Arcabouço, China e Jackson Hole movem a semana
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[21/8/2023]
… Em mais uma medida para combater a fragilidade da recuperação econômica, a China voltou a reduzir hoje a taxa de referência (LPR) de um ano, de 3,55% para 3,45%, na mesma magnitude de junho. O juro de cinco anos foi mantido em 4,2%. No início da madrugada, o petróleo subia, mas persiste o desafio de convencer os mercados de que as iniciativas serão suficientes. Nos EUA, investidores entram em contagem regressiva para o simpósio de Jackson Hole, quando Powell (6ªF) poderá dar sinais mais assertivos sobre a política do Fed. Já aqui, com os ativos contaminados pelo exterior mais adverso, causa preocupação o atraso na agenda econômica no Congresso. A indefinição da reforma ministerial pode ameaçar a votação do arcabouço fiscal.
… A votação na Câmara estava prevista para amanhã (3ªF), mas Lula viajou para a cúpula dos BRICS na África do Sul, neste final de semana, sem definir os cargos para os parlamentares do Centrão. Hoje à noite, Lira reúne líderes para discutir a pauta.
… Haddad acompanha Lula a Johanesburgo e sua ausência, no quadro de tensão com o Legislativo, preocupa a equipe econômica, que teme pela possibilidade de a área política continuar “esticando a corda”, como apurou Célia Froufe (AE).
… Uma fonte da Fazenda comentou à jornalista que a viagem de Haddad surpreendeu. “O ideal seria que ele estivesse por aqui, para dar o arremate pelo menos à questão do arcabouço”. A expectativa era que o ministro só viajasse para o G-20.
… De acordo com relatos obtidos pelo Broadcast, Lula ainda não decidiu o novo desenho da Esplanada, ou seja, não sabe onde vai colocar André Fufuca (PP-MA) e Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), já confirmados como ministros.
… Um dos principais entraves é o Desenvolvimento Social de Wellington Dias (PT), que tem o Bolsa Família e é cobiçado pelo PP.
… Se o presidente adiar o anúncio da reforma ministerial para a volta da viagem, dia 28, o prazo ficará apertado para o planejamento do Orçamento de 2024, que deve ser enviado ao Congresso Nacional até o fim do mês.
… Relator do arcabouço fiscal, o deputado Cláudio Cajado sinalizou que a votação do arcabouço pode ser adiada. Segundo ele, sem acordo na reunião desta noite, a votação do arcabouço ficará para depois do dia 31 de agosto.
… Outro risco para o governo é a intenção de Lira de votar esta semana o projeto de desoneração da folha, já aprovado pelo Senado. Ele articula um pedido de urgência que levaria a matéria diretamente para o plenário da Câmara.
… A chance de tributação de aplicações e negócios em offshores desejada pela equipe econômica também fica mais longe. O tema já não havia sido bem recebido por parlamentares e a coisa só piorou após a desavença entre Lira e Haddad.
… No Senado, Pacheco pretende votar esta semana a MP do salário mínimo e a correção da tabela do IR. Na CAE, está marcada para amanhã (3ªF) a leitura do relatório do projeto do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).
VIROU A MARÉ – No Estadão (domingo), depois de surfar numa onda positiva para a agenda econômica, Haddad corre o risco de ver a maré virar com as dificuldades para aprovar as medidas tributárias necessárias ao aumento da arrecadação.
… O cenário complicou com a demora da reforma ministerial do governo Lula e o estopim da crise aberta na relação do presidente da Câmara, Arthur Lira, com Haddad, que criticou publicamente as lideranças da Casa.
… A base frágil do governo Lula não ganhou corpo nem mesmo com o recorde de emendas liberadas em julho, que somaram nada menos do que R$ 11,8 bilhões para Estados e municípios por indicação de deputados e senadores.
… A jornalista Adriana Fernandes lembra que RCN passou os últimos dias alertando para o problema que chama de “desancoragem gêmea”, tanto da política monetária quanto da fiscal. Repetiu a leitura em eventos, até no Congresso.
… De um lado, o mercado mantém uma projeção de IPCA de 3,5% em 2025 e 2026, enquanto a meta é de 3%. De outro, a projeção para o resultado das contas públicas é de déficit de 0,8% do PIB, contra a meta de zerar o rombo no ano que vem.
… “Se o mercado acreditasse que o que será feito de fiscal é exatamente o que o governo promete, teríamos uma curva de juros lá na frente mais baixa, propiciando uma queda maior e mais duradoura de juros”, disse o presidente do BC.
IPCA-15 – Parte do reajuste pesado promovido pela Petrobras nos combustíveis semana passada já deve aparecer na prévia do IPCA-15 de agosto (6ªF), principal indicador da semana. RCN disse que o aumento terá impacto de 0,4 pp até setembro.
… O mercado esvazia a esperança de um corte mais agressivo da Selic (0,75 pp) e consolida apostas de mais uma dose de meio ponto em setembro, após Campos Neto ter dito que a “luta contra a inflação não está ganha”.
… Também na semana passada, a diretora do BC Fernanda Guardado disse que o Brasil tem grau de desancoragem “desconfortável” da inflação e que a autoridade monetária “não antevê condições para novo pace” [0,75 pp].
… Ainda do lado da inflação, saem as prévias do IPC-S (4ªF) e do IPC-Fipe (6ªF). O câmbio, com o dólar flertando neste momento com a marca dos R$ 5, terá para conferir os dados de julho das transações correntes e IDP (6ªF).
… Campos Neto tem agenda na capital paulista hoje, quando faz visita institucional ao jornal Valor, às 13h, e participa de reunião, por videoconferência, com dirigentes de instituições financeiras, das 16h30 às 18h30.
JACKSON HOLE – A participação de Jerome Powell no importante simpósio do Fed, na 6ªF, ganha importância e atenção redobrada, diante da escalada recente dos rendimentos dos Treasuries às máximas em mais de uma década.
… O discurso do presidente do Fed vem também depois do tom mais hawkish sinalizado pela ata do Fomc, na semana passada.
… O evento de Jackson Hole, que reúne banqueiros centrais, economistas e formuladores de política de todo o mundo, começará na 5ªF e vai até o sábado. A presidente do BCE, Christine Lagarde, discursa na 6ªF, como Powell.
