Inflação nos EUA fecha a semana
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[29/9/2023]
… No último pregão de setembro, o PCE de agosto nos EUA (9h30) define o fechamento do trimestre, podendo esvaziar a relativa trégua que permitiu algum fôlego aos mercados, nesta 5ªF, se frustrar o consenso de recuo do núcleo da inflação para 3,9% na medida anual (+0,2% na margem). O índice cheio tem previsão de acelerar para 0,5% no mês e 3,5% no ano. O PIB/2Tri abaixo do esperado ajudou a aliviar as apostas de mais alta do juro americano, com queda dos yields, mas não zerou esse risco. Outros indicadores importantes estão na agenda de NY hoje. Aqui, a piora do cenário externo foi considerada como fator de pressão por Campos Neto, levando a um posicionamento mais conservador na curva de juros e elevando as previsões para a Selic.
… No final do dia, o DI não só havia praticamente eliminado as chances de corte de 75pbs nas reuniões do Copom de dezembro e janeiro, como projetava 30% de probabilidade de redução da dose para 25pbs. Para março, essa aposta é ainda maior, de 50%.
… Os cálculos foram feitos pelo economista-chefe do BMG, Flávio Serrano, ao Broadcast.
… Houve ajuste também nas projeções para a taxa Selic terminal, que foi para dois dígitos no final de 2024, a 10,50%. Já uma nova pesquisa com economistas após o RTI mostrou que, de 57 casas, apenas cinco esperam que o BC aumente a dose de queda.
… Em entrevista para comentar o Relatório de Inflação, Campos Neto admitiu que a barra para acelerar o ritmo de cortes da Selic está “ligeiramente mais alta” – uma declaração que impediu o DI jan/2025 de cair (abaixo).
… Segundo ele, há “grande incerteza no cenário externo” e, dado o aumento recente da curva de juros dos EUA, há consequências para os emergentes. Mas pontuou que ainda “é cedo para falar em movimento de corte menor da Selic”.
… RCN disse que “precisamos monitorar o externo nas próximas semanas até o próximo Copom”.
… “No passado, o BC até indicou o orçamento de ciclo da Selic, mas o guidance está relacionado ao grau de certeza, e, em meio às grandes incertezas, e incertezas adicionais na parte externa, entendemos que não há ganho em indicar tamanho do ciclo.”
… Para o economista-chefe do PicPay, Marco Caruso, a fala traz dúvidas sobre o quanto o BC tem clareza sobre o orçamento total.
… O viés, no entanto, é de cautela, com Campos Neto reforçando que a Selic precisa permanecer em patamar contracionista para alcançar os objetivos inflacionários, o que sugere que o ciclo de quedas será conduzido com paciência e parcimônia.
… RCN foi questionado sobre o encontro que teve com Lula e disse que não comentaria – “Combinamos isso” – mas confirmou que está tentando “construir uma relação de confiança” com o presidente e que fazia suas as palavras de Haddad.
… O presidente do Banco Central evitou comentar as dificuldades fiscais para o cumprimento das metas, dizendo que, “quando as medidas de arrecadação forem aprovadas no Congresso, a tendência é o fiscal melhorar”.
… Ele também não quis falar da proposta da Fazenda para os precatórios. “Decisão se é despesa primária ou não cabe ao STF.”
HOJE – Campos Neto dará palestra, às 9h, no evento Spring Investment Meeting, da 1618 Investimentos.
AS MEDIDAS – Após reunião com Lira, o ministro Fernando Haddad disse que a expectativa é de votação de três projetos da pauta econômica na próxima semana: o Desenrola (2ªF), Marco de Garantias e taxação de offshore e fundos exclusivos.
… Os dois últimos, segundo ele, serão tratados pelo mesmo relator e o governo espera essa definição para ajustar o texto.
PIOR QUE O ESPERADO – O déficit do Governo Central em agosto, de R$ 26,350 bilhões, veio levemente abaixo do esperado pelo mercado (R$ 26,045 bilhões), acumulando no ano até agosto um saldo negativo de R$ 104,590 bilhões.
… Foi o quarto pior resultado da série histórica, com queda de 5,8% das receitas no acumulado até agosto e alta real de 4,5% das despesas na mesma comparação. As despesas sujeitas ao teto de gastos subiram 11,2% em agosto, dentro (18,5%).
… O secretário Rogério Ceron admitiu que agosto foi ruim do ponto de vista das receitas, com perdas concentradas no IRPJ e sem as receitas extraordinárias da venda da Eletrobras e dos dividendos da Petrobras, que fizeram a diferença em 2022.
… No ano, as receitas com concessões, dividendos e royalties caíram quase R$ 90 bilhões em relação ao ano passado. Já o avanço das despesas é explicado por aumento dos gastos obrigatórios, como a recomposição do Bolsa Família.
MAIS AGENDA – Mais dados fiscais serão conhecidos nesta 6ªF, com o resultado do setor público consolidado, que o BC divulgará às 8h30. As estimativas apontam para um déficit de R$ 26,5 bilhões na mediana, abaixo do registrado em julho (R$ 35,8 bilhões).
… Às 9h, sai a Pnad da taxa de desemprego do trimestre móvel até agosto, que deve cair a 7,8%, de 7,9% (jul).
… Em meio às especulações de que a Selic pode passar a cair ainda menos (0,25pp), o diretor de Política Econômica do BC, Diogo Guillen, participa por videoconferência, às 11h, do HSBC Global Emerging Markets Forum.
LULA – Presidente será submetido hoje à cirurgia para a colocação de duas próteses na cabeça do fêmur e na bacia, desgastados pela artrose. O procedimento ocorrerá no Hospital Sírio Libanês de Brasília, com equipe de médicos de São Paulo.
LÁ FORA – Além do PCE, é importante conferir hoje nos EUA as expectativas de inflação para 1 e 5 anos que virão embutidas na leitura final do índice de sentimento do consumidor medido em setembro pela Univ. Michigan (11h).
… Saem ainda os estoques no atacado em agosto (9h30), o PMI medido pelo ISM Chicago (10h45) e os dados da Baker Hughes (14h). O Fed boy John Williams (13h45) divulga discurso de evento cancelado por razões pessoais.
… Na noite de ontem, Thomas Barkin, que vota este ano no Fomc, disse que ainda há tempo para avaliar se a política monetária já fez o suficiente contra as pressões inflacionárias ou se há mais trabalho a ser feito [aperto adicional].
