Produção Industrial em outubro – Análise PicPay
A produção industrial do Brasil avançou apenas 0,1% em outubro, mantendo o cenário de estagnação, com queda interanual de 0,5%. A indústria segue com atividade moderada e perspectiva de crescimento limitado para 2025.
Por Ariane Amanda Benedito, economista-chefe do PicPay
A produção industrial brasileira mostrou nova perda de fôlego em outubro, avançando apenas 0,1% na margem, em linha com a nossa expectativa de leve alta, mas indicando continuidade do quadro de estagnação observado desde o início do segundo semestre. O resultado sucede a queda de setembro e reforça um ambiente de atividade moderada, ainda condicionado pela política monetária restritiva, pela desaceleração da demanda e pelo enfraquecimento das exportações de manufaturados.
Na comparação interanual, a produção recuou 0,5%, devolvendo parte dos ganhos acumulados ao longo do ano e evidenciando uma dinâmica menos favorável do que a observada até agosto. Apesar de o acumulado em 12 meses ainda registrar alta de 0,9%, o ritmo de expansão permanece limitado e sem sinais de possível aceleração.
O desempenho setorial seguiu bastante heterogêneo. Entre as quatro grandes categorias econômicas, apenas bens de consumo duráveis mostrou crescimento mais expressivo (+2,7% m/m), impulsionado pelo setor automotivo. Bens de capital (+1,0%) e bens de consumo semi e não duráveis (+1,0%) também contribuíram positivamente, enquanto bens intermediários, que compõem a espinha dorsal da cadeia industrial, recuaram 0,8%, reforçando a leitura de fragilidade estrutural.
Entre as atividades pesquisadas, 10 das 25 apresentaram queda em outubro. Os principais recuos vieram de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis (-3,9%), afetados por paradas programadas e menor ritmo de refino, e de farmacêuticos (-10,8%), após resultados mais fortes no trimestre anterior. Em sentido oposto, houve avanço relevante em indústrias extrativas (+3,6%), eletroeletrônicos (+4,1%), vestuário (+3,8%), produtos alimentícios (+0,9%) e veículos automotores (+2,0%), que ajudaram a suavizar o resultado agregado, ainda que sem alterar o quadro geral de pouca tração.
Apesar do crescimento ainda positivo no acumulado do ano (+0,8%), a leitura de outubro e a queda registrada em setembro, confirma uma trajetória de atividade irregular, marcada por ciclos curtos de recomposição e quedas subsequentes. Para os últimos meses de 2025, mantemos um cenário de volatilidade e estabilidade na média móvel, com projeção de crescimento marginal em novembro e dezembro. Com isso, estimamos que a indústria encerre 2025 com avanço próximo de 0,9%, refletindo um ano de retomada limitada, desempenho heterogêneo entre os setores e sensibilidade elevada às condições macroeconômicas.