Payroll nos EUA e PIB no Brasil fecham a semana
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[1/9/2023]
… Mais um importante indicador para ajustar as expectativas ao Fed será divulgado hoje nos EUA, o payroll de agosto (9h30), que pode confirmar as expectativas de manutenção do juro em setembro, se não surpreender com números ainda mais fortes do mercado de trabalho. NY terá, ainda, dois índices de atividade, na sequência dos PMIs no Reino Unido, Alemanha e zona do euro. De madrugada, o dado da China subiu para 51,0 (de 49,2 em julho). Aqui, o PIB/2Tri (9h) tem mediana de 0,30% na margem (Broadcast), após alta de 1,9%/ 1Tri. O dia será também movimentado pela XP Expert, com a participação de Arthur Lira (10h45), Gabriel Galípolo (11h45) e Rogério Ceron (15h25). Campos Neto fala em evento da Lide, em Washington (13h30).
… Para o PIB, as projeções vão de um recuo de 0,1% a uma alta de 1,1%. Considerando a mediana de 0,30%, a expansão na base anual no 2Tri deve desacelerar para 2,7% (de 4% no 1Tri). No acumulado de 2023, o mercado prevê crescimento de 2,4%.
… Economistas consultados pela AE dizem que, após puxar o crescimento do PIB nos três primeiros meses do ano, com salto de 21,6%, a Agropecuária deve perder impulso no 2Tri, contribuindo para moderar o ritmo de crescimento da atividade.
… Já os dados de Serviços no período surpreenderam positivamente, como efeito do aumento do Bolsa Família e do reajuste do salário mínimo, além do mercado de trabalho resiliente. Mas o Consumo das Famílias deve desacelerar na base anual.
… Para a Indústria, a previsão é de estagnação, com as condições financeiras restritivas e desaceleração da economia mundial.
… A desaceleração do PIB – embora esperada com a base inflada pelo agro no 1Tri – pode acentuar o debate fiscal, que ressurgiu com força. De um lado, por comprometer as expectativas de arrecadação e, de outro, estimulando as críticas ao PT.
… Agosto não foi ruim só para o Ibovespa, que teve apenas cinco pregões positivos e acumulou perdas de 5% no mês, mas não foi bom também para Haddad, que vinha num período de lua-de-mel com o mercado e, de repente, perdeu o encantamento.
… Três fatores podem explicar essa mudança que já atinge as expectativas: 1) o aumento da receita não prevê cortes, 2) o PT não esconde a pressão por mais gastos e 3) o infeliz episódio com Lira, que custou a prorrogação da desoneração da folha.
… O ministro ainda mantém o discurso de responsabilidade fiscal e seu empenho para equilibrar as contas públicas é reconhecido, mas são inevitáveis os questionamentos sobre o apoio de Lula. Até quando ele terá o aval do presidente?
… Na última queda-de-braço, o PT teria dado um prazo até o final do ano para a meta de zerar o déficit em 2024 se provar factível sem penalizar o crescimento. A discussão antecipada para mudar as metas fiscais acendeu o alerta.
… Nesta 5ªF, na apresentação do PLOA, o ministro disse que o potencial de arrecadação com a nova lei do Carf é “muito maior do que o mercado estima”, em torno de R$ 54,7 bilhões. Mas isso é um terço do necessário para cumprir a meta fiscal.
… Também a ministra Simone Tebet tentou manter o otimismo, dizendo que as medidas para arrecadar R$ 168 bilhões neste ano consideram receitas compartilhadas com Estados e municípios e que a parcela do governo federal é de R$ 124 bilhões.
… “Não houve aumento de despesas por parte da União. Para garantir os gastos públicos, eu preciso de R$ 124 bilhões.”
… Mas as declarações não aliviaram as preocupações do investidor, que pesam para os ativos domésticos, justamente quando os mercados em NY dão sinais de acomodação. Foi mais um dia difícil para a bolsa, o dólar e os juros futuros (leia abaixo).
PLOA – O Projeto de Lei Orçamentária de 2024, entregue pelo Ministério do Planejamento ao Congresso no final da tarde, segue a meta do arcabouço fiscal de déficit primário zero. O documento traz até mesmo um pequeno superávit de R$ 2,841 bilhões.
… O ceticismo do mercado com a meta está demonstrado no último Focus, que estima um déficit de 0,75% do PIB em 2024.
… O PLOA considera uma projeção de receita primária total de R$ 2,709 trilhões e receita líquida de R$ 2,191 trilhões.
… Para chegar a essas receitas projetadas, o governo conta com o voto de qualidade do Carf, a tributação de fundos fechados e offshore, a regulamentação da subvenção de ICMS e o fim da dedutibilidade dos Juros sobre Capital Próprio.
… O conjunto de MPs e projetos de lei precisa ser aprovado pelo Congresso antes da votação da peça orçamentária.
… De acordo com o PLOA, as despesas totais devem chegar a R$ 2,188 trilhões no próximo ano, acima do teto de R$ 2,093 trilhões para as despesas limitadas pelo arcabouço, cujo crescimento não pode ultrapassar 70% do avanço das receitas do governo.
… Para fechar a conta, o governo quer aprovar na LDO autorização para gastar R$ 32,4 bilhões a mais, como ficou combinado na votação da reforma tributária. Essa despesa está condicionada à aprovação de crédito adicional pelo Congresso.
… As receitas com concessões e permissões chegarão a R$ 44,4 bilhões em 2024. Já as receitas com royalties sobre a exploração mineral devem somar R$ 113,6 bilhões no próximo ano. O governo espera ainda receber R$ 41,4 bilhões em dividendos.
… Pelo lado dos gastos, estão previstos investimentos de R$ 69,7 bilhões e só com benefícios previdenciários, R$ 913,9 bilhões, além de R$ 380,2 bilhões com pessoal. Subsídios, R$ 21,2 bilhões. Sentenças judiciais e precatórios, R$ 27,5 bilhões.
… As emendas impositivas tiveram um aumento de 14% sobre o valor deste ano, somando R$ 37,6 bilhões.
… O novo PAC terá R$ 61,2 bilhões, quase 90% do piso de investimentos previsto no novo arcabouço fiscal, acrescidos de outros investimentos de empresas em que a União detém a maioria do capital social com direito a voto.
… A maior parte dos investimentos será feita pela Petrobras, na implantação e desenvolvimento da produção de petróleo e gás natural, com dispêndio de cerca de R$ 86,4 bilhões. No total, o Orçamento de Investimentos terá R$ 151,3 bilhões.
A ENTREVISTA – Após a entrega do PLOA ao Congresso, o secretário executivo do Planejamento, Gustavo Guimarães, iniciou seus comentários dizendo que “foi um desafio entregar esse projeto”, que os técnicos trabalharam a madrugada inteira.
… Já o número 2 da Fazenda, Dario Durigan, que também participou da coletiva, afirmou que o “ceticismo” sobre o compromisso do governo em cumprir o resultado primário neutro (meta de zerar o déficit) em 2024 “será superado”.
… “O ceticismo mais uma vez vai ser superado, a convicção da equipe técnica é sólida. Temos compromisso importante com o arcabouço fiscal. Vamos respeitar, jogar com todos os instrumentos, mas dentro das regras para estabilizar a dívida.”
… Durigan disse que todos os números e medidas têm 100% de embasamento técnico. Mais de uma vez, insistiu na coletiva que o PLOA “não tem qualquer criatividade”, nem “números inflados”, que o documento foi fechado “com equilíbrio”.
… Segundo ele, as projeções de receita são “conservadoras” e serão suficientes para arrecadar os R$ 168 bilhões necessários. Disse, ainda, que o resultado neutro de 2024 “será perseguido desde agora até o último dia de 2024”.
… Também o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, estava lá para defender o PLOA, afirmando que “se a gente mantiver a ancoragem das expectativas, temos potencial de gerar uma economia de R$ 500 bilhões em juros até 2026”.
