Agenda forte divide atenção com a guerra
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[17/10/2023]
… Os mercados globais começam o dia com os balanços do BofA e Goldman Sachs, antes da abertura em NY. Na sequência, dois dados da atividade podem confirmar as apostas (amplamente majoritárias) de que o juro não subirá mais nos EUA: vendas no varejo (9h30) e produção industrial (10h15), ambos de setembro. Também são importantes para reforçar tal percepção as falas de três dirigentes do Fed: John Williams (9h), Michelle Bowman (10h20) e Tom Barkin (11h45). À noite, sai o PIB/3Tri da China, enquanto aqui a Vale divulga o seu relatório de produção. Ainda na agenda doméstica, estão previstos hoje o IGP-10 de outubro (8h) e o volume de Serviços em agosto (9h). No pano de fundo, as notícias da guerra Israel-Hamas são monitoradas com atenção pelos investidores, mas sem causar estresse.
… O recado do presidente Biden (EUA) a Israel, alertando que “seria um grande erro ocupar Gaza”, acalmou o nervosismo com a escalada da tensão no fim de semana, quando o Irã ameaçou entrar no conflito com o Líbano e o Hezbollah ao lado do Hamas.
… No final da noite, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, que está em Tel Aviv, confirmou que Biden viajará a Israel amanhã, 4ªF, oficialmente para mostrar apoio ao governo de Netanyahu, mas também para evitar os riscos de a guerra se expandir na região.
… Também ontem à noite, o chanceler do Irã, Hossein Amirabdollahian, disse que aliados preparam um “ataque preventivo” contra Israel para as “próximas horas”. “A resistência não deixará o regime sionista fazer qualquer ação em Gaza. Todas as opções estão abertas”.
… O mercado parece estar acreditando que um desfecho diplomático, conduzido por Washington, será o mais provável. A situação, no entanto, é de grande instabilidade e qualquer surpresa pode ter um forte impacto nos negócios.
… Nesta 2ªF, a disposição para o risco prevaleceu em Wall Street, animada com a temporada de resultados corporativos e comentários de Fed boys indicando o fim do aperto monetário, juntamente com os números mais fracos do índice Empire State.
… No embalo, o dólar caiu firme ante o real, a curva do DI queimou prêmios e o Ibovespa quase zerou as perdas do mês (leia abaixo).
… Os ganhos do minério de ferro, com alta de 2,86% em Dalian (US$ 117,97/t), refletiram os estímulos monetários na China, que deixou o juro de médio prazo inalterado em 2,5% e adicionou 289 bilhões de yuans líquidos (US$ 39,6 bilhões) ao sistema financeiro.
… A expectativa para o PIB chinês e os dados da produção industrial e vendas no varejo (23h) podem influenciar hoje as commodities.
… Já o petróleo aproveitou a acomodação geopolítica no Oriente Médio e recuou, voltando para baixo dos US$ 90/barril, negociado na Ice londrina a US$ 89,65 (-1,36%) no contrato do Brent/dezembro e na Nymex a US$ 86,66 (-1,17%) no contrato do WTI/novembro.
… Segundo a Oanda, contribuíram relatos de que a Casa Branca está pronta para aliviar as sanções ao petróleo venezuelano, em um sinal de que o governo dos Estados Unidos está preocupado com as perspectivas apertadas para o fornecimento global.
… Nos EUA, o índice Empire State de atividade industrial/Fed NY caiu de 1,9 em setembro a -4,6 em outubro, mais que a previsão (-3,0).
… Já o presidente do Fed/Filadélfia, Patrick Harker (com direito a voto), defendeu a manutenção dos juros como melhor estratégia para o momento, como muitos de seus pares no Fomc estão opinando. Austan Goolsbee (Fed/Chicago) foi na mesma direção.
OFFSHORE – Internamente, a esperança de votação do projeto de lei dos fundos exclusivos e offshores ainda esta semana parece estar mais longe. O mais provável é que a matéria só vá ao plenário na Câmara após Arthur Lira voltar da viagem ao exterior, no dia 20.
