Agenda da semana deve ser decisiva para a Selic

Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[26/6/2023]

… Em meio aos novos receios de que o mundo poderá experimentar uma recessão, com os BCs assumindo políticas mais hawkish para combater a inflação persistente, o fórum de Sintra (Portugal) terá um dia especial na 4ªF, quando participarão o presidente do Fed, Jerome Powell, Christine Lagarde (BCE), Andrew Bailey (BoE) e Kazuo Ueda (BoJ). Entre os indicadores internacionais, atenção para os dados do PCE de maio nos EUA e para os índices PMI na China. Aqui, o que não faltam nesta semana são drivers com potencial para agitar as apostas de corte da Selic que o BC ainda não sinalizou. Amanhã (3ªF), saem a ata do Copom e o IPCA-15, que pode confirmar deflação no mês. Já na 5ªF, tem o RTI e o maior dos suspenses, a reunião do CMN, que deve decidir ajustes na meta de inflação.

… Apesar das indicações de Fernando Haddad de que o governo não defende o aumento da meta de 3%, mas apenas a dissociação do ano-calendário, adotando a meta contínua, o CMN é um “evento crítico”, segundo definiram economistas do Citi.

… Muita gente no mercado acredita que o Copom não abriu o jogo sobre um corte da taxa Selic em agosto, como o mercado esperava no comunicado, justamente porque teme ser traído pelas expectativas. Não quis se arriscar e “queimar a largada”.

… Acredita-se que, se tudo der certo no CMN, há uma boa chance de o BC anunciar o primeiro corte de 25pb no próximo Copom.

… Na 6ªF, uma notícia da Bloomberg já causou reviravolta no mercado do DI, após a informação de que integrantes do Copom teriam se movimentado para explicar ao Planalto e à Fazenda que o comunicado não descartou eventual queda do juro em agosto.

… Na reação imediata, a curva do DI devolveu prêmio, junto com o exterior, reforçando a chance de a ata vir mais dovish (abaixo).

… Mas, se o CMN é o xis da questão, é um pouco difícil que a ata venha muito diferente do comunicado conservador, embora Haddad tenha cobrado uma correção na linguagem, mais adequada à realidade dos fundamentos macroeconômicos.

… A pressão para a redução dos juros é disseminada em vários setores da sociedade e colocam o Banco Central praticamente isolado, considerando a queda da inflação e dos juros longos, a apreciação do câmbio, a melhora fiscal e a atividade mais fraca.

… Qualquer surpresa no CMN, no entanto, como um aumento da meta de inflação, pode dar um choque de pessimismo no mercado, deteriorando subitamente as expectativas inflacionárias e comprometendo o início do ciclo de queda da Selic.

O ALERTA DO BIS – Em relatório anual publicado neste domingo, o BIS, o BC dos BCs, alertou para o risco global de uma combinação simultânea de juros elevados e estresse financeiro, na conjuntura “crítica e perigosa” para os grandes BCs.

… O BIS espera que o mundo consiga evitar uma recessão, mas afirma que o consenso aponta para mais um ano de “desaceleração considerável”, com a economia global crescendo 2,6% em 2023 contra uma taxa de expansão de 3,4% em 2022.

… Mesmo destacando que a inflação começou a diminuir do nível mais alto em décadas, defende que o trabalho dos BCs está longe de terminar e que as taxas de juros precisam permanecer mais altas e por mais tempo do que os mercados estão precificando.

… “As tensões até agora refletem o risco dos juros, mas as perdas de crédito ainda estão por vir para testar a resiliência do sistema.”

… Citando o Brasil, o gerente-geral do BIS, Agustín Carstens, disse que o País deve liderar o movimento de desinflação ao redor no mundo, que o custo de vida tem apresentado uma queda “digna de nota”, mas que é “muito cedo” para cortar os juros.

… Na sua visão, os emergentes se prepararam antes para a volatilidade externa, fortalecendo sua política monetária. “Muitos foram ágeis para responder, aumentando suas taxas de forma preventiva. Certamente, o Brasil foi um dos países, assim como o México.”

OXFORD ECONOMICS – A consultoria britânica espera que os BCs da América Latina comecem a cortar juros no segundo semestre de 2023, dado o “processo desinflacionário em andamento e as expectativas de uma recessão moderada” na região.

… Para o Brasil, a projeção é de que o BC comece os cortes em novembro e deixe a taxa básica de juros “marinando” em 13% até o fim do ano. Mas não descarta um corte em setembro, se as expectativas de inflação continuarem surpreendendo para baixo.

… Para o México, a expectativa da Oxford é setembro. Para o Chile, a partir da próxima reunião, no fim de julho.

MAIS AGENDA – Amanhã (3ªF), o IPCA-15 deve adicionar mais um fator de pressão para o BC baixar o juro, em agosto ou setembro. A prévia da inflação deve desacelerar de 0,51% em maio para 0,03% em junho, segundo pesquisa do Broadcast.

… O intervalo das projeções vai de deflação de 0,11% a avanço de 0,11%. A estimativa dos analistas é de que os preços rodem nos níveis mais baixos em quase três anos, desde setembro de 2020.

… Ainda no campo da inflação, vêm aí as prévias de junho do IPC-Fipe (amanhã, 3ªF) e do IGP-M (5ªF). Nesta 2ªF, às 8h25, saem na pesquisa Focus as primeiras estimativas do mercado depois da divulgação do comunicado do Copom.