… Não se espera que a fala do presidente do Fed seja decisiva para a reunião de setembro, porque falta praticamente um mês até o encontro e, neste meio tempo, ainda sairão dados do mercado de trabalho e inflação.
… Powell, no entanto, deve desestimular as apostas de que os cortes nos juros estão chegando.
… Segundo a consultoria Oxford Economics, o mercado ainda espera a manutenção da política monetária nas próximas decisões, mas já questiona se o Fed será capaz de promover um rápido ciclo de cortes mais à frente.
MAIS AGENDA – Na semana mais esvaziada de indicadores, o destaque vai para a leitura preliminar de agosto do PMI composto nos EUA, na zona do euro, Reino Unido e Alemanha, todos na 4ªF. O BC da Turquia decide juro na 5ªF.
CHINA HOJE – Decisão do PBoC de reduzir a taxa de referência (LPR) de 1 ano, no segundo corte em dois meses, deve ter impacto tímido nas expectativas, diante das dúvidas sobre a capacidade de Pequim reanimar a economia.
… Na semana passada, após nova rodada de indicadores fracos, a China já havia cortado a taxa de empréstimos de um ano em 15pbs, para 2,5% (segunda redução em três meses), e anunciado apoio ao setor imobiliário local.
… O governo de Pequim também adotou novas regras para impulsionar o mercado de capitais, incluindo cortes em taxas de negociação para investidores. Também pretende estimular recompras de ações para estabilizar os preços.
… O regulador do mercado chinês decidiu ainda pela extensão dos horários de negociação para ações e títulos.
… Em meio à rápida deterioração das condições econômicas da China, o mercado observa os desdobramentos da crise do setor imobiliário chinês, após a incorporadora Evergrande entrar com pedido de falência nos EUA.
… A gestora Zhongrong International Trust, conhecida por financiar projetos de construção de incorporadoras chinesas e com quase US$ 110 bilhões em ativos sob sua gestão, tornou-se a última preocupação do mercado.
… O WSJ comparou a situação da gestora de fortunas à do Lehmann Brothers, que quebrou na crise do subprime, resgatando os fantasmas. Outras empresas do setor, como a Country Garden, também têm quadro delicado.
DEMORÔ – O Ibovespa, que já não sabia mais o que era subir, quebrou 13 quedas sucessivas na última 6ªF, que marcaram a pior sequência desde 1968, e exibiu alta pela primeira vez desde que agosto começou.
… Do mesmo modo que vinha caindo um pouco a cada dia, o índice foi também econômico na volta. Subiu apenas 0,37%, abaixo dos 116 mil pontos (115.408,52 pontos), ainda com perdas acumuladas no mês de 5,36%. O giro à vista ficou em R$ 21,8 bilhões.
… Após o fechamento, a B3 informou que o exercício de opções sobre ações movimentou R$ 17,331 bilhões.
… Em dia de game, a bolsa doméstica acabou favorecida pela trégua externa no rali dos juros dos Treasuries. As ações de varejo subiram em bloco, ajudadas pelo alívio nos DIs. Bancos e Petrobras também fecharam no azul.
… Já os esforços da China para estimular a economia deram impulso ao petróleo e minério de ferro (+2,94%), mas falharam em conter o estresse com a crise no setor imobiliário, roubando fôlego da Vale (-1,11%, a R$ 61,22).
… Já Petrobras PN fechou em leve alta de 0,25%, a R$ 31,52, e ON subiu 0,58%, para R$ 34,49, acompanhando o petróleo, que se valeu do dólar mais fraco. O Brent para outubro registrou valorização de 0,80%, para US$ 84,80.
… No setor financeiro, Itaú, +0,79% (R$ 26,96); Bradesco PN, +0,66% (R$ 15,19); Santander, +0,49%; e BB, +0,4%.
… De olho na queda dos juros futuros, a lista de maiores altas foi liderada pelos papéis da Magazine Luiza (ON, +6,38%, a R$ 3,00), seguidos por Carrefour (ON, +5,24%, a R$ 11,85) e Petz (ON, +3,91%, a R$ 5,31).
BATEU, MAS VOLTOU – O dólar à vista chegou a testar o patamar dos R$ 5 no pior momento do pregão (R$ 5,0020), mas teve tempo de desarmar a pressão, com desmonte de posições defensivas, diante do ambiente externo melhor.
… O real se valeu da alta das commodities e da pausa na arrancada dos rendimentos dos Treasuries. No fechamento dos negócios, o dólar caía 0,27%, a R$ 4,9680. No câmbio futuro, a moeda para setembro recuava 0,1%, a R$ 4,9850.
… O risco de uma desvalorização cambial influenciada pela redução do diferencial de juros entre EUA e o Brasil preocupa os economistas que participaram da reunião trimestral com diretores do BC na última 6ªF.
… Também o cenário fiscal dominou o encontro, diante do risco de que uma possível piora nas contas públicas limite o espaço de corte da Selic. “A maioria falou da dificuldade do governo em gerar receitas”, disse fonte ao Broadcast.
… Cada vez mais, o mercado consolida a aposta de que o juro cairá 0,50 pp em setembro, diante das sinalizações do Banco Central de que a barra é alta para mudar o ritmo do aperto monetário para cima (0,75 pp).
… De carona no câmbio e na acomodação dos yields dos Treasuries, os juros futuros ensaiaram algum alívio, mas o movimento foi pouco convincente, diante da crise na China e do risco de atraso na votação do regime fiscal.
… No fechamento, o DI jan/24 ficou praticamente, a 12,435% (de 12,438% na 5ªF); jan/25 caiu a 10,535% (10,537%); jan/26, 10,125% (10,135%); jan/27, 10,340% (10,347%); jan/29, 10,850% (10,881%); e jan/31, a 11,160% (11,200%).
ACOMODA NO HIGH – Depois da investida para as marcas mais altas desde a crise financeira de 2008 (subprime), os rendimentos dos Treasuries fizeram uma parada na 6ªF, mas continuam em níveis historicamente altos.
… As taxas devem seguir como elemento de pressão, às vésperas dos comentários de Powell em Jackson Hole.