… Ontem à noite, o relator Pedro Paulo (PSD) reforçou que a principal dúvida atual em torno do projeto está relacionada às diferenças de tributação entre os fundos offshore e exclusivos, que ainda não têm consenso e estão gerando resistências.
… Segundo o deputado, a proposta do governo criou uma assimetria de tratamento em prejuízo dos investidores que optaram por aplicar fora do Brasil. Enquanto os fundos offshore recolherão até 22,5%, os exclusivos pagarão 15% ou 20% de IR a depender do perfil.
… A equiparação, no entanto, considerando a alíquota de 15% para o investidor offshore, causaria perdas de arrecadação ao governo.
… Hoje, Pedro Paulo terá reunião com o ministro Haddad para tratar desta e de outras questões, entre as quais, as regras envolvendo os Fiagros (Fundo de Investimentos do Agronegócio) e os FIIs (Fundo de Investimento Imobiliário), sob pressão da bancada ruralista.
… Segundo o relator, a dúvida está voltada à exigência de esses fundos terem no mínimo 300 cotistas para ter a isenção tributária.
JUROS DO ROTATIVO – Terminou sem consenso a reunião nesta 2ªF do presidente do BC, Roberto Campos Neto, com representantes de 12 entidades da indústria de cartão de crédito, em São Paulo, sobre o parcelamento sem juros.
… RCN, que tomou a frente das negociações para regulamentar as operações, sugeriu uma limitação de 12 parcelas.
… Hoje, não há limite de parcelas para o pagamento sem juros nessa modalidade, o que é apontado com uma das razões dos juros altos do rotativo do cartão e elevada inadimplência nesse tipo de crédito, que cada vez mais é usado pelos brasileiros.
… No início do encontro, o diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central, Renato Dias Gomes, apresentou uma proposta de uma redução gradual do limite das parcelas de 15 para 12, nove e seis vezes.
… Uma nova reunião foi marcada para daqui a 15 dias. A regulamentação terá de ser validada pelo CMN em até 90 dias. Se não houver uma definição nesse prazo, a lei prevê um teto para os juros cobrados, que não poderão superar 100% do valor original da dívida.
FGTS – Após se reunir com Haddad, nesta 2ªF, o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, decidiu retirar de pauta o processo que discute a correção monetária do Fundo de Garantia. O julgamento seria retomado amanhã, mas foi reagendado para 8 de novembro.
… A ação preocupa a Fazenda, já que o impacto é estimado em R$ 8,6 bilhões em quatro anos, se prevalecer a tese de Barroso, que votou em abril pela atualização dos valores em níveis que não podem ficar abaixo da caderneta de poupança.
MAIS AGENDA – A aceleração do minério de ferro deve puxar o IGP-10 para 0,41% em outubro (segundo mediana apurada pela pesquisa Broadcast), após ter registrado alta de 0,18% em setembro. As projeções, todas positivas, vão de 0,30% a 0,51%. Às 8h.
… Já o volume de serviços medido pelo IBGE tem previsão de alta de 0,50% em agosto, na margem, mesmo ritmo observado em julho. O intervalo das projeções dos analistas varia de contração de 0,8% a expansão de 0,8%. Às 9h.
… Ao meio-dia, o diretor de Política Monetária do BC, Gabriel Galípolo, participa de evento da Moody´s, em SP.
LÁ FORA – Nos EUA, as vendas no varejo (9h30) têm previsão de alta de 0,3% em setembro. Já a produção industrial (10h15) deve registrar queda de 0,1%. Sai ainda o índice NAHB de confiança das construtoras em outubro (11h).
… Na Alemanha, tem o índice ZEW de expectativas econômicas em outubro (6h).
GUERRA E PAZ – Como o iminente risco de invasão por terra da Faixa de Gaza pelas forças israelenses acabou sendo esvaziado, pelo menos nesta 2ªF, os mercados globais aproveitaram para relaxar a tensão com o conflito.
… Nos negócios domésticos, o dólar desarmou a pressão e caiu abaixo de R$ 5,04, a curva do DI desafiou a alta dos rendimentos dos Treasuries e o Ibovespa (+0,67%) retomou os 116 mil (116.533,85), com giro de R$ 17 bi.