… Ainda amanhã, RCN e o diretor de Política Econômica do BC, Diogo Guillen, darão coletiva para falar do RTI, que sairá dois dias depois, na 5ªF. O diretor de Regulação, Otavio Ribeiro Damaso, participa hoje da live semanal do BC (14h).

… Dados fiscais e do emprego relativos ao mês de maio também estão previstos para esta semana, com as contas do Governo Central (5ªF), o resultado consolidado do setor público (6ªF), o Caged (5ªF) e a Pnad Contínua (6ªF).

… Já o câmbio poderá ser influenciado nos próximos dias pela disputa da ptax, que se decide na 6ªF. Hoje (8h30), o BC divulga o saldo da conta corrente (mediana de US$ 1,45 milhão) e o IDP de maio (previsão de US$ 7,0 bilhões).

CONGRESSO – A pauta do Legislativo é esvaziada nesta semana, com deputados e senadores em seus Estados para as festas juninas.

… Mas há mobilizações para os trabalhos serem retomados nas duas primeiras semanas de julho, quando o presidente da Câmara, Arthur Lira pretende votar o arcabouço fiscal modificado no Senado, o projeto do Carf e a reforma tributária.

… Neste sábado, ao encerrar visita a Paris, Lula disse que Haddad “está certo de que a gente vai aprovar a reforma tributária”, e que o ministro da Fazenda “tem sido um mestre na articulação política com o Congresso Nacional”.

MAIS LULA – Durante participação na cúpula do Novo Pacto Financeiro Global, em Paris, confirmou o impasse para fechar um acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, afirmando que as exigências ambientais feitas pelos europeus travam as conversas.

… O presidente apontou como principal entrave a Carta Adicional, na qual os europeus apresentaram condicionantes à assinatura, tornando obrigatórias as metas que o Brasil instituiu no Acordo de Paris, com punições em caso de descumprimento.

… “Não é possível a gente ter uma parceria estratégica e fazer uma carta fazendo ameaça”, discursou diante de Macron e Olaf Scholz.

… Em entrevista, Lula foi questionado sobre a crise na Rússia, que dominou o noticiário no fim de semana, mas não quis comentar a sublevação do grupo de mercenários Wagner, que atuava na guerra na Ucrânia a favor de Moscou, contra o governo de Putin.

LÁ FORA – As atenções dos mercados financeiros globais estarão voltadas nesta semana para o fórum anual do Banco Central Europeu (BCE), que acontecerá de hoje até 4ªF, para quando está previsto o painel com os representantes dos principais BCs.

… No dia seguinte, 5ªF, Powell volta a falar na conferência sobre estabilidade financeira promovida pelo BC espanhol.

… Na semana passada, Powell sinalizou “talvez mais dois aumentos” do juro americano nos depoimentos ao Congresso dos Estados Unidos, resgatando o fantasma da recessão, que coincide com a onda de apertos monetários nos BCs mundiais.

… Na 6ªF, esse sentimento despertou um risk-off em NY, com queda das bolsas e busca de proteção pelos Treasuries e dólar (abaixo).

… Na agenda dos EUA, dois indicadores importantes testarão nesta semana a chance de um pouso suave da economia nos próximos meses, que vem sendo colocado em xeque: a leitura final do PIB/1Tri, na 5ªF, e o PCE de maio, na 6ªF.

… No Reino Unido, em meio ao ciclo agressivo do BoE na política monetária, o PIB/1Tri também é destaque (6ªF).

… Hoje (14h30), Christine Lagarde e a primeira vice-diretora-gerente do FMI, Gita Gopinath, abrem o fórum de Sintra. Na Alemanha, será divulgado o índice Ifo de sentimento das empresas em junho (5h).

… Na China, o ritmo da atividade econômica será medido pelos dados de junho do PMI composto oficial, que será divulgado na 5ªF à noite, e pelo PMI industrial calculado pelo setor privado (S&P Global), no próximo domingo.

RÚSSIA – Apesar de poucas informações, líderes ocidentais e o presidente da Ucrânia, Vladimir Zelensky, consideraram que a crise na Rússia, no fim de semana, quando o grupo Wagner se insurgiu contra Moscou, foi uma demonstração de fragilidade de Putin.

… Segundo as agências internacionais, o avanço rápido das forças de Wagner expôs vulnerabilidades nas forças militares da Rússia. Os mercenários teriam derrubado helicópteros e um avião militar de comunicações e chegaram a 200km de Moscou.

… As tropas do governo russo se retiraram das ruas da capital e os mercenários rebeldes voltaram às suas bases, festejando o que seria uma vitória. Não está claro o acordo que cessou a ofensiva de Prigozhin, que se retirou para Bielorússia e não sofrerá punições.

… No final da noite deste domingo, o petróleo subia perto de 0,50% com as preocupações de que instabilidade política na Rússia possa afetar a oferta e o fornecimento da commodity por um dos maiores produtores mundiais.

GRÉCIA – O partido conservador Nova Democracia, do atual primeiro-ministro, Kyriakos Mitsotakis, obteve uma vitória esmagadora nas eleições parlamentares deste domingo sobre seu principal rival, o partido de esquerda Syriza, segundo projeções oficiais.

A ESPERANÇA NÃO MORREU – O bastidor da Bloomberg de que o BC procurou o governo para explicar que o corte da Selic em agosto ainda está no páreo provocou uma reprecificação das apostas na curva a termo para o Copom.