… Perto de 5%, o juro da Note de 2 anos atraiu vendas e caiu para 4,923%, contra 4,931% no pregão da véspera. O do papel de 10 anos recuou para 4,247%, de 4,291% um dia antes. Como se vê, devolveram pouco da pressão.
… A escalada dos yields dos títulos públicos dos EUA na semana passada responde à combinação de indicadores econômicos fortes com maior emissão de bônus por parte do Tesouro norte-americano.
… Pesquisa mensal feita pela Bloomberg mostra que os economistas projetam PIB forte nos EUA este ano, descartam uma contração no 4Tri, sem chance de recessão, e esperam agora juros altos por mais tempo pelo Fed.
… Embora não projetem novo aperto monetário, os profissionais preveem que a taxa básica ficará onde está até o 2Tri de 2024. Anteriormente, na pesquisa de julho, a expectativa era de que os cortes começassem ainda no 1Tri.
… O PIB deve avançar ao ritmo anualizado de 1,8% no 3Tri (margem), quase quatro vezes mais que o crescimento de 0,5% projetado em julho. No 4Tri, deve haver expansão de 0,4%, contra expectativa de contração de 0,4% antes.
… Apesar de os juros dos Treasuries terem ensaiado uma acomodação, as bolsas em Wall Street se defenderam perto da estabilidade, com a crise na China contribuindo para manter o mercado financeiro na defensiva.
… O Dow Jones fechou em +0,08% (34.501,88 pontos); S&P 500, -0,01% (4.370,04); e Nasdaq, -0,20% (13.290,78).
… No câmbio, as oscilações foram modestas, mas chamou atenção a alta semanal de 0,52% do DXY semana passada, com a força atribuída ao hedge com a China e à aposta de que o juro vai demorar para cair nos EUA.
… Na 6ªF, porém, o DXY caiu 0,19%, a 103,375 pontos. O euro (+0,04%, a US$ 1,0879) e a libra esterlina (-0,05%, a US$ 1,2740) fecharam praticamente estáveis e o iene (145,36/US$) terminou o pregão em alta contra o dólar.
EM TEMPO… AMERICANAS e bancos credores devem tentar fechar acordo só em outubro, informou o colunista Lauro Jardim, neste domingo. As instituições financeiras se queixam do balanço de 2022, que não foi publicado.
… A varejista informou que, em duas semanas, apresentará uma nova proposta e, em seguida, o resultado do ano passado.
… Amanhã (3ªF), o ex-presidente Sergio Rial, que permaneceu no cargo apenas nove dias, e a ex-superintendente de controladoria da empresa Flavia Carneiro serão ouvidos em audiência pública na CPI da Americanas.
… De acordo com O Globo, Carneiro teve homologada delação premiada no MPF do Rio de Janeiro.
CEF. Caixa Econômica Federal fechou na 6ªF um acordo com Itaipu Binacional para atuar no financiamento a projetos socioambientais em cidades que fazem parte da bacia incremental da usina. O valor envolvido é de R$ 1 bilhão…
… Os municípios terão até o dia 30 de setembro para cadastrar as propostas e o resultado da seleção deve ser divulgado no final de outubro. A formalização dos instrumentos de repasse com a Caixa deve acontecer até 31 de dezembro deste ano.
ALACERO. Consumo de laminados na América Latina foi de 29,605 milhões de toneladas no acumulado de janeiro a maio deste ano, o que representa um volume 1,1% maior ante o mesmo período de 2022, segundo a Associação Latino-americana do Aço…
… A entidade diz que demanda por aço permanecerá baixa e prevê redução de estoques e produção por parte das siderúrgicas locais.
… O alto volume de importações continua sendo uma preocupação do setor na América Latina, que permanece verificando grande participação de aço produzido na China entrando na região.
… Em maio, as importações de laminados totalizaram 2,355 milhões/t, alta de 12% ante maio/22 e +5,2% ante abril.
TENDA. Proposta de emitir ações e tomar um novo financiamento busca diminuir o endividamento, cortar gastos com juros e dar um fôlego extra à construtora para acelerar os lançamentos do MCMV, informou a Coluna do Broadcast…
… Direcional, Cury e Plano & Plano vão na mesma direção; já a MRV se capitalizou, mas manteve sua meta de lançamentos…
… A Tenda avalia fazer oferta subsequente de ações (follow on) de até R$ 250 milhões, cuja confirmação ainda depende de aprovação societária e avaliação das condições de mercado. Além disso, será emitida uma debênture de até R$ 300 milhões.
AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!
*com a colaboração da equipe do BDM Online
AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.
A escalada dos yields americanos
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[18/8/2023]
… Vendas no varejo no Reino Unido e CPI na zona do euro são os únicos indicadores na agenda dos mercados internacionais. Apesar da agenda esvaziada, no exterior e aqui, o clima é pesado, com a crescente pressão dos Treasuries assustando os investidores. O yield de 10 anos, que é referência global, atingiu o nível da crise do subprime em 2007 (4,326%). Esse impacto não seria apenas resultado da percepção de que os juros nos EUA poderão subir mais ou ficarem elevados por mais tempo para conter a força da economia e os riscos de inflação. Mas porque o governo, com o déficit muito alto, está sendo obrigado a emitir dívida, enquanto o Federal Reserve não tem encontrado demanda suficiente para reverter o excesso de títulos que acumulou no balanço.
… Em painel do BTG Pactual, ontem, André Esteves comentou que “estamos vivendo momento curioso e incomum”, que as taxas futuras deveriam estar caindo. “O juro americano é a base do custo financeiro global e, se começa a ir mal, vai afetar aqui”.
… Ele afirmou que a alta do dólar de R$ 4,70 para perto R$ 5 é “puramente um reflexo desse movimento importante das taxas de juros nos EUA”, que “nada do que aconteceu no Brasil, de incerteza política, fez efeito no dólar”.
… “Quando os EUA decidiram usar o dólar como arma geopolítica, congelando as reservas da Rússia, os grandes compradores de Treasuries, se retraíram. Só o estoque da China, que chegou a US$ 2 trilhões de títulos, caiu para US$ 600 bilhões.”