… Acompanhando o otimismo em NY, faltou muito pouco para o índice à vista zerar as perdas do mês (-0,03%).
… O salto de quase 3% do minério e a injeção de liquidez do BC da China contagiaram a Vale (+1,07%; R$ 67,30), CSN Mineração (+1,86%), Gerdau PN (+0,94%), Metalúrgica Gerdau (+1,15%), CSN (+0,17%) e Usiminas (+0,16%).
… Mesmo com o petróleo em queda, os papéis da Petrobras viraram para o positivo à tarde (ON, +0,99%, a R$ 39,71; e PN, +1,10%, a R$ 36,68), porque o Brent ainda próximo da marca dos US$ 90 continua atrativo.
… Outro foco de impulso para a bolsa doméstica veio do setor financeiro, com alta nas ações dos bancões.
… BB avançou 2,03% (R$ 49,81), Bradesco ON subiu 1,10% (R$ 12,81), Bradesco PN ganhou 1,04% (R$ 14,64) e Itaú teve alta de 0,14% (R$ 27,73). A exceção ficou com Santander, em leve queda de 0,29%, a R$ 27,40.
… No topo do ranking positivo do Ibovespa veio GPA, que disparou 8,67%. O movimento refletiu a venda da participação do Casino, controlador do GPA, no Grupo Éxito, da Colômbia, para o Grupo Calleja, de El Salvador.
… A transação inclui a venda da fatia de 13,3% que o Grupo Pão de Açúcar detém no Éxito, por US$ 156 milhões.
… A sessão também foi favorável para as aéreas (Gol, +6,55%; e Azul, +4,55%), que surfaram na queda do dólar.
… Sabesp (+2,50%) acelerou com o anúncio do governador de SP, Tarcísio de Freitas, de que enviará hoje o projeto de lei para a privatização da empresa à Assembleia Legislativa paulista (Alesp) em regime de urgência.
… O governador de SP ainda expressou otimismo quanto à aprovação da matéria e manifestou a expectativa de que a desestatização seja aprovada antes do encerramento da atividade legislativa deste ano.
SEM CARTA – Pela primeira vez em três anos, a pesquisa Focus projetou que a inflação brasileira ficará dentro do teto da meta este ano, o que desobrigaria o BC de escrever a carta à Fazenda justificando o descumprimento.
… No levantamento semanal, a mediana das apostas para o IPCA/2023 caiu de 4,86% para 4,75%, exatamente no limite de tolerância. O start para o ajuste veio da inflação de setembro (+0,26%) abaixo da previsão (+0,38%).
… Apesar da novidade positiva, que pode livrar RCN do constrangimento de ter de se explicar a Haddad sobre mais um estouro da meta de inflação, a projeção na Focus para o IPCA/24, que é o foco do BC, seguiu em 3,88%.
… A estimativa dos analistas continua acima do alvo central de 3%, embora dentro do teto da banda de 4,5%.
… O levantamento Focus teve pouca influência sobre a queima de prêmios ontem na curva do DI. Os juros futuros foram guiados, em primeiro plano, pelo alívio do dólar com os esforços diplomáticos para isolar a guerra.
… O contrato DI jan/24 caiu a 12,192% (de 12,201% na 6ªF); jan/25, 10,940% (contra 10,988%); jan/26, 10,730% (de 10,806%); jan/27, 10,895% (de 10,997%); jan/29, 11,310% (de 11,452%); e jan/31, 11,590% (de 11,731%).
… A ponta longa esnobou a alta dos yields dos Treasuries e renovou mínimas na segunda metade do pregão.
… O investidor teve pelo menos três motivos ontem para desmontar posições defensivas no dólar, que furou a linha dos R$ 5,05 e fechou em queda firme de 1,01%, negociado a R$ 5,0372, na menor cotação deste mês.
… Entre os drivers de baixa: 1) o dólar caiu em escala global; 2) não se confirmou o agravamento do conflito Israel-Hamas; e 3) a injeção de liquidez pela China fortaleceu as moedas de países produtores de commodities.
