Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) – Nov/25
Por Departamento Econômico PicPay
As vendas no varejo registraram crescimento de 1% no comparativo mensal em novembro, acelerando frente à alta de 0,5% observada no mês anterior. Em seu conceito ampliado, que agrega as vendas de veículos, material de construção e alimentos e bebidas no atacado, o indicador cresceu 0,7%, desacelerando levemente na comparação com o mês de outubro, quando houve alta de 1% nas vendas do setor.
O bom desempenho do período se deve ao efeito positivo dos descontos oferecidos durante a Black Friday sobre diversas categorias do comércio, impulsionando o volume de vendas de categorias como móveis e eletrodomésticos (+2,3%), artigos farmacêuticos e de perfumaria (+2,2%) e equipamentos de informática e comunicação (+4,1%). A ocorrência da Black Friday pode ser observada ainda na alta de 1% da receita nominal do setor, reflexo da combinação entre preços relativamente mais baixos e ganhos em termos de volume de vendas.
Vale destacar também a alta de 1% do grupo de hiper e supermercados, ainda beneficiado pela inflação relativamente baixa dos alimentos, movimento que deve se dissipar gradualmente nos meses subsequentes, especialmente nas medições do início de 2026, quando a pressão sobre o IPCA de alimentos aumenta.
Projetamos uma alta de 0,2% para a PMC de dezembro, fechando 2025 em 1,8%. A desaceleração na comparação mensal se justifica pela devolução estatística parcial dos grupos que apresentaram crescimento mais agudo em novembro, bem como um efeito composição que tende a privilegiar os grupos de hiper e supermercados e combustíveis e lubrificantes, cujo consumo costuma acelerar no período por questões sazonais relacionados às festividades de fim de ano.
Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) – Nov/25
Por Departamento Econômico PicPay
O volume de serviços registrou queda de 0,1% em novembro, revertendo parcialmente a alta observada no mês anterior (+0,4%) e reduzindo a contribuição positiva do setor para o nível de atividade econômica do quarto trimestre de 2025. Embora a retração em si não tenha sido necessariamente uma surpresa, especialmente pela participação de grupos cuja oscilação se dá por conta de fatores majoritariamente sazonais, caso dos serviços de transporte (-1,4%), a PMS trouxe também em sua composição sinais mais claros de uma desaceleração potencialmente mais duradoura do ritmo de crescimento do setor.
Destaque neste sentido para as retrações observadas em componentes com maior sensibilidade ao grau de ociosidade da economia e dos gastos privados, casos dos subgrupos de Outros serviços prestados às famílias (-2,6%), uma proxie relevante para o nível de demanda agregada, especialmente em seu componente de consumo das famílias, bem como os Serviços administrativos e complementares (-0,4%), que cumpre papel semelhante ao anterior, focando, porém, no nível de demanda das empresas do setor privado.
Em ambos os casos, não apenas houve uma queda na margem de seus respectivos resultados como também a consolidação da trajetória de desaceleração iniciada em outubro, sinalizando um ritmo de consumo de serviços mais equilibrado ao longo do período.
Prospectivamente, as divulgações subsequentes da PMS entre dezembro e fevereiro podem contar com participação mais efetiva de fatores sazonais e do nível de confiança dos agentes econômicos, que tem apresentado melhora na margem, impulsionando novamente o resultado do setor. Mantida a perspectiva para os componentes estruturais, no entanto, a tendência é de consolidação da perda de dinamismo já observada em novembro, com o setor sendo o principal responsável pela acomodação do ritmo de crescimento ao longo do primeiro semestre deste ano e, consequentemente, maior equilíbrio do hiato do produto.
Resumo semanal: 05/01 a 09/01
Por Matheus Gomes de Souza, CEA
Estados Unidos
A conjuntura macroeconômica dos Estados Unidos na semana foi marcada por sinais combinados de aperto financeiro, desaceleração da atividade e resiliência parcial do mercado de trabalho. O balanço patrimonial do Federal Reserve recuou de US$ 6,641 trilhões para US$ 6,574 trilhões, indicando continuidade do processo de redução de liquidez no sistema financeiro. No setor industrial, o PMI do ISM caiu de 48,2 para 47,9 pontos em dezembro, permanecendo em território contracionista e abaixo das expectativas de mercado. Apesar de avanços marginais em novos pedidos e emprego, houve recuo nos índices de produção e estoques, enquanto o índice de preços permaneceu elevado em 58,5 pontos, sugerindo pressões inflacionárias persistentes mesmo com atividade enfraquecida.