… Ceron disse, ainda, que o governo conta com algumas ‘cartas na manga’ para garantir a meta de déficit zero em 2024. São pelo menos R$ 71 bilhões que dão alguma margem para o governo enfrentar eventuais frustrações no crescimento das receitas.
… Como exemplo, citou R$ 22 bilhões do empoçamento histórico médio do orçamento federal e R$ 20 bilhões não contabilizados de projetos, como o que muda as regras de fixação do preço de transferência, já sancionado.
… Além disso, citou os R$ 29 bilhões possibilitados pela banda da meta no novo arcabouço fiscal, de 0,25 pontos porcentuais. Na apresentação, a Fazenda estimou que essa “margem adicional a ser criada” prevê recursos de R$ 30 a R$ 50 bilhões.
OS VETOS DE LULA – O presidente Lula formalizou no Diário Oficial da União a sanção do arcabouço fiscal com dois vetos.
… Além de voltar a permitir descontos de despesas no resultado fiscal, vetou um trecho que “amarrava” o contingenciamento de investimentos, o que dá mais liberdade ao governo. Os dois vetos serão analisados pelo Congresso, que pode derrubá-los.
… O deputado Cláudio Cajado (PP), que foi o relator do arcabouço na Câmara, recebeu com insatisfação os vetos, afirmando que a meta fiscal saiu fragilizada. “Penso que o ministro Haddad está agindo de uma forma e o governo de outra”, disse ao Estadão.
… Segundo Cajado, com os vetos, o governo vai poder contingenciar só investimentos. “Não é justo, se o governo não quer nunca pensar em diminuir seus gastos, sacrificar o investimento não é a melhor opção para o momento.”
… O veto de Lula à proibição de excluir despesas da meta foi avaliado como um “mau sinal” do governo pelo economista-chefe e sócio da Warren Renascença, Felipe Salto, ex-diretor da IFI do Senado e ex-secretário de Fazenda do Estado de São Paulo.
PAYROLL – Encerrando a bateria de indicadores da semana, o relatório de emprego nos EUA poderá mostrar a criação de 175 mil vagas em agosto, pouco abaixo de julho (187 mil), com a taxa de desemprego mantida em 3,5%.
… O salário médio por hora trabalhada deve crescer 0,30% na margem, após 0,42% no mês anterior.
… Mas ainda que os números do payroll venham em linha com as expectativas não devem garantir que uma nova alta do juro está descartada. A manutenção é a aposta majoritária no CME Group para setembro, mas ainda tem chão até o fim do ano.
… Para o BMO, a mensagem consistente da Fed é de que os dados de um único mês não constituem uma tendência. “O que quer dizer que o esperado ritmo mais lento de contratações não seria suficiente para tirar da mesa outro aumento este ano.”
… O PCE de agosto, divulgado ontem, veio dentro do esperado, mas ainda veio “forte”, segundo a Oxford Economics, confirmando a aceleração da inflação. Para o Citi, o índice aponta para uma “força subjacente” que sugere uma desinflação muito gradual.
MAIS AGENDA – Antes do PIB, aqui, sai o IPC-S de agosto (8h), que deve cair 0,16% na mediana do Broadcast, após alta de 0,07% em julho. À tarde (15h), a balança comercial indica superávit de US$ 10,0 bilhões em agosto.
LÁ FORA – Além do payroll, saem nos EUA os dados de PMI industrial (PMI) de agosto medidos pela S&P Global (10h45) e pelo ISM (11h). Ainda na agenda: investimentos em construção em julho (11h) e Baker Hughes (14h).
… O PMI industrial final será divulgado também na Alemanha (4h55), zona do euro (5h) e Reino Unido (5h30).
… Participam de eventos públicos hoje os dirigentes do Fed Raphael Bostic (7h) e Loretta Mester, às 10h45.
CHINA – Cinco dos maiores bancos chineses cortaram as taxas de depósitos, no esforço coordenado para aliviar a pressão sobre as margens cada vez menores, em meio às dificuldades do setor imobiliário e economia vacilante.
FANTASIA E REALIDADE – Em mais um dia de estresse com o quadro de deterioração fiscal, os ativos domésticos não esconderam o sentimento de inquietação com o desafio do governo de perseguir o déficit zero em 2024.
… A convicção cada vez maior de que a promessa não vai se concretizar impôs cautela no último pregão do mês.
… Com apenas sete ações em alta, o Ibovespa (-1,53%) queimou quase 1.800 pontos nesta 5ªF e fechou na mínima do dia, abaixo dos 116 mil pontos (115.741,81), após ter terminado julho bem perto dos 122 mil.
… Agosto ficará guardado na memória como o mês em que a bolsa viveu uma rotina de perdas quase diárias. No mês inteiro, subiu em só cinco pregões e acumulou baixa de 5,09%, primeiro recuo mensal desde março.
… Assustou também em agosto a fuga de capital externo, de R$ 12,5 bilhões até o último informe da B3, de 3ªF.
… A debandada dos gringos tem sido sentida também no volume financeiro do Ibovespa, que ontem melhorou um pouco em comparação às últimas sessões, mas ainda continuou bastante limitado, em R$ 26 bilhões.
… A bolsa doméstica também foi abalada ontem pela mudança do voto de desempate no Carf, que aumenta o risco fiscal à Petrobras, e pela decisão do governo de acabar com os benefícios tributários na distribuição de JCP.
… Nos últimos dias, circularam rumores de que a o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, estaria negociando com Haddad o pagamento do passivo no Carf e que a estatal teria concordado em pagar R$ 30 bi ainda este ano.
… A empresa divulgou nota, duas semanas atrás, desmentindo estar em entendimento com a União.
… Agitadas ontem pelas possíveis perdas com a aprovação do projeto que restabelece o voto de qualidade do Carf, as ações da Petrobras se deram mal: PN caíram 2,08% (R$ 31,94) e ON perderam 2,70% (R$ 34,54).
… Desperdiçaram a chance de subir junto com o petróleo. O contrato do barril do tipo Brent para novembro (+1,86%, a US$ 86,83) completou sua sexta sessão consecutiva em alta e terminou agosto no azul (+2,3%).
… Foi impulsionado ontem pela notícia de possível corte na oferta pela Rússia na semana que vem. Além disso, os sauditas devem prolongar o corte voluntário de 1 milhão de bpd pelo terceiro mês consecutivo até outubro.
… No Ibovespa, a sessão também foi negativa para os papéis dos bancos, em meio aos ruídos do JCP. BB ON registrou queda de 1,57% (R$ 47,10); Itaú perdeu 0,87% (R$ 27,43) e Bradesco PN recuou 1,39% (R$ 14,95).
… Seja como for, a percepção no mercado é de que o Congresso e o governo não devem eliminar os juros sobre capital próprio (JCP) para os bancos, mas ajustá-los, ainda que isso deva representar perdas para o setor.
… Ontem à noite, o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, disse que a preocupação com os JCP diz respeito aos “casos de abuso do instrumento”, que, em geral, “não estão ligados às instituições financeiras”.
… Entre as poucas ações que resistiram ao sell-off desta 5ªF, Vale (+0,15%, a R$ 65,08) subiu, ainda que muito menos do que o minério de ferro (+3,54%), que antecipou novos estímulos econômicos pelo governo de Pequim.
… Petz (+5,18%, a R$ 5,48) liderou os ganhos, em meio a rumores de possível fusão com a concorrente Cobasi, embora a terceira prévia do Ibovespa tenha confirmado que o papel deixará o índice a partir do mês que vem.
… Na ponta negativa, CVC (-9,49%) liderou as perdas e devolveu parte do rali recente com o pedido de recuperação judicial da 123milhas. A realização foi disparada pelo dólar, que encarece as viagens internacionais e passagens.
… GPA (-6,44%) seguiu ladeira abaixo, com investidores preocupados com a saúde financeira da companhia. Outras varejistas também caíram forte, refletindo o avanço dos DIs: Alpargatas (-6,56%), Magalu (-5,48%) e Soma (-5,43%).