… Junto com a desaceleração na China, as novas incertezas nos Estados Unidos impuseram ao Ibovespa o recorde histórico de 13 quedas sucessivas, enquanto a curva dos juros ganhou inclinação e o dólar ameaça romper os R$ 5 (leia abaixo).
… Nesse contexto adverso, as preocupações fiscais ressurgem, ainda que em horizonte mais largo.
… No primeiro dia de reuniões com diretores do BC, nesta 5ªF, economistas do Rio trataram das dificuldades de arrecadação à luz do cenário externo mais desafiador, expondo sua preocupação com as chances de o governo cumprir as metas do arcabouço.
… Um participante disse ao jornalista Francisco de Assis (Broadcast) que um juro mais elevado (ou por mais tempo) nos EUA vai pressionar os juros longos e o câmbio no Brasil. “E câmbio, como se costuma dizer no mercado, é inflação na veia”.
… A desaceleração da economia chinesa é outro ponto de atenção, à medida que esfria as exportações de commodities e reduz o ingresso de dólares, gerando desvalorização cambial e inflação. “É um cenário que está mais negativo”, disse a fonte.
… Em Brasília, a Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado Federal alertou para uma “piora acentuada” no resultado primário da União a partir de maio, fruto da desaceleração do crescimento das receitas ante o aumento do ritmo das despesas.
… O cenário apertado já em 2023 lança dúvidas sobre o arcabouço. Ao preservar as despesas, o cumprimento das metas depende da elevação das receitas, sem o que a credibilidade fiscal ficará em risco, avalia Relatório do IFI divulgado nesta 5ªF.
… Projeções para a trajetória das contas públicas dos economistas Alexandre Andrade e Vilma Pinto apontam um déficit primário de R$ 67 bilhões para o governo central (inclui Tesouro Nacional, Banco Central e INSS) nos sete primeiros meses deste ano.
… Para a IFI, essa evolução ocorre em ritmo superior à dos anos anteriores, quando o teto de gastos controlou as despesas, com o aumento nas despesas obrigatórias decorrente dos reajustes ao salário-mínimo e vencimentos do funcionalismo.
… “Se não houver uma recuperação das receitas primárias, a perspectiva é de que a trajetória do resultado primário do governo piore ao longo do segundo semestre, o que comprometeria a meta de fechar este ano com rombo de até 1% do PIB.
… Pressionado pela necessidade de elevar a receita em R$ 130 bilhões, Fernando Haddad disse aliviado que “está tudo resolvido” entre Lula e Lira, referindo-se a um acordo sobre a minirreforma ministerial, que colocou o Centrão em pé de guerra.
… Lira também deu sinais de distensão, afirmando que “não houve estremecimento e não haverá nenhum tipo de rusga”.
… A agenda do presidente Lula prevê para hoje reunião com o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, em mais uma etapa para concluir a reforma ministerial. O encontro acontece às 9h no Palácio do Planalto.
ARCABOUÇO – A votação para validar ou não as modificações feitas pelo Senado deverá ocorrer na Câmara na próxima 3ªF (22), como já antecipou Arthur Lira, que convocou reunião de líderes um dia antes, na 2ªF, para formar um consenso.
… Para o relator na Câmara, deputado Cláudio Cajado (PP-BA), o texto aprovado pelo Senado não é “tecnicamente sustentável”. Ele defendeu manter seu relatório, mas disse que, “se os líderes quiserem mudar, não vou criar cavalo de batalha”.
… A expectativa maior, no entanto, fica transferida para os outros projetos com os quais a equipe econômica conta para elevar a arrecadação e fechar as contas em 2024, entre as quais a taxação dos fundos offshore, que não tem o apoio do Congresso.
… Também será um sinal importante de que o clima voltou às boas entre Haddad e Lira se o presidente da Câmara abandonar os planos de votar na semana que vem o projeto que prorroga a desoneração da folha para 17 setores até 2027.
FERVENDO – O hacker de Araraquara Walter Delgatti dominava o noticiário político do dia com seu depoimento na CPI do 8/1, ampliando as suspeitas de ação golpista de Bolsonaro, mas a maior bomba veio à noite, na capa da revista Veja.
… O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, confessará à Justiça que vendeu nos Estados Unidos joias recebidas pelo ex-presidente, transferiu o dinheiro para o Brasil e entregou os valores em espécie para ele.
… A informação foi também confirmada pela GloboNews com o advogado criminalista Cezar Bitencourt.
… Quase simultaneamente, o ministro Alexandre de Moraes (STF) acolheu pedido da Polícia Federal e autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do ex-presidente Jair Bolsonaro e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
CONSIGNADO – Segundo a Febraban, o novo teto dos juros do crédito consignado a aposentados e pensionistas do INSS, de 1,91% (contra 1,97% antes), fica abaixo dos custos que parte dos bancos tem para oferecer a linha.
… Em nota, a entidade disse que o teto “pode comprometer a estrutura de custos desse canal de financiamento” e criticou o governo, que não teria conversado previamente com os bancos sobre a medida.
… O Santander informou ao Broadcast que segue operando o consignado após a decisão do governo de reduzir o teto de juros da modalidade. O Bradesco disse que vai obedecer às instruções normativas após a redução.
… Em março, o Conselho de Previdência Social (CNPS) alterou o teto do consignado de 2,14% para 1,70%, mas voltou atrás e elevou a taxa para 1,97%, após os bancos terem interrompido a oferta do consignado do INSS.
MAIS AGENDA – O presidente do BC, Roberto Campos Neto, profere palestra hoje no Fórum Brasileiro de Inteligência Artificial, em São Paulo. O evento, promovido pela Fundação Milton Campos, ocorre entre 9h30 e 12h e é aberto à imprensa.
… Já os diretores do Banco Central Fernanda Guardado (Assuntos Internacionais), Diogo Guillen (Política Econômica), Gabriel Galípolo (Política Monetária) e Ailton Aquino (Fiscalização) participam de reuniões com economistas de São Paulo.
… Às 11h, Lula participa da cerimônia de posse do novo presidente do IBGE, Márcio Pochmann, na sede do Planejamento.