No mercado de trabalho, os dados reforçaram uma dinâmica de arrefecimento gradual, porém sem deterioração abrupta. Os pedidos iniciais de seguro-desemprego subiram para 208.000, acima da semana anterior, enquanto a média móvel de quatro semanas recuou para 211.750, apontando estabilidade em horizonte mais amplo. O payroll de dezembro mostrou criação de 50.000 vagas, abaixo do esperado, com desaceleração acumulada ao longo de 2025, ano em que foram criados 584.000 empregos, o menor avanço fora de períodos recessivos desde 2003. Ainda assim, a taxa de desemprego caiu para 4,4% e os salários avançaram 0,3% no mês e 3,8% em 12 meses, sustentando a expectativa de manutenção da taxa de juros pelo Fed. No campo geopolítico, as declarações do presidente Donald Trump sobre a Groenlândia elevaram tensões diplomáticas com a Europa, ao trazer à tona disputas estratégicas no Ártico, com potenciais implicações para a segurança regional e a coesão da Otan.
Brasil
O cenário brasileiro foi marcado por desdobramentos institucionais, inflação comportada e sinais de desaceleração da atividade. No campo político-regulatório, a indicação de Otto Eduardo Fonseca de Albuquerque Lobo para a presidência da CVM representou uma ruptura com a tradição técnica do órgão, ao consolidar uma escolha de forte articulação política. A decisão expôs tensões internas no governo e no Congresso, sendo interpretada como parte de negociações mais amplas envolvendo nomeações ao Supremo Tribunal Federal, o que gerou questionamentos sobre a autonomia institucional do regulador do mercado de capitais. Em paralelo, o presidente Lula vetou integralmente o PL da Dosimetria, que previa redução de penas relacionadas aos atos de 8 de Janeiro, reacendendo o embate entre Executivo e Legislativo em torno da agenda democrática e do sistema penal.
No campo macroeconômico, a inflação oficial encerrou 2025 em 4,26%, com alta de 0,33% em dezembro, permanecendo dentro do intervalo da meta e registrando o menor resultado anual desde 2018. Apesar do alívio inflacionário, o Índice de Difusão avançou para 60,5%, indicando maior disseminação de reajustes de preços. A atividade industrial mostrou perda de fôlego ao longo do ano, com produção estável em novembro frente a outubro e queda de 1,2% na comparação anual, acumulando crescimento modesto de 0,7% em 12 meses. O desempenho mais fraco no segundo semestre refletiu juros elevados e menor dinamismo dos principais segmentos industriais. No setor externo, a balança comercial registrou superávit de US$ 68,3 bilhões em 2025, o terceiro maior da série histórica, sustentado por exportações robustas e resultado de dezembro acima das expectativas, reforçando a contribuição do comércio exterior para o crescimento em um contexto doméstico de atividade moderada.
Europa
A agenda europeia foi dominada por avanços e resistências em torno do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, após mais de 25 anos de negociações. Embaixadores do bloco sinalizaram apoio suficiente para autorizar a assinatura do tratado, com ao menos 15 países representando 65% da população da UE, abrindo caminho para a formalização do acordo nas próximas semanas. A Comissão Europeia e países como Alemanha e Espanha defenderam o pacto como instrumento estratégico para ampliar acesso a mercados, compensar perdas decorrentes de tarifas dos Estados Unidos e reduzir a dependência da China, especialmente no acesso a insumos estratégicos. Em contrapartida, França, Polônia e Hungria mantiveram oposição, refletida em protestos de agricultores em diversos países, com destaque para bloqueios de estradas e manifestações em Paris, impulsionadas pelo temor de concorrência externa e impactos sobre o setor agrícola europeu.
No campo macroeconômico, os dados indicaram desaceleração inflacionária e crescimento moderado, sustentados sobretudo pelo setor de serviços. A inflação recuou mais do que o esperado nas principais economias da zona do euro, com destaque para a Alemanha, onde o índice caiu para 2,0%, enquanto França e Espanha também registraram leituras mais baixas. O PMI composto do bloco permaneceu acima de 50 pontos, sinalizando expansão ao longo de todo o ano de 2025, apesar da contração persistente da indústria. O mercado de trabalho alemão, contudo, mostrou deterioração gradual, com média de 2,95 milhões de desempregados em 2025 e taxa de desemprego de 6,3%, refletindo a estagnação econômica prolongada. No plano geopolítico, as declarações do governo dos Estados Unidos sobre a Groenlândia provocaram reação coordenada de países europeus e do Canadá, reforçando o compromisso da UE com a soberania territorial e adicionando ruído às relações transatlânticas em um contexto já marcado por tensões comerciais e estratégicas.