… Eletrobras (ON, -2,83%; e PNB, -1,89%) voltou a acender a luz amarela do mercado, após o MME reiterar pedido pela suspensão do plano de demissão voluntária (PDV) depois do apagão, diante do risco à prestação de serviços.
NÃO COMPRA O OTIMISMO – Apesar das mensagens de tranquilidade que a equipe econômica procura transmitir de que está tudo sob controle no radar fiscal, o dólar está de volta a R$ 4,95 e o DI reprecifica as apostas para a Selic.
… Nos cálculos do economista Flávio Serrano (BMG) ao Broadcast, a curva projeta agora juro terminal de 9,50% no ano que vem, ao invés de 9,25%, e reduz de 20% para 10%-15% a chance de corte de 0,75pp no Copom deste mês.
… A chance de um relaxamento monetário já vinha sendo esvaziada desde que a Petrobras promoveu o reajuste pesado nos combustíveis e agora parece cada vez mais remota com o risco de as contas públicas não fecharem.
… A piora na percepção fiscal levou os juros futuros a saltarem ontem de novo, pelo segundo pregão seguido.
… No fechamento, o DI jan/24 subiu a 12,395% (de 12,367% na véspera); jan/25, 10,545% (de 10,433%); jan/26, 10,165% (de 9,979%); jan/27, 10,380% (de 10,135%); jan/29, 10,840% (de 10,616%); e jan/31, 11,120% (de 10,899%).
… No câmbio, a pressão fiscal e o suspense com o payroll vieram a calhar para os interesses especulativos dos comprados na briga de virada de mês para a formação da ptax, que subiu 1,16% e fechou cotada a R$ 4,9219.
… No mercado à vista, a demanda defensiva levou o dólar a emplacar alta firme de 1,68%, a R$ 4,9511, resgatando especulações de que teste os R$ 5, se tudo der errado. O contrato futuro para outubro ganhou 1,37%, a R$ 4,9775.
SOBROU – Em linha com o esperado, o PCE nos EUA, que serve como melhor referência de inflação para o Fed, veio dentro do esperado em julho (+0,2%) e deixou para o payroll dizer se o juro deve ou não subir mais este ano.
… A pausa na próxima reunião (dia 20) está dada nas apostas do CME (89%) e, embora a precificação majoritária (54,5%) seja de que o ciclo de aperto acabou, o relatório de emprego ainda tem potencial para influenciar.
… Embora não tenha direito a voto este ano no Fomc, o Fed boy Raphael Bostic corroborou ontem a perspectiva de que altas adicionais no juro estão descartadas, ao alertar sobre o risco de o BC americano “apertar em demasia”.
… Ele refutou, porém, o apoio a um corte em breve do juro, que só é esperado pelo mercado para maio de 2024.
… A fala mais dovish de Bostic e o PCE comportado deram fôlego às bolsas em NY num primeiro momento.
… Mas o ânimo se dissipou ao longo do pregão, porque bateu a cautela com o payroll, que pode ser o dado decisivo da semana. O Dow Jones caiu 0,48%, aos 34.721,16 pontos, e o S&P 500 recuou 0,16%, para 4.507,54 pontos.
… O Nasdaq subiu muito pouco (+0,11%), a 14.034,97 pontos, e terminou o mês com queda acumulada de 2,17%, mas no ano (+34,09%) ainda é puxado pelo grande entusiasmo dos investidores com a inteligência artificial.
… O Dow Jones e S&P 500 fecharam agosto no vermelho, em -2,36% e -1,77%, respectivamente. O mês foi marcado pela escalada dos juros dos Treasuries e pela volta à cena da tese de que o Fed não tenha encerrado seu trabalho.
… Mas agosto terminou com acomodação nas taxas dos Treasuries, que voltaram a achar que BC americano vai deixar o juro onde está nas próximas reuniões. O yield da Note-2 anos caiu a 4,838%, contra 4,883% na véspera.
… O dólar subiu ontem não porque esteja projetando Fed hawkish, mas porque os BCs europeus podem estar perto de parar de subir o juro. Para Luis de Guindos (BCE), “parece que estamos chegando ao fim do aperto”.
… O economista-chefe do BoE, Huw Pill, sinalizou que o BC britânico pode ter atingido sua taxa terminal e advertiu sobre o risco de apertar demais o juro. A libra caiu 0,39%, a US$ 1,2669, e o euro perdeu 0,75%, a US$ 1,0850.
… Já o iene subiu 0,42%, para 145,49/US$, com notícias de um possível aumento do salário mínimo no Japão.
… O índice DXY, que mede o dólar contra outras seis moedas fortes, fechou em alta de 0,45%, a 103,619 pontos.
EM TEMPO… VIA (Casas Bahia e Ponto) contratou o Bradesco BBI, BTG Pactual, UBS Brasil, Itaú BBA e Banco Santander Brasil para coordenar potencial oferta de ações (follow on, no jargão de mercado) com valor estimado em R$ 1 bilhão.
MARISA LOJAS. O conselho de administração aprovou a proposta de grupamento das 342.842.912 ações ordinárias da companhia, na proporção de 5 ações por 1, sem alteração do capital social. Proposta será levada à AGE a ser realizada em 22 de setembro.
IRANI PAPEL E EMBALAGEM. Em fato relevante, comunicou a captação de R$ 300 milhões junto a bancos para, junto com recursos disponíveis em caixa, fazer a liquidação integral de debêntures da 3ª emissão no valor de R$ 505 milhões de principal.
MINERVA FOODS. Finalizou o processo de aquisição da Breeders and Packers Uruguay (BPU Meat), subsidiária da NH Foods Group (NH Foods). O investimento total será de US$ 40 milhões, segundo o comunicado ao mercado divulgado ontem à noite…
… Com a aquisição, a Minerva passa ter uma capacidade total de abate de 3.700 cabeças por dia, distribuídas por quatro unidades frigoríficas: Pul, Carrasco, Canelones e, agora, BPU.
… Nesta 5ªF, a Fitch Ratings reafirmou o rating ‘BB’ da Minerva, mantendo perspectiva estável.
MAIS FITCH. A agência anunciou também a revisão da nota de crédito de 15 instituições financeiras brasileiras após ter elevado o rating soberano do Brasil para BB, entre as quais, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco XP.
VALE. Conselho de administração aprovou a convocação da Assembleia Geral Extraordinária, a se realizar em 22 de setembro para a eleição de membro titular do conselho fiscal em substituição a Gabriel Galípolo, que renunciou em 24 de julho.
DEXCO. Informou, ontem à noite, que contratou instituições financeiras para estruturar duas potenciais novas emissões de notas comerciais escriturais, sendo uma da companhia, e outra, da sua subsidiária integral, a Duratex Florestal…
… O valor conjunto total de R$ 1,5 bilhão, podendo chegar a até R$ 1,875 bilhão.
AES BRASIL. Fechou com a Microsoft um contrato de compra e venda de energia pelo prazo de 15 anos. O fornecimento terá início em julho de 2024, a partir de seu complexo eólico Cajuína, atualmente em fase avançada de desenvolvimento.
GAFISA. Informou que “oportunamente” irá recorrer da decisão judicial que levou à penhora de todas as marcas da construtora para garantir o pagamento de uma dívida de R$ 1,4 milhão com um condomínio de luxo no Itaim Bibi, em São Paulo.
BRADESCO. Atlântica Hospitais e Participações, controlada indireta do Bradesco e de Bradseg Participações firmou um acordo com o Hospital Santa Lúcia (HSL), do Grupo Santa, e seus sócios para adquirir 20% do capital social do HSL.
… A família Leal, fundadora do hospital, permanecerá com 80% e as partes celebrarão um acordo de acionistas.
ZAMP. Decidiu em Assembleia Geral Extraordinária rejeitar a alteração do estatuto social para inclusão das cláusulas de poison pill.