… Segundo o Broadcast, traders zeraram a chance de a Selic ficar estável na próxima reunião e, além de terem recuperado as chances de o juro cair 0,25 pp (80%), lançaram-se à aposta ousada de uma queda de 0,50 pp (20%).

… Na 6ªF, diante da retomada da expectativa da ata mais leve, os juros futuros curtos deixaram para trás a surpresa com o comunicado duro do Copom e recuaram. Jan/24 terminou na mínima do dia, a 13,005%, de 13,069% no ajuste.

… Jan/25 caiu a 11,010% (de 11,131% no pregão anterior); e jan/26, a 10,400% (10,514%). A ponta mais longa refletiu a queda dos juros dos Treasuries, diante da piora do ambiente externo, com uma recessão de novo à espreita.

… O contrato de DI jan/27 recuou a 10,395% (de 10,500%); jan/29, 10,670% (10,784%); e jan/31, 10,890% (10,964%).

… No câmbio, o dólar continuou apostando no fluxo estrangeiro e assim resistiu por mais um pregão abaixo dos R$ 4,80. A moeda americana subiu muito pouco (+0,12%), a R$ 4,7779, se comparada à pressão em escala global.

… Também no mercado futuro não houve maior estresse, com o dólar para julho em leve alta de 0,29%, a R$ 4,7945.

TÃO PERTO, TÃO LONGE – Dois fatores praticamente em sequência afastaram o Ibovespa na semana passada dos 120 mil pontos. Primeiro, foi a frustração com o comunicado do Copom. Logo em seguida, a pressão externa de recessão.

… A aposta de última hora na ata dovish, amanhã, ainda pode levantar o astral. Mas na 6ªF, o cenário externo mais desafiador começou a pesar e o índice à vista fechou estável (+0,04%, a 118.977,10 pontos), com giro de R$ 26,2 bilhões.

… Mesmo de lado, completou a 9ª semana seguida de alta (+0,18%), na sequência mais longa desde agosto de 2016.

… O surto defensivo que domina os mercados globais já foi reproduzido na 6ªF mais fortemente pelos papéis ligados às commodities, especialmente pela Petrobras, diante das dúvidas sobre a força da demanda global.

… Caíram forte as ações PN (-4,10%, a R$ 30,16) de Petrobras e ON (-3,39%, a R$ 33,90), limitando as tentativas de maior reação do Ibov. Lá fora, o petróleo operou nervoso em boa parte da sessão, mas fechou longe das mínimas.

… O barril, que já havia afundado perto de 4% um dia antes, chegou a cair mais 3% durante a sessão, com a ameaça de recessão no radar. Mas desacelerou o movimento vendedor: Brent para setembro recuou 0,46%, a US$ 74,01.

… Além dos riscos ao consumo materializados pelas políticas duras do BC, que podem custar uma recessão global, o mercado de petróleo vem sendo agitado por um potencial retorno do Irã, com relatos de negociações com os EUA.

… Vale perdeu 1,01%, a R$ 65,90, mesmo sem a referência do minério de ferro da China, que voltou hoje de feriado.

… Também os bancos refletiram a dose de cautela com os dados fracos de atividade global, a expectativa de mais aperto pelos BCs e o Copom que esconde o jogo. Bradesco PN, -1,25% (R$ 16,59); e Itaú, -0,31% (R$ 28,67).

… A maior alta do Ibovespa ficou com IRB, que disparou 7,29%, a R$ 42,66, com o mercado otimista, depois de a companhia reportar lucro líquido de R$ 6,1 milhões em abril, revertendo prejuízo do mesmo mês de 2022.

… Assaí também saltou (+7,04%), apoiada pela operação de block trade para saída do grupo francês Casino, que vendeu participação de 11,67%.

… A transação, que envolve 57.582.850 ações ordinárias, já havia sido anunciada na véspera, em Paris. A expectativa era de uma movimentação de mais de R$ 2 bilhões, mas o valor total não foi divulgado pela Sendas no comunicado ao mercado.

ACORDOU EM SUSTO – Fora do noticiário há um bom tempo, o medo de recessão voltou com força. Um dia depois da bateria de BCs globais subindo o juro, uma série de indicadores fracos nos EUA e na Europa antecipou o pior.

… O investidor voltou a precificar o perigo de um ambiente recessivo. Na economia americana, o PMI/S&P Global composto caiu de 54,3 em maio para 53 em junho, pior nível em três meses, colocando à prova um soft landing.

… Na zona do euro, o mesmo indicador não vinha tão fraco (50,3) há cinco meses, frustrando a previsão de 52,5.

… No Reino Unido, um depois de o BoE não ter economizado no pace de alta do juro (50 pb), o PMI composto desacelerou para 52,8 em junho, bem abaixo das estimativas dos analistas de mercado, que apontavam 53,7.

… Na defensiva, diante da combinação que sempre preocupa (apertos monetários + desaceleração econômica), os mercados em NY partiram em busca de proteção e os temores de recessão aprofundaram a inversão nos Treasuries.

… Apesar de ter caído, o juro da Note de 2 anos (4,745%) continuou bem acima do de 10 anos (3,742%).

… Houve fuga de proteção para o dólar e o índice DXY (+0,50%) quase rompeu os 130 pontos (102,903). O euro caiu 0,58%, para US$ 1,0891, a libra esterlina recuou 0,23%, para US$ 1,2713, e o iene enfraqueceu para 143,79/US$.

… O consenso no mercado é de que a pausa do Fed em junho foi apenas temporária. Mary Daly (São Francisco) afirmou que vê a projeção do gráfico de pontos, de mais duas altas de juros neste ano, como “muito razoável”.