Ásia
O noticiário asiático foi marcado por eventos políticos relevantes na Coreia do Sul e por movimentos estruturais em política econômica e financeira na região. Em Seul, avançou o julgamento do ex-presidente Yoon Suk Yeol, acusado de insurreição após a tentativa fracassada de imposição da lei marcial em dezembro de 2024. O processo entrou na fase final da primeira instância, com possibilidade de condenação à prisão perpétua ou pena capital, ainda que exista moratória informal para execuções no país. O episódio encerra um período prolongado de instabilidade institucional, iniciado com o impeachment de Yoon e a eleição antecipada que levou Lee Jae Myung ao poder. No campo diplomático, o novo presidente sul-coreano sinalizou reaproximação com a China, classificando a cúpula bilateral com Xi Jinping como oportunidade para normalizar e aprofundar a parceria estratégica entre os dois países.
No plano macroeconômico e financeiro, destacaram-se iniciativas de liberalização e sinais mistos de atividade. A Coreia do Sul anunciou a abertura do mercado cambial para negociações 24 horas a partir de julho, como parte da estratégia para alcançar o status de mercado desenvolvido nos índices internacionais, ao mesmo tempo em que projeta crescimento de 2,0% em 2026 e inflação de 2,1%. No Sudeste Asiático, as Filipinas indicaram manutenção dos juros após inflação média de 1,7% em 2025 e desaceleração do crescimento para 4,6%, enquanto a Indonésia registrou superávit comercial de US$ 2,66 bilhões em novembro, abaixo do esperado, em meio à queda das exportações e aceleração inflacionária para 2,92% em dezembro. Já o Vietnã apresentou forte desempenho, com crescimento de 8,0% em 2025, exportações em alta de 17% e superávit recorde com os Estados Unidos. Na China, a inflação ao consumidor subiu para 0,8% em dezembro, a maior desde fevereiro de 2023, sinalizando recuperação gradual da demanda interna, enquanto as reservas internacionais avançaram para US$ 3,3579 trilhões no fim de 2025, reforçando a estabilidade externa do país.
Oriente Médio
O cenário do Oriente Médio combinou sinais de normalização financeira em Israel com forte deterioração geopolítica em outros polos da região. Israel voltou a acessar os mercados internacionais de capitais com uma emissão de US$ 6 bilhões em títulos soberanos, distribuídos em três tranches, atraindo demanda de US$ 36 bilhões e com spreads retornando a níveis próximos ao período pré-guerra. O movimento foi sustentado pela melhora do quadro fiscal após o cessar-fogo em Gaza, pela valorização do shekel ao maior nível em quatro anos e pela revisão da perspectiva de crédito para “estável”. Em paralelo, o Banco de Israel surpreendeu ao cortar a taxa básica em 25 pontos-base, para 4,00%, citando desaceleração inflacionária, normalização das restrições de oferta e fortalecimento cambial, além de projetar crescimento de 5,2% em 2026. O sistema financeiro também se beneficiou do maior apetite externo, com o banco Hapoalim captando US$ 2 bilhões em sua maior emissão internacional já realizada.
Em contraste, a região seguiu marcada por elevada instabilidade política e militar. No Irã, protestos antigovernamentais se espalharam pelas 31 províncias, impulsionados pela desvalorização do rial e por uma crise de legitimidade do regime, com ao menos 34 manifestantes mortos e mais de 2.200 presos, além de apagões de internet e crescente pressão internacional. No Levante, Israel intensificou ataques contra alvos do Hezbollah no Líbano, apesar do exército libanês declarar controle operacional no sul do país, evidenciando fragilidade do cessar-fogo mediado pelos EUA. Na Síria, confrontos entre forças governamentais e combatentes curdos em Aleppo deslocaram mais de 140 mil pessoas, levando à declaração de cessar-fogo pontual e ao envolvimento diplomático de potências regionais, incluindo Turquia e Estados Unidos. Já no Golfo e entorno, a Arábia Saudita anunciou a abertura total de seus mercados financeiros a investidores estrangeiros a partir de fevereiro, enquanto o Iraque decidiu nacionalizar temporariamente as operações do campo de West Qurna 2 para mitigar riscos associados a sanções internacionais, ilustrando como decisões econômicas seguem fortemente condicionadas ao ambiente geopolítico regional.