Guerra no Oriente Médio estressa mercados
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[9/10/2023]
… A guerra declarada por Israel contra o Hamas – após o ataque terrorista neste sábado – deverá estressar os mercados hoje e ter efeitos importantes sobre o petróleo, que já subia forte nos primeiros negócios do pregão eletrônico. O feriado de Columbus Day fecha os Treasuries em NY, mas as bolsas em Wall Street (e o câmbio) funcionam normalmente e devem mostrar nervosismo e aversão ao risco. Há expectativa também para as commodities, com a volta dos chineses da Golden Week. O minério de ferro caía 1,5% ontem à noite. A geopolítica amplia as incertezas do ambiente externo e o contágio dos ativos domésticos, com possíveis perdas para o Ibovespa e pressão nos juros e dólar. Entre os indicadores da semana, a inflação é destaque nos EUA, na China e no Brasil (IPCA), antes do feriado de 5ªF.
… O receio de uma escalada dos conflitos na região colada aos grandes produtores de petróleo, como Arábia Saudita, Emirados Árabes e Catar, pode levar o barril aos US$ 100 no curto prazo, segundo Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).
… O investidor tende a colocar o risco da guerra nos preços, o que pode comprometer “os esforços do Fed para domar a inflação”, disse o economista André Perfeito, em comentário ao Broadcast. Isso equivale a acentuar as projeções de juros elevados.
… Economista-chefe da JF Trust, Eduardo Velho prevê corrida ao dólar e fuga da renda variável, com “fortíssima” aversão ao risco. Mesma avaliação tem o estrategista do Banco Ourinvest, Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do MDIC.
… Na curva do DI, uma deterioração das expectativas de inflação, decorrente de um provável rali do petróleo e da depreciação do câmbio, contaminaria ainda mais o quadro para o Banco Central, indicando menor espaço para cortes da Selic.
… Na 4ªF, véspera do feriado de Nossa Senhora Aparecida, o IPCA de setembro deve seguir pressionado pelo reajuste de combustíveis da Petrobras em agosto. À época, Campos Neto estimou um impacto de 0,40pp na inflação até setembro.
… Já os dados do CPI e PPI na China (4ªF à noite) e do CPI americano (5ªF) pegarão o mercado brasileiro fechado no dia 12 de outubro. O indicador nos EUA tem sido qualificado como a “última peça no quebra-cabeça” para a reunião do Fomc em 1º de novembro.
… Uma surpresa para cima do CPI pode elevar a chance de o juro americano ficar 0,25pp mais alto em novembro, que ainda é minoritária no CME (27,1%), embora tenha crescido contra os 21,1% de antes do relatório de emprego.
… Na última 6ªF, NY reagiu em dois tempos ao payroll: muito mal pela manhã, com a criação de 336 mil empregos em setembro, no dobro do esperado, e melhor à tarde, levando em conta que o aumento dos salários desacelerou para 0,21% (projeção de 0,30%).
… A taxa de desemprego permaneceu inalterada em 3,8%, quando o consenso era de recuo para 3,7%.
… Em entrevista à TV Bloomberg, o ex-secretário do Tesouro americano Lawrence Summers disse que o payroll não favorece um “pouso suave” da economia, mas sim um “pouso forçado”, já que “o avião ainda está voando rápido demais”.
… Os sinais trocados do payroll confundiram o mercado. Na primeira reação de estresse, o retorno do T-Bond de 30 anos bateu recorde em 16 anos, chegando a superar 5% na máxima, e o da T-Note de dez anos buscou os 4,85%.
… Baixada a poeira, o mercado desacelerou a pressão dos juros dos Treasuries e virou para o positivo as bolsas globais, enquanto aqui o Ibovespa conseguiu se recuperar junto com Wall Street, enquanto o dólar fechou longe da máxima de R$ 5,22 (abaixo).
GUERRA/UPDATE – O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, prometeu neste domingo “aniquilar” o Hamas após os ataques de sábado, que mataram mais de 700 israelenses, deixaram 2 mil feridos e fizeram mais de 130 reféns em Gaza.
… “Será uma guerra longa e difícil”, disse o premiê, que aconselhou a todos os palestinos que vivem em Gaza a fugir imediatamente.
… Dezenas de reservistas israelenses partiram para suas bases, depois de Netanyahu convocar uma mobilização nacional.
… Os ataques por terra, ar e mar lançados pelo grupo terrorista, na pior invasão sofrida por Israel em 50 anos, levou o governo israelense a responder com bombardeios pesados a Gaza. Mais de 400 palestinos foram mortos, segundo o Ministério da Saúde palestino.
… O governo israelense também determinou a retirada dos moradores de 24 aldeias perto da fronteira, uma indicação de que Israel estaria preparando uma operação terrestre contra a Faixa de Gaza.
… O Hamas continuou a disparar foguetes contra Israel, atingindo Sderot, enquanto o Hezbollah, grupo libanês aliado do Hamas e do Irã, lançou neste domingo uma série de mísseis e artilharia contra os campos de Shabaa, na fronteira entre Líbano e Israel.
… A movimentação preocupa, porque pode abrir uma nova frente da guerra, atraindo os libaneses para o conflito. “Recomendamos ao Hezbollah que não intervenha. Se isso acontecer, estaremos prontos”, alertou o porta-voz do Exército israelense, Richard Hecht.
… Segundo o Wall Street Journal, o Irã ajudou o Hamas a planejar os ataques de sábado contra Israel.
… Membros do alto escalão do Hamas e do Hezbollah ouvidos pelo jornal disseram que o governo iraniano aprovou o lançamento do ataque em uma reunião em Beirute, na semana passada. A operação estaria sendo planejada desde agosto.
… Em Washington, a Casa Branca informou que o presidente Biden conversou neste domingo com o premiê Benjamin Netanyahu, a quem prometeu “total apoio para o governo e o povo de Israel face o terrível e sem precedentes ataque dos terroristas do Hamas.”
MAIS AGENDA – A primeira prévia de outubro do IPC-S sai hoje (8h) e a do IPC-Fipe, amanhã (3ªF). Na pesquisa Focus, que sai esta manhã (8h25), as estimativas para o IPCA deste ano estão em 4,86% e o resultado projetado para 2024 é de 3,87%.
CAMPOS NETO – O presidente do BC está em Portugal, onde tem participação prevista hoje à primeira hora do dia (às 4h15 do Brasil) na sessão pública do 33º Encontro de Lisboa de BCs dos Países de Língua Portuguesa. O evento é aberto para a imprensa.
… Os investidores esperam uma avaliação inicial de RCN sobre a guerra no Oriente Médio, assim como do ministro Haddad.