… Assustadas pelo risco de recessão, as bolsas em NY fecharam no vermelho: o Dow Jones fechou em queda de 0,65%, a 33.727,43 pontos; o S&P 500 perdeu 0,77%, a 4.348,33 pontos; e o Nasdaq caiu 1,01%, a 13.492,52 pontos.

… Comentário de Yellen de que mais bancos provavelmente tentarão se fundir este ano, já que os juros altos e turbulência bancária estão tornando mais caro manter um bom número de depositantes, pesou para o setor.

… Goldman Sachs caiu 1,52%, Citigroup perdeu 1,31% e Wells Fargo registrou desvalorização de 1,10%.

EM TEMPO… STF já formou maioria favorável à PETROBRAS no julgamento de uma ação trabalhista com impacto de R$ 47 bilhões para a companhia, que foi retomado com o voto da ministra Rosa Weber, após pedido vista em fevereiro do ano passado…

… Weber votou a favor dos trabalhadores na 1ª Turma, mas os ministros Alexandre de Moraes (relator), Dias Toffoli e Cármen Lúcia votaram a favor da Petrobras. A sessão virtual vai até a próxima 6ªF, 30. Até lá, os votos ainda podem ser alterados…

… Em entrevista à Folha/sábado, o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, afirmou que o próximo desafio de sua gestão é aprovar nova política de dividendos, que deve transferir parte dos recursos hoje direcionados a acionistas para investimentos…

… Defendeu uma mudança “gradual” e “um ponto intermediário entre o que é exigido pela lei e o modelo atual”…

… No Twitter, Prates voltou a endossar o uso da tecnologia pela empresa para impedir a emissão de gás carbônico e como ferramenta para aumentar a produção de petróleo, em resposta às pressões do MME para a mudança da política de reinjeção de gás…

MARISA. Esclarece tratativas com o fundo de investimento imobiliário Brasil Varejo, administrado pela Rio Bravo, após fato relevante informar que não recebeu o pagamento de aluguel de 40 imóveis locados pela loja, com vencimento de fevereiro a junho…

… A Marisa “lamentou” que a gestora não tenha recebido a formalização do acordo para o pagamento dos aluguéis, informando que os imóveis são “predominantemente” pertencentes ao grupo de controle da companhia.

AMERICANAS. Os dois processos administrativos mais avançados da CVM contra a varejista dizem respeito ao ex-CEO Sérgio Rial e à atual CFO da companhia, Camille Faria. Os processos são classificados como “sancionadores” (com acusação formulada).

… No caso de Rial, a apuração envolve “irregularidades na divulgação de notícias, fatos relevantes e comunicados” na teleconferência de 12/1/23. No caso de Camille Faria, as apurações envolvem eventual falha de divulgação de informações relevantes.

IGUATEMI. BLACKROCK passou a deter 5,066% da participação acionária, totalizando 22.275.344 ações PN, 11.137.672 ações ON e 16.428 instrumentos financeiros derivativos referenciados em ações PN com liquidação financeira…

… O objetivo é estritamente de investimento, não objetivando alteração do controle acionário ou da estrutura administrativa.

HYPERA. Conselho de administração aprovou a distribuição de R$ 194,7 milhões em juros sobre capital próprio (JCP), ao valor líquido de R$ 0,30793/ação. Será levada em consideração a posição acionária de 3/7/23. Papeis passam a ser negociados “ex” em 47/23.

JSL. Fará a primeira emissão de notas comerciais escriturais, em regime de garantia firme de colocação, em série única, no valor de R$ 250 milhões. O encerramento da oferta está marcado para até 20 dezembro de 2023.

AEGEA. Aprovou emissão em debêntures somando mais de R$ 5,5 bilhões e de um financiamento de longo prazo para sua atuação na exploração de serviços de saneamento no estado do Rio de Janeiro.

MRV. Conselho de administração aprovou a realização da 24ª emissão de 100 mil debêntures simples, não conversíveis em ações, da espécie quirografária, em série única, perfazendo R$ 100 milhões; valor nominal unitário será de R$ 1.000,00…

… As debêntures serão objeto de distribuição pública, exclusivamente para investidores profissionais.

USIMINAS. Informou na 6ªF que o cronograma de execução do projeto de reforma do alto-forno 3 da Usina de Ipatinga (AF3) segue dentro das expectativas e que alterações para mais ou menos dias são “naturais” para um projeto desta magnitude.

… A previsão de conclusão do projeto permanece para o mês de agosto de 2023 e dentro do orçamento aprovado.

LIGHT. Nota técnica sobre a renovação das concessões de distribuição divulgada na noite de 5ªF, 22, pelo MME cita algumas diretrizes que podem atender aos interesses da concessionária fluminense, mas não detalha uma das principais questões da empresa…

… Para Joise Dutra (Centro de Regulação em Infraestrutura da FGV), a ausência do tratamento a ser dado para as perdas de energia, sobretudo para concessionárias em áreas de grande complexidade, sinaliza que o tema será tratado em outro fórum.

PLANO DE SAÚDE. Operadoras iniciaram um movimento para pressionar gigantes de tecnologia na tentativa de derrubar conteúdos publicados na internet ligados a fraudes com reembolsos médicos…

… Na semana passada, representantes da Abramge (Associação Brasileira dos Planos de Saúde) procuraram executivos do Google para apresentar a preocupação do setor com o avanço no volume de golpes contra operadoras, que chega à casa dos R$ 3,5 bilhões.