LÁ FORA – O CPI da zona do euro sai às 6h e as vendas no varejo do Reino Unido em julho, às 3h, em meio às apostas de que BoE levará o juro a 6%. Nos EUA, saem os dados de petróleo da Baker Hughes (14h).
EVERGRANDE – A empresa, que já foi a segunda maior incorporadora da China, protocolou pedido de proteção contra falência nos EUA. A empresa acumulou diversos empréstimos e deixou de pagá-los em 2021.
… A turbulência gerou uma enorme crise imobiliária na China, que continua sentindo seus efeitos (abaixo).
NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DESTE PAÍS – Devagar e sempre, o Ibov continua caindo, sem conseguir quebrar a sequência agora de 13 quedas, a pior da série histórica iniciada em 1968, segundo dados do Broadcast.
… Na manhã desta 5ªF, o índice à vista dava sinais de reação, surfando na onda das commodities com a promessa de estímulos pela China. Mas o estresse global com a pressão dos juros dos Treasuries virou o humor.
… A bolsa doméstica vem queimando quase mil pontos por dia e ontem entregou os 115 mil, para fechar em baixa de 0,53%, aos 114.982,30 pontos. O giro foi de R$ 27,2 bi e hoje deve ser fortalecido pelo giro das opções.
… Mais do que o ritmo de queda da bolsa, que tem se mantido relativamente moderado, o que assusta é a força da fuga dos investidores estrangeiros da B3. O último informe, do pregão de 3ªF, apontou retirada de R$ 1,112 bilhão.
… Neste mês de cão para a bolsa brasileira, a saída acumulada de capital externo está em praticamente R$ 8,5 bi. Forte parceira comercial do Brasil, a China tem sido apontada como maior vilã do fluxo, espantando os gringos.
… Como disse ontem Campos Neto, “quando a China espirra, os emergentes pegam um resfriado”.
… Segundo o presidente do BC, “temos visto desaceleração da China acima do esperado, números de deflação completamente inesperados e empresas grandes da parte imobiliária entrarem em situação falimentar”.
… A consultoria Capital Economics destaca que a economia chinesa corre o risco de passar por uma “década perdida”, indicando a necessidade de mais estímulos para evitar um crescimento nulo nos próximos trimestres.
… Reportagem da Bloomberg indica que a crise imobiliária na China pode ser pior do que os dados oficiais mostram, em parte por causa de uma metodologia antiga, que provavelmente está subestimando a profundidade da situação.
… O BC chinês prometeu ontem maior apoio à atividade. A atenção se volta para a decisão das principais taxas de juros no país, domingo à noite. A Bloomberg diz que o PBoC estuda cortar o compulsório em moeda estrangeira.
… Na euforia inicial desta 5ªF ao compromisso de Pequim em voltar a lançar estímulos, Vale disparou quase 3%, de carona no minério de ferro (+4,34%), mas reduziu o gás para 1,41% no fechamento, cotada a R$ 61,91 (ON).
… Também a Petrobras perdeu força. Virou para queda na reta final: ON, -0,75% (R$ 34,29) e PN, -0,32% (R$ 31,44), mesmo com o petróleo subindo. O barril apostou nos estímulos na China e interrompeu três quedas seguidas.
… O Brent para outubro avançou 0,80%, a US$ 84,12, e o WTI/setembro fechou em alta de 1,27%, a US$ 80,39.
… O setor financeiro refletiu a cautela em NY com o rali das taxas dos Treasuries: Bradesco ON, -1,85% (R$ 13,27); Itaú, -1,18% (R$ 26,75); Bradesco PN, -1,05% (R$ 15,09); e Santander, -1,09% (R$ 26,31). A exceção foi BB (+0,93%).
SEGUIU À RISCA – O impulso dos juros dos Treasuries foi replicado por aqui pela curva do DI, enquanto o dólar conseguiu resistir à pressão, sem testar os R$ 5. No noticiário interno, RCN contratou corte de meio ponto da Selic.
… O presidente do BC afirmou que reduções de 0,50 pp pelo Copom daqui em diante para a taxa básica de juro são adequadas e que “a barra é alta” para um ritmo diferente desse, para cima (0,75 pp) ou para baixo (0,25 pp).
… Essa semana, a surpresa com o reajuste acima do esperado nos preços dos combustíveis pela Petrobras esvaziou as especulações de um desaperto monetário mais agressivo em setembro, diante do impacto inflacionário.
… A gasolina e o diesel mais caros levaram o Banco Inter a revisar ontem em alta a expectativa para o IPCA deste ano, de 4,6% para 5,0%. Já para 2024, a estimativa da instituição financeira para a inflação se manteve em 3,9%.
… Os juros futuros mais longos foram os que mais sentiram a pressão dos rendimentos dos Treasuries ontem.
… O jan/27 subiu a 10,315% (de 10,230% na 4ªF); jan/29, 10,840% (de 10,763%); e jan/31, 11,160% (de 11,093%). Jan/26 foi a 10,130% (de 10,044%) e jan/25, 10,550% (de 10,507%). Já o jan/24 ficou estável: 12,440% (de 12,444%).
… O dólar ignorou a volatilidade nas bolsas e na curva do DI e fechou perto da estabilidade pelo segundo dia seguido, apoiado na recuperação dos preços das commodities lá fora e na melhora do ambiente político por aqui.
… Apesar de, à tarde, a moeda americana ter se afastado das mínimas (R$ 4,9598), refletindo a busca por proteção nos demais mercados, ainda não foi desta vez que bateu R$ 5. Fechou em leve baixa de 0,10%, a R$ 4,9814.
… A sinalização de apoio da China ao setor imobiliário deu suporte aos preços das commodities nesta 5ªF, colaborando para a valorização das moedas de países produtores e afastando o dólar da máxima de R$ 4,9959.
… Mas o câmbio continua flertando com a zona de perigo e, qualquer passo em falso, pode romper o teto informal.
FEITO FOGUETINHO – Juro nos EUA mais alto por mais tempo parece ser a melhor explicação para o rápido salto recente nos rendimentos dos Treasuries, que renovam as máximas em mais de uma década na ponta mais longa.
… Como se viu, também a perspectiva de volume maior de emissão de dívida americana nos próximos meses justifica a escalada e ainda a saída de investidores japoneses dos Treasuries aparece como razão adicional do rali.