… Na zeragem dos comprados, no câmbio futuro, o dólar para novembro caiu 0,93% e fechou a R$ 5,0495.
UMA MÃO LAVA A OUTRA – Um a um, os Fed boys induzem à convicção sobre o fim do ciclo de aperto, agora que o rali das taxas dos Treasuries já parece estar se encarregando de fazer o trabalho da política monetária.
… Assim, apesar de os yields dos títulos do Tesouro dos EUA terem voltado a subir ontem, NY não se estressou, porque tem agora a garantia do Fed de que não necessariamente será preciso um último ajuste do juro este ano.
… A probabilidade de um aperto adicional em dezembro nos EUA é baixa: pouco maior do que 30% no CME.
… Patrick Harker (Fed da Filadélfia) repetiu ontem os comentários dovish da semana passada e defendeu juro estável, diante da desinflação em curso. “Ao fazer nada, estaremos fazendo alguma coisa”, afirmou o dirigente.
… Ele disse, porém, que “assina embaixo” na mensagem de juros mais altos por mais tempo nos EUA.
… Austan Goolsbee (Fed/Chicago) concordou que a inflação americana está em “inegável” trajetória de queda.
… Ignorando as mensagens, o rendimento da Note-2 anos quase voltou a romper 5,10% no fechamento, a 5,096%, contra 5,041% no pregão anterior. A Note-10 anos pagou 4,715%, acima do pregão anterior (4,626%).
… Mas as bolsas em Wall Street confiaram que o Fed não tem mais trabalho pela frente e também respiraram aliviadas com as investidas da diplomacia global para impedir a adesão do Irã ao terrorismo do Hamas.
… O Dow Jones subiu 0,93% (33.984,54 pontos); S&P 500, +1,06% (4.373,63 pts); e Nasdaq, +1,20% (13.567,98).
… Também o dólar projetou que o ciclo de aperto do Fed acabou. A moeda devolveu ainda status de proteção, diante da menor percepção de risco, com a guerra restrita até o momento às fronteiras de Israel e da Palestina.
… O índice DXY registrou baixa de 0,38%, a 106,648 pontos. Sem risk-off, o iene fechou praticamente estável (149,52/US$). O euro subiu 0,50%, para US$ 1,0562, e a libra esterlina avançou 0,59%, para US$ 1,2215.
… A moeda foi beneficiada pelo comentários do economista-chefe do BC inglês (BoE), Huw Pill, de que os juros no Reino Unido têm de permanecer mais altos por mais tempo para comportar as tendências atuais de inflação.
EM TEMPO… PETROBRAS bateu recorde de produção operada de óleo e gás, com 3,98 milhões de BOE/dia no 3Tri (+7,8% s/ 2TRI); produção em setembro também foi recorde, de 4,1 milhões BOE/dia (+6,8% sobre agosto).
3R PETROLEUM. Coronation passou a deter 5,02% do capital da companhia.
ELETROBRAS esclareceu que não há qualquer decisão até o momento em relação à venda de participação na ISA Cteep, noticiada pela imprensa na semana passada.
ITAÚSA aprovou a distribuição de R$ 500 mi em JCP, o equivalente a R$ 0,0515/ação, com pagamento até 30/12/24.
GOL prevê prejuízo de R$ 0,70 por ação e de US$ 0,28 por ADR no 3TRI; companhia estima Margem Ebitda de 25% no trimestre; PRASK deve crescer 6% e RASK, 10%, ante mesmo período de 2022.
PORTO. Segmento Auto cresceu 9% nos prêmios em agosto ante mesmo período de 2022 e aumentou 13,2pp na sinistralidade na mesma base de comparação, atingindo 54,8%.
YDUQS. BlackRock atingiu participação de 5,8% das ações ON da companhia, passando a deter 15.495.505 de papéis do tipo e 2.627.878 de instrumentos financeiros derivativos referenciados em ações ON com liquidação financeira.
CYRELA. Lançamentos caíram 26% no 3TRI23 s/ 3TRI22, para R$ 1,498 bi; vendas recuaram 1%, para R$ 1,690 bi.
AOS ASSINANTES DO BDM, BOM DIA E BONS NEGÓCIOS!