HADDAD – Marcou entrevista coletiva para hoje (10h), sobre o lançamento da nova fase do Programa Desenrola.
… Amanhã (3ªF), o ministro embarca amanhã para Marrakesh (Marrocos), onde faz sua estreia oficial na 5ªF nos tradicionais encontros do FMI. A reunião anual do Fundo e do Banco Mundial começa hoje e vai até domingo.
… Uma das solicitações foi para um encontro com a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva.
… Na pauta da reunião entre os dois, a expectativa é de que seja debatida a presidência do Brasil no G20, os recursos e estrutura de quotas do Fundo e o apoio aos mercados emergentes e economias em desenvolvimento.
… Haddad vai liderar a comitiva brasileira, que também terá a presença do presidente do BC, Roberto Campos Neto.
CONGRESSO – Em Brasília, a semana é esvaziada pelo feriado de 5ªF e pelo adiamento da votação do projeto de lei de tributação de fundos de alta renda e offshores, para dia 24. A bancada do agronegócio quer blindar os Fiagros da taxação.
… O setor avisou Haddad que não apoiará a matéria se o texto interferir nas regras dos fundos de investimentos ligados à agroindústria, uma vez que o instrumento serve de fonte de financiamento para o segmento.
… O PL dos “super-ricos” e dos aportes externos é uma das apostas da equipe econômica para elevar a arrecadação.
NOS EUA – Três Fed boys participam de eventos hoje: Lorie Logan (10h), Michael Barr (10h15) e Philip Jefferson (14h30).
… No sábado, a diretora do Fed Michelle Bowman disse que a inflação continua demasiado elevada e, por isso, considera apropriado que os juros “aumentem ainda mais” e sejam mantidos em nível restritivo por algum tempo, para devolver a inflação à meta de 2%.
… “A última leitura de inflação baseada no PCE mostrou aceleração, respondendo em parte aos preços mais elevados do petróleo. Vejo um risco contínuo de que os preços elevados da energia possam reverter alguns dos progressos que temos visto nos últimos meses.”
… Na 4ªF, a ata do Fed e o índice de preços ao produtor (PPI) de setembro nos EUA preparam os espíritos para o CPI no dia seguinte.
BALANÇOS – A temporada nos EUA começa amanhã (3ªF) com PepsiCo. Na 6ªF, saem JPMorgan, Citi e Wells Fargo.
ZONA DO EURO – O BCE divulga na 5ªF a ata da última reunião de política monetária, quando subiu o juro em 0,25pp e começou a dar fortes indícios de que este é o pico. Na Alemanha, sai hoje à primeira hora (3h) a produção industrial de agosto.
CHINA – Depois dos dados da inflação na 4ªF à noite, sai a balança comercial de agosto na 6ªF.
… Nos EUA, a Casa Branca incluiu 42 empresas chinesas numa lista de controle de exportação do governo, em virtude do apoio à Rússia.
PETRÓLEO – As negociações com o petróleo ainda serão movimentadas esta semana pelos relatórios mensais da AIE e da Opep (5ªF), que deve elevar as perspectivas da demanda por petróleo no médio e longo prazo, segundo a Reuters.
… Na agência Dow Jones, a Arábia Saudita informou a Casa Branca que estaria disposta a aumentar a produção de petróleo no início do próximo ano se os preços do petróleo subirem.
… A medida visa ganhar a boa vontade do Congresso para um acordo no qual os sauditas reconheceriam Israel e, em troca, obteriam um pacto de defesa com Washington, disseram autoridades sauditas e norte-americanas.
… Esse entendimento representaria uma mudança por parte de Riad, que há um ano rejeitou o pedido da gestão Biden para ajudar a baixar os preços do petróleo e combater a inflação, complicando as relações entre os dois países.
BIPOLAR – Dominado pela volatilidade do payroll que bombou, mas sugeriu maior controle da inflação nos salários, os ativos domésticos seguiram à risca o exterior, com um auge de estresse inicial e depois uma virada de chave.
… O dólar bateu na faixa de R$ 5,22 antes de buscar a acomodação no fechamento em R$ 5,16, enquanto o Ibovespa oscilou 2.500 pontos entre a mínima do dia (111.598,57, pior marca em quatro meses) e a máxima (114.491,00).
… O índice à vista (+0,78%) terminou o dia na ponta de cima, aos 114.169,63 pontos, com giro de R$ 23,1 bilhões. A inversão para o positivo veio no começo da tarde e coincidiu com a retomada externa, na segunda leitura do payroll.
… No cenário de ganha-ganha, com a economia americana que continua forte, mas que não necessariamente pressiona o Fed a subir o juro, o petróleo deu fôlego à Petrobras: ON (+2,51%; R$ 36,37) e PN (+2,38%; R$ 33,51).
… Lá fora, o Brent/dez subiu 0,61% (US$ 84,58), sob o efeito do payroll e de relatos otimistas de viagens na Golden Week na China. Mas o barril de petróleo não evitou queda superior a 8% no acumulado da semana, marcada por realização.
… Os bancos se destacaram entre as maiores altas do Ibovespa no pregão desta 6ªF, com BB (+4,07%, a R$ 48,85) e Santander (+1,91%, a R$ 27,19). O movimento foi embasado na revisão das classificações para os ativos.
… O Bradesco BBI elevou a recomendação das ações do BB de neutra para outperform (equivalente a compra) e o preço-alvo foi de R$ 48 para R$ 60. Além disso, o BTG elevou a recomendação do Santander de venda para neutra.
… Itaú subiu 0,94%, a R$ 27,90. Já Bradesco PN registrou +0,21% (R$ 14,47) e Bradesco ON, +0,08% (R$ 12,64).
… Outro driver positivo para o Ibovespa veio da Vale (+1,46%, a R$ 66,86), após o UBS elevar a recomendação dos papéis da mineradora de venda para neutro, o que levou a empresa a ganhar R$ 4 bilhões em valor de mercado na 6ªF.
STAND-BY – Reportagem do Broadcast indica que o recente salto nos juros dos Treasuries fechou a janela para as captações externas e, ao mesmo, pode trazer ruídos para as ofertas de ações (IPOs) este ano. Vai depender do Fed.
… Investidores esperavam que o Tesouro anunciasse uma emissão externa no final do mês de setembro, que seria a primeira feita pelo Brasil de títulos verdes. Mas até agora a operação não saiu, nos reflexos do cenário incerto.
… Na curva do DI, os traders começam a antecipar o fim do ciclo de cortes da Selic de setembro para agosto, na onda do movimento que já zerou a chance de uma queda mais agressiva (0,75pp) este ano e colocou -0,25pp no radar.