… O investidor monitora os riscos de a inflação dos EUA exigir mais do Fed. A julgar pelo CME, não existe reprecificação da trajetória do juro em setembro (pausa), mas a percepção é de que um corte vai demorar.
… O discurso de Powell no simpósio de Jackson Hole, na semana que vem, pode sinalizar se o Fed ainda pensa em retomar o ciclo de aperto monetário este ano ou se pretende manter o juro onde está por tempo mais prolongado.
… Nesta 5ªF, a taxa da Note-10 anos superou os 4,30% na máxima do dia, atingindo o pico em quase 16 anos, desde a bolha das hipotecas. No fechamento dos negócios, marcava 4,291%, contra 4,266% no pregão da véspera.
… O yield do T-Bond de 30 anos atingiu 5% nas máximas do dia, no maior nível desde 2011, e fechou a 4,396%, de 4,366%. A arrancada se estendeu ao Gilt de 10 anos do Tesouro britânico, que foi à máxima de 15 anos, em 4,6%.
… O mercado especula sobre as chances de o BC inglês (BoE) levar os juros básicos à marca recorde de 6%, após dados indicarem resiliência de salários e inflação no Reino Unido. Hoje, tem que conferir as vendas no varejo.
… A aposta hawkish tem dado fôlego à libra esterlina nos últimos pregões. A moeda ampliou ontem a alta em 0,13%, para US$ 1,2745. O iene também subiu, a 145,74/US$ (+0,32%). Já o euro caiu de leve, para US$ 1,0872 (-0,11%).
… O dirigente do BCE Martins Kazaks disse que a probabilidade de alta adicional no juro da zona do euro é pequena.
… As bolsas em NY viraram e intensificaram as perdas, diante da pressão dos juros dos Treasuries. O Dow Jones caiu 0,84%, a 34.473,90 pontos; o S&P 500 recuou 0,78%, a 4.370,13 pontos; e o Nasdaq, -1,17%, aos 13.316,93 pontos.
EM TEMPO… Petrobras voltou a negar que haja qualquer decisão tomada sobre a venda de sua participação na BRASKEM…
… Posicionamento da estatal ocorreu em resposta a questionamento da CVM sobre notícias de que Jean Paul Prates teria reiterado, em reunião com analistas no último dia 10, que “não há planos de estatizar a Braskem”…
… Companhia afirmou que Prates não participou desta reunião e quem estava reunido com analistas era o seu diretor financeiro e de RI (Sergio Caetano Leite), cujo nome não foi mencionado no comunicado.
ELETROBRAS informou que Carla Dodsworth Albano assumirá a diretoria de RI a partir de 2ªF.
SANTANDER obteve liminar no STF para suspender uma cobrança bilionária de PIS/Cofins.
COSAN. S&P revisou perspectiva do rating BB- da companhia de estável para positiva.
AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!
*com a colaboração da equipe do BDM Online
AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.
Lula desata reforma ministerial
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[17/8/2023]
… Dados do auxílio-desemprego nos EUA e o balanço do Walmart, antes da abertura, são os únicos destaques no exterior, com os investidores em NY absorvendo indicadores fortes da atividade e a mensagem hawkish da ata do Fed, que citou os riscos de alta para a inflação e resgatou as chances de um aumento adicional do juro este ano. O efeito foi expressivo nos Treasuries e manteve o contágio dos mercados domésticos, com o Ibovespa marcando mais uma queda, a 12ª consecutiva, o que não ocorria desde 1970. Na agenda de hoje, tem IGP-10 de agosto (8h), reunião de diretores do BC com economistas do Rio, uma entrevista de RCN ao Poder360 (12h) e a repercussão do encontro de Lula e Lira, ontem à noite, para fechar a reforma ministerial.
… O presidente Lula foi até a residência oficial do presidente da Câmara para resolver uma situação que se arrasta, com a demora na escolha das pastas para o Centrão, e já ameaça o apoio desses aliados em votações importantes da pauta econômica.
… O recente conflito entre Lira e Haddad faz parte desse jogo e foi a oportunidade de ouro para aumentar as pressões.
… Embora Lira tenha marcado a votação do arcabouço fiscal para a próxima 3ªF, 22, deu sinais claros de que poderia frustrar os esforços do ministro da Fazenda para arrecadar os recursos que precisa para fechar as contas em 2024.
… Dois projetos importantes nesse sentido estão sob risco: a resistência à taxação dos fundos offshores e a urgência para votar a desoneração da folha de pagamentos para 17 setores, que Haddad tenta driblar desde a aprovação no Senado.
… Se a prorrogação do benefício para a folha (até 2027) for aprovada antes do envio do projeto do Orçamento/24 ao Congresso, no dia 31, o governo terá de incluir nas contas um custo estimado em R$ 20 bilhões, segundo Adriana Fernandes (Estadão).
… Somente a redução da contribuição previdenciária de municípios com até 142,6 mil habitantes (de 20% para 8%) teria impacto de R$ 9 bilhões, que pode chegar a R$ 11 bilhões pelos cálculos da CNM, a Confederação Nacional dos Municípios.
… As investidas de Lira contra a agenda de Haddad incluem, ainda, a intenção de retirar como “jabuti” a taxação de investimentos feitos por fundos fora do País da MP que corrige o salário mínimo e atualiza a tabela do IRPF.
… Segundo cálculos preliminares do Ministério da Fazenda, a medida provisória editada em maio passado para taxar os fundos offshore tem potencial para arrecadar R$ 3,59 bilhões, no próximo ano, e R$ 6,75 bilhões, em 2025.
… O fato é que Haddad está correndo atrás de R$ 130 bilhões para elevar a arrecadação e respeitar as regras do arcabouço fiscal e o pior dos mundos seria enfrentar esse desafio sem o apoio do presidente da Câmara.
… Agora é saber se as propostas que Lula levou a Lira foram ou não bem-sucedidas. Assessores políticos de Lula defendem que o anúncio do novo desenho da Esplanada aconteça antes da viagem do presidente à África do Sul (Brics), no domingo.