*com a colaboração da equipe do BDM Online
AVISO – Bom Dia Mercado, produzido pela Mídia Briefing, não pode ser copiado e/ou redistribuído.
Guerra Israel-Hamas escala e aumenta tensão
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[16/10/2023]
… O avanço da agenda econômica no Congresso é a esperança da semana com as articulações para votar, até 4ªF, o projeto da taxação de fundos exclusivos e offshores. Entre os indicadores, destaque para dados de serviços, comércio e IBC-BR. Nos EUA, saem Livro Bege e atividade. E na China, produção industrial e vendas no varejo. A Vale é destaque no noticiário corporativo, com o relatório de produção. Já em NY, seguem os balanços com BofA, Goldman Sachs, Morgan Stanley, Netflix e Tesla. Mas é a guerra que assume o topo das preocupações do investidor. A tensão no Oriente Médio escalou e evoluiu para seu pior momento no fim de semana. Israel ameaça entrar na Faixa de Gaza nas próximas horas e o Irã alertou que, se isso acontecer, o Hezbollah causará um “terremoto na entidade sionista”.
… O prazo dado por Israel para que os palestinos deixem o norte de Gaza foi estendido até a tarde de sábado, quando o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, postou em suas redes sociais que as forças militares estavam “prontas para as próximas fases da guerra”.
… A expectativa de um ataque terrestre levou à fuga de milhões de pessoas para o sul, enquanto o governo israelense impôs um “cerco completo” a Gaza, impedindo a entrada de água, eletricidade, alimentos e combustíveis, que sustentam os poucos geradores.
… Segundo a ONU, quase a metade da população de Gaza, de 2,3 milhões, se deslocou após os alertas de Israel para que o norte fosse esvaziado. Famílias em carros e caminhões abarrotados de pertences lotam a estrada que liga ao sul do território palestino.
… Alguns tentaram, sem sucesso, sair através da fronteira com o Egito, na cidade de Rafah, mas a passagem permaneceu fechada no final de semana, apesar de autoridades dos EUA mencionarem um acordo para permitir a passagem de cidadãos presos em Gaza.
… Ao mesmo tempo, Israel manteve Gaza sob contínuo bombardeio. Só no sábado, mais de 1.500 palestinos teriam morrido.
… Ainda no final de semana, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Hossein Amirabdollahian, aconselhou Israel a parar os ataques a Gaza, alertando que a guerra pode se expandir para outras partes do Oriente Médio se o Hezbollah entrar.
… Ele esteve no Líbano neste sábado, onde se encontrou com o líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah. “Conheço os cenários que o Hezbollah planejou. Qualquer passo que a resistência [Hezbollah] tome causará um enorme terremoto na entidade sionista [Israel].”
… Amirabdollahian acrescentou: “Quero alertar os criminosos de guerra e aqueles que apoiam esta entidade antes que seja tarde demais para parar os crimes contra civis em Gaza, porque pode ser tarde demais dentro de algumas horas”.
… O Hezbollah é a ameaça imediata mais séria, com um arsenal de cerca de 150 mil foguetes e mísseis, além de diferentes tipos de drones militares. Seus combatentes estão em alerta total ao longo da fronteira do Líbano e já dispararam contra as posições israelenses.
… No domingo, Israel declarou que a fronteira do norte com o Líbano passou a ser uma zona militar fechada.
… O secretário de Estado americano, Antony Blinken, está em missão para evitar que o conflito se alastre na região. Já visitou a Jordânia, o Catar, o Bahrein e o Egito, defendendo a importância da ajuda humanitária e de evitar vítimas civis. Hoje, ele retorna a Israel.
… Em Washington, o presidente dos EUA, Joe Biden, alertou os países do Oriente Médio para não se juntarem à guerra e, pela primeira vez, mandou um recado mais duro a Israel, afirmando que “ocupar Gaza seria um grande erro”.
… Biden telefonou para Benjamin Netanyahu, em um esforço para evitar que a guerra desencadeie um conflito regional mais amplo.
