Juros recuam nos EUA e trazem alívio ao dólar, mas clima nas bolsas ainda é de cautela

As incertezas sobre os próximos passos da política monetária dos Estados Unidos continuaram pautando os mercados globais nesta segunda-feira, em uma sessão esvaziada de indicadores e de declarações relevantes de membros do Fed, o banco central americano.

Pela manhã, o mercado chegou a enfrentar momentos de estresse, com os juros dos Treasuries de 10 anos superando a marca histórica de 5% ao ano por alguns momentos. Porém, notícias vindas do Oriente Médio, de que Israel teria postergado temporariamente os planos de uma invasão por terra à faixa de Gaza, ajudaram a melhorar o humor dos investidores, colaborando para um recuo nos juros dos títulos americanos e do dólar.

O mercado também mostra otimismo com a safra de balanços de empresas, nos EUA e no Brasil referentes aos resultados do terceiro trimestre, que começam a pipocar nesta semana.

No cenário doméstico, o principal fato do dia foram as declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sobre os impactos da alta dos juros dos Treasuries para a economia global e, especialmente, para mercados emergentes como o Brasil. Ele afirmou os juros elevados tendem a enxugar a liquidez, ou seja, a quantidade de dinheiro em circulação no mundo, o que pode afetar o fluxo de investimentos estrangeiros para países emergentes de “forma mais severa”.

Segundo ele, tais condições aumentam o esforço fiscal a ser feito no Brasil. “Com liquidez menor, tem de fazer dever de casa melhor. A barra para fiscal no Brasil ficou mais alta”, afirmou. “Mas governo está fazendo sua parte”, ponderou, ao destacar os projetos em andamento no Congresso, como a reforma tributária.

O dólar à vista encerrou o dia em baixa de 0,29%, a R$ 5,0169. O Ibovespa fechou com queda de 0,33%, aos 112.784,52 pontos, pressionado pelo tombo de mais de 6% nas ações da Petrobras, após a estatal anunciar mudanças em seu estatuto.

Em NY, as bolsas tiveram comportamento misto. O Dow Jones caiu 0,58%, aos 32.936,41 pontos. O S&P500 recuou 0,17%, aos 4.217,04 pontos. Já o Nasdaq subiu 0,27%, aos 13.018,33 pontos. (Téo Takar)

BDM Express: Payroll pode gerar alta volatilidade se surpreender

O IGP-DI de setembro abre a agenda às 8h, com as estimativas apontando aceleração para 0,26% (0,05% em agosto), mas o dia é do payroll nos EUA, o indicador mais importante da semana, especialmente depois que o relatório Jolts deu um susto na 3ªF, com abertura de postos de trabalho muito acima do esperado. Na sequência, a pesquisa ADP veio fraca e ontem os novos pedidos de auxílio-desemprego subiram menos que o consenso. Entre os dados divergentes, investidores assumiram cautela à espera do relatório do emprego, que sai às 9h30.

O potencial de volatilidade é grande hoje, para o bem ou para o mal. Um resultado forte tende a causar nova onda de estresse, reforçando as apostas em mais alta do juro. Se o payroll desacelerar, aí vem um bom alívio.

O consenso é de criação de 170 mil vagas em setembro, segundo o MarketWatch. Já pesquisa Broadcast mostra a criação de 175 mil vagas de empregos (187 mil em agosto), com a taxa de desemprego recuando de 3,8% para 3,7% e crescimento de 0,3% do salário médio.

Autoridades do Fed estimam que economia não precisa mais do que 75 mil a 100 mil empregos por mês. Qualquer coisa além disso significa pressão para os salários, em ambiente de escassez de mão-de-obra, e dificuldade maior para controlar a inflação.

A força do mercado de trabalho é um dos fatores decisivos para determinar os próximos passos da política monetária, junto com dados da atividade. Por isso o payroll deve conduzir as expectativas para os juros e os movimentos dos pregões hoje.

O primeiro impacto a ser observado é na curva longa dos Treasuries, que tem conduzido os negócios nas últimas semanas, quando o yield da Note-10 anos atingiu a máxima de 4,8%. Se subir mais, contrata queda das bolsas e escalada do dólar. Já se as taxas fecharem (recuarem), o alívio se refletirá na alta das ações, enquanto a moeda americana perde força.