… No Congresso, comenta-se que Lula precisa definir as pastas que serão entregues aos deputados André Fufuca (PP-MA) e Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), já anunciados pelo Planalto como ministros, mas ainda sem cargos.
… Uma das opções relatadas à reportagem do Broadcast Político é que a atual ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, seja substituída no cargo por Márcio França, o que abriria a pasta de Portos e Aeroportos para o Centrão.
… Outra possibilidade seria Fufuca assumir o Desenvolvimento Social no lugar de Wellington Dias (PT), mas sem o Bolsa Família. A agenda do presidente Lula prevê um encontro hoje com Dias, às 10h30.
… O Centrão quer ainda o comando da Caixa para a ex-deputada Margarete Coelho (PP) e disputa a Funasa com o PSD, além de pedir pressa na liberação das emendas parlamentares. Ou seja, a chegou a fatura, a lua de mel acabou.
CAMPOS NETO – Em evento da Abrasel, destacou a importância de medidas adicionais para aumentar a arrecadação entre 2024 e 2026, citando a diferença entre as previsões do mercado para o resultado primário do setor público e as metas do governo.
… Presidente do Banco Central estimou que, para entregar a meta fiscal no ano que vem, o governo precisa elevar a receita em 1,4% do PIB, admitindo que “há um pouco de ceticismo em relação a essa capacidade”.
HOJE – Antes da entrevista ao Poder360 (12h), com transmissão ao vivo pelo canal no Youtube, RCN participa de reunião com Itaú BBA (10h) e à tarde (15h) com representantes da Ativa Investimentos, para apresentação de seu cenário macroeconômico.
… Já as reuniões trimestrais dos diretores do BC com economistas do mercado no Rio de Janeiro (das 9h30 às 11h e das 11h30 às 13h) terão a participação de Fernanda Guardado, Diogo Guillen e Otavio Damaso.
MAIS AGENDA – Saem a prévia do IPC-Fipe (5h) e o IGP-10 (8h), que deve recuar 0,28% em agosto (Broadcast).
NOS EUA – O auxílio-desemprego (9h30) tem previsão de queda de 6 mil pedidos, para 242 mil.
A MALDIÇÃO DA BOLSA – Registros históricos indicam que a sequência atual de 12 quedas do Ibovespa só se equipara a um período negativo observado 53 anos atrás. A baixa tem sido a conta-gotas, mas pinga todo dia.
… No jejum de alta do mês, em que o índice à vista não subiu em um único pregão, a perda acumulada é de 5,34% em agosto. Serve de alerta o fato de a bolsa ter furado ontem a faixa perigosa dos 116 mil pontos.
… Segundo o Broadcast, a perda do suporte gráfico pode abrir um canal de vendas até os 110,5 mil pontos.
… No fechamento, o Ibovespa registrava queda de 0,50%, aos 115.591,52 pontos. O giro extraordinário de R$ 48,8 bilhões foi inflado pelo vencimento de opções sobre o índice. Amanhã, tem game de opções sobre ações.
… A bolsa tem sido ainda “amaldiçoada” pela fuga dos estrangeiros, que já tiraram mais de R$ 7 bilhões da B3 em agosto, mês que caminha para ser o pior do ano, já superando de longe maio (saídas de R$ 4,28 bilhões).
… Especialistas comentam que o Ibov é “filial da China” e replica o medo de a economia asiática não deslanchar.
… Além disso, em segundo plano, a chance de os EUA subirem o juro ou demorarem para cortá-lo influencia a força do fluxo global e, em certa medida, prejudica o Brasil, que acaba de entrar no ciclo de queda do Copom.
… Reportagem da Bloomberg aponta que agosto promete ficar marcado como o mês de maior queda para o mercado de ações dos emergentes desde 2015 e maior depreciação das moedas destes países desde 2019.
… O revés econômico na China e a inesperada turbulência política na Argentina elevam o grau de nervosismo.
… A decepção com o ritmo da retomada chinesa segue cobrando seu preço das commodities metálicas no Ibov: Vale (-0,39%; R$ 61,05); CSN Mineração (-0,74%); CSN (-0,49%); Usiminas (-0,44%), Gerdau Metalúrgica (-0,25%).
… Nem mesmo o rali das ações da Petrobras ontem foi capaz de quebrar a obsessão baixista da bolsa doméstica. Pegou bem a declaração de Prates de que “faremos quantos reajustes [dos combustíveis] forem necessários”.
… As ações da estatal também tiveram a recomendação elevada pelo Bradesco BBI, de neutra para outperform (equivalente a compra). O papel ON fechou em +2,95% (R$ 34,55) e PN, em +2,20%, negociado a R$ 31,54.
… Petrobras esnobou o petróleo, que emplacou a terceira queda seguida, com o Brent para outubro (-1,69%), a US$ 83,45, e o WTI para setembro abaixo dos US$ 80, cotado a US$ 79,38 por barril no fechamento, com recuo de 1,99%.
… A commodity já vinha em baixa antes da ata do Fed e piorou depois do documento, que sinalizou para alta da inflação e não descartou mais aperto nos juros, valorizando o dólar e, por consequência, pesando para o petróleo.
… Além de Petrobras, também Sabesp se destacou em alta. Disparou 5,53% com a notícia, confirmada após o fechamento, de que a prefeitura de SP assinou adesão à Unidade Regional de Saneamento Básico (Uraes).
… A medida simboliza o apoio da capital paulista à privatização da companhia e reduz o chamado “risco-Boulos” no mercado, já que dá maior segurança jurídica para evitar o rompimento de contratos futuros pelo município.
… O pré-candidato à prefeitura de SP afirmou recentemente que encabeçará mobilização contra a privatização.
… Entre os principais bancos, apenas BB ON, com +0,86%, a R$ 47,16, ficou no azul. Bradesco ON registrou -1,46% (R$ 13,52); Santander unit, -1,08% (R$ 26,60); Bradesco PN, -0,52% (R$ 15,25); e Itaú, -0,07% (R$ 27,07).
… Eletrobras (PNB, -4,43%; e ON, -3,56%) continuou repercutindo a mudança inesperada de comando e o apagão.
DOIS PRA LÁ, DOIS PRA CÁ – O dólar operou em dois tempos nesta 4ªF, tendo a ata do Fed como gatilho de virada.