… Os juros futuros caíram de leve na 6ªF, depois de terem subido mais de 0,30pp nos contratos intermediários, com o mercado reduzindo o nervosismo após o susto inicial com o payroll de setembro ter ativado uma fuga do risco.
… O DI para jan/24 ficou estável em 12,238%; jan/25 caiu a 10,955% (de 10,976% no dia anterior); jan/26, 10,830% (de 10,860%); jan/27, 11,070% (de 11,121%); jan/29, 11,560% (de 11,623%); e jan/31, 11,850% (de 11,907%).
… No câmbio, antes de aliviar para o fechamento, em leve queda de 0,14%, a R$ 5,1622, o dólar investiu até o pico de R$ 5,2207 pela manhã. Na semana, subiu 2,69%, sob a pressão do Fed, que ainda não está dado (falta o CPI).
… No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana para novembro caiu 0,44%, negociado a R$ 5,1600.
O GURU ESTÁ BRAVO – “Quando você fica para trás logo no início de um ciclo de inflação, você paga o preço quando chega no final”, comentou ex-CEO da Pimco Mohamed El-Erian e hoje conselheiro econômico-chefe da Allianz.
… Foi o segundo dia consecutivo em que ele falou mal do Fed, dizendo que a mudança de regime de taxas de juros “ridiculamente baixas” está acontecendo muito rápido e que o payroll é uma “má notícia” para o BC americano.
… O mercado entendeu na 6ªF o relatório de emprego primeiro pelo viés hawkish, levando o rendimento do T-Bond de 30 anos a testar novos recordes e superar 5% no intraday, enquanto a taxa da Note-10 anos cruzava os 4,85%.
… Antes do feriado de Columbus Day, no entanto, os yields corrigiram os excessos, pondo em xeque a urgência de um aperto monetário adicional pelo Fed em novembro, se a pressão dos salários nos EUA está menos acentuada.
… Os retornos dos Treasuries se mantiveram em alta, mas afastados da máxima do dia. O rendimento do T-Bond voltou para 4,959% (de 4,887% na véspera) e o da Note-10 anos fechou a 4,788% (contra 4,709% no dia anterior).
… Entre os altos e baixos do dia, o dólar subiu para cair e a Capital Economics se apressou a dizer que a moeda pode já estar “perto da exaustão”, embora esta avaliação pareça um pouco precipitada, porque ainda tem o CPI para sair (e agora tem a guerra).
… O euro subiu 0,36%, para US$ 1,0598, e a libra ganhou 0,38%, a US$ 1,2251. Klaas Knot, do BCE, disse estar satisfeito com as atuais configurações de política monetária para levar a inflação do bloco europeu de volta aos 2%.
… “Isso não quer dizer que não haverá novos choques”, afirmou. O BCE subiu os juros dez vezes consecutivas, para 4% ao ano, e tem sinalizado que o ciclo de aperto terminou, mas que a taxa seguirá elevada por algum tempo.
… O iene caiu para 149,31/US$, apesar de avaliações de analistas de que o BoJ pode sinalizar este mês que está perto do fim do controle da curva de juros. Na última reunião de política monetária, esta expectativa saiu frustrada.
… Superada a onda de tensão pela manhã com o payroll, as bolsas em NY subiram firme à tarde: Dow Jones, +0,87%, aos 33.407,58 pontos; S&P 500, +1,18%, para 4.308,50 pontos; e Nasdaq, +1,60%, em 13.431,34 pontos.
EM TEMPO… Carf negou recurso da PETROBRAS em processo que envolve débitos fiscais de cerca de R$ 6,5 bilhões.
CEMIG. Concluiu a venda da fatia que detinha no Consórcio Baguari para a Furnas, controlada pela Eletrobras, por R$ 421,2 milhões. A companhia não informou o impacto líquido da venda sobre seus resultados.
SARAIVA. Tribunal de Justiça de São Paulo decretou a falência da rede de livrarias Saraiva, em decisão publicada na 6ªF, após a empresa, que estava em recuperação judicial desde 2018, entrar com pedido de autofalência.
ALUPAR. Informou o fechamento da operação entre a companhia e duas controladas da WEG para a formação de uma parceria societária que tem por objeto a geração de energia por meio da Central Geradora Eólica AW Santa Régia, de sua controlada EAP II.
IRB. Em evento para corretores de seguros, na 6ªF, em São Paulo, o vice-presidente de Finanças, Atuário e Tecnologia, Rodrigo Botti, disse que a atual gestão está “com uma atitude muito forte de fomentar novos negócios, não o de ter uma postura oportunística”.
LATAM. Vai triplicar a oferta de assentos no Aeroporto do Galeão em meio às restrições impostas ao Santos Dumont. A ampliação será apoiada pela inauguração das rotas do terminal internacional carioca para Manaus, Recife e Natal em janeiro de 2024…
… Também a AZUL anunciou a ampliação da operação no Galeão, saltando de três voos diários para 30 saídos do terminal internacional.
AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!
*com a colaboração da equipe do BDM Online
AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.
Payroll pode gerar alta volatilidade se surpreender
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[6/10/2023]
… O IGP-DI de setembro abre a agenda às 8h, com a mediana das estimativas apontando aceleração para 0,26% (0,05% em agosto), mas o dia é do payroll nos EUA, o indicador mais importante da semana, especialmente depois que o relatório Jolts deu um susto na 3ªF, com abertura de 9,6 milhões de postos de trabalho, bem acima do esperado (8,9 milhões). Na sequência, a pesquisa ADP veio fraca e ontem os novos pedidos de auxílio-desemprego subiram menos que o consenso. Entre os dados divergentes, investidores assumiram cautela à espera do relatório do emprego, que sai às 9h30. O potencial de volatilidade é grande hoje, para o bem ou para o mal. Um resultado forte tende a causar nova onda de estresse, reforçando as apostas em mais alta do juro. Se o payroll desacelerar, aí vem um bom alívio.
… O payroll deverá indicar a criação de emprego abaixo de 200 mil pelo quarto mês seguido, confirmando que o mercado de trabalho está esfriando, mas ainda continua muito apertado. O consenso é de criação de 170 mil vagas, segundo o MarketWatch.
… Já na pesquisa Broadcast, o relatório mostrará a criação de 175 mil vagas de empregos, ainda menos do que foi agosto (187 mil vagas), com a taxa de desemprego recuando de 3,8% para 3,7% e crescimento de 0,3% do salário médio, acima do mês anterior (0,2%).
… No ano, o aumento do salário deve se manter em 4,3%, um percentual considerado muito alto para uma meta de 2%.
… Para o economista-chefe do PicPay, Marco Caruso, “qualquer número acima de 120 mil consegue manter o desemprego estável”.