… Já Lula conversou neste fim de semana com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e com o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sissi, pedindo apoio à retirada de 32 brasileiros que aguardam autorização para deixar Gaza pela fronteira com aquele país.
… Em cinco voos da FAB, o Brasil já trouxe de volta mais de 900 brasileiros que estavam em território palestino.
POLICRISE – Em Marrakesh (Marrocos), o conflito entre Israel e o Hamas obscureceu as previsões da comunidade econômica nas reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial. Haddad, que participou do encontro, definiu o momento como uma “policrise”.
… “O mundo está enfrentando uma policrise, com várias crises em curso, que operam em diferentes níveis, reforçando-se e ampliando-se mutuamente”, disse o ministro da Fazenda brasileiro, ao discursar sobre a presidência do Brasil no G20.
… A guerra reforçou a preocupação com um cenário que já era desafiador por conta de juros elevados e de temores de ressurgimento da inflação. FMI e BIRD monitoram “de perto” os desdobramentos do conflito, mas acham cedo para prever o impacto econômico.
… Para a diretora-geral do Fundo, Kristalina Georgieva, “muito claramente, esta é uma nova nuvem no horizonte não mais seguro para a economia mundial, uma nova nuvem que escurece este horizonte”, disse a jornalistas, durante as reuniões do FMI.
… Em particular, preocupa a comunidade internacional o impacto no mercado de petróleo em um momento em que as economias lutam para controlar a inflação, que disparou na esteira da pandemia e da guerra na Ucrânia.
… Os preços da commodity subiram mais de 7% na última semana, com o barril do Brent voltando a superar a marca de US$ 90.
… O FMI estima que um salto de 10% nos preços do petróleo pode impulsionar a inflação global em 0,40pp no ano. Já impacto econômico pode ser de uma redução de 0,2% no PIB global anual, de acordo com o economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas.
… Segundo Haddad, a contrapartida foi a expectativa positiva de melhora dos preços.
… Tanto nos EUA quanto na Europa, a sinalização nas reuniões em Marrakesh foi de que, ainda que não tenham mais aumentos de juros nessas economias, a inflação vai cair e convergir para a meta em dois anos, conforme o ministro brasileiro.
… No caso do Brasil, o FMI estima que a inflação no Brasil se reduza para 4,7% depois de bater o pico de 9,3% no ano passado. Para 2024, o Fundo espera 4,5%.
… O FMI manteve as projeções de crescimento de 3% para a economia global neste ano e, no caso do Brasil, elevou sua projeção do PIB para 3,1% este ano, de 2,1% anteriormente. Para 2024, porém, espera desaceleração para 1,5%. Haddad espera 2%.
… Política fiscal foi outro tema de atenção em Marrakesh, com a recomendação do FMI para que os países fechem as torneiras dos gastos.
… Ao discursar em fórum de emergentes, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, alertou que, se os aspectos fiscais não forem endereçados, o processo de desinflação pode ser impactado. Ele participou das reuniões junto com o ministro da Fazenda.
OFFSHORE – Não está certa a votação esta semana do projeto de taxação das offshores e dos fundos exclusivos, que compõe o pacote da Fazenda para aumentar a arrecadação e cumprir a promessa de zerar o déficit das contas públicas em 2024.
… Lira está em missão oficial fora do País, o que coloca em dúvida a chance de a matéria ser apreciada antes que ele volte no dia 24. Além disso, o relator do projeto, Pedro Paulo (PSD-RJ), sob pressão, afirmou à CNN que estuda alterar as regras em um novo parecer.
… “Há inquietações aumentando, entre parlamentares e setores do mercado. A principal é a preocupação com a assimetria entre as alíquotas dos fundos onshore e fundos offshore”, disse o relator, que ainda não fechou questão.
AGENDA – A semana reserva o volume de serviços (3ªF), vendas no varejo (4ªF), IBC-BC de agosto (5ªF) e prevê para hoje potencial revisão em baixa do IPCA do ano na Focus (8h25), após a surpresa com a inflação de setembro.
… O índice, divulgado na véspera do feriado de Nossa Senhora Aparecida, subiu 0,26%, abaixo do esperado (+0,38%), e recuperou apostas de que possa fechar o ano abaixo do teto da meta fixado pelo Conselho Monetário, de 4,75%.