O que está em jogo é se o juro vai subir mais, em um ajuste adicional que não é descartado pelos Fed boys, mas ainda é desacreditado pela ampla maioria dos investidores em NY, ou se o ciclo de altas acabou no intervalo entre 5,25% e 5,50%. No mínimo, o payroll ajudará a direcionar as apostas sobre o tempo que os juros ficarão restritivos nos EUA.

Nesta 5ªF, preparado para correr, o dólar fechou em R$ 5,16, puxando os juros futuros, enquanto o Ibovespa, com giro inexpressivo de R$ 17 bilhões, lutou para defender os 113 mil pontos. Também as bolsas em NY fecharam negativas.

MAIS AGENDA – A mobilização dos servidores do BC adiou de ontem para hoje (9h) o relatório de poupança de setembro. Às 10h, serão divulgados os dados da Anfavea de produção e vendas de veículos no mês passado. Nos EUA, já sob o impacto do payroll, o diretor do Fed Christopher Waller discursa em evento (13h). A Baker Hughes divulga, às 14h, os poços de petróleo em operação.

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BDM Express: Fed boys movimentam o dia em NY

Vários Fed boys têm falas previstas para hoje nos EUA e, nesta quadra de incertezas sobre os juros, podem mexer com os negócios. Atenção às declarações de Loretta Mester (10h), Thomas Barkin (12h30), Mary Daly (13h) e Michael Barr (13h15).

O alívio dos mercados nesta 4ªF, com os dados fracos da pesquisa ADP, não é indicativo de tendência. O investidor vai esperar o payroll amanhã, como medida mais confiável do mercado de trabalho. Às 9h30, saem os pedidos do auxílio-desemprego.

Aqui, a agenda não tem indicadores. Mas o mercado acompanhará o diretor de Política Monetária do BC, Gabriel Galípolo, na abertura de fórum GRI de Fundos Imobiliários, em São Paulo (9h), Campos Neto, em reuniões no Banco Pine (10h) e no Necton BTG (14h), e Haddad, com participação prevista (9h), no 7º Fórum Nacional de Controle, promovido pelo TCU, em Brasília.

ATRÁS DO DINHEIRO – A votação do projeto que taxa os fundos de alta renda foi adiada para o dia 24, depois que Lira voltar da viagem de 10 dias ao exterior, em missão oficial à Ásia e à China.

… Enquanto isso, a equipe econômica faz malabarismos para aumentar a arrecadação. Na manchete do Estadão, a “Fazenda terá força-tarefa para cobrar R$ 180 bilhões de maiores devedores”, em um projeto para solucionar as 100 maiores execuções fiscais do País.

FUNDOS DE ALTA RENDA – O governo esperava votar ontem o projeto de taxação das offshores e dos fundos exclusivos, mas diante da obstrução do PL e dos ruralistas, os próprios governistas acharam melhor não arriscar. O adiamento não parece estar relacionado a divergências, mas a dificuldades com o quórum, inclusive pela proximidade do feriado do dia 12.

JCP – Em paralelo, avançaram as negociações envolvendo uma nova proposta da Fazenda para os Juros sobre Capital Próprio, que não simplesmente colocará fim ao mecanismo. Diante das resistências ao fim do JCP, a equipe econômica propõe agora que a distribuição de lucros seja enquadrada como despesa, podendo ser abatida do Imposto de Renda e da CSLL.

CRÉDITOS EXTRAORDINÁRIOS – O Congresso aprovou nesta 4ªF créditos extraordinários de quase R$ 3 bilhões no Orçamento/23. Projeto de maior impacto libera R$ 1,3 bilhão para Agricultura, Educação, MME, Saúde e Integração e Desenvolvimento Regional.

ICMS – No Senado, foi aprovado o projeto que compensa a perda de arrecadação dos Estados com o ICMS na redução da alíquota sobre combustíveis no ano passado. Prevê antecipação de R$ 10 bilhões a Estados e municípios e um repasse extra de R$ 2,3 bilhões ao Fundo dos Municípios (FPM) e outro de R$ 1,6 bilhão ao Fundo dos Estados (FPE).

… Senadores mantiveram o dispositivo que, na prática, reduz o piso constitucional para a Saúde de R$ 20 bilhões para R$ 5 bilhões. O texto segue à sanção presidencial.

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