BR PARTNERS. Banco fechou acordo que pode mudar a estrutura societária e levar a uma oferta de ações, quase dobrando o total de ações em circulação no mercado.
AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!
*com a colaboração da equipe do BDM Online
AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.
O desafio das metas fiscais
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[31/8/2023]
… Prossegue nos EUA a bateria de indicadores que resgataram as chances amplamente majoritárias (90%) de o Fed manter o juro em setembro, hoje com a inflação do PCE de julho (9h30). Amanhã ainda tem o payroll. Já no Brasil, é importante o resultado consolidado do setor público (8h30), após o déficit do Governo Central ter surpreendido negativamente, nesta 4ªF, ampliando as dúvidas sobre a capacidade de o governo cumprir a meta fiscal. Ontem à noite, na véspera de ser enviado o PLOA 2024 ao Congresso, passou no Senado o projeto do Carf, medida que ajudará a aumentar a arrecadação, mas a aprovação do projeto que prorroga a desoneração da folha até 2027 incluiu benefícios aos municípios, em uma derrota para o ministério da Fazenda.
… A urgência e o texto-base da proposta foram votados no mesmo dia, como Lira havia prometido, atuando contra a intenção de Haddad de postergar essa matéria para ser discutida no âmbito da segunda fase da reforma tributária (consumo).
… O governo tentou uma solução para atender as dificuldades das prefeituras, mas a relatora, Any Ortiz (Cidadania), acatou uma proposta de Elmar Nascimento (União Brasil), que reduz a contribuição para todos os municípios, com base no PIB per capita.
… A emenda substitui o texto aprovado pelo Senado que previa a redução da contribuição previdenciária, de 20% para 8%, sobre a folha para cidades com até 142,6 mil habitantes, que teria um impacto anual de R$ 11 bilhões sobre a Previdência.
… Já a proposta de Elmar atende todos os municípios, mas com alíquotas escalonadas: quanto menor o PIB per capita, menor a alíquota. As alíquotas variam de 8% até 18%. O impacto é menor, embora ainda seja elevado, de R$ 7,2 bilhões/ano.
… Mais cedo, Lira defendeu negociar com os prefeitos uma PEC que elevaria os recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) como alternativa, mas reconheceu que era forte o apelo dos prefeitos para aprovar o benefício na Câmara.
… Deputados entenderam que não cabia a eles rejeitar a emenda já aprovada pelos senadores. Até o líder do PT na Câmara, Zeca Dirceu, disse que “não seria justo” e responsabilizou o governo por não cumprir seu papel de barrar a proposta no Senado.
… Na contramão do que defendia a Fazenda, o próprio líder do governo, José Guimarães (PT), foi favorável à proposta.
… O projeto que prorroga a desoneração da folha para 17 setores da economia foi aprovado por 430 votos a 17, concedendo para as empresas o benefício de pagarem alíquotas de 1% a 4,5% sobre a receita bruta, em vez de 20%.
… Só no ano passado, a União deixou de arrecadar com a medida R$ 9,2 bilhões.
… O parecer aprovado pelos deputados ainda inclui um artigo que reduz de 2% para 1% a alíquota da contribuição sobre a receita bruta para o setor de empresas de transporte rodoviário coletivo de passageiros.
CARF – No Senado, o projeto de lei do Carf, que restitui o voto de qualidade a favor da Receita, foi aprovado por 34 votos a 27, e será encaminhado à sanção presidencial. Com a medida, o governo espera arrecadar, “ao menos”, R$ 54,7 bilhões/ano.
… O projeto é uma das principais iniciativas para tentar reduzir o déficit fiscal e tentar zerá-lo no ano que vem.
… Fernando Haddad comemorou a aprovação do novo Carf, agradecendo à Câmara e ao Senado, e observando que o estoque de litígio administrativo “mais do que dobrou” com a regra atual. “O último número que eu tinha era de R$ 1,3 trilhão.”
… Já com relação ao projeto de desoneração, o ministro mostrou preocupação com o benefício concedido aos municípios: “Criar uma nova renúncia fiscal sem repor… Como fica o déficit da Previdência?”
… Haddad disse ainda que a reforma da Previdência vedou esse tipo de medida e que a Fazenda está apoiada em um parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) sobre o tema. Não informou se pretende recorrer judicialmente.
PLOA 2024 – O pacote de medidas de receitas que acompanharão o Orçamento para 2024, no envio esta tarde para o Congresso (16h), são suficientes para alcançar os R$ 168 bilhões necessários para garantir a meta de resultado primário zero em 2024.
… A afirmação foi feita por fontes da equipe econômica ao Broadcast, explicando que as propostas estão organizadas no PLOA em três eixos: 1) recuperação fiscal e correção de distorção, 2) isonomia tributária e 3) nova relação com a Receita Federal.
… Segundo as fontes, ainda há opções extras para garantir o cumprimento da meta zero. “É um desafio, mas factível com esse pacote e a responsabilidade do compromisso fiscal compartilhada entre Executivo, Legislativo e Judiciário.”
… No eixo de recuperação fiscal e correção de distorções, a expectativa de arrecadação é de R$ 90 bilhões em 2024 com a solução para o voto de qualidade do Carf e a regulamentação do fluxo de subvenção de ICMS com impacto no IRPJ e CSLL.
… Uma medida provisória vai tratar dessa regulamentação daqui em diante.
… O segundo pilar, de isonomia tributária, trará arrecadação de até R$ 30 bilhões com medidas que já foram anunciadas, como a tributação de offshores (R$ 7 bilhões) e fundos exclusivos (R$ 13,3 bilhões em 2024 e R$ 3,2 bilhões este ano).
… O governo vai propor também o fim da dedutibilidade do JCP a todos os setores. Com a medida, quer arrecadar R$ 10 bilhões.
… A última frente de trabalho parte da premissa de que é preciso reconhecer a nova relação do Fisco com o contribuinte e que o avanço para evitar a formação de passivos tributários poderá render até R$ 43 bilhões no próximo ano.
… A ideia é limpar terreno para a aprovação da reforma tributária e permitir que a PGFN e Receita possam transacionar mais.
… Técnicos da equipe econômica dizem que o objetivo principal do pacote é reverter trajetória de déficits e da dívida pública e reconhecem que será complexo colocá-lo de pé, admitindo que o arcabouço fiscal também é duro para o governo.
… Por fim, dizem que, na gestão orçamentária, sempre há a possibilidade de bloqueios para auxiliar no cumprimento da meta.
NO MERCADO – O empenho de arrecadação da Fazenda e a mensagem de responsabilidade de Haddad são vistos com bons olhos pelo mercado financeiro, embora quase ninguém acredite na viabilidade de zerar o déficit em 2024.
… O movimento da ala política do governo para mudar a meta, apesar de o ministro ter obtido o aval de Lula para mantê-la, foi indicativo claro de que a pressão por mais gastos continuará, sem que cortes de despesas entrem no cardápio.
… Nesta 4ªF, o déficit do Governo Central acima das estimativas ampliou as preocupações do investidor, pesando nos preços dos ativos, com nova queda do Ibovespa e alta do dólar e dos juros futuros (leia abaixo).
MAIS AGENDA – A mediana das estimativas do mercado indica déficit primário de R$ 30,850 bilhões nas contas do setor público consolidado de julho, após saldo negativo de R$ 48,899 bilhões em junho (Broadcast).
… As projeções, todas negativas, vão de R$ 155,70 bi a R$ 72,90 bi, com o Governo Central piorando tudo.
… Às 9h, o desempenho positivo da atividade, apesar da desaceleração na margem, deve contribuir para o quinto recuo do desemprego da Pnad, para 7,9% no trimestre móvel encerrado em julho, de 8% no anterior.