… Na Europa, Lagarde (BCE) fala sobre energia em conferência (4h40). Entre os indicadores, saem a inflação ao consumidor de setembro na zona do euro (6h) e PIB/2Tri no Reino Unido (3h). A Colômbia decide juro (15h).
… Na China, onde hoje foi feriado, os PMIs industrial e de serviços de agosto serão divulgados à noite (22h30).
SHUTDOWN – Presidente da Câmara dos EUA, republicano Kevin McCarthy, disse em entrevista à CNBC que o Congresso chegará a um consenso para evitar a paralisação do governo, que ficará sem recursos para os serviços públicos a partir de domingo.
… Ele admitiu, no entanto, que não será uma tarefa fácil, já que alguns deputados do seu partido resistem e não votarão a favor de uma medida provisória para continuar a financiar o governo. “Alguns dizem que nunca votarão a favor.”
EVERGRANDE – A incorporadora corre o risco de ser desmembrada ou liquidada após reguladores da China bloquearem partes importantes do seu plano de recuperação, informaram fontes consultadas pela agência Dow Jones.
… Seria um sinal de mau presságio para outras empresas do setor, que tentam sobreviver à crescente crise imobiliária do país.
… Nesta 5ªF, o governo chinês anunciou isenções tributárias para promover a construção de habitações populares.
A RÉGUA DO BC – Com um corte de 0,75pp da Selic praticamente fora de cena e até mesmo 0,50pp virando dúvida, agora que já brotam as primeiras apostas em 0,25pp, a ponta mais curta do DI tem prêmio de risco para bancar.
… Mas reduziu o fôlego de alta ontem, porque não dava para perder a oportunidade de acompanhar a trégua na escalada dos juros dos Treasuries. Já os juros longos caíram, devolvendo parte da pressão dos três dias anteriores.
… O contrato futuro de juro para jan/27 furou os 11% e cedeu para 10,885% (contra 11,048% na véspera); jan/29 caiu a 11,370% (de 11,554%); e jan/31 recuou a 11,640% (de 11,823%). Jan/26 voltou para 10,675% (de 10,788%).
… Já o jan/24 (12,255%, de 12,274%) e o jan/25 (10,895%, de 10,894%) se mantiveram de lado, depois de os comentários de Campos Neto terem elevado a barra da Selic e esvaziado as apostas de juro terminal de um dígito.
… Depois de três pregões subindo, o dólar ensaiou uma correção, ajudado pela percepção externa melhor. Mas segue acima de R$ 5 e, na máxima do dia, encostou em R$ 5,07, cotado a R$ 5,0694, com o Fed que bota pressão.
… No câmbio futuro, o contrato da moeda americana para outubro caiu de leve, para R$ 5,0365 (-0,14%).
FICOU NA PROMESSA – Setembro termina hoje para os mercados sem esperança da conquista pelo Ibov dos 120 mil pontos, marca que chegou a ser sonhada na metade do mês, mas acabou sabotada pelos planos do Fed.
… O alerta do BC dos EUA de que os juros podem não ter atingido ainda o pico do ciclo mexeu com a liquidez global. Também os altos e baixos da retomada da China justificaram o desempenho flat da bolsa doméstica.
… No acumulado de setembro, o índice à vista roda estável (-0,01%). O penúltimo pregão do mês, no entanto, foi de reação do Ibov (+1,23%), que resgatou os 115 mil pontos (115.730,76), induzido pela Vale e pelos bancos.
… O volume financeiro somou R$ 20,4 bilhões, abaixo da média diária de agosto, de R$ 25,424 bilhões.
… Vale (ON, +1,52%, a R$ 66,70) pegou carona no minério (+0,89%). Gerdau (-0,61%) e Metalúrgica Gerdau (-0,27%) destoaram do otimismo, refletindo a preocupação com a crescente oferta de aço chinês no mercado brasileiro.
… As siderúrgicas querem a elevação do imposto sobre aço importado para 25%, mas reportagem do Broadcast indica que o governo Lula não tem instrumentos jurídicos para fazer esse movimento agora por causa do Mercosul.
… A Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum (Letec) do bloco de comércio, em que o Brasil consegue aplicar alíquotas diferentes, está lotada atualmente e limita a capacidade de o governo atender às pressões do setor.
… Responsáveis ontem por boa parte do gás do Ibovespa, os papéis do setor financeiro foram longe: BB, +3,21%; Itaú, +2,64%, a R$ 27,25, Bradesco PN, +2,37%, a R$ 14,25, Bradesco ON, +2,20%, a R$ 12,54; e Santander, +1,72%.
… Ainda entre as blue chips, Petrobras caiu de forma moderada (ON, -0,50%, a R$ 37,51; e PN, -0,20%, a R$ 34,45), enquanto o petróleo partia para uma realização de lucro lá fora. Só este mês, o barril acumula alta próxima de 10%.
… Para analistas, os fundamentos apontam para continuidade do rali, diante da restrição global na oferta.
… Depois de limitar as exportações de gasolina e diesel, o vice-primeiro-ministro da Rússia, Alexander Novak, disse que o governo está considerando medidas adicionais para reduzir os preços dos combustíveis no mercado interno.
… Entre as iniciativas cogitadas pelo governo do Kremlin, pode estar a restrição de exportações “paralelas” (compra de produtos petrolíferos inicialmente destinados ao uso doméstico e exportados por um preço mais alto).
… Outra proposta é elevar o imposto de exportação de combustíveis ou impor a proibição completa de exportações.
… Nesta 5ªF, o Brent/dez recuou 1,34%, a US$ 93,10, mas os US$ 100 continuam no radar. O WTI/nov superou US$ 95 durante a madrugada, o que não acontecia há mais de um ano, mas depois realizou: -2,10%, cotado a US$ 91,71.
… Durante seminário no Rio, o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, negou que Lula tenha pedido para a estatal segurar os preços contra a escalada no exterior. “Vamos ajustar quando o novo patamar for consolidado.”
… Segundo ele, por enquanto, ainda é possível evitar um reajuste, sem risco para a rentabilidade da empresa.
… No Broadcast, o sócio e economista chefe da Monte Bravo, Luciano Costa, descarta aumento neste momento.
