FOMC – Dezembro | Análise PicPay

O Fed cortou juros em 25 bps e sinalizou cautela para 2026, com dot plot mais disperso, mercado de trabalho enfraquecido e inflação ainda pressionada, mantendo um ritmo moderado de flexibilização.

Powell
Foto: Jerome Powell, chairman of the US Federal Reserve, speaks during a news conference following a Federal Open Market Committee (FOMC) meeting in Washington, DC, US, on Wednesday, July 26, 2023. The Federal Reserve raised interest rates to the highest level in 22 years and left the door open to additional increases as officials fine-tune their effort to further quell inflation. Photographer: Al Drago/Bloomberg via Getty Images

Por Ariane Amanda Benedito, economista-chefe do PicPay

O FOMC cortou a taxa básica de juros em 25 pontos-base, levando o intervalo para 3,50%–3,75%. No “dot plot” divulgado junto à decisão, a mediana projetada para 2026 é de apenas mais um corte de 25 bps, ou seja, o Comitê espera uma desaceleração no ritmo de cortes. As previsões macro atualizadas indicam expectativa de inflação ligeiramente menor e de crescimento econômico para 2026 em torno de 2,3%. O FOMC também sinalizou que os riscos ao emprego aumentaram recentemente, um dos fatores que justificou o corte.

O conjunto das projeções apresentou poucas mudanças relevantes, mas o dot plot trouxe um elemento importante: a maior dispersão das estimativas para 2026 evidenciou um Comitê mais dividido quanto ao ritmo e à extensão da flexibilização. O desenho das projeções indica que parte dos membros considera adequada a manutenção de juros em níveis elevados por mais tempo, enquanto outra parcela avalia que o enfraquecimento da atividade já justificaria reduções adicionais. Essa heterogeneidade reforça que não há trajetória predeterminada para a política monetária e que a calibragem dependerá de sinais mais consistentes de desaceleração econômica e desinflação.

A interpretação da coletiva de Jerome Powell seguiu a mesma direção. A deterioração do mercado de trabalho foi reconhecida como fator que exige ajustes, mas a inflação ainda elevada mantém a necessidade de prudência. A resposta do Fed segue condicionada a um balanço de riscos que combina atividade mais fraca, preços ainda pressionados e incertezas relevantes no cenário externo. Powell evitou orientar o mercado para qualquer aceleração do ciclo de cortes e também não indicou pausa imediata, preservando flexibilidade e reforçando que as próximas decisões dependerão da confirmação de uma tendência mais clara de convergência da inflação.

O quadro final fornecido pela decisão, pelas projeções e pela coletiva indica que o FOMC permanece em um ambiente de avaliação contínua, em que cada movimento será guiado pelo comportamento dos dados e não por um roteiro pré-estabelecido. A combinação entre dispersão maior no dot plot, manutenção da cautela na comunicação e reconhecimento das pressões persistentes sobre a inflação e o mercado de trabalho sugere que o ciclo de flexibilização deve seguir em ritmo moderado. Para os mercados, o corte reduz parte das incertezas de curto prazo, mas a ausência de consenso dentro do Comitê e a insistência em prudência mantêm a necessidade de interpretação cuidadosa das próximas leituras de atividade e preços, que serão determinantes para calibrar a trajetória da política monetária ao longo de 2026.
https://www.federalreserve.gov/default.htm

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