… Autoridades do Fed estimam que economia não precisa mais do que 75 mil a 100 mil empregos por mês. Qualquer coisa além disso significa pressão para os salários, em ambiente de escassez de mão-de-obra, e dificuldade maior para controlar a inflação.
… A força do mercado de trabalho é um dos fatores decisivos para determinar os próximos passos da política monetária, junto com dados da atividade. Por isso, o payroll deve conduzir as expectativas para os juros e os movimentos dos pregões hoje.
… O primeiro impacto a ser observado é na curva longa dos Treasuries, que tem conduzido os negócios nas últimas semanas, quando o yield da Note-10 anos atingiu a máxima de 4,8%. Se subir mais, contrata queda das bolsas e escalada do dólar.
… Já se as taxas fecharem (recuarem), o alívio se refletirá na alta das ações, enquanto a moeda americana perde força.
… O que está em jogo é se o juro vai subir mais, em um ajuste adicional que não é descartado pelos Fed boys, mas ainda é desacreditado pela ampla maioria dos investidores em NY, ou se o ciclo de altas acabou no intervalo entre 5,25% e 5,50%.
… Na CME, as chances de estabilidade na taxa dos Fed Funds estavam em 78,4% para a reunião do Fomc de novembro, enquanto 21,6% projetavam alta de 25pbs. Já para dezembro, a aposta em alta de 25pbs era de 30,8% e de manutenção de 65,7%.
… No mínimo, o payroll de hoje ajudará a direcionar as apostas sobre o tempo que os juros ficarão restritivos nos EUA.
… Em artigo no Financial Times nesta 5ªF, Mohamed El-Erian destaca que o período “intenso” de alta da taxa dos Fed Funds, o avanço do preço do petróleo e o dólar forte estão afastando a ideia de um pouso suave na economia americana.
… Segundo ele, sua confiança no Fed está abalada. “Não adotou o suficiente para um mundo onde a demanda é insuficiente e a oferta, menos flexível. Quanto mais tempo demorar a ajustar-se, maior será o risco para o bem-estar econômico.”
… Nesta 5ªF, preparado para correr, o dólar fechou em R$ 5,16, puxando os juros futuros, enquanto o Ibovespa, com giro inexpressivo de R$ 17 bilhões, lutou para defender os 113 mil pontos. Também as bolsas em NY fecharam negativas (leia mais abaixo).
MAIS AGENDA – A mobilização dos servidores do BC adiou de ontem para hoje (9h) o relatório de poupança de setembro. Às 10h, serão divulgados os dados da Anfavea de produção e vendas de veículos no mês passado.
… O diretor de Regulação do BC, Otavio Ribeiro Damaso, faz palestra às 9h30 no Evento CERC Connect, promovido pela Central de Recebíveis. Já Campos Neto se reúne por videoconferência (15h) com dirigentes de instituições financeiras.
… Haddad tem reuniões com a Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca) e com o CEO da Omega.
NOS EUA – À tarde, já sob o impacto do payroll, o diretor do Fed Christopher Waller discursa em evento (13h). A Baker Hughes divulga, às 14h, os poços de petróleo em operação e, às 17h, sai o crédito ao consumidor em agosto.
QUE RUFEM OS TAMBORES – Bateu alguma ansiedade antes do payroll e o Ibovespa não conseguiu subir e nem o dólar conseguiu cair, ainda que as variações na bolsa e no câmbio tenham sido moderadamente cautelosas.
… A estabilidade da Vale (+0,05%; R$ 65,90), a virada de Petrobras PN (+0,34%; R$ 32,73) e o otimismo dos bancos pelo segundo dia consecutivo não foram suficientes para evitar a terceira queda do Ibov nos quatro pregões do mês.
… O índice à vista fechou em leve queda de 0,28% e brigou pelos 113 mil pontos no fechamento (113.284,08).
… Ponto alto da semana, o relatório de emprego nos EUA tem potencial para definir tendência nos negócios globais e para calibrar as apostas sobre o pico do ciclo do Fed, que tem deixado a sua marca nos preços do petróleo.
… A perspectiva de queda na demanda desencadeada pelo risco de juros mais altos por mais tempo nos EUA tem compensado a restrição na oferta da commodity. Ao invés de buscar US$ 100, o Brent está abaixo de US$ 85.
… Mesmo depois de ter afundado mais de 5% na 4ªF, o contrato do barril para dezembro estendeu ontem o movimento de baixa (-2,02%), para US$ 84,07. Nem o enfraquecimento do dólar lá fora evitou a nova onda de venda.
… Ao Broadcast, a analista Livia Gallarati, da Energy Aspects (EA), avalia que o tombo recente do petróleo reflete mais fluxo financeiro que fundamentos. A liquidação dos Treasuries induziu um movimento vendedor da commodity.
… Essa instabilidade, diz, parece ter dado ímpeto adicional à montagem de cobertura com opções de venda (put), que aposta na queda do preço, enquanto os detentores de opções de compra (call) correram para fechar posições.
… O analista Edward Moya (Oanda) alerta que a fraqueza nas cotações do petróleo pode incentivar maiores cortes de produção pela Opep+, que “fará o que for preciso” para o preço não voltar às mínimas do ano, perto de US$ 70.
… Apesar da nova queda firme do barril, Petrobras ON caiu pouco ontem (-0,39%), negociada a R$ 35,48.
… Na esperança de que os Juros sobre Capital Próprio (JCP) não sejam extintos, os bancos ampliaram as altas: Itaú, +1,58% (R$ 27,64); Santander, +2,38%; Bradesco ON, +0,24% (R$ 12,63), e PN, +0,42% (R$ 14,44); e BB (+0,3%).
… Ativos do setor de telecom também figuraram no ranking positivo, após o acordo sobre o preço dos ativos móveis da Oi ter sido finalizado na Justiça. Tim ON ganhou 1,74% (R$ 15,18) e Telefônica Vivo avançou 1,15% (R$ 44,72).
… Já a pior baixa do pregão foi de Hapvida ON que cedeu 4,81%, a R$ 4,16. O movimento foi influenciado por relatório do Citi apontando que a empresa reportou queda de 42,7 mil no total de beneficiários em agosto.
MUITA ESPUMA – Num curto espaço de tempo, a curva a termo limpou as apostas em corte maior da Selic (0,75pp) e desistiu de precificar juro terminal de um dígito (abaixo de 9% entre agosto e setembro), para projetar 10,50%.
… A correção parece ter pouco ou nada a ver com o recado explícito do Copom no comunicado de manutenção do ritmo de queda em meio ponto nas “próximas reuniões” – ontem mesmo, Galípolo defendeu esta mesma dose.