… Segundo ele, apesar de a defasagem contra os preços internacionais ter saído da faixa dos 4% no início do mês para 15% esta semana, a tendência é de que a estatal absorva esta diferença até o mercado se mostrar mais estável.
… Os ativos domésticos ligados ao consumo se destacaram entre as maiores altas do Ibovespa na sessão desta 5ªF, em dia de apetite por risco mais acentuado. A maior valorização do pregão foi de CVC ON, que avançou 7,29%.
… Destaque ainda para as varejistas Assaí (+5,35%), Arezzo (+4,21%), Renner (+4,03%) e Soma (+3,62%).
PARADA ESTRATÉGICA – O PIB/2Tri dos EUA abaixo do esperado e comentários dovish de integrantes do Fed vieram a calhar nesta 5ªF para que os rendimentos dos Treasuries testassem uma acomodação, que pode não vir para ficar.
… Se já hoje mesmo a inflação do PCE assustar, as taxas prometem uma volta rápida para as máximas em mais de uma década, porque vai faltar sangue-frio para enfrentar a perspectiva de juro mais alto e de corte mais demorado.
… A janela para NY respirar veio ontem do crescimento da economia americana no 2Tri (+2,1%) abaixo do esperado (+2,3%). Além disso, as vendas pendentes de casas caíram 7,1% em agosto, recuo mais acentuado em um ano.
… Para completar, o Fed boy Austan Goolsbee (Chicago) disse que o BC americano corre o risco de exagerar na alta do juro ao colocar ênfase na ideia de que são necessárias perdas acentuadas de empregos para conter a inflação.
… Na mesma linha, Tom Barkin (Fed/Richmond) afirmou ser cedo para saber se um aperto adicional é necessário.
… No CME, as apostas em manutenção do juro em novembro são amplamente majoritárias: subiram de 77,6% para 82,6%. Para dezembro, estão mais divididas (65,6% x 33,5% de alta de 25 pb), à espera dos próximos indicadores.
… O primeiro corte do juro só é esperado lá para frente, entre junho e julho. Antes de cair, ainda tem muito jogo.
… Em realização de lucro puramente técnica, os juros dos Treasuries caíram ontem, mas continuaram no high: taxa da Note-2 anos recuou a 5,058% (de 5,133%); de 10 anos, 4,570% (de 4,613%); e de 30 anos, 4,701%, de 4,723%.
… No Reino Unido, a taxa de hipoteca de 5 anos caiu abaixo de 6% pela primeira vez desde julho, depois da recente decisão do BC inglês (BoE) de interromper o ciclo mais agressivo de aumentos de juros em mais de três décadas.
… Seguindo à risca a queda dos juros dos Treasuries, o dólar interrompeu seis pregões seguidos em alta e o índice DXY (-0,41%) se afastou dos 107 pontos (106,224). O euro subiu 0,58% (US$ 1,0565) e a libra, +0,55% (US$ 1,2197).
… O iene (+0,18%, a 149,23/US$) opera na expectativa de intervenção do BoJ para limitar a volatilidade excessiva.
… O alívio nas taxas dos Treasuries abriu espaço de alta nas bolsas em NY: Dow Jones subiu 0,35%, a 33.666,34 pontos; S&P 500 terminou com ganho de 0,59%, aos 4.299,70 pontos; e Nasdaq avançou 0,83%, a 13.201,28 pontos.
… As ações das montadoras se destacaram (GM, +2,50%; Ford, +1,37%; e Stellantis, +2,45%) após a notícia de que o sindicato dos trabalhadores pode aceitar acordo de aumento salarial de 30%, abaixo do pleito anterior de 40%.
EM TEMPO… B3 aprovou a 7ª emissão de debêntures, no valor de R$ 2,55 bilhões.
AMERICANAS. Bradesco e a varejista pediram à Justiça do Rio de Janeiro que seja encerrada a discussão sobre o tratamento de créditos referentes a fianças bancárias na recuperação judicial da companhia. (fontes do Broadcast)
PETROBRAS. O diretor de transição energética e sustentabilidade da empresa, Mauricio Tolmasquim, disse que o hidrogênio verde fabricado no Brasil pode ser o mais competitivo do mundo em 2030…
… O executivo afirmou se basear em conclusão de estudo publicado recentemente pela Bloomberg, que avaliou mais de 20 países com bom potencial para essa cadeia.
GRUPO MATEUS abriu, em fase piloto, as três primeiras unidades do Armazzem Pet, na cidade de São Luís (MA).
RODOVIAS. O segundo lote de estradas do Paraná vai a leilão nesta tarde (14h) na B3.
AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!
*com a colaboração da equipe do BDM Online
AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.
EUA têm PIB e Powell. E Brasil, dado fiscal e RTI
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[28/9/2023]
… Leitura final do PIB/2Tri (9h30) e uma fala de Powell no final do pregão (17h) são os destaques da agenda em NY, onde a tensão com os juros altos continua fazendo estragos, junto com o risco de um shutdown nos EUA, após a Câmara comandada pelos republicanos recusar a proposta do Senado de um acordo provisório para evitar a paralisação do governo americano já a partir do próximo domingo. Aqui, o Tesouro divulga depois do almoço o resultado primário de agosto. Pela manhã, o IGP-M de setembro (9h) e o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), às 8h, serão acompanhados pelo mercado de juros, com entrevista de Campos Neto (11h). O presidente do BC, que se encontrou Lula nesta 4ªF, parece ter entrado em campo para ajudar o governo no Congresso.
… Haddad, que esteve presente, disse que a conversa entre os dois foi “excelente e produtiva”, “um encontro institucional para a construção de uma relação” e “pactuação em torno de conversas periódicas” [do presidente e de RCN].
… Segundo ele, não se falou de juros. “Foi uma conversa de alto nível, que transcorreu muito bem.” O encontro durou 1h20.
… No Globo, a jornalista Malu Gaspar apurou que Campos Neto se colocou na reunião com Lula como um interlocutor privilegiado do Parlamento, alguém que pode ajudar a desenhar estratégias e aprovar as medidas da agenda econômica.
… A ideia é estabelecer um canal de conversa com Lula e mostrar que pode colaborar com informações e atitudes, especialmente em relação à oposição bolsonarista, meio onde Campos Neto tem muitos contatos.
… Ainda segundo a colunista, um aliado do presidente disse que vai deixar os ataques de lado. “Não vai ter mais briga. O objetivo, agora, é dialogar e tentar convencer Campos Neto a defender uma queda mais rápida da taxa Selic.”