… Campos Neto (BC) está em Washington, onde se reúne com o diretor do Hemisfério Ocidental do FMI, Rodrigo Valdés (13h30), e com Ilan Goldfajn (14h30), presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
… Dois vídeos gravados por RCN serão exibidos hoje: às 9h, no evento “Concorrência no Mercado Financeiro – Desafios da Nova Economia Digital”, promovido pela Associação Brasileira de Instituições de Pagamento.
… E a partir das 16h, para o painel “Desafios no Enfrentamento aos ilícitos na Amazônia”, na Conferência Internacional Amazônia e Novas Economias, promovida pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM).
LÁ FORA – Além do PCE, saem nos EUA o auxílio-desemprego (9h30), com previsão de +5 mil pedidos, a 235 mil, e o PMI de agosto do ISM/Chicago (10h45). Dois Fed boys falam: Raphael Bostic (4h15) e Susan Collins (10h).
… Na zona do euro, antes da ata do BCE (8h30), sai a leitura preliminar de agosto da inflação ao consumidor (CPI) do bloco (6h). Na Alemanha, as vendas no varejo em julho serão divulgadas às 3h. O UBS divulga balanço.
AFTER HOURS – Salesforce disparou 5,61%, depois que a empresa informou que seu lucro cresceu no trimestre encerrado em julho, em meio a corte de custos e inclinação para novos produtos que usam inteligência artificial.
CHINA HOJE – O PMI industrial oficial subiu de 49,3 em julho para 49,7 em agosto, e ficou acima da previsão de 49,5. Apesar da melhora do indicador, o resultado indica uma contração pelo quinto mês consecutivo.
… Já o PMI de serviços caiu de 51,5 para 51 no período, confirmando a previsão de analistas de mercado.
… Hoje à noite (22h45), saem os dados da atividade da indústria medidos pelo setor privado (S&P/Caixin).
… O Ministério das Finanças prometeu nesta 4ªF continuar implementando medidas para reaquecer a demanda doméstica, com a redução de impostos para pequenas e médios empresas e foco no apoio à industrialização.
PEÇA DE FICÇÃO – Com a meta de déficit zero em 2024 desacreditada, o mercado piorou à tarde, no movimento que coincidiu com as declarações de Tebet e o segundo pior rombo da história das contas do Governo Central.
… O Tesouro informou déficit primário de R$ 35,9 bilhões em julho, pior que os R$ 31,9 bilhões esperados, no resultado que potencializou o receio de que o governo federal não consiga fechar as contas no ano que vem.
… Também pegou mal para os negócios o comentário da ministra do Planejamento de que “o futuro a Deus pertence” quando o assunto é o fiscal, sinalizando que não compartilha do mesmo otimismo de Haddad.
… A piora na percepção fiscal puxou o DI, descolou o dólar do alívio externo e piorou o humor do Ibovespa, que perdeu os 118 mil pontos. Aumentam as suspeitas que o governo não tem bala na agulha para zerar o déficit.
… Essa desconfiança neutralizou à tarde a queda que os juros futuros vinham exibindo mais cedo em sintonia com as taxas dos Treasuries. A curva do DI estressou na reta final, acelerou e fechou perto das máximas do dia.
… A exceção foi o contrato de DI para jan/24, que teve leve queda, a 12,380% (de 12,384% na véspera).
… Já o jan/25 avançou para 10,495% (contra 10,461% no dia anterior); jan/26 voltou aos dois dígitos, a 10,060% (de 9,983%); jan/27 foi a 10,215% (de 10,114%); jan/29, 10,690% (de 10,570%); e jan/31, 10,970% (de 10,855%).
… De olho no fiscal, o dólar fechou em alta moderada de 0,30%, a R$ 4,8692, ignorando a queda nos EUA, onde o emprego da ADP e a revisão do PIB/2Tri dos EUA abaixo das expectativas abriram espaço para o Fed dovish.
… O câmbio já esteve mais sensível no pregão desta 4ªF às rolagens de contratos e pressões derivadas de disputa técnica ligada à formação da taxa ptax, que se decide hoje, antes da virada do mês para setembro.
… Além da questão das contas públicas, no noticiário do dia, o BC informou fluxo cambial na semana passada negativo em US$ 1,868 bi, com saídas de US$ 721 mi pela conta financeira e de US$ 1,147 bi pela comercial.
… No acumulado do mês, até o dia 25, o fluxo total está positivo em US$ 1,922 bilhão. No ano, +US$ 19,452 bi.
… No câmbio futuro, o contrato do dólar para setembro subiu 0,70% ontem, cotado a R$ 4,8930 no fechamento.
UM MÊS PARA ESQUECER – Agosto não vai deixar saudades para o Ibovespa, que chega ao último pregão do mês com apenas cinco altas acumuladas e uma rotina de giros tão fracos, que chegam a ser embaraçosos.
… O volume financeiro de ontem (R$ 16,5 bilhões) dá a medida do desinteresse do investidor pela bolsa doméstica, que está diretamente relacionado à frustração com o ritmo de retomada econômica na China.
… Em relatório, analista do BTG enxergam “pessimismo exagerado” em relação à China e dizem que “está na moda” ter uma visão bear sobre a economia chinesa, mas “a realidade dos números mostra outra história”.
… Segundo eles, os mercados físicos de minério e metais sugerem um ambiente mais apertado “do que a narrativa” e a queda acumulada da Vale (1,43% no mês e 23% no ano) representa ponto de entrada atraente.
… A mineradora fechou estável ontem (+0,02%; R$ 64,98), pouco sensibilizado à alta de quase 2% do minério.
… Derrubado principalmente pelas ações dos bancos e com o fiscal no radar, o Ibovespa não conseguiu pegar carona nas altas das bolsas em NY e fechou com queda de 0,73%, entregando os 118 mil pontos (117.535,10).
… As blue chips financeiras, que saíram em rali nos últimos pregões com a possibilidade de manutenção do mecanismo de juro sobre capital próprio (JCP) e não mais a sua extinção, precipitaram uma realização de lucro.
… Itaú caiu 1,91%, a R$ 27,67; Bradesco PN perdeu 2,13%, a R$ 15,16; e BB ON recuou 1,44%, para R$ 47,85.
… Perto do fechamento, o Broadcast publicou a reportagem com fontes da equipe econômica dizendo que o pacote de receitas proposto pela Fazenda vai propor o fim da dedutibilidade dos JCP para todos os setores.
… Mas o Ministério da Fazenda afirma estar disposto a negociar caso a caso o fim do JCP.
… A equipe econômica reconhece que o tema não está maduro e que é preciso discuti-lo depois da aprovação da primeira fase da reforma tributária, em um pacote mais amplo de mudanças na tributação corporativa.
… Voltando à bolsa, as ações da Petrobras não exibiram direção única ontem: PN ganhou 0,68%, a R$ 32,62, e ON recuou 0,08%, a R$ 35,50. Lá fora, as cotações do petróleo fecharam em alta pela quinta sessão consecutiva.
… O Brent para novembro subiu 0,38%, a US$ 85,24 por barril, com quatro drivers de alta: queda dos estoques de petróleo nos EUA, dólar fraco, furacão Idalia e rumores de que os sauditas podem estender o corte na oferta.
… Segundo a Bloomberg, a Arábia pretende prolongar o corte unilateral de 1 milhão de bpd até outubro, depois de neste mês já ter anunciado que estenderia até setembro a redução na produção para sustentar o barril.
… A lista de maiores altas do Ibovespa trouxe ontem as ações da CVC (+17,09%, a R$ 2,74), que dispararam pelo segundo dia seguido, ainda na esteira do pedido de recuperação judicial da concorrente 123 Milhas.
… Já Via (-6,99%) caiu pelo 3º dia seguido e liderou a lista de perdas, diante do risco de diluição de até 88% dos atuais acionistas no aumento de capital proposto pela empresa e que será analisado em assembleia amanhã.
… Entre os frigoríficos, Minerva (-3,48%) ainda repercute mal a compra de R$ 7,5 bi em ativos do Marfrig.