… É do exterior que vem a reprecificação mais conservadora. Com as taxas dos Treasuries rodando nas máximas em 16 anos e pressionando o dólar por aqui acima de R$ 5,15, o BC tem menor espaço para ousar nos cortes.
… Nem mesmo o petróleo, que embarcou em canal de realização de lucro, antes de buscar os US$ 100, tem entrado como fator de viés deflacionário, porque vem ajudando a depreciar o real e trazer maior pressão ao dólar à vista.
… De qualquer maneira, profissionais consultados pelo Broadcast ainda estão reticentes em cravar se o movimento de mudança das expectativas da Selic no fim do ciclo é para valer ou se é efeito de ordens recentes de stop loss.
… Este debate se as oscilações têm sido mais especulativas do que baseadas em fundamentos deve começar a ser melhor esclarecido hoje com o impacto do payroll, que pode indicar se o dólar vai se consolidar no range mais alto.
… A moeda americana fechou ontem em +0,31%, a R$ 5,1692. A falta de acordo político para avançar na pauta econômica na Câmara também gerou busca por hedge, com a votação adiada da taxação das offshores e super-ricos.
… Durante evento de comércio exterior promovido ontem no Rio, o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, classificou o câmbio atual, em torno de R$ 5,00 e R$ 5,10, com “bom, adequado e competitivo” para o País.
… No mercado futuro, o contrato do dólar para novembro registrou leve valorização de 0,19%, cotado a R$ 5,1830.
… Ainda o DI fechou em alta moderada: jan/24, 12,246% (de 12,238% na 4ªF); jan/25, 11,00% (de 10,972%); jan/26, 10,885% (de 10,848%); jan/27, 11,140% (de 11,087%); jan/29, 11,630% (de 11,571%); e jan/31, 11,910% (11,850%).
PIQUE NO LUGAR – Sem estresse, mas sem alívio – foi esse o retrato dos juros dos Treasuries na véspera do payroll, quando continuaram flertando com as máximas recordes, apesar de não terem retomado a escalada recente.
… Os pedidos de auxílio-desemprego (207 mil) abaixo do esperado (213 mil) nos EUA indicaram que o mercado de trabalho continua aquecido e que o Fed pode continuar com o dedo do gatilho para um aperto adicional do juro.
… O dado limitou, mas não impediu uma queda dos rendimentos da Note-10 anos, que voltaram à faixa de 4,70%, depois de terem batido quase 4,80% esta semana. No fechamento, o yield caía a 4,709%, de 4,728% na véspera.
… O retorno da Note-2 anos, que chegou a 5,15% nos últimos dias, recuou para 5,016%, contra 5,062% na 4ªF.
… À Bloomberg, o gestor de um fundo do JPMorgan disse que a taxa da Note-10 anos pode chegar a 6%, nível visto pela última vez em 2000. “Muitos não conseguem entender que a economia dos EUA é mais forte do que pensam.”
… Segundo ele, a economia americana pode lidar melhor do que se imagina com juros dos Treasuries mais altos.
… Na avaliação do economista-chefe para os EUA do Citi, Andrew Hollenhorst, apesar do rápido aumento dos rendimentos dos Treasuries e seu possível impacto negativo sobre a economia, o Fed não deve parar de subir o juro.
… Para o Fed inverter a mão, afirmou ele, em relatório enviado a clientes, seriam necessárias provas da ocorrência de problemas de liquidez, tensões mais amplas nos mercados financeiros e/ou um abrandamento da atividade real.
… O número mais fraco de abertura de vagas de emprego do relatório da véspera da ADP (89 mil) não alterou a expectativa do Citi de que o payroll revele 240 mil novos postos em setembro e taxa de desemprego de 3,6%.
… Apesar da expectativa pelo relatório, que poderia ter gerado demanda defensiva, o dólar entrou em realização de lucro, mas bancos como o ING e BBH dizem que ainda há espaço para uma “reprecificação hawkish” na moeda.
… Não há razão, dizem, para acreditar que a tendência de alta da moeda americana terminou (especialmente se o payroll vier forte hoje). Mas ontem o iene (148,45/US$) ganhou 0,36% e também as divisas europeias avançaram.
… O euro subiu 0,41% (US$ 1,0552) e a libra, +0,44% (US$ 1,2194) apesar dos comentários dovish de dois membros do BCE. Villeroy de Galhau não vê motivo para mais aumentos de juros. Para Peter Kazimir, o ciclo chegou ao fim.
… Em clima de cautela, as bolsas em NY operaram engessadas. O índice Dow Jones fechou estável (-0,03%), aos 33.119,57 pontos, o S&P 500 recuou 0,13%, para 4.258,19 pontos, e o Nasdaq perdeu 0,12%, em 13.219,83 pontos.
… Ontem, o presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, não quis adiantar como votará na próxima reunião, mas disse que o BC monitora os Treasuries e que não recuará em sua intenção de atingir a meta de 2% na inflação.
EM TEMPO… Goldman Sachs atingiu participação de 5,53% do capital social da 3R PETROLEUM, por meio de derivativos de liquidação financeira, equivalentes a 13.266.122 de ações ON…
… Adicionalmente, o banco possui instrumentos derivativos de liquidação física equivalentes a 10.167.000 de ações ON, correspondentes a 4,24% do capital social.
RAÍZEN iniciou as operações da nova planta de etanol de segunda geração (E2G) no Parque de Bioenergia Bonfim, na cidade de Guariba (SP)…
… Segundo a companhia, a planta, com investimento total de R$ 1,2 bilhão, tem nível de comercialização contratado de 80% sobre sua capacidade nominal de produção de 82 mil metros cúbicos.
UNIPAR aprovou a 8ª emissão de debêntures, no valor de R$ 750 milhões.
EMBRAER concluiu a transação entre a subsidiária EAH e a Nidec Motor Corporation (NMC) referente à criação da joint venture Nidec Aerospace…
… Entre as atividades da JV, estão o desenvolvimento e a fabricação de sistemas elétricos de propulsão para uso aeronáutico, incluindo para veículos de decolagem e pouso vertical (eVTOL) e aeronaves de asa fixa.
HYPERA aprovou a 16ª emissão de debêntures, no valor de R$ 750 milhões.
UNIDAS aprovou a 13ª emissão de debêntures, no valor de R$ 500 milhões.
ALLOS informou que Sierra Brazil 1 indicou que não haverá transferência de ações para Entidades Otto.
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*com a colaboração da equipe do BDM Online
AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.