… Mais cedo, em audiência na Câmara, o presidente do Banco Central disse que o governo tem tomado várias decisões na direção correta, como o arcabouço fiscal, manter a meta de inflação em 3% e perseguir o déficit zero em 2024.
… Para RCN, mesmo que a meta não seja cumprida, os agentes reconhecerão o esforço que está sendo feito nesse sentido.
… No Congresso, toda ajuda é bem-vinda para destravar a pauta, que emperrou não só com obstruções da bancada ruralista para aprovar o marco temporal, mas também porque Lira ficou chateado com a demora de Lula para entregar a Caixa.
… Em declaração esta semana, o presidente disse não estar disposto a fazer agora a troca de Rita Serrano e isso irritou o chefe do Centrão e seus aliados. Hoje, Haddad se encontra com Lira e a expectativa é de que as coisas voltem a andar.
… O líder do PT na Câmara, Zeca Dirceu, antecipou que, a partir dessa conversa, deverão ser indicados os relatores dos projetos de tributação das offshores, que deve incluir a taxação dos fundos exclusivos, e da extinção dos juros sobre capital próprio (JCP).
… Segundo o deputado, ficou combinado entre os líderes dos partidos da base aliada do governo que a tributação das offshores, o marco legal das garantias, que facilita o crédito, e as mudanças na securitização serão votados na próxima semana.
… No encontro com Lira, Haddad também deve tratar da MP 1185, que muda as regras para incentivos fiscais e enfrenta oposição das grandes empresas. A proposta pode ser reenviada como projeto de lei, em regime de urgência.
… Com essa medida, a equipe econômica pretende arrecadar R$ 35 bilhões para elevar as receitas em 2024.
… Este será o primeiro encontro entre Lira e Haddad desde que as lideranças do Centrão se ofenderam com o ministro em agosto, quando ele disse em uma entrevista que a Câmara não pode usar seu poder para humilhar o Executivo e o Senado.
… Nesta 4ªF, a Câmara votou MP que libera recursos para o combate à gripe aviária e abre crédito extraordinário de R$ 200 mi no Orçamento/2023. O pedido foi feito por José Guimarães durante reunião de líderes, em aceno ao agronegócio.
MARCO TEMPORAL – No Senado, as obstruções da Frente Parlamentar da Agropecuária aceleraram a votação da proposta para a demarcação das terras indígenas. O projeto foi aprovado por 43 votos a 21 e seguiu para sanção presidencial.
… O governo orientou o voto contrário ao projeto, mas partidos do Centrão apoiaram o marco temporal, na contramão do que o STF decidiu na semana passada, declarando a tese inconstitucional, ao julgar um caso de SC (por 9 a 2).
… Pelo marco temporal, indígenas só têm direito à demarcação de terras que ocupavam na promulgação da Constituição de 88.
… Caberá agora a Lula decidir se sanciona ou não o texto, diante de diversas críticas de entidades ambientalistas e de defesa dos direitos dos indígenas. O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues, afirma que o presidente vai vetar.
CARTÃO DE CRÉDITO – Relator do projeto do Desenrola, senador Rodrigo Cunha (Podemos), deve apresentar hoje parecer na CAE para votação no plenário na próxima semana. No relatório, ele insistirá que o juro do rotativo tem que ser limitado a 100%.
GREEN BONDS – Apesar da boa receptividade de investidores internacionais ao roadshow nos EUA e na Europa, a aversão ao risco no mercado global pode interferir nos planos do governo de lançar em breve sua primeira emissão de títulos sustentáveis.
… De acordo com fontes da equipe econômica ouvidas pelo Broadcast, pode ser arriscado fazer uma estreia de algo tão simbólico para o Brasil neste momento desafiador, em que a piora de humor tem pesado muito para os mercados globais.
… Nos EUA, a liquidação dos Treasuries dispara os yields, enquanto o dólar avança em escala global e as bolsas operam abatidas, em meio à perspectiva de que os juros permanecerão elevados por longo, afetando a economia.
… O risco iminente de um shutdown do governo americano, que ainda persiste, só aumenta a tensão do investidor, assim como a crise imobiliária na China acrescenta um fator de pressão importante, em especial para os emergentes.
… Arrastado pelo cenário externo adverso, o dólar voltou a ser negociado acima dos R$ 5, os juros futuros voltaram a disparar e o Ibovespa só escapou porque o novo salto do petróleo garantiu os ganhos de Petrobras (leia abaixo).
MAIS AGENDA – Deixando a deflação para trás, o IGP-M deve ter em setembro a primeira alta desde março.
… Pressionado pela aceleração dos preços industriais, com destaque para os derivados do petróleo, o indicador deve avançar 0,37% (mediana no Broadcast), após recuo de 0,14% em agosto. As estimativas vão de 0,29% a 0,61%.
… No front fiscal, as contas do Governo Central (14h30) têm previsão de déficit primário de R$ 26,045 bi em agosto, menor do que em julho (-R$ 35,933 bilhões) e na metade do rombo observado um ano antes (-R$ 52,667 bilhões).
… Às 15h, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, comentará os resultados em entrevista coletiva.
… Em café da manhã online realizado pela Diálogos Prospectiva, o diretor de Política Monetária do BC, Gabriel Galípolo, fala às 8h30 sobre o “Cenário econômico internacional e desafios da política econômica”.
… Às 15h, tem reunião do CMN. Às 16h, acontece a sessão solene de posse de Barroso na presidência do STF.
… A CAE do Senado marcou para hoje a análise da proposta do Desenrola. Pacheco quer votar o projeto até 2ªF.
LÁ FORA – Nos EUA, a leitura final do PIB/2Tri deve apontar crescimento de 2,3%, acima dos 2,0% do 1Tri.
… Entre os indicadores econômicos, saem ainda o auxílio-desemprego semanal (9h30), que deve ter alta de 14 mil pedidos, para 215 mil, e as vendas pendentes de imóveis em agosto (11h), com previsão de queda de 0,2%.
… Além de Powell, falam hoje os integrantes do Fed Austan Goolsbee (10h), Lisa Cook (14h) e Tom Barkin (20h).
… Na Alemanha, tem a inflação ao consumidor (CPI) de setembro (9h). O BC do México decide juro às 16h.