QUALICORP. Informou, no domingo à noite, a troca do atual CEO, Elton Carluci, por Maurício Lopes, que assumirá no dia 31 de julho. Lopes foi vice-presidente da Rede D’Or São Luiz nos últimos quatro anos.

STONE. Informou, 6ªF, que o vice-presidente de Finanças e diretor de Relações com Investidores, Rafael Martins, deixa a companhia a partir de 31 de julho deste ano. Ele será substituído na chefia do RI por Mateus Scherer, que já é o vice de Finanças.

… Além disso, a Stone anunciou que Roberta Noronha foi contratada como diretora de RI, cargo que exercerá a partir de hoje.

BTG. A Fitch revisou a perspectiva dos Ratings de Longo Prazo do Banco BTG Pactual de estável para positiva; agência ainda afirmou os IDRs (Issuer Default Ratings – Ratings de Inadimplência do Emissor) de Longo Prazo em Moedas Estrangeira e Local em ‘BB-‘.

VERDE. O fundo multimercado Verde AM X60, da Verde Asset Management, gestora de Luís Stuhlberger, vai reabrir para captação na XP Investimentos, com agendamentos a partir de hoje e encerramento previsto para 7 de julho.

PRIME TRUST. Investidores temem que a custodiante de empresas cripto, esteja à beira do colapso depois de ser repreendida por seu regulador estadual e abandonada por um potencial adquirente, e não honrar retiradas de clientes nesta semana.

AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

*com a colaboração da equipe do BDM Online

AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.

Copom não assusta o mercado


Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*

[23/6/2023]

… Índices de atividade na zona do euro, Alemanha, Reino Unido e nos EUA são destaques hoje na agenda internacional, quando vários BCs, incluindo o Fed, dão sinais de uma ação mais hawkish da política monetária – que resgata os riscos de recessão da economia global. Após Powell sinalizar “talvez mais dois aumentos” do juro americano, as falas de alguns dos mais influentes Fed boys, incluindo Bullard, Bostic (que já defendeu manutenção) e Loretta Mester, previstas para esta 6ªF, podem ajustar essas apostas. Aqui, não resta alternativa senão esperar pela ata do Copom na próxima semana para saber se o BC só fez um comunicado mal redigido, e ainda pode baixar a Selic em agosto, ou se transferiu o primeiro corte para setembro, como a maioria dos economistas acredita.

… Pesquisa Broadcast, realizada nesta 5ªF, mostrou que o mercado não se impressionou com o tom inesperadamente conservador do texto e continua convencido de que o cenário é bastante favorável para o Copom iniciar o ciclo de quedas do juro.

… O comunicado mudou a leve vantagem de agosto para setembro: de 36 casas consultadas, 19 (53%) preveem a redução da Selic em setembro, mas, nesse caso, muitos mudaram também a intensidade da primeira queda, de 25pb para 50pb.

… Uma grande parte, 16 casas (44%), mantém previsão de corte em agosto (25pb). Só uma (ASA Investments) acha que virá em 2024.

… A mediana segue indicando Selic de 12,25% no fim de 2023. Para o fim de 2024, a estimativa intermediária caiu de 9,75% para 9,5%.

… Moral da história: o esforço do BC para manter a fama de mau teve pouco efeito, ou o mercado não confirmaria as expectativas que tinha antes do Copom. Também na curva a termo do DI os ajustes foram modestos, assim como no câmbio.

… O Ibovespa só caiu mais, porque foi atingido também pela nova onda de aperto dos juros por vários BCs (leia abaixo).

… Muitos economistas apontaram a reunião do CMN, no próximo dia 29, como o motivo da cautela demonstrada pelo BC.

… Apesar das declarações do ministro Fernando Haddad em defesa da manutenção da meta de 3%, com ajuste apenas no sistema do ano-calendário, com a adoção da meta contínua, o Copom quer ver para crer.

… Já uma surpresa, com um aumento da meta, comprometeria o ciclo de quedas da Selic, sustentado pelo recuo da inflação (inclusive dos núcleos), das expectativas de longo prazo, câmbio apreciado e melhora da percepção fiscal (com o arcabouço).

… Na 3ªF, a ata do Copom deve detalhar as alterações no comunicado. Ninguém espera uma linguagem muito conclusiva, mas alguns sinais já ajudariam a entender as razões que levaram o BC a evitar a indicação de corte e se ele ainda é possível em agosto.

… Em Paris, onde acompanha Lula, Haddad também espera que a ata “corrija”. Considerou o comunicado “muito ruim”, acusando um “descompasso” entre o documento e o que está acontecendo com o dólar, a curva de juros e a atividade econômica.

… Já o presidente Lula disse que a decisão do BC de manter o juro em 13,75% é “irracional”.

… Em Brasília, presidido pelo advogado Marco Aurélio Carvalho, o Comitê Gestor do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o Conselhão, reúne-se hoje para organizar um movimento de empresários pela queda da taxa de juros.

GALÍPOLO – Em entrevista à BandNews, ontem à noite, o indicado à diretoria de Política Monetária, disse que a ata do Copom deve esclarecer o comunicado, que, para ele, “não abriu nem fechou a porta” para um corte da taxa Selic.

REFORMA TRIBUTÁRIA – Apresentado ontem à noite, o texto do relator, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), foi classificado por ele como “preliminar”, abrindo espaço para acomodar resistências que persistem e não foram equacionadas.