Fed boys movimentam o dia em NY
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[5/10/2023]
… Vários Fed boys têm falas previstas para hoje nos EUA e, nesta quadra de incertezas sobre os juros, podem mexer com as expectativas e os negócios. O alívio desta 4ªF, com os dados fracos da pesquisa ADP, não é considerado indicativo de tendência. Os investidores vão esperar pelo payroll amanhã, como medida mais confiável do mercado de trabalho. Às 9h30, sai mais um dado do emprego americano, os pedidos semanais do auxílio-desemprego. Aqui, a agenda não tem indicadores. A votação do projeto que taxa os fundos de alta renda (offshore e exclusivos), inicialmente marcada para ontem, foi adiada para o dia 24, depois que Lira voltar da viagem de 10 dias ao exterior. Enquanto isso, a equipe econômica faz malabarismos para conseguir aumentar a arrecadação e cumprir as metas fiscais.
… Na manchete do Estadão, a “Fazenda terá força-tarefa para cobrar R$ 180 bilhões de maiores devedores”.
… Responsável pela cobrança de impostos e outras dívidas não quitadas com o governo federal, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) vai lançar o projeto 100+, uma força-tarefa para solucionar as 100 maiores execuções fiscais do País.
… Essas ações somam R$ 180 bilhões e a iniciativa ocorre em meio ao esforço arrecadatório de Haddad, que assumiu o desafio de zerar o déficit primário em 2024, uma meta cercada de dúvidas e desconfianças, sem uma reforma administrativa e corte de gastos.
… Nessa lista das 100+, que ainda está sendo finalizada, serão consideradas apenas as execuções viáveis. O total do chamado contencioso tributário, ou seja, a disputa judicial entre o Estado e o contribuinte, ultrapassa os R$ 5 trilhões.
… A PGFN afirma que, nesse esforço, não pode fazer distinção entre as estatais e as da iniciativa privada, que a União não pode exigir da Petrobras, por exemplo, o pagamento da dívida, mas sim negociar com ela, como negocia com uma empresa privada.
… Em agosto, o jornal revelou que Haddad negocia com a Petrobras um acordo para a companhia pagar pelo menos R$ 30 bilhões para encerrar litígios com a Receita, com base nas regras da nova lei do Carf, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
FUNDOS DE ALTA RENDA – O governo esperava votar ontem o projeto de taxação das offshores e dos fundos exclusivos, importante para aumentar a arrecadação, mas diante da obstrução do PL e dos ruralistas, os próprios governistas acharam melhor não arriscar.
… O adiamento não parece estar relacionado a divergências, mas a dificuldades com o quórum, inclusive pela proximidade do feriado.
… Segundo o relator, o deputado Pedro Paulo (PSD), alguns ajustes técnicos ainda devem ser feitos, mas as sugestões não mudam a essência e a estrutura do texto. “Sempre há uma querela aqui, outra ali para ser resolvida. É natural da política.”
… Aliados do Planalto não veem prejuízo no atraso e dizem que o relator está “muito bem alinhado” com Lira e com Haddad.
JCP – Em paralelo, avançaram as negociações envolvendo uma nova proposta da Fazenda para os Juros sobre Capital Próprio, que não simplesmente coloque fim à dedutibilidade do mecanismo tributário, como previsto inicialmente, mas seja um meio-termo.
… Diante das resistências ao fim do JCP, a equipe econômica propõe agora que a distribuição de lucros seja enquadrada como despesa, podendo ser abatida do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.
… Para se chegar à dedução, o benefício passaria a ser calculado apenas sobre a variação anual do patrimônio, não sobre todo o estoque, como funciona hoje. Isso faria com que o desconto no IR permitido fosse reduzido de forma expressiva.
… Na hipótese de novos aportes de sócios, essa base para calcular a dedução seria aumentada, funcionando como estímulo à entrada de dinheiro novo na empresa. Distribuições de lucros a acionistas seriam computadas de maneira negativa, reduzindo a dedução.
… A minuta já estaria sendo redigida e foi discutida com o relator do projeto dos fundos, deputado Pedro Paulo (PSD).
… Aos jornalistas, Lira comentou que a sugestão de Haddad trazida pelo relator, aparentemente, é boa. “Vai separar aquele que usa o JCP para investimento, para produção, para gerar realmente as divisas, e aquele que só usa para sonegação.”
CRÉDITOS EXTRAORDINÁRIOS – O Congresso aprovou nesta 4ªF projetos de lei que abrem créditos extraordinários de quase R$ 3 bilhões no Orçamento deste ano, que eram prioridade do governo na sessão conjunta da Câmara e do Senado.
… O projeto de maior impacto libera R$ 1,3 bilhão para Agricultura, Educação, Minas e Energia, Saúde e Integração e Desenvolvimento Regional. No caso da pasta comandada por Carlos Fávaro, os recursos são para o setor Agropecuário.
… Este foi um dos projetos mais polêmicos e que criou resistência por parte da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) porque foram retirados cerca de R$ 45 milhões destinados ao seguro rural para suplementar outras áreas, como previsto pela proposta.
… Segundo o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (PP), os ruralistas apoiaram porque o governo se comprometeu a recompor este valor em um futuro projeto. A bancada reivindica R$ 1,5 bilhão ainda este ano para resolver problemas de safra de 2023.
ICMS – No Senado, foi aprovado o projeto de lei complementar que compensa a perda de arrecadação dos Estados com o ICMS por causa da redução da alíquota sobre combustíveis no ano passado, sob forte pressão de prefeitos que foram em massa para Brasília.
… O texto prevê uma antecipação de R$ 10 bilhões a Estados e municípios, seja por repasses diretos do Tesouro ou abatimento de dívidas, e um repasse extra de R$ 2,3 bilhões ao Fundo dos Municípios (FPM) e outro de R$ 1,6 bilhão ao Fundo dos Estados (FPE).
… Não houve alteração em relação ao aprovado na Câmara. E o projeto segue à sanção presidencial.
SAÚDE – Senadores mantiveram o dispositivo incluído pelo relator na Câmara, deputado Zeca Dirceu (PT), que abre espaço para o governo desembolsar valores menores para cumprir os gastos mínimos com a área neste ano.
… O trecho determina que a Receita Corrente Líquida prevista na Lei Orçamentária de 2023 seja a referência para definir a destinação dos recursos à Saúde, o que na prática reduz o piso constitucional de R$ 20 bilhões para R$ 5 bilhões.
DESPESA SUBESTIMADA – Uma nota técnica conjunta elaborada por consultorias da Câmara e do Senado sobre a proposta orçamentária de 2024 aponta incertezas na programação apresentada pelo governo ao Congresso, tanto nas despesas como nas receitas.
… Elaborado para alcançar déficit zero no próximo ano, o projeto de lei orçamentária anual (PLOA) foi enviado com R$ 168,5 bilhões condicionados à aprovação do pacote da equipe econômica, que pretende elevar a arrecadação em 2024.