NA FORÇA DO ÓDIO – O teto psicológico dos R$ 5, que se estabelecia como bom ponto de venda nos últimos dias, foi desafiado e rompido ontem, quando o clima turbulento no exterior atropelou o câmbio e disparou a curva do DI.
… Os negócios domésticos operaram no círculo vicioso da pressão do Fed, que provoca a corrida global do dólar, acelera os juros dos Treasuries às máximas em quase duas décadas e espalha movimentos defensivos por aqui.
… Em máximas atrás de máximas no pregão desta 4ªF, o dólar quase bateu em R$ 5,08 no auge do nervosismo (R$ 5,0795). Depois, desacelerou o fôlego, mas há quatro meses não fechava valendo tanto: R$ 5,0478 (+1,22%).
… Nem a alta firme do petróleo foi suficiente para impedir que o real tivesse ontem o pior recuo entre as moedas emergentes e de países exportadores de commodities. O Brasil em ciclo de queda da Selic complica o carry trade.
… Traders comentaram que a apreciação do dólar foi potencializada ainda pela força dos comprados na briga da ptax e antecipação da demanda para as remessas de fim de ano de empresas, de olho em uma taxa mais favorável agora.
… No câmbio futuro, o contrato da moeda americana para outubro subiu 1,04% e fechou cotado a R$ 5,0435.
… No noticiário do dia, mas sem influência nos negócios, o BC informou que o fluxo cambial na semana passada foi negativo em US$ 3,646 bilhões, resultado de saídas pela conta financeira (US$ 3,582 bi) e comercial (US$ 64 mi).
… No acumulado do mês, que chega ao fim amanhã para os mercados, o fluxo está negativo em US$ 4,795 bi.
… No efeito combinado do dólar acima de R$ 5 e da escalada dos juros dos Treasuries, o “miolo” do DI disparou quase 0,5pp no ápice da tensão. Devolveu parte dos excessos, mas ainda avançou mais de 0,2pp no fechamento.
… No frenesi de prêmios de risco, o jan/25 investiu para 10,935% (de 10,702% na véspera); jan/26, a 10,800% (de 10,512%); jan/27, a 11,040% (de 10,792%); jan/29, a 11,520% (de 11,363%); e o jan/31, a 11,790% (de 11,673%).
… Só a ponta curta subiu menos: jan/24 a 12,280% (de 12,251%). O mercado está ajustado para mais dois cortes de meio ponto da Selic este ano, com o recado explícito da ata e do comunicado de que não há espaço para 0,75pp.
… Qualquer aposta nesta dose de queda é menos por convicção e mais por oportunidade de ganho numa zebra.
O MOCINHO – A maior justificativa para o Ibov ter se defendido perto da estabilidade, enquanto o câmbio e a curva do DI bateram picos de estresse, foi o petróleo, que deu um choque de otimismo nas ações da Petrobras.
… Até a reta final do pregão, o índice à vista da bolsa doméstica ainda exibia sinal negativo, mas deu tempo de inverter e fechar em leve alta de 0,12%, aos 114.327,05 pontos, interrompendo uma sequência de quatro quedas.
… O volume financeiro somou R$ 22,6 bilhões, pouco abaixo das médias recentes já bem enfraquecidas. Petrobras (ON, +3,71%, a R$ 37,70; e PN, +3,17%; R$ 34,52) seguiu à risca o mais novo rali do petróleo.
… Recentemente, o preço do barril chegou a dar sinais de cansaço, mas vem voltando com tudo e mantém no radar as apostas de que chegará a US$ 100, diante da oferta apertada, reforçada ontem pelos estoques nos EUA.
… O DoE informou que as reservas no centro de distribuição de Cushing caíram na semana passada para as mínimas desde julho do ano passado, abaixo de 22 milhões de barris, nível próximo de seu mínimo operacional.
… O órgão também informou que os estoques de óleo bruto tiveram baixa semanal de 2,169 milhões de barris, contra aposta de -600 mil. O Brent/dezembro avançou 2,09%, a US$ 96,55, e o WTI/nov saltou 3,64% (US$ 93,68).
… A leve alta da Vale (+0,21%, a R$ 65,70) também ajudou o Ibovespa a brigar pelos 114 mil pontos, depois de ter perdido os 115 mil pontos da máxima (115.340) e operado na faixa dos 113 mil na mínima do pregão (113.365).
… CSN caiu 0,58%, Gerdau fechou estável (+0,08%), Metalúrgica Gerdau subiu 0,89% e Usiminas ganhou 0,77%.
… Durante congresso ontem, o empresário Jorge Gerdau Johannpeter disse estar “extremamente preocupado” com a crescente oferta de aço chinês no mercado brasileiro e cobrou medidas para conter o avanço das importações.
… “Se não conseguirmos, com a pressão política maior junto aos congressistas, esses 25% [de alíquota de importação], há risco de a China bombardear o Brasil e nos obrigar a reduzir a capacidade em 10%, 20% ou 30%.”
… No setor financeiros, os bancos fecharam mistos. BB teve elevação de 0,87% (R$ 46,16); Bradesco ON ficou estável, a R$ 12,27; Santander recuou 1,12% (R$ 25,57); Bradesco PN, -0,29% (R$ 13,92); e Itaú, -0,19% (R$ 26,55).
… A maior valorização do dia foi da Gol, que avançou 7,19%, a R$ 6,56. O movimento foi influenciado pelo anúncio da conclusão do refinanciamento de debêntures da Gol Linhas Aéreas (GLA), unidade operacional da companhia.
… A pressão observada nos DIs cobrou o preço das varejistas: Casas Bahia (-5,00%), GPA (-2,99%) e Magalu (-2,86%).
PRESSÃO NA VEIA – O petróleo volta a lançar a ofensiva rumo ao patamar dos US$ 100 e redobra o risco de alta adicional do juro nos EUA. Os falcões estão com tudo e está cada dia mais difícil de apostar contra o dólar.
… Em entrevista a uma TV americana, o Fed boy Neel Kashkari previu mais 25pb de aperto e não descartou até mesmo a chance de uma dose mais agressiva, dizendo que o nível neutro do juro pode ter subido após a pandemia.
… Seus comentários casam com o tom hawkish assumido pelo Fed no statement, no gráfico de pontos e na coletiva de Powell na semana passada e dão fôlego no câmbio ao índice DXY, que se aproximou da linha dos 107,000 pontos.