… A moeda começou o dia realizando os lucros dos últimos três pregões e voltou até a faixa dos R$ 4,95 na mínima do dia. Mas depois da ata bateu na trave dos R$ 5, mantendo-se na zona de perigo, a R$ 4,9924 na máxima intraday.
… Até o fechamento, porém, ainda deu tempo de se acomodar na estabilidade (-0,01%), a R$ 4,9864. O câmbio anda no fio da navalha e qualquer dose maior de pressão pode levar o dólar a cruzar a marca psicológica dos R$ 5,00.
… A boa notícia do dia foi o fluxo cambial medido pelo BC na semana passada, positivo em US$ 4,149 bilhões, resultado de entradas de US$ 3,061 bilhões pela conta financeira e ingresso de US$ 1,088 bilhão pela via comercial.
… O apetite no câmbio não bate com a sangria estrangeira na B3. Uma possível explicação seria entrada de k gringo para ofertas de ações (Copel) ou mesmo renda fixa, que não entram na conta da bolsa, segundo Alexandre Cabral.
… Seguindo à risca as oscilações do dólar, o DI operou aliviado pela manhã com a perspectiva de votação do arcabouço fiscal semana que vem, mas zerou a queda à tarde com a ata do Fed acelerando os juros dos Treasuries.
… O DI jan/24 fechou em 12,445%, perto do ajuste de 12,454%; jan/25 subiu a 10,530% (de 10,495%); jan/26, 10,055% (de 10,021%); jan/27, 10,230% (de 10,211%); jan/29, 10,750% (de 10,746%); e jan/31, 11,070% (11,067%).
… Em palestra, RCN disse que a luta contra a inflação não está ganha. Combinados ao reajuste dos combustíveis pela Petrobras, que surpreendeu pelo tamanho, os discursos do BC inibem as apostas de corte de 0,75 pp da Selic.
GALOPE – Nada muda no CME as apostas de que o Fed não vai mais subir o juro. Mas, no day trade, a história é outra e os ativos em NY vão se ajustando aos fatores hawkish, como a ata, com escalada dos yields dos Treasuries.
… A mensagem da ata do Fed, que não descartou mais aperto monetário, embora tenha advertido sobre o risco de apertar demais, levou a Note-2 anos para mais perto de 5%. No fechamento: 4,969%, contra 4,948% na véspera.
… O rendimento do título do Tesouro dos EUA de 10 anos cravou o pico do ano (4,276%) logo após a divulgação da ata do Fed e fechou a 4,266%, de 4,216% no pregão anterior. Dados econômicos também ajudaram a botar pressão.
… O avanço da produção industrial (+1,0%) veio muito acima das expectativas (0,3%) e o dado de construções de moradias iniciadas saltou 3,9%, quase dez vezes o 0,4% esperado pelos analistas do mercado financeiro.
… De duas, uma: ou virá alta extra do juro ou a pausa do Fed pode durar bem mais tempo do que se imagina.
… No CME, o tom da ata não abalou seriamente a convicção de juro estável em setembro (86,5%, de 90% antes do documento do Fed) e nem a aposta majoritária (58,4%, contra 57,6%) de que o juro não subirá mais este ano.
… De qualquer maneira, o fato de a ata ter deixado a porta aberta para um aperto valorizou o dólar. O índice DXY subiu 0,21%, a 103,431 pontos, diante da fraqueza do euro (-0,22%, a US$ 1,0876) e do iene (-0,49%, a 146,38/US$).
… Já a libra esterlina se garantiu em alta de 0,23%, a US$ 1,2720, depois de a alta de 6,8% da inflação ao consumidor (CPI) em julho no Reino Unido, bem acima da meta de 2%, ampliar a chance de o BoE subir o juro em setembro.
… O recado da ata de que o ciclo de alta do Fed pode não ter acabado ainda roubou fôlego das bolsas em NY: Dow Jones, -0,52% (34.765,74 pontos); S&P 500, -0,76%, aos 4.404,33 pontos; e Nasdaq, -1,15%, aos 13.474,63 pontos.
EM TEMPO… ELETROBRAS confirmou que identificou desligamento da linha Quixadá II/Fortaleza II na 3ªF (15)…
… Segundo a empresa, o desligamento ocorreu por atuação indevida do sistema de proteção, milissegundos antes da ocorrência no SIN (apagão); manutenção dessa linha está em conformidade com normas técnicas…
… O desligamento dessa linha, disse a empresa, não seria suficiente para abrangência da ocorrência e a Eletrobras informa que colabora para identificar causas do apagão. O MME alega que foi essa linha que causou o apagão.
PETROBRAS informou que está sendo encaminhada para apreciação do Conselho de Administração da empresa a criação de uma área para dar “maior visibilidade e foco à sustentabilidade ambiental na companhia”.
CAIXA ECONÔMICA FEDERAL teve lucro líquido recorrente de R$ 2,6 bi no 2TRI23, alta de 40,9% s/ 2TRI22; margem financeira somou R$ 14,9 bi, alta de 16,7%…
… Carteira de crédito atingiu R$ 1,062 tri no 2TRI23, aumento de 14,4% s/ 2TRI22; carteira de habitação subiu 15%, para R$ 682,8 bi.
STONE teve lucro líquido ajustado de R$ 322 milhões no 2TRI23, alta de 477% ante 2TRI22; Ebitda ajustado foi de R$ 1,499 bilhão, alta de 46% no período; receita líquida somou R$ 3 bilhões, alta de 28% sobre o 2TRI22.
NUBANK informou que seu CEO, David Vélez, vendeu ontem 25 milhões de ações classe A por US$ 191 milhões; montante corresponde a 0,5% do valor de mercado e 3% da fatia de Vélez no banco.
CCR. Concessionária das Rodovias Integradas do Sul fará 1ª emissão de debêntures, no valor de R$ 900 milhões.
RAIA DROGASIL anunciou 8ª emissão de debêntures, no valor de R$ 700 milhões.
PETZ. Wasatch Advisors reduziu participação na companhia de 5,5% para 4,62%, passando a deter 21,3 milhões de ações ON.
AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!
*com a colaboração da equipe do BDM Online
AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.