3 X 0 – Já são três os indicadores da semana nos EUA (Jolts, ADP e PIB) que apontam para o fim do ciclo de aperto do Fed, embora os dois maiores desafios ainda estejam por vir, com o PCE hoje e payroll amanhã.
… A ADP apontou a menor criação de vagas de emprego no setor privado (177 mil) em cinco meses em julho, abaixo da previsão de 200 mil. O PIB/2Tri foi revisado em baixa (2,4% para 2,1%) e frustrou o esperado (+2,6%).
… Além de a ampla maioria (89%) no instrumento de apostas do CME esperar pausa do juro pelo Fed em setembro, segue majoritária (52,8%) a expectativa de que não venha mais nenhum aperto monetário este ano.
… Com a aposta dovish levando a melhor, o dólar e os juros dos Treasuries ampliaram as baixas. A taxa da Note-2 anos furou 4,90% e fechou a 4,883%, contra 4,904% na véspera, e a de 10 anos ficou em 4,110%, de 4,111%.
… No câmbio, o DXY veio abaixo do piso de 103 pontos na mínima intraday (102,936), mas desacelerou a queda para 0,36%, aos 103,157 pontos. A esperança de que as altas no juro dos EUA acabaram rouba o fôlego do dólar.
… O euro subiu 0,41%, para US$ 1,0923 e a libra esterlina avançou 0,59%, a US$ 1,2719. Já o iene caiu 0,20%, a 146,29/US$, revertendo as perdas registradas mais cedo após um dirigente do BoJ indicar alta do juro em 2024.
… Naoki Tamura, um dos principais defensores da reversão do estímulo monetário no Japão, disse que “a conquista [de um aperto] está finalmente à vista, após uma década de afrouxamento em grande escala”.
… Resta saber se a sua visão é consenso dentro do conselho do BoJ. O presidente da instituição, Kazuo Ueda, disse no sábado, em Jackson Hole, que “a inflação subjacente ainda está um pouco abaixo da meta de 2%”.
… Os indicadores econômicos mais fracos nos EUA, que pressionam o Fed a dar o ciclo de aperto monetário por encerrado, induziram as bolsas em NY a engataram a quarta alta consecutiva no pregão desta 4ªF.
… No Dow Jones, a alta foi mais modesta (+0,11%, aos 34.890,77 pontos), porque a 3M (-1,06%) sentiu a decisão da S&P de rebaixar a sua nota de crédito, enquanto a Moody´s colocou o rating em perspectiva negativa.
… Os movimentos vêm na esteira do acordo judicial para resolver o processo sobre protetores auriculares.
… O S&P 500 fechou ontem em alta de 0,39%, aos 4.515,00 pontos; e o Nasdaq avançou 0,54% (14.019,31 pts).
EM TEMPO… FLEURY aprovou a distribuição de R$ 92,530 milhões em juros sobre o capital próprio (JCP), valor que corresponde a R$ 0,16922113206 por ação. Ações serão negociadas ex-JCP a partir do dia 5, com pagamento em 31 de outubro.
OI. Conselho de administração reelegeu Cristiane Barretto Sales para diretora de Finanças e de Relações com Investidores. O novo mandato vai até 30 de agosto de 2025, informou a companhia, por meio de fato relevante.
NATURA&CO. Concluiu a venda da Aesop para a L´Oréal: valor total transação foi de US$ 2.586.988.081,00. O preço final indicado no fato relevante é maior que o valor do enterprise value informado na ocasião, de US$ 2,525 bilhões…
… No Valor, a Natura definiu a contratação do Morgan Stanley para venda da marca The Body Shop, como parte do planejamento de ajuste do balanço. Mas a possibilidade de entrada de um investidor não estaria descartada.
TOTVS. Comunicou ter firmado com a VTEX Brasil Tecnologia a dissolução da VT Comércio Digital, operação criada em 2019 pelas duas companhias para a distribuição de plataforma tecnológica para e-commerce…
… Segundo a nota da Totvs, a decisão se deu em comum acordo, tendo em vista questões estratégicas relacionadas ao perfil ideal de cliente (ICP – Ideal Customer Profile) e de posicionamento de mercado de ambas as empresas.
PETROBRAS. Firmou acordos com empresas chinesas do setor energético para dar continuidade ao Plano Estratégico 2024-28…
… Foram fechados memorandos de entendimento com a CNOOC e a SINOPEC, além de acordo de cooperação estratégica com a China Energy e a CITIC, um acordo de “não divulgação” para discussão de oportunidades de negócios conjuntos.
EDP. Acionistas aprovaram em assembleia geral o resgate compulsório das 21.494.341 ações ordinárias, representativas de 3,70% do capital social total remanescentes da OPA realizada pela companhia, para fins de cancelamento de registro.
… O preço do resgate compulsório será idêntico ao preço por ação da OPA, de R$ 23,73, ajustado pela taxa Selic desde 14/7/23, data de liquidação da oferta, até o pagamento, que será em até 15 dias.
AEGEA. O conselho de administração da Aegea aprovou a 16ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, da espécie quirografária, em série única, de até R$ 200 milhões, com valor nominal unitário de R$ 1.000,00.
CEMIG. Em resposta à CVM sobre notícias de IPO da GASMIG (sem perda de controle) divulgadas na mídia, a empresa disse que “busca constantemente oportunidades e alternativas de otimização da sua estrutura societária”.
… No comunicado, a Cemig afirma que “não é novidade” para o mercado, “o esforço e a ambição” de potencializar a presença da Gasmig em Minas Gerais, incluindo estudos de viabilidade de um futuro IPO da Gasmig, entre possíveis alternativas.
123MILHAS. A empresa e a Art Viagens entregaram a lista de credores à Justiça de Minas Gerais com mais de 5 mil páginas, sendo que a maior parte dos credores são pessoas físicas, com valores a receber na casa dos milhares de reais.
… A Art Viagens e a 123Milhas têm dívidas de R$ 2,1 bilhões contra credores sem garantias.
MERCADO LIVRE. O responsável pela operação brasileira, Fernando Yunes, disse que a empresa pode aumentar sua atuação com vendedores estrangeiros se a tributação do comércio eletrônico seguir favorecendo a importação de produtos por PF.
GUARARAPES. Dona da marca Riachuelo informou que a Midway Financeira renovou a parceria com a seguradora Zurich para que produtos de proteção sejam ofertados nas mais de 330 lojas da rede, bem como no call center e em canais digitais.
AMERICANAS. Em recuperação judicial, informou que deve divulgar o balanço do 4Tri/2022 até o dia 31 de outubro deste ano…
… Estão em auditoria as demonstrações financeiras do exercício encerrado em 31 de dezembro do ano passado, assim como as demonstrações financeiras a serem reapresentadas do exercício social encerrado em 31 de dezembro de 2021.
… Em fato relevante, a varejista informou que as informações do 1Tri e do 2Tri de 2023 estão sujeitas à conclusão dos trabalhos relativos aos exercícios de 2021 e 2022. “A melhor estimativa é de divulgar tais informações até 29/12.”
… A Americanas informou, ainda, que a administração judicial não sugeriu uma data para a realização da assembleia geral de credores (AGC) que vai deliberar sobre o Plano de Recuperação Judicial da companhia.
TENDA. Construtora informou que o somatório de suas ações ordinárias detidas pelo acionista Morgan Stanley, representado por suas subsidiárias, atingiu o montante de 5.530.159 ações, correspondentes a 5,30% das ações ordinárias de emissão.
ENAUTA. O conselho de administração elegeu Mateus Tessler como novo presidente do colegiado, em substituição a Antônio Augusto de Queiroz Galvão, que renunciou ao cargo, por motivos pessoais, mas permanecerá como membro.
… Na mesma reunião, Ana Marta Veloso foi eleita vice-presidente do conselho.
ECORODOVIAS. Assinou o terceiro aditivo ao contrato de concessão firmado pela concessionária com a União, por intermédio da ANTT, que estabelece as condições de prestação dos serviços e as responsabilidades das partes na relicitação da BR-101/ES/BA.
AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!
*com a colaboração da equipe do BDM Online
AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.
PIB testa Fed e Haddad vence briga fiscal
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[30/8/2023]
… A esperança renovada ontem de que o Fed pode ter dado por encerrado o ciclo de aperto monetário já será colocada em xeque hoje pelos dados de emprego de agosto da ADP (9h15) e pela revisão do PIB/2Tri nos EUA (9h30). Amanhã, ainda tem o PCE e, na 6ªF, o payroll. Em Brasília, a Câmara aprovou o requerimento de urgência do PL da desoneração da folha, que será votado hoje, em uma derrota para a Haddad, que, em outra frente, ainda vem sofrendo fogo amigo. A ala política do próprio governo tenta sabotar o compromisso da Fazenda com déficit zero em 2024, mas o ministro conseguiu defender ontem a reputação fiscal junto ao presidente Lula.
… Pouco antes da reunião da tarde desta 3ªF da Junta de Execução Orçamentária (JEO), da qual participaram também a Casa Civil, Planejamento e Gestão, houve rumores de pressões sobre a mudança da meta fiscal.
… Circularam especulações de que, em queda de braço com Haddad, os ministros Rui Costa (Casa Civil), Esther Dweck (Gestão) e Tebet (Planejamento) decidiram apoiar déficit primário de até 0,75% do PIB, ao invés de zero.
… A ideia teria sido levada para a reunião da JEO com Lula, que arbitrou a favor de Haddad. O ministro saiu do encontro dizendo à imprensa que “não tem nenhuma alteração de rota” no Orçamento para o ano que vem.
… Segundo ele, nem mesmo haveria tempo hábil para alterar o projeto, que precisa ser entregue ao Parlamento até amanhã e será encaminhado com “resultado equilibrado” (receitas primárias iguais às despesas primárias).
… Foi importante Tebet ter negado ontem à noite ao Estadão que tenha defendido a mudança da meta de zerar o déficit das contas do governo em 2024. É uma sinalização de que ela continua jogando junto com Haddad.
… Segundo a ministra do Planejamento, sugerir alteração da meta fiscal tendo as receitas necessárias em discussão no Congresso e, ainda, de última hora, contraria a própria lógica de planejamento orçamentário.
… Fonte disse ao jornal não saber de onde tem saído o foco de “intrigas” e garantiu que o time segue alinhado.
… No Valor, a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), que em outras ocasiões, assim como Rui Costa, já bateu de frente com Haddad, disse que defende a revisão da meta de zerar o déficit no ano que vem.
… “Diante da frustração de receitas, até pela omissão do próprio Congresso, precisamos de recursos.”
… O mercado respondeu bem (abaixo) à vitória de Haddad às pressões políticas para relaxar a meta fiscal.
… Para a jornalista Adriana Fernandes (Estadão), se ceder, o ministro dará um tiro no pé e colocará sua credibilidade à prova junto ao BC, com efeito nas expectativas de inflação e na queda da Selic, que mal começou.
… O Copom não se furtaria a contestar o espaço de corte do juro com a eventual mudança da meta fiscal.
… Embora o mercado possa questionar o objetivo da equipe econômica de zerar o déficit das contas públicas, que é mesmo audacioso, não deixa de ser um grande alívio a Fazenda estar batalhando pelo rigor fiscal.
DESONERAÇÃO DA FOLHA – Atropelando o governo, a Câmara aprovou ontem o requerimento de urgência apresentado ao PL que prorroga a desoneração da folha de salários para 17 setores da economia até 2027.
… A matéria, assim, não passará por comissões (como desejava o governo) e será analisada já hoje em plenário.
… A tramitação rápida contraria a intenção da equipe econômica, que preferia atrelar a desoneração a uma reforma ampla de renda, a ser debatida em 2024, após a aprovação da reforma tributária sobre o consumo.
… A proposta da desoneração, já aprovada no Senado, inclui ainda uma emenda que reduz a contribuição previdenciária das prefeituras, com potencial impacto de R$ 7,2 bilhões a R$ 11 bilhões na Previdência.
… O projeto que veio do Senado prevê redução da contribuição social de 20% para 8% para cidades menores.
… Os deputados, no entanto, querem incluir uma emenda no texto para substituir o critério populacional por um indicador baseado no PIB per capita ou no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de cada município.
… O benefício também seria feito por escalonamento, com a criação de cinco faixas, com alíquotas entre 8% e 18%. Até a noite de ontem, o modelo ainda estava sendo definido e o relatório final será apresentado nesta 4ªF.
… Sobre o benefício às prefeituras, Lira disse que o governo não tem o direito de cobrar da Câmara uma posição contrária à proposta, porque não se posicionou com “incisividade” contra a emenda aprovada no Senado.
REFORMA TRIBUTÁRIA – O debate do tema no Senado com os governadores não avançou e foi esvaziado, diante da ausência dos governadores dos três maiores Estados: Tarcísio (SP), Zema (MG) e Cláudio Castro (RJ).
… Dos 27 governadores, só 15 compareceram. Quatro Estados foram representados por vice-governadores. Raquel Lyra (PSDB), de Pernambuco, pediu reunião fechada dos governadores com o relator em setembro.
PLANO SAFRA – BNDES disponibilizará, nesta 4ªF, R$ 5,1 bilhões de recursos adicionais ao Plano Safra 2023-2024. Os recursos decorrem da decisão do governo federal de antecipar contratações que ocorreriam ao longo deste ano agrícola.
PLANO PLURIANUAL – Será entregue por Lula ao Congresso nesta manhã, em cerimônia com Pacheco e Lira.
MAIS AGENDA – Pela primeira vez desde março, o IGP-M (8h), que só vinha apresentando deflação, deve subir: +0,02% em agosto (mediana do Broadcast), após recuo de 0,72% em julho. As estimativas vão de -0,17% a +0,25%.
… Os dados do emprego formal do Caged em julho devem ser informados por volta das 9h.
… À tarde (14h30), o mercado projeta déficit primário de R$ 31,90 bilhões para as contas do governo central em julho, após resultado negativo de R$ 45,223 bilhões em junho. No mesmo horário, sai o fluxo cambial semanal.
LÁ FORA – O relatório da ADP (9h15) sobre emprego no setor privado dos EUA deve apontar a abertura de 200 mil vagas em agosto, abaixo de julho (324 mil). O PIB/2Tri (9h30) deve ser revisado para 2,6%, de 2,0% no 1Tri.
… Ainda nos EUA, saem as vendas pendentes de imóveis em julho (11h), com previsão de queda de 0,8%, e os estoques de petróleo do DoE (11h30). Ontem à noite, o API estimou queda semanal de 11,5 milhões de barris.
… Na zona do euro, sai o índice de sentimento econômico em agosto (6h). Na Alemanha, será divulgada a leitura preliminar de agosto da inflação ao consumidor (CPI), às 9h. À noite (22h30), tem PMI composto na China.
NÃO AMOLECEU – O mercado doméstico chegou a acusar algum desconforto com a tentativa da ala política do governo de melar os planos de Haddad de déficit primário zero para 2024. Mas o desfecho do dia foi positivo.
… O dólar chegou a zerar a queda no pior momento do dia, temendo que o compromisso fiscal poderia ser flexibilizado. Mas a garantia da Fazenda de que nada muda devolveu o apetite por risco nos negócios.
… Além disso, também a sensação de que o Fed não subirá mais o juro este ano deu um choque de alívio em NY e ajudou a destravar o risk-on por aqui, levando o Ibovespa (+1,10%) a retomar os 118 mil pontos (118.403,61).
… O giro de R$ 20 bi continuou dentro das médias constrangedoras, com os estrangeiros em fuga do Brasil.