… No fechamento, subia 0,40%, a 106,666 pontos, após atingir o maior nível desde novembro na máxima intraday (106,830 pontos). Caíram o euro (-0,62%; US$ 1,0505), a libra (-0,17%; US$ 1,2138) e iene (-0,36%; 149,62/US$).
… Os recordes em anos dos juros dos Treasuries também são compatíveis com as impressões de que o ciclo de aperto monetário nos EUA ainda não acabou e que, mesmo se acabou, o juro vai levar tempo para começar a cair.
… O mercado puxou ontem o retorno da Note-10 anos até 4,64%, renovando os picos em 16 anos, para fechar a 4,613%, de 4,550% no pregão anterior. A taxa do título de 2 anos fechou em 5,133%, próxima à véspera (5,140%).
… O rendimento do T-Bond de 30 anos cravou seu nível mais alto desde 2011 e superou 4,70%, a 4,723%, de 4,688%. A piora nos yields também respondeu ao impasse político em torno do shutdown do governo norte-americano.
… Para a surpresa de muitos, apesar do grau de tensão observado nos Treasuries, não houve qualquer movimento mais pesado de fuga de risco nas bolsas em NY, porque as ações de energia surfaram no rali do petróleo.
… Chevron subiu 1,95% e ExxonMobil, +3,26%. O índice Dow Jones fechou em baixa de 0,20%, aos 33.550,80 pontos, o S&P 500 terminou o pregão estável (+0,03%), aos 4.274,63 pontos, e o Nasdaq subiu 0,22%, para 13.092,85 pontos.
EM TEMPO… Ministro Alexandre Silveira (MME) defendeu que a PETROBRAS negocie a recompra de refinarias que foram privatizadas, em um processo “dentro das regras de mercado, respeitando a segurança jurídica”.
JBS. Pilgrim’s Pride vai captar US$ 500 milhões em bonds nos EUA com vencimento em 2034; oferta foi precificada em 6,875%; demanda superou em 4,5 vezes a oferta. (fontes do Broadcast)
MOVIDA aprovou a 11ª emissão de debêntures, no valor de R$ 875 milhões.
DEXCO fará a terceira emissão de notas comerciais escriturais de R$ 625 milhões.
AEGEA confirmou captação de US$ 500 milhões em bonds sustentáveis de sete anos, a 9% ao ano, com vencimento em 20/01/2031.
NEOENERGIA assinou documentos para formação de joint venture com a Comerc Participações para atuar no desenvolvimento e na operação de usinas fotovoltaicas focadas em geração distribuída.
SINQIA anunciou que espera encerrar negociação de ações na B3 em 1º/11; empresa foi comprada pela porto-riquenha Evertec, que deve concluir a operação no início do 4TRI.
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Risco de shutdown nos EUA é afastado
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[27/9/2023]
… Um acordo “temporário”, que prorroga até meados de novembro o financiamento do governo dos EUA, foi alcançado, ontem à noite, entre democratas e republicanos, afastando o risco de shutdown já a partir deste domingo, dia 1º. A ameaça de paralisação era apenas um dos fatores que pressionam os mercados externos e contagiam os ativos domésticos, junto com a expectativa de juros elevados por longo tempo e a crise na China. Aqui, também voltam a pesar as incertezas fiscais, com a proposta da Fazenda de quitar os precatórios com crédito extraordinário e as dificuldades da pauta no Legislativo. Hoje, isso deve ser assunto de Campos Neto em audiência na Câmara (9h). No fim da tarde (17h30), o presidente do BC se encontra pela primeira vez com Lula.
… Haddad estará junto com RCN na conversa com o presidente, que, até aqui, só se refere a ele como “aquele cidadão”.
… Durante o dia, o ministro da Fazenda tem uma agenda cheia, com vários encontros políticos, reassumindo a articulação direta para dar ritmo ao que não está andando bem no Congresso, como a reforma tributária, que vai atrasar no Senado.
… Nesta 3ªF, o mercado, que já vinha pesado principalmente pelo clima ruim no exterior, piorou nos últimos minutos com notícias de que o relator da reforma tributária no Senado, Eduardo Braga, não vai entregar seu texto na semana que vem.
… Braga alegou problemas pessoais, como um acidente que sofreu, mas também citou pressões políticas. Segundo ele, ainda falta acertar os ajustes que fez no parecer com a Câmara, para onde a matéria pode voltar se for modificada pelos senadores.
… O cronograma de entrega do relatório estaria mantido para até o final de outubro, pelo menos no dia 20. Resta saber quando será a votação, uma vez que o mês de novembro possui dois feriados (nos dias 2 e 15), que podem atrasar as discussões.
… O encontro de Haddad com Eduardo Braga será no início da noite, após reuniões com relatores de outras matérias importantes para a equipe econômica, como do projeto da LDO, da Lei Orçamentária e do programa Desenrola.
… Para o relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias, deputado Danilo Forte (União), que analisa o Orçamento/24, o compromisso de zerar o déficit é “quase impossível”. “Ou o governo terá que cortar despesas, ou aumentar a arrecadação ou mudar a meta.”
… O governo também está preocupado com o prazo apertado do programa Desenrola, já que a MP perderá a validade se não for votada até o dia 3 de outubro, próxima 3ªF. O texto está no Senado. Se for modificado, terá que voltar à Câmara.
CAIU MAL – O governo sugeriu uma “prática contábil heterodoxa” ao propor alteração no modelo de pagamento de precatórios, afirmou o economista-chefe da Ryo Asset, Gabriel Leal de Barros, ao Broadcast.
… Especialista em contas públicas, ele está convencido de que o objetivo é abrir espaço fiscal para mais gastos nos próximos anos. “Não dá para ser ingênuo: tem o objetivo de abrir espaço fiscal no orçamento, se não for em 2024, em 2025 e 2026.”
… Segundo Barros, a proposta viola a prática de pagar precatórios como despesa primária, adotada no País há mais de 30 anos.
… Na sua avaliação, “isso vai criar uma confusão na contabilidade pública e dificultar que os agentes econômicos acompanhem a posição fiscal do governo, o que pode resultar em aumento dos prêmios de risco”.
… Quanto ao impacto fiscal, acredita que possa chegar a R$ 25 bilhões no ano que vem.