… Citando “dúvidas quanto à real capacidade arrecadatória” das medidas, os técnicos listam entre as incertezas a estimativa do governo para o PIB (2,3%), que está acima da projeção do mercado (1,5%), e benefícios previdenciários “possivelmente subestimados”.
… Com exceção da retomada do voto de qualidade do Carf, já aprovado e sancionado pelo governo, diz que há propostas em “estágio inicial” de discussão, como a MP da Subvenção, pela qual o governo espera aumentar a arrecadação em cerca de R$ 35 bilhões.
… Outro ponto destacado é a estimativa para as despesas do Regime Geral de Previdência Social, fixadas em R$ 913,9 bilhões no PLOA de 2024, mas que estariam “provavelmente subestimadas”, segundo a nota explica.
… A projeção partiu de uma estimativa de R$ 838,3 bilhões em 2023, que é R$ 31,8 bilhões inferior à previsão que consta do Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do 4º bimestre, divulgado pelo Ministério do Planejamento.
… Também chama a atenção para o fato de que não foi considerado o efeito da renúncia fiscal da desoneração da folha até 2027, que ainda ampliou o impacto fiscal com medidas às prefeituras. O projeto já aprovado na Câmara e aguarda votação no Senado.
… Por fim, os técnicos dizem que uma eventual revisão geral da remuneração dos servidores públicos ou novas reestruturações de planos de cargos e salários em 2024 não estão previstas e demandariam cortes em dotações consignadas às programações do PLOA.
… A nota é encerrada com um alerta: a diferença entre o que espera o governo e o setor privado na análise do PLOA “inspira cautela”.
AGENDA – Em meio às especulações de que o Copom reduzirá a dose de corte da Selic a 0,25pp, o diretor de Política Monetária do BC, Gabriel Galípolo, participa hoje da abertura de fórum GRI de Fundos Imobiliários, em São Paulo, às 9h.
… Roberto Campos Neto, que até aqui tem considerado “apropriado” o ritmo de meio ponto de queda do juro, participa de reuniões no Banco Pine (10h) e no Necton BTG (14h), para falar de conjuntura econômica.
… Já o ministro Haddad tem participação prevista, às 9h, no 7º Fórum Nacional de Controle, promovido pelo TCU, em Brasília.
LÁ FORA – Na véspera do payroll, o auxílio-desemprego (9h30) dos EUA tem previsão de +9 mil pedidos na semana passada, para o total de 213 mil. No mesmo horário, sai a balança comercial americana, com estimativa de déficit de US$ 65,1 bilhões em agosto.
… Quatro dirigentes do Fed falam hoje e podem ajudar a projetar as apostas para a política monetária: Loretta Mester (10h), Thomas Barkin (12h30), Mary Daly (13h) e Michael Barr (13h15).
ALÍVIO FRÁGIL – A pausa na turbulência global se manifestou no ambiente doméstico, mas o movimento é visto com reserva, já que o dólar fechou estável, sem abrir uma correção firme, e o DI devolveu pouco do que andou subindo.
… A impressão é que, se o petróleo não tivesse derretido, o real poderia ter engatado apreciação mais firme.
… Mas a verdade é que não dá para definir tendência antes do payroll, que promete dominar a cena e exercer papel decisivo na calibragem das apostas para os próximos passos do Fed, mexendo com o quadro de liquidez mundial.
… O dólar até ensaiou ontem alguma realização dos ganhos de 2,5% nos dois pregões anteriores. Marcou R$ 5,1246 na mínima do dia, mas zerou praticamente toda a queda até o fechamento (-0,03%), quando valia R$ 5,1530.
… No pano de fundo, o investidor também exibiu cautela com a novela da tributação dos fundos exclusivos e offshore, que até o fechamento ninguém sabia se seria votada na noite de ontem ou se seria adiada (como foi).
… No câmbio futuro, o contrato de dólar para novembro registrou leve queda de 0,25%, negociado a R$ 5,1730.
… No noticiário do dia, o BC informou que o fluxo cambial total em setembro foi negativo em US$ 1,671 bilhão, resultado de entrada de US$ 3,364 bilhões pela conta comercial e saída de US$ 5,035 bilhões pela conta financeira.
…O resultado está positivo em US$ 20,653 bilhões no acumulado do ano. Na semana passada, o fluxo total ficou positivo em US$ 3,123 bilhões. Entraram US$ 3,576 bilhões pela conta comercial e saíram US$ 453 mi pela financeira.
… Sob o efeito combinado do petróleo mais barato e da trégua na escalada dos juros dos Treasuries, a curva do DI desarmou apenas parte da pressão dos últimos dias. Para queimar mais prêmio, vai ter que esperar pelo payroll.
… O DI jan/24 ficou estável em 12,254% (de 12,253% na véspera); jan/25 caiu a 10,985% (de 11,127%); jan/26, 10,855% (de 11,027%); jan/27, 11,100% (de 11,271%); jan/29, 11,590% (de 11,736%); e jan/31, 11,880% (12,011%).
ESTRESSE COM DELAY – Justo ontem, que os juros dos Treasuries se acomodaram e indicadores fracos nos EUA baixaram a bola dos falcões, o petróleo surpreendeu com um tombo superior aos 5% e veio abaixo dos US$ 90.
… A rigor, além da esperança de que o Fed não suba mais o juro e, indiretamente beneficie o consumo, o barril também poderia ter subido com a recomendação da Opep+ da estratégia atual de restrição de oferta global.
… Além disso, os estoques de gasolina do DoE deram um salto de 6,481 milhões de barris, muito acima da previsão de +300 mil. Mas o Brent/dezembro desafiou toda a dinâmica do dia e afundou 5,62%, a US$ 85,81.
… Um estrategista disse à Bloomberg que, em reação tardia, o recente rali do dólar e das taxas dos Treasuries catalisou uma reviravolta no posicionamento dos fundos de commodities e exacerbou a liquidação no petróleo.
… Petrobras não escapou imune e teve a pior queda do dia no Ibov: ON recuou 3,97%, a R$ 32,62, e PN, -3,02% (R$ 35,62). Outras petroleiras também figuraram na lista negativa: Prio (-2,81%) e PetroReconcavo (-2,77%).
… A sessão também foi desfavorável às ações das commodities metálicas, sem a referência do minério de ferro na China, devido ao feriado da Semana Dourada. Vale cedeu 1,07%, a R$ 65,87, e CSN Mineração, -1,69%.
… Entre as siderúrgicas, CSN, -2,03%, Gerdau PN, -1,25%; Metalúrgica Gerdau, -1,30%; e Usiminas, -1,08%.