… No Estadão, a preservação dos incentivos fiscais foi o tema que marcou a reunião dos governadores com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e Ribeiro, nesta 5ªF.

… A portas fechadas, líderes regionais defenderam os incentivos que concederam por meio de descontos no ICMS para empresas, propondo que só comecem a ser reduzidos em 2029, quando o novo imposto começaria com uma alíquota de 1% até 2033.

… Ronaldo Caiado (GO) chegou a sugerir que o IBS (novo imposto que unificará ICMS e ISS, PIS, Cofins e IPI), com cobrança dual, iniciasse apenas no Sul e no Sudeste, deixando os Estados de regiões mais pobres fora da mudança.

… A reunião com governadores também não encerrou o impasse sobre o valor do aporte da União no Fundo de Desenvolvimento Regional (FDR), que será criado para compensar eventuais perdas com as mudanças tributárias.

… O governo ofereceu R$ 40 bilhões por ano, aportados de maneira gradual. Os Estados pedem R$ 75 bilhões.

… Outro pleito dos governadores é um “seguro-receita” para aceitar uma transição de 26 anos para que a tributação do novo IBS seja 100% cobrado no destino. Hoje, é cobrada na origem.

… Apesar das divergências, a reforma já tem data de votação no plenário da Câmara: até 7 de julho, segundo Arthur Lira.

AGENDA – A terceira prévia do IPC-S abre o dia (8h). O secretário do Tesouro, Rogério Ceron, concede entrevista à revista Exame. O presidente do BC, Campos Neto, viaja para a Basileia para reunião geral anual promovida pelo BIS.

LÁ FORA – Com pelo menos mais uma alta do juro contratada nos EUA e a recessão econômica de volta ao radar, o mercado ouve hoje os integrantes do Fed James Bullard (6h15), Raphael Bostic (9h) e Loretta Mester (14h40).

… NY já estava fechada ontem, quando Tom Barkin (Fed de Richmond) afirmou não estar convencido de que a inflação está em tendência firme de queda e se disse disposto a “fazer mais”, caso os preços se provem persistentes.

… Entre os indicadores, a leitura preliminar de junho do PMI/S&P Global composto será divulgada na Alemanha (4h30), zona do euro (5h), Reino Unido (5h30) e nos EUA (10h45), onde saem ainda os dados da Baker Hughes (14h).

… Lula, Macron, Lagarde e Yellen participam do evento Summit for a New Global Financial Pact, ao lado de outras autoridades globais (sem horário confirmado). Na China, os mercados continuaram fechados para feriado.

AFTER HOURS – 3M saltou 5%, após a notícia de que fechou acordo judicial para resolver processos pelo uso de produtos químicos causadores de câncer, que estariam se infiltrando no abastecimento de água nos EUA.

… A empresa pagará até US$ 10,3 bi nos próximos 13 anos para o tratamento de sistemas de fornecimento de água.

JAPÃO HOJE – O PMI industrial do Japão voltou a contrair na leitura preliminar de junho, de 50,6 em maio para 49,8, após ter registrado leve expansão no mês anterior. O setor de serviços desacelerou de 55,9 para 54,2 no período.

… Apesar de continuar acima da marca de 50, foi o menor crescimento dos últimos quatro meses. Ambas as leituras pesaram sobre o PMI composto, que caiu de 54,3 em maio a 52,3 em junho, conforme o levantamento preliminar.

NÃO LARGA O OSSO – Como se viu, apesar de o Copom ter calado sobre quando pretende derrubar a Selic, o mercado não se dá por vencido sobre o corte em breve, o que justifica a curva curta do DI ter subido pouco.

… O investidor parece disposto a comprar a briga para convencer o BC de que o balanço de risco não é o que o comunicado pintou e que RCN tem que abandonar a “teimosia” e se dobrar às evidências de melhora no ambiente.  

… Entre os grandes bancos, o BofA não desistiu da aposta de início da queda do juro em agosto e já com meio ponto logo de largada. A Selic terminaria o ano abaixo de 12%, em 11,75%. A taxa terminal do ciclo seria de 9,50%.

… Em relatório, o Rabobank estima como mais provável um alívio da taxa Selic só na reunião de política monetária de novembro. Mas não descarta setembro, se as expectativas de inflação recuarem mais rapidamente para 3,0%.

… Dispostos a testar a tolerância do BC às pressões, os juros futuros mais curtos subiram pouco no day after do comunicado do Copom. Já os longos devolveram as altas ensaiadas mais cedo com o viés conservador dos BCs lá fora.

… No fechamento, o DI jan/24 subiu a 13,085% (de 13,000%); jan/25, a 11,160% (de 11,137%); jan/26 foi a 10,525% (de 10,590%); jan/27, 10,515% (de 10,497%); jan/29 caiu a 10,810% (de 10,720%); e jan/31, a 11,000% (de 11,010%).

… O secretário do Tesouro, Rogério Ceron, reafirmou os planos de emitir títulos públicos soberanos sustentáveis (bonds verdes) a partir de setembro. A data certa, disse, dependerá da janela adequada de mercado financeiro.

… No câmbio, o dólar resistiu estável (+0,09%), a R$ 4,7723, ao impacto negativo na bolsa da decepção com o Copom e à pressão externa com Powell. Profissionais de mercado estão confiantes que a festa do real ainda não acabou.

… Segundo analistas ouvidos pelo Broadcast, a moeda brasileira continua garantida pela Selic atraente de 14%, apesar da expectativa no ciclo de corte no 2º semestre, e pelo fluxo comercial da supersafra agrícola deste ano.