MAIS CRÉDITOS EXTRAORDINÁRIOS – Nesta 3ªF, a CMO aprovou projetos que abrem créditos extraordinários de R$ 2,25 bilhões no Orçamento deste ano. A liberação dos recursos ainda precisa passar pelo plenário do Congresso.
… O projeto de maior impacto libera R$ 1,3 bilhão para as pastas da Agricultura, Educação, Minas e Energia, Saúde e Integração e Desenvolvimento Regional. Outro projeto libera R$ 129,9 milhões para acabar com as filas da Previdência Social.
REPATRIAÇÃO – No Senado, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) aprovou ontem o projeto de lei do novo Regime Especial de Regularização Cambial e Tributária (RERCT), a chamada repatriação de ativos.
… O texto estabelece que o Imposto de Renda devido terá alíquota de 14% e deverá ser aplicada uma multa de 90% sobre o valor devido. Como tem caráter terminativo, o texto vai à Câmara, a menos que haja recurso ao plenário.
… Inicialmente, o relator, Renan Calheiros (MDB), chegou a cogitar multa de 165%. Depois, reduziu o valor para 140%. A quantia caiu mais na reta final das discussões para viabilizar a aprovação do texto.
… O objetivo é estimular a regularização de bens não declarados no exterior, com aumento da arrecadação. Em 2016, com alíquota de 15% e multa de 100%, a repatriação foi de R$ 170 bilhões e o impostos, de R$ 50,9 bilhões.
REBELIÃO – Na Câmara, a bancada ruralista reagiu ao julgamento do marco temporal no STF e iniciou obstrução. Deputados planejam não marcar presença no plenário e em nenhuma comissão para impedir quórum.
SEM CAVALO DE PAU – Numa referência ao ceticismo de economistas sobre o cumprimento da meta do ano que vem, de zerar o déficit primário, o presidente Lula reforçou as promessas do governo na área econômica.
… Dizendo que “ninguém vai dar cavalo de pau na economia”, afirmou que o foco continuará sendo a população mais pobre.
… “Todo mundo será tratado com muito respeito, mas as pessoas mais necessitadas e trabalhadores terão atenção especial.”
MAIS AGENDA – Saem aqui a nota do BC de crédito em agosto (8h30), o relatório mensal da dívida do Tesouro no mês passado (14h30) e os dados semanais do fluxo cambial (14h30), em semana de formação de ptax.
LÁ FORA – O dia começa com a confiança do consumidor da Alemanha (3h) em outubro. Nos EUA, os estoques de petróleo do BoE (11h30) têm previsão de queda de 600 mil barris. Ontem à noite, o API reportou +1,6 milhão.
SÓ RUÍDOS – Ao clima pesado do exterior (com a China e o Fed), somou-se ontem o estresse doméstico, com rumores de pressão política na Petrobras e a notícia de que a tramitação da reforma tributária vai atrasar.
… Além disso, a ata do Copom e o fôlego dos serviços no IPCA-15 não deram espaço para o investidor sonhar com corte de 0,75pp na Selic e houve ainda desconforto com o desejo do governo reclassificar os precatórios.
… O Ibovespa queimou 1.700 pontos de uma só vez, o dólar quis encostar nos R$ 5 e a curva do DI saltou.
… O índice à vista da bolsa doméstica (-1,49%) engatou o quarto pregão seguido de queda, entregou os 115 mil pontos e não ficou longe de furar os 114 mil (114.193,43), rodando nas mínimas em três meses, desde junho.
… O volume financeiro somou R$ 22,9 bilhões e apenas dez ações subiram no Ibovespa no pregão de ontem.
… Não foi o caso de Petrobras, que fechou nas mínimas do dia (ON, -2,76%, a R$ 36,35; e PN, -2,31%, a R$ 33,46), abalada por rumores de reunião entre Prates e Lula esta semana, o que levantou a bola de ingerência.
… A estatal se vê cada vez mais pressionada a reajustar os combustíveis, com a escalada do petróleo rumo a US$ 100, e o mercado teme que o Planalto queira interferir para evitar o desgaste da gasolina e diesel mais caros.
… Após uma pausa recente no rali, a commodity voltou a subir, às voltas com a extensão dos cortes dos sauditas e russos. O Brent/dez ganhou 0,72%, a US$ 93,96, e o WTI/nov (+0,79%) retornou à faixa de US$ 90 (US$ 90,39).
… Ainda entre as commodities, o minério de ferro, que até bem recentemente vinha se entusiasmando com os estímulos na China, agora resgata os receios de que a crise imobiliária comprometa o crescimento econômico.
… Prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman disse ontem, em evento no Rio, que o tempo de “crescimento heroico da China acabou”. A S&P Global cortou a projeção do PIB chinês no ano de 5,2% para 4,8%.
… Diante do agravamento dos temores, o minério caiu mais 1,64% e levou a Vale junto (ON, -1,56%, a R$ 65,56).
… O ambiente de risk-off também desencadeou vendas nos bancos, que caíram em bloco: Itaú (-1,48%; R$ 26,60), Bradesco ON (-1,45%; R$ 12,27), BB (-1,42%), Bradesco PN (-1,06%; R$ 13,96) e Santander (-0,73%).
… A sessão também foi desfavorável para as varejistas, que se destacaram entre as maiores perdas, diante da pressão nos juros futuros. Petz recuou 5,60%, Pão de Açúcar caiu 5,10% e Lojas Renner perdeu 4,64%.
… Mas Natura subiu 0,52%, com o BB Investimentos elevando a recomendação do papel de neutra para compra.
… Ainda entre as altas isoladas do dia, o papel da BRF (+2,79%) ficou no topo do ranking, influenciado pela notícia de que a Marfrig (+0,29%) passou a deter 40,0529% do total das ações de emissão da companhia.
… Também agradou ao mercado o anúncio de troca de CFO da Eletrobras (PNB, +1,88%; e ON, +0,92%).
… Elvira Baracuhy Cavalcanti Presta renunciou ao cargo de vice-presidente Financeira e de RI da companhia. Em razão disso, o conselho de administração elegeu Eduardo Haiama como novo vice-presidente da Eletrobras.
FLERTANDO COM O PERIGO – Uma briga interessante se observou no câmbio ontem, quando o dólar atraiu vendas ao se aproximar dos R$ 5, mas acionou compras em R$ 4,95, sinalizando que o piso é mais em cima.