… Mas os bancos salvaram o Ibovespa de fechar no negativo, porque o fim da dedutibilidade do JCP não entrou no parecer do relator do projeto de taxação de offshores na Câmara, sinalizando que o mecanismo pode não acabar.
… Bradesco PN registrou elevação de 3,38%, cotado a R$ 14,38, Bradesco ON avançou 2,77%, para R$ 12,60, Itaú teve valorização de 2,29% (R$ 27,21), Santander unit ganhou 1,40% (R$ 26,06) e BB ON subiu 0,75% (R$ 46,80).
… A disparada do setor financeiro ofuscou a embicada da Petrobras e a queda da Vale e garantiu ao Ibovespa o primeiro pregão positivo do mês, em leve alta de 0,17%, aos 113.607,45 pontos, com giro de R$ 19,9 bilhões.
… O índice à vista da bolsa doméstica teve em setembro a menor média mensal de volume negociado em 14 meses, de apenas R$ 16,1 bilhões por pregão, segundo dados da B3 compilados pelo Valor Data.
… Foi o menor valor para o mês desde 2019, antes do “boom” de pessoas físicas ocorrido durante a pandemia.
… A combinação de juros nominais ainda elevados no começo do ciclo de cortes do BC e juros futuros pressionados, com estresse nos Treasuries nas últimas semanas, afetou com força a atratividade da bolsa.
… Setembro também marcou o segundo mês consecutivo de debandada de recursos de investidores estrangeiros da B3, com saídas líquidas de R$ 1,686 bilhão, na sequência da sangria de R$ 13,2 bilhões observada em agosto.
… Com os gringos batendo em retirada, o saldo positivo acumulado no ano está em R$ 9,9 bilhões, desacelerando drasticamente frente aos quase R$ 25 bilhões registrados até o final de julho, segundo pontuou o Infomoney.
… A expectativa de grande parte do mercado era de que, nos últimos dois meses, houvesse um retorno do interesse do k externo pela bolsa, coincidindo com o início do ciclo de flexibilização da Selic. Mas nada disso virou realidade.
… O “efeito Fed” desperta a debandada do Brasil e coloca em risco o tradicional rali de final de ano da B3.
DIA DO POMBO – A madrugada de 3ªF para ontem contratava mais uma onda de tensão em NY, com a taxa do T-Bond de 30 anos disparando aos 5%. Mas a arrancada conseguiu ser revertida no pregão regular de viés dovish.
… Todo o alívio começou com o relatório ADP, que contrariou a pressão da pesquisa Jolts e indicou que o setor privado dos EUA criou 89 mil empregos em setembro, bem menos do que a expectativa de 140 mil dos analistas.
… Na sequência, o PMI/ISM do setor de serviços caiu para 53,6 – queda mais acentuada do que a esperada (53,7). Depois dos dados fracos, a chance de o Fed manter o juro estável em novembro subiu de 71,8% para 76,9% (CME).
… O índice DXY repercutiu os indicadores operando abaixo da linha dos 107 pontos. A taxa da Note-10 anos recuou em torno de 1%, para 4,728%, após quase ter superado os 4,80% no pregão da véspera, quando fechou a 4,799%.
… O rendimento do T-Bond de 30 anos marcou máxima intraday de 5,011%, mas refreou para 4,861%, de 4,933% no dia anterior. A Note-2 anos pagou 5,062%, contra 5,145%. A queda livre do petróleo ajudou a esvaziar a pressão.
… Na invertida de sinal ainda pela manhã, com o ambiente mais calmo, o índice DXY registrou baixa de 0,19%, a 106,799 pontos. O dólar caiu com os dados dos EUA e acelerou as perdas com indicadores melhores na Europa.
… Na zona do euro, o PMI composto subiu a 47,2 em setembro, acima da prévia e da previsão dos analistas, ambas em 47,1. No Reino Unido, o PMI de serviços caiu para 49,3 em setembro, mas ficou bem acima da aposta de 47,2.
… Lagarde disse que o atual nível de juro do BCE, se mantido por tempo longo, será decisivo para a inflação voltar à meta. O euro subiu 0,39% (US$ 1,0517) e a libra, +0,51% (US$ 1,2151). O iene fechou estável (+0,04%), a 149,05/US$.
… A janela de alívio aberta pela chance do Fed menos conservador entusiasmou as bolsas em NY. O Nasdaq avançou 1,35%, aos 13.236,01 pontos, o S&P 500 subiu 0,81%, aos 4.263,75 pontos, e o Dow Jones, +0,39% (33.129,55).
… Amanhã, o payroll deve indicar que o mercado de trabalho dos EUA está esfriando, mas ainda está muito apertado. A perspectiva é de criação abaixo de 200 mil empregos pelo quarto mês consecutivo, de 170 mil.
… Ainda assim, o volume será suficiente para absorver todas as novas pessoas que entram no mercado de trabalho. Autoridades do Fed estimam que economia não precisa de mais do que 75 mil a 100 mil empregos por mês.
… Qualquer coisa além disso poderia exacerbar a pior escassez de mão-de-obra desde a Segunda Guerra, aumentar os salários e tornar mais difícil para o Fed controlar a inflação. A taxa de desemprego deve cair de 3,8% para 3,7%.
… A estimativa é que os salários médios por hora aumentem 0,3% em setembro. No ano, o aumento deve se manter em 4,3%, um percentual que o Fed considera muito alto para acomodar uma meta de inflação de 2%.
EM TEMPO… Tribunal de Paris concedeu ao Grupo Casino, controlador no Brasil do GPA, prazo de carência para pagamento de dívidas. O prazo foi estendido até o fim do processo de conciliação com os credores.
GERDAU projetou capex estratégico de R$ 11,9 bi entre 2021 e 2026; 27% já foram executados; companhia estimou crescimento de R$ 4 bi do Ebitda anual entre 2021 e 2031; 15% já foi capturado.
ELETROBRAS fará resgate antecipado de notas comerciais com principal de R$ 6,3 bilhões no dia 13/10.
TENDA. Conselhos administrativo e fiscal aprovaram proposta de redução de capital; o valor não foi informado.
OI, em recuperação judicial, e o trio TIM, Vivo e Claro colocaram um ponto final numa disputa que se arrastava há mais de um ano. As divergências diziam respeito ao preço final da venda das redes móveis da tele…
… Com o acordo homologado, a Oi embolsou R$ 821,4 milhões e as teles encerraram o litígio, segundo comunicado.
LIVRARIA SARAIVA protocolou pedido de autofalência nos autos do processo de recuperação judicial, em trâmite perante a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central da Comarca da Capital do Estado de SP…
… Segundo a Saraiva, a RSM Brasil Auditores Independentes (RSM) não presta mais serviços de auditoria independente à companhia.
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