… Ainda embalada pela expectativa de estímulos na China, Vale (ON, +3,19%, a R$ 64,97) deu impulso ontem à bolsa, junto com os bancos, que continuaram festejando em bloco a chance de o governo não acabar com o JCP.
… Itaú subiu 1,58% (R$ 28,21), Bradesco PN ganhou 1,18% (R$ 15,49) e BB teve alta de 0,56% (R$ 48,55).
… Petrobras teve ganhos modestos (PN, +0,22%, a R$ 32,40; e ON, +0,37%, a R$ 35,53), apesar de o petróleo Brent para novembro ter ido bem (+1,24%, a US$ 84,91), sustentado pelo dólar fraco e furacão na Flórida.
… A Chevron, grande produtora offshore da região do Golfo do México, está evacuando temporariamente os trabalhadores em algumas de suas instalações localizadas perto de Nova Orleans, antes da passagem do Idalia.
… Na noite de ontem, o furacão ganhava força rumo à Flórida e a previsão é de que atingirá a categoria 4.
… A lista das maiores altas do Ibov foi liderada pela Marfrig (+10,70%), após anúncio da venda de ativos de R$ 7,5 bi à Minerva (-18,26%), que reagiu ao receio do investidor com o nível de alavancagem após o negócio.
… CVC (+6,36%) foi impulsionada pelo pedido de recuperação judicial da concorrente 123 Milhas.
… Na ponta negativa, GPA (-4,18%) registrou o quinto pregão seguido de baixa, ainda na esteira da segregação de ativos do Éxito. Outras varejistas também voltaram a cair: Petz (-2,78%); Arezzo (-2,34%) e Assai (-1,65%).
DURO NA QUEDA – A resistência de Haddad às pressões internas no PT para adotar uma meta de déficit de até 0,75% do PIB no próximo ano pegou bem não só na bolsa, mas também no câmbio e na curva do DI nesta 3ªF.
… O dólar ensaiou algum estresse e parou de cair quando surgiram as especulações de que haveria alguma guinada na rota fiscal. Mas o desmentido da Fazenda não demorou a baixar o nervosismo e aliviar a pressão.
… A moeda americana pôde, assim, voltar a acompanhar a queda em escala global despertada pela aposta de que o ciclo de aperto monetário do Fed acabou. Aqui, o dólar fechou em baixa de 0,42%, cotado a R$ 4,8546.
… Também o contrato futuro da moeda para setembro terminou na faixa de R$ 4,85. Caiu 0,39%, a R$ 4,8590.
… Entre hoje e amanhã, o câmbio deve refletir mais fortemente os interesses relacionados à disputa da ptax.
… A perspectiva de que os juros vão ficar estáveis nos EUA e a melhora da percepção do risco fiscal no Brasil, com Haddad desviando do fogo amigo, garantiram ainda rodada de alívio nos prêmios de risco da curva do DI.
… Tirando o contrato de DI para jan/24, que ficou praticamente estável, em 12,400% (contra 12,396% na véspera), os demais vencimentos caíram. Jan/25 fechou na mínima de 10,460%, contra 10,518% no dia anterior.
… Jan/26 recuou para um dígito, a 9,980% (de 10,073%). O jan/27 terminou o dia em 10,115% (de 10,213%); jan/29 voltou para 10,570% (de 10,676%); e o jan/31 pagou 10,850%, abaixo de 2ªF (10,963%).
LIGEIRINHO – NY nem quis esperar pelo payroll, PCE e PIB dos EUA para já sair promovendo três mudanças importantes nas apostas para o Fed, que ainda terão, porém, que ser validadas pela agenda da semana.
… A expectativa de pelo menos mais uma alta do juro este ano foi revertida pelo relatório de emprego Jolts, que mostrou o menor número de vagas abertas desde março de 2021: 8,827 milhões em julho (previsão: 9,478 mi).
… A chance de o Fed não apertar mais a política monetária saiu ainda favorecida pela inesperada queda da confiança do consumidor em agosto, medida pela Conference Board, para 106,1, dez pontos abaixo da projeção.
… Voltou a ser majoritária (50,1%) na ferramenta do CME a possibilidade de o juro não subir mais em 2023.
… Além disso, subiu para quase 90% (contra 78% na véspera) a aposta de pausa em setembro e o mercado financeiro adiantou de junho para maio do ano que vem o timing para o primeiro corte do juro pelo Fed.
… A inclinação mais dovish das estimativas fez derreter os juros dos Treasuries. A taxa do papel de 2 anos caiu mais de 3% e furou o piso de 4,90% na mínima do dia, para fechar a 4,904%, contra 5,058% no pregão da véspera.
… O rendimento da Note-10 anos retrocedeu para 4,111%, de 4,202%, com o investidor revertendo a impressão mais conservadora deixada pelos comentários de Powell em Jackson Hole, onde não descartou mais apertos monetários.
… A esperança de que o juro fique onde está derrubou o dólar. O DXY caiu 0,51% e veio abaixo dos 104 pontos (103,531). Subiram o euro (+0,54%; US$ 1,0889), a libra (+0,36%; US$ 1,2652) e o iene (+0,46%; 145,77/US$).
… As bolsas em NY surfaram na onda de otimismo das apostas renovadas para o Fed. O Dow Jones subiu 0,85%, aos 34.852,87 pontos; o S&P 500 avançou 1,45% (4.497,77 pontos); o Nasdaq teve alta de 1,74% (13.943,76 pontos).
EM TEMPO… ELETROBRAS fará em setembro a maior captação já realizada no mercado de renda fixa do Brasil, de R$ 7 bilhões em títulos de dívida (debêntures). BTG Pactual, Bradesco BBI, UBS BB e Santander são os bancos coordenadores.
… Segundo a Coluna do Broadcast, a definição da rentabilidade aos investidores está marcada para 15/9. A expectativa é de que a Eletrobras não tenha dificuldades para a oferta, cuja reserva começa no próximo dia 5 e vai até o dia 14.
FRIGORÍFICOS. Documento atribuído ao Ministério da Agricultura, que circulou nas redes sociais e foi compartilhado no setor pecuário, detalha os nomes dos 20 frigoríficos listados pela pasta e que estariam aptos a exportar para a China.
… A JBS teria cinco plantas listadas, assim como a concorrente Minerva. Marfrig consta com duas plantas e BRF, com duas.
TIM. JPMorgan reiterou recomendação overweight para a ação da empresa e a destacou como top pick do setor. O banco ainda elevou o preço-alvo de R$ 18 para R$ 19, um potencial de valorização de 26,7% sobre o fechamento de ontem (R$ 14,99).
B3. O Itaú BBA reiterou a recomendação outperform e elevou o preço-alvo da ação para o final de 2024 a R$ 18.
… A avaliação do banco é que a companhia oferece exposição de alta qualidade ao ciclo de queda dos juros e sugere aproveitar a recente queda de preços como ponto de entrada no papel.
GAFISA. Justiça de São Paulo penhorou todas as marcas da construtora para garantir o pagamento de uma dívida de R$ 1,4 milhão com um condomínio de luxo no Itaim Bibi, zona Sul da capital paulista, por gastos com reparos no empreendimento.
COESA. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo anulou o plano de recuperação judicial da Coesa (antiga OAS), por considerá-lo ilegal, e deu 60 dias para a empreiteira reformular a proposta e realizar uma nova assembleia geral de credores.
BRASIL COMERCIALIZADORA. Justiça de SP também negou o pedido de recuperação judicial da companhia pela falta de requisitos mínimos para prosseguir com o processo. A Brasil comercializa energia e tem dívidas estimadas em R$ 335 milhões.
CITIGROUP. SEC multou o Citigroup Global Markets em US$ 2,9 milhões por violação consciente de regras de registros no uso de um método sem fundamentos para calcular gastos indiretos ao seu trabalho como subscritor de 2009 a 2019.
ALPHABET & NVIDIA. Expandiram a parceria para construir e implantar “modelos massivos” para a inteligência artificial.
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*com a colaboração da equipe do BDM Online
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