… A corrida global pela moeda americana, puxada pela perspectiva de juros mais altos por mais tempo nos EUA, elevou a barra do dólar (+0,42%, a R$ 4,9871) e depreciou o real nesta 3ªF para as mínimas em três meses.
… A resistência psicológica dos R$ 5 foi respeitada – só não se sabe por mais quanto tempo, porque já ontem mesmo o dólar rompeu R$ 4,99 na máxima (R$ 4,9936) e tem menor margem de alívio com o Fed hawkish.
… Como disse Galípolo, em evento ontem na FGV, o real é uma moeda de “carry trade” e a queda do diferencial de juros entre emergentes e países desenvolvidos gera um debate sobre o impacto para a economia doméstica.
… No câmbio futuro, o contrato do dólar para outubro registrou valorização de 0,39%, para R$ 4,9915.
… Nos últimos minutos do pregão, o recuo de Braga sobre o cronograma da reforma tributária no Senado colocou maior pressão nos negócios e levou a curva do DI a acelerar o ritmo de alta, embutindo prêmio de risco.
… Na reta final, houve movimento de zeragem de posições vendidas (stop loss). Mas a disparada dos juros futuros já se desenhava desde cedo, quando o mercado olhou para a ata e para pontos de pressão no IPCA-15.
… A prévia da inflação de setembro (+0,35%) veio abaixo da mediana das apostas (+0,37%), mas os serviços subiram de 0,13% para 0,53% e a desaceleração dos serviços subjacentes (4,5% para 3,8%) foi considerada lenta.
… O Barclays baixou a projeção do IPCA/23, de 5,1% para 4,9%, após a queda da alimentação no domicílio (-1,89%), mas o banco avaliou que a dinâmica de curto prazo é insuficiente para um recuo mais firme da Selic.
… De seu lado, a ata do Copom confirmou o comunicado, endossando cortes de meio ponto da Selic até dezembro e tirando 0,75pp do radar. Mas o teor do documento gerou debate sobre o juro terminal.
… No trecho da ata sobre extensão do ciclo de cortes, o Copom defendeu a “necessidade da política monetária ainda contracionista pelo horizonte relevante” e reiterou o “firme compromisso com a convergência à meta”.
… Jogando com as incertezas, o BC puxou para os dois dígitos (10%) a precificação na curva do DI da Selic no fim do ciclo, que chegou a cair abaixo de 9% semanas atrás, quando se duvidava da maior agressividade do Copom.
… Cálculos ao Broadcast do economista-chefe do BMG, Flávio Serrano, indicam que o DI praticamente tirou de cena a esperança de o juro cair 0,75pp nas próximas reuniões até janeiro. Esta probabilidade se limita a 10%.
… No fechamento, o contrato DI para jan/24 subiu à máxima de 12,265% (contra 12,254% na véspera); jan/25 saltou para 10,790% (de 10,575%); jan/26, 10,610% (de 10,332%); e jan/27 avançou a 10,885% (de 10,624%).
… O jan/29 fechou no pico do dia, a 11,470% (de 11,204%), e o jan/31 arrancou até 11,760% (de 11,510%).
SEM FREIO – Nada segura os juros dos Treasuries, que estão achando que recordes existem para serem batidos.
… O retorno da Note-10 anos voltou à barreira de 4,550%, contra 4,537% na véspera, e a taxa do T-Bond de 30 anos superou a marca de 4,7% pela primeira vez em mais de 12 anos no intraday e fechou a 4,688%, de 4,666%.
… Já o rendimento do título do Tesouro americano de 2 anos avançou a 5,140%, contra 5,114%. No dia nervoso, o indicador VIX de volatilidade (“índice do medo”) chegou a saltar quase 20% no pregão. Fechou em +12%.
… O combo de fatores negativos incluiu dados ruins sobre a atividade nos EUA, perspectiva de juros altos por mais tempo, receios com a economia da China e o risco de shutdown, que à noite parece ter sido contornado.
… A forte queda da confiança medida pela Conference Board, de 108,7 para 103 em setembro, e o recuo bem maior (-8,7%) que o esperado (-2%) nas vendas de moradias novas em agosto aumentaram a cautela em NY.
… As preocupações também foram acentuadas pela posição mais conservadora do Fed, depois de mais um integrante (Neel Kashkari) ter defendido nova alta no juro e manutenção em nível elevado por mais tempo.
… O sentimento hawkish ampliou a alta do dólar contra as moedas rivais. O euro caiu 0,19%, para US$ 1,0569, a libra esterlina recuou 0,44%, a US$ 1,2159, e o iene (-0,12%, a 149,04/US$) atingiu mínimas em quase um ano.
… A divisa japonesa sofre em dobro: pelo Fed mais agressivo e pelo BoJ, que não cansa de ser dovish.
… Dominadas pela aversão a risco, as bolsas em NY foram mal. O Dow Jones (-1,14%, a 33,618,62 pontos) teve a pior perda diária desde março. O S&P 500 recuou 1,47% (4.273,51 pontos) e o Nasdaq caiu 1,57% (13.063,61).
… O setor de tecnologia potencializou as perdas. Amazon afundou 4,03%, após a Comissão Federal de Comércio ter entrado com ação judicial contra a empresa, acusada de monopólio. Microsoft cedeu 1,7% e Alphabet, -1,9%.
… As ações das montadoras também foram mal: GM perdeu 2,42% e Ford, -1,19%. Em movimento sem precedentes na história americana, Biden aderiu à greve dos trabalhadores e disse que merecem aumento significativo de salário.
EM TEMPO… CPI que investigou o rombo bilionário da AMERICANAS terminou com aprovação de relatório considerado inconclusivo por deputados, sem apontar culpados, por 18 votos a favor e 8 contrários ao texto.
BR PARTNERS. Follow on saiu a R$ 12,75/unit, desconto de 7,6% s/ fechamento de ontem… (fontes do Valor)
… A oferta, que foi exclusivamente secundária, movimentou R$ 214,5 milhões; demanda alcançou 3,2 vezes, mas lote adicional não foi colocado.
CCR celebrou novo aditivo ao contrato de concessão entre sua controlada VLT Carioca e o município do Rio.
NEOENERGIA finalizou contrato de permuta com Eletronorte envolvendo Energética Águas da Pedra – EAPSA (UHE Dardanelos) e Usina Hidrelétrica de Teles Pires.
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