… “Acho que esse movimento do real pode se estender um pouco mais e talvez nós vejamos o câmbio em R$ 4,70, R$ 4,65 até a reunião [do Copom] de agosto”, afirmou o economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa.

… No mercado futuro, o contrato do dólar para julho registrou valorização de 0,24%, cotado a R$ 4,7805.

TRAÍDO – Sem pressa para baixar a Selic, o Copom provocou uma pausa na lua de mel dos investidores com o Ibovespa, que na 4ªF, horas antes do comunicado do BC, havia reconquistado a marca dos 120 mil pontos.

… Devolvendo parte das “altas de estimação” que têm sido a marca registrada da bolsa em junho, com ganhos acumulados de quase 10%, o índice à vista engatou queda de 1,23% e voltou à faixa dos 118 mil pontos (118.934,20).

… O volume financeiro somou R$ 21,5 bilhões e ficou abaixo das médias recentes, de R$ 27 bilhões.

… Em realização de lucro generalizada, dos 86 papéis que compõem o Ibovespa, só dez fecharam em alta.

… Sensíveis ao cenário de juro, sem horizonte claro para o início dos cortes, o setor de construção civil e varejo respondeu pelas quatro piores quedas do dia: Eztec (-6,64%), Alpargatas (-5,95%), Magalu (-5,05%) e MRV (-5,04%).

… Os bancos, que andavam animados pela perspectiva de que a queda contratada na Selic recuperasse o consumo, também operaram a decepção e a surpresa com a atitude do BC de bater de frente com as expectativas do mercado.

… Caíram em bloco os papéis do setor financeiro no pregão desta 5ªF: Bradesco PN, -2,61% (R$ 16,80); Santander unit, -1,98%, (R$ 30,68); BB ON, -1,90% (R$ 51,00); Bradesco ON, -1,80% (R$ 14,70); e Itaú, -0,96% (R$ 28,76).

… Outra queda forte ficou com Marfrig (ON, -4,65%), que além de ter refletido o mau humor geral do mercado, respondeu à multa de R$ 1,4 milhão por maus tratos em transporte de gado no Porto de Santos, em 2017.

… Sem ter muito para onde correr ontem, o Ibovespa também sentiu a queda das ações das blue chips das commodities. Petrobras (PN, -1,26%, a R$ 31,46; e ON, -1,65%, a R$ 35,09) não foi poupada pelo tombo do petróleo.

… O barril caiu cerca de 4%, com investidores preocupados com a nova onda de aperto monetário global, que ameaça provocar uma recessão nas principais economias mundiais e derrubar a demanda pelas commodities.

… Além disso, o presidente do Fed, Jerome Powell, e a diretora Michelle Bowman sinalizaram que o BC americano terá que subir mais os juros neste ano, apesar da pausa realizada neste mês. Ainda o dólar forte derrubou o petróleo.

… O Brent/agosto caiu 3,61%, a US$ 74,35, e o WTI do mesmo prazo (-4,16%) fechou abaixo de US$ 70, a US$ 69,51.

… Sem a referência da cotação do minério de ferro na China, que fechou para feriado, Vale caiu 0,54%, a R$ 66,57.

FALCÕES À SOLTA – Além de Powell ter repetido que a “grande maioria” do Fomc espera mais uma alta do juro ou “talvez duas”, a 5ªF foi marcada por uma nova rodada de aperto monetário (Reino Unido, Turquia, Noruega e Suíça).

… Todos estes BCs sinalizam com os apertos monetários que a batalha contra a inflação está longe de terminar e o maior temor é de que o efeito colateral desse processo seja uma recessão global. O fantasma volta a pairar.

… As bolsas em NY conseguiram driblar ontem a preocupação. Só não se sabe por quanto tempo vão resistir. A sorte é que os investidores andam tão deslumbrados com as novidades da inteligência artificial, que descontam os riscos.

… Mas o recado é claro: o Fed, o BCE e o BoE inglês estão hawkish. Powell não descartou a chance de “pouso suave” na economia americana, mas o mercado sabe que tudo vai depender do grau de agressividade do BC dos EUA.

… Diretora do Fed, Michelle Bowman disse que continua vendo níveis “inaceitavelmente altos” de inflação e que apertos adicionais do juro serão necessários. Com mais trabalho à frente, o dólar e os juros dos Treasuries subiram.

… A taxa de Note de 2 anos avançou a 4,786%, de 4,713% no pregão anterior, e a de 10 anos, a 3,796%, de 3,716%.

… No câmbio, o índice DXY, que serve de termômetro do dólar contra outras seis moedas fortes, registrou alta de 0,31%, a 102,386 pontos. A libra esterlina (-0,17%, a US$ 1,2749) sofreu pressão apenas pontual com o BoE.

… Prevaleceu a percepção de que, com a dose de alta de 50 pb no juro ontem (o dobro do esperado por parte do mercado), o BC inglês possa colocar a economia do Reino Unido sob risco de entrar em uma recessão mais severa.

… O consenso no mercado é que o juro do BoE ainda não atingiu o seu pico. O Wells Fargo e Goldman Sachs projetam mais duas altas: 50 pb em agosto + 25 pb em setembro. A Capital Economics espera mais uma alta.

… O euro caiu 0,24%, a US$ 1,0960, e o iene (-0,88%, a 143,22/US$) operou enfraquecido por comentário de integrante do BoJ. Asahi Noguchi defendeu que a política monetária siga relaxada para garantir a alta dos salários.

