Produção Industrial (PIM) – Nov/25
Por Departamento Econômico PicPay
A produção industrial registrou variação nula em novembro, estagnando após crescimento apenas marginal no mês anterior (+0,1%). Frente ao mesmo período do ano anterior, a produção industrial sofreu queda de 1,2%. O desempenho abaixo do esperado se justifica em boa medida pela queda de 2,5% do grupo de bens duráveis, cuja queda foi disseminada em vários de seus componentes, casos da produção de Móveis (-0,3%), Veículos automotores (-1,6%) e Outros equipamentos de transporte (-3,0%).
Embora relativamente esperada dentro da conjuntura atual, haja vista os efeitos do encarecimento do crédito via política monetária sobre segmentos como o de móveis e a reversão já esperada da produção de veículos após um mês de forte produção devido à troca de modelos, outros elementos na PIM sugerem um processo de desaceleração mais amplo em curso no setor.
Destaque neste caso para a também queda do segmento de intermediários. Embora conte com um elevado coeficiente de importação, a retração observada em setores em que o país possui capacidade de oferta doméstica satisfatória, como os produtos de madeira (-1,5%), sugere a existência de um arrefecimento da atividade ao longo da cadeia que pode catalisar a desaceleração observada em grupos de ponta, como os duráveis e não duráveis.
Prospectivamente, a expectativa é que o resultado de dezembro não apresente variações muito expressivas, com a indústria extrativa demonstrando maior potencial de recuperação conforme sinalizaram os dados da balança comercial, com as exportações do setor crescendo 53%. A contribuição do setor seja para o IBC-Br de novembro ou mesmo para o PIB do quarto trimestre, no entanto, deve ser reduzida, com o nível de atividade ainda fortemente dependente do setor de serviços para garantir um bom desempenho no ano.
Por que 2026 será um dos anos mais decisivos da nossa era?
Por Matheus Gomes de Souza, CEA
2026 não começa como um ano comum. A acumulação de tensões não resolvidas, e não apenas novos choques, coloca o sistema global diante de escolhas que tendem a redefinir os próximos anos, e não apenas os próximos meses.
♟️ Geopolítica sem válvula de escape
Os principais conflitos em curso seguem sem horizonte diplomático funcional. Gaza e Ucrânia avançam para mais um ano de desgaste humano, político e econômico, enquanto os custos imediatos da escalada seguem mais baixos do que os riscos de concessionar agora. Esse desequilíbrio prolonga conflitos e amplia seus efeitos colaterais.
Ao mesmo tempo, a consolidação prática do eixo China–Rússia–Irã–Coreia do Norte altera a lógica do sistema internacional. Não se trata mais de alinhamento retórico, mas de troca efetiva de recursos, tecnologia e suporte estratégico. A Ucrânia tornou‑se o laboratório desse novo arranjo, e seu desfecho influencia diretamente os cálculos sobre Taiwan, Oriente Médio e Península Coreana.
⚔️ Competição estrutural, não episódica
A rivalidade entre Estados Unidos e China entrou em uma fase estrutural. Tecnologia, semicondutores e inteligência artificial deixaram de ser vetores de crescimento neutro e passaram a integrar estratégias de segurança nacional. Em 2026, essa disputa tende a se refletir de forma mais direta em cadeias produtivas, investimentos e políticas industriais.
Quanto maior a percepção de vantagem estratégica relativa, maior o incentivo a ações de pressão não convencionais (econômicas, tecnológicas e informacionais) que pressionam mercados sem necessariamente deflagrar conflitos abertos.
🗳️ O Brasil em um mundo mais instável
No plano doméstico, a eleição de 2026 já produz efeitos econômicos antecipados. A disputa política passou a ser interpretada como um referendo sobre o modelo econômico a ser seguido: maior intervenção estatal e gasto público versus disciplina fiscal, reformas e previsibilidade institucional.
Ambientes globais mais fragmentados exigem ancoragem doméstica mais sólida. Sem clareza fiscal e institucional, o prêmio de risco se eleva, os juros permanecem pressionados e o espaço para crescimento se estreita, independentemente do ciclo internacional.
Um ano de transição, não de definição final…………
2026 não será lembrado por um único evento disruptivo. Seu peso histórico virá da soma de decisões, omissões e respostas graduais a um ambiente mais volátil. Entre consolidação e fragmentação, estabilidade e desordem, o ano tende a funcionar como ponte para um novo equilíbrio, ou para um período prolongado de atrito.
Os movimentos feitos agora não resolvem todas as tensões, mas definem quem entra na próxima década com margem de manobra, e quem entra sem opções.
CAGED – Nov/25
Por Departamento Econômico PicPay
O mercado de trabalho brasileiro fechou com saldo líquido de 85.147 postos de trabalho formais durante o mês de novembro, mostrando estabilidade na comparação com o mês de outubro. Setorialmente, o setor de comércio apresentou o melhor desempenho do período, com saldo líquido de 78 mil vagas, obedecendo a sazonalidade já esperada para o período. O desempenho pode ser explicado pela ocorrência de datas como a Black Friday e a preparação das empresas do ramo para as festas de fim de ano.
O setor de serviços, por sua vez, teve desempenho surpreendentemente positivo, com saldo líquido positivo de 75 mil vagas. Em sua composição, destacam-se os subgrupos de alojamento e alimentação e informação e comunicação. Enquanto o primeiro também é afetado por questões sazonais, como a maior demanda por serviços desta natureza no fim de ano e a maior demanda por mão de obra resultante do processo, o segundo possui uma raiz mais estrutural, tratando-se de um setor que vem apresentando forte crescimento nos últimos anos, demanda por profissionais de maior qualificação e baixa sensibilidade à política monetária.
Vale destacar ainda que a composição do dado se mostrou alinhada à da PNAD divulgada nesta manhã. Além dos pontos supracitados, o Caged apontou para o fechamento de postos de trabalho em setores mais sensíveis aos ciclos econômicos, como a indústria de transformação (-30.980) e construção (-23.804), ponto que reforça o argumento sobre a demanda por mão de obra ser um movimento orgânico, fruto da elevada resiliência dos serviços, não enfrentando restrições de ordem conjuntural e contando ainda com forte participação de componentes sazonais.
Sob a ótica salarial, os salários de desligamento apresentaram alta de 1,12% no comparativo mensal, enquanto os de admissão cresceram apenas 0,2%, composição que reforça os grandes números apresentados em termos de criação e fechamento de postos, uma vez que setores com nível salário médio mais elevado, como a indústria de transformação e construção, registraram saldo líquido negativo no período, enquanto a incorporação de novos trabalhadores no setores de comércio e serviços se deu em segmentos com renda média relativamente mais baixa frente aos demais segmentos.