhões, em meio à intensificação da presença militar chinesa no entorno da ilha e ao apoio explícito dos EUA ao reforço da capacidade defensiva.

No Sul e Sudeste Asiático, o foco esteve em rearranjos políticos com impacto econômico. Em Bangladesh, o Partido Nacionalista (BNP) obteve uma vitória expressiva, conquistando mais de dois terços das cadeiras parlamentares, abrindo espaço para maior estabilidade após meses de crise política e econômica. O partido prometeu reformas institucionais, estímulo ao emprego, diversificação das exportações e ampliação de programas sociais, em um país-chave para a indústria global de vestuário. Na Tailândia, o Partido Bhumjaithai venceu as eleições e formou uma coalizão com o Pheu Thai, garantindo maioria parlamentar e reduzindo a incerteza após sucessivos episódios de instabilidade. Já na China, os dados de inflação indicaram recuperação gradual da demanda doméstica: o núcleo do CPI avançou 0,8% em 12 meses, com aceleração mensal de 0,3%, enquanto o índice de preços ao produtor registrou o quarto aumento mensal consecutivo, reforçando a sinalização de políticas voltadas ao estímulo do consumo interno e do investimento privado.

Oriente Médio

O cenário geopolítico regional foi dominado pela intensificação das negociações entre Estados Unidos e Irã, acompanhada de forte demonstração de poder militar. O primeiro‑ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou esperar que o presidente Donald Trump esteja criando condições para um acordo que evite um novo confronto armado, embora tenha defendido que qualquer entendimento inclua não apenas restrições ao programa nuclear iraniano, mas também aos mísseis balísticos e ao apoio de Teerã a grupos aliados. Trump manteve o discurso de que a decisão final caberá aos EUA, reiterando que prefere uma solução diplomática, mas voltou a ameaçar uma ação “muito dura” caso as negociações fracassem. Em paralelo, os Estados Unidos reforçaram significativamente sua presença militar na região, com o envio de um segundo porta‑aviões e o reposicionamento de sistemas de defesa Patriot no Catar, enquanto o Irã sinalizou capacidade de retaliação contra bases americanas no Oriente Médio.

No plano econômico e político interno, os riscos geopolíticos recuaram parcialmente nos mercados, com a diminuição dos prêmios de conflito refletida em movimentos mais contidos nos preços de ativos sensíveis à região. Na Turquia, o Banco Central elevou sua projeção de inflação para o fim do ano para a faixa de 15% a 21%, mas manteve o discurso de continuidade cautelosa do ciclo de cortes de juros, após reduzir a taxa básica para 37%, em um contexto de desaceleração gradual da inflação. Ainda no país, o ambiente político seguiu tensionado com a ofensiva judicial contra o prefeito de Istambul, Ekrem Imamoglu, principal rival do presidente Recep Tayyip Erdogan, que voltou a defender eleições antecipadas e acusou o governo de usar o Judiciário para inviabilizar sua candidatura. No Irã, o presidente Masoud Pezeshkian pediu desculpas públicas pela repressão violenta a protestos recentes, em um gesto raro, mas que não dissipou as preocupações internacionais com direitos humanos nem reduziu a incerteza sobre os desdobramentos políticos e diplomáticos na região.

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