… Na Turquia, a estreia da nova presidente do BC, Hafize Gaye Erkan, foi marcada pela primeira alta do juro em dois anos, em 650 pb, a 15%. Mas analistas esperavam mais, que a taxa chegasse a 20%. A lira turca caiu a 24,8719/US$.

… Deixando de lado à tarde o impacto hawkish dos BCs, as bolsas em NY se recuperaram com as gigantes de tecnologia. A Amazon (+4,26%) anunciou investimento de US$ 100 mi para construir novo centro de inovação de IA.

… A Alphabet, do Google, subiu 2,16%, enquanto a Apple avançou 1,65% e a Meta registrou valorização de 1,15%.

… O Nasdaq (+0,95%, a 13.630,61 pontos) e o S&P 500 (+0,37%, a 4.381,89 pontos) interromperam três pregões em queda. O índice Dow Jones zerou as perdas observadas mais cedo e fechou estável (-0,01%, a 33.946,71 pontos).

EM TEMPO… B3 vai distribuir R$ 306,6 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,0523 por ação, com pagamento em 7/7; ex em 28/6.

VALE e Vale Overseas informaram a precificação a ser paga no âmbito das ofertas de aquisição previamente anunciadas dos bonds Waterfall com vencimentos em 2039 e 2036…

… Para 2039, o valor principal é de US$ 1.247.178.000 e para 2036, de US$ 1.458.748.000; as ofertas Waterfall terminam dia 7/7.

LOJAS RENNER aprovou distribuição de R$ 172,2 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,18 por ação, com pagamento até a data da AGO de 2024; ex em 28/6.

LOJAS MARISA aprovou programa de recompra de até 295.790 ações ON emitidas pela companhia, o que corresponde a até 0,19% do total de papéis.

MINERVA comunicou a assinatura de um acordo de parceria com a National Agriculture Development Company (Nadec), empresa agrícola de processamento de alimentos do Oriente Médio e Norte da África.

SLC AGRÍCOLA informou que as terras de sua propriedade foram avaliadas em R$ 10,928 bilhões pela consultoria independente Deloitte, ante R$ 9,352 bilhões…

… De acordo com a companhia, em 2023, foram adquiridos 12.473,88 hectares de terras agriculturáveis, mais Reserva Legal, localizadas no município de São Desidério (BA).

COPEL. Fitch estimou montante mínimo necessário de R$ 1,6 bi no aumento de capital para que perfil de crédito não seja pressionado pelo pagamento da outorga para renovação de importantes concessões da Copel GeT…

… Agência de classificação tem rating nacional de longo prazo AA(bra) para a empresa, com perspectiva estável.

COSAN confirmou a captação de Bonds de 7 anos no valor de US$ 550 milhões.

TOTVS recebeu autorização do BC para o controle societário da Supplier.

BRASKEM. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que o banco, como credor, e a Petrobras, como acionista, estão juntos aguardando uma decisão sobre o destino da petroquímica pelo presidente Lula…

… A Novonor já recebeu duas ofertas pela fatia de 50,1% na Braskem, que detém 2/3 do mercado petroquímico. A Petrobras é co-controladora (47%) e o BNDES poderia virar sócio em uma possível conversão de dívida em ações.

PETROBRAS. O presidente da companhia, Jean Paul Prates, rebateu críticas que vem recebendo do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em relação à oferta de gás natural no País…

… Prates disse que “não adianta só berrar pelo jornal, nem achar que um está rindo demais e outro está fazendo careta. Não adianta nem careta nem sorriso, adianta trabalhar junto e convergir”…

… Leonardo Moraes, presidente interino do fundo de pensão dos funcionários da estatal (Petros), renunciou ao cargo. Executivo acumulava a função com a diretoria de riscos, finanças e tecnologia e ficará até 16 de julho.

AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!

*com a colaboração da equipe do BDM Online

AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.

Juros futuros curtos testam leve alta no day after do Copom

Cumprindo o script esperado para o dia, a ponta mais curta da curva do DI se ajustou em alta ao comunicado do Copom, que não deu nenhuma pista sobre o timing do início do ciclo de corte da Selic. O mercado ficou surpreso com a “teimosia” do BC em não reconhecer os sinais de alívio na inflação e a melhor percepção fiscal.

O governo vê o conservadorismo do Copom como provocação. Para Lula, a taxa de juro onde está (13,75%) é “irracional”. Haddad adverte que o BC está “contratando problema futuro”.

Apesar de continuar operando no escuro sobre quando a Selic vai começar a cair, o mercado mantém a esperança e concentra as apostas de corte em setembro, o que explicou a alta moderada dos DIs curtos. No curtíssimo prazo, fica a expectativa para a ata (3ªF), além do RTI e da decisão do CMN, ambos na 5ªF.

Os contratos mais longos dos juros futuros fecharam perto da estabilidade, depois de terem ensaiado altas mais cedo com a pressão externa. Powell reforçou a chance de alta do juro. Além disso, os BCs do Reino Unido, Noruega, Suécia e Turquia promoveram apertos hoje.

No fechamento, o DI jan/24 subiu a 13,085% (de 13,000%); jan/25 pagou 11,160% (de 11,137%); jan/26 foi a 10,525% (de 10,590%); jan/27, a 10,515% (de 10,497%); jan/29, a 10,810% (de 10,720%); e jan/31, a 11,000% (de 11,010%). (Mariana Ciscato)