… Na pesquisa Focus, a mediana para a inflação estava em 4,86% na última edição, contratando ajustes negativos. O investidor ainda tem para conferir as prévias do IPC-S (hoje, às 8h) e do IPC-Fipe (4ªF), além do IGP-10 de outubro (amanhã, 3ªF).
… De última hora, a escalada do petróleo Brent para a faixa dos US$ 90 e o dólar próximo de R$ 5,10 acenderam o alerta sobre a política de preços da Petrobras, com o diesel 10% mais barato do que no exterior (cálculo da Abicom).
… Apesar da pressão, que surge como fator de atenção para a inflação doméstica, a aposta majoritária na curva de juros continua sendo de que o Copom manterá o ritmo de desaperto em 0,50pp nas duas últimas reuniões do ano.
… Em entrevista ao Broadcast, em Marrakesh, Haddad afirmou na 6ªF que, ainda que pese o agravamento da guerra no Oriente Médio, a velocidade de cortes nos juros [meio ponto] vai se manter pelo menos por “algum tempo”.
… A avaliação do ministro vem na esteira dos comentários de fontes do mercado de que, em reuniões fechadas com investidores na semana passada, Campos Neto (BC) negou a intenção de reduzir os juros em 0,25pp ou 0,75pp.
… RCN estará em Miami na 6ªF para receber prêmio pelo PIX do Council of the Americas (COA). Hoje, em passagem por São Paulo, ele tem reuniões fechadas com representantes da Febraban, indústrias de cartões, XP e Mastercard.
VALE – Divulga relatório de produção e vendas do 3Tri amanhã (3ªF), antes do balanço na semana que vem (dia 26).
… Já a PETROBRAS informou que divulgará seu relatório de produção e vendas do terceiro trimestre no próximo dia 26, após o fechamento do mercado. O balanço financeiro será conhecido no dia 9 de novembro, também após o fim das negociações.
LÁ FORA – No esforço coordenado do Fed para sinalizar o fim do ciclo de aperto, abreviado pelo rali dos juros dos Treasuries (que vale por uma alta do juro), o foco esta semana vai para o Livro Bege (4ªF) e indicadores de atividade econômica.
… Hoje, sai o índice Empire State de outubro (9h30) e o Fed boy Patrick Harker fala em dois eventos (às 11h30 e às 17h30). Por ele, que já discursou na última 6ªF, os juros não sobem mais neste ciclo, já que a desinflação está em andamento.
… O comentário dovish vem alinhado à percepção de que os yields dos Treasuries em níveis elevados eliminam a necessidade de um novo aperto da política monetária e de que o Fed decidiu acabar com o estresse da curva longa.
… Harker confia em um pouso suave da economia norte-americana, sem recessão. A aposta otimista será testada amanhã (3ªF), na agenda dos Estados Unidos, pelos dados de setembro das vendas no varejo e da produção industrial.
BALANÇOS – A temporada dos resultados trimestrais entra na segunda semana com mais bancos (Bank of American e Goldman Sachs, amanhã (3ªF); e Morgan Stanley, na 4ªF), além das gigante de tecnologia Netflix e Tesla (4ªF).
ZONA DO EURO – Sai na 4ªF a leitura final de setembro da inflação ao consumidor (CPI). Lagarde (BCE) participa hoje (11h10) de encontro do Eurogrupo. Em Marrakesh, no sábado, ela recomendou juros altos pelo tempo necessário.
… Para ela, mais do que ser hawkish ou dovish, os BCs devem ser “owlish” (pacientes). Já Andrew Bailey (BoE) afirmou que “a melhor estimativa que posso dar é de que as taxas ficarão mais altas por mais tempo”.
CHINA – Decide juro na 5ªF. Amanhã à noite, saem a produção industrial e vendas no varejo (setembro).
… Nesta 2ªF, o BC chinês injetou o maior volume de liquidez no mercado desde 2020 (289 bilhões de yuans, o equivalente a US$ 39,6 bilhões). A medida se soma aos esforços recentes para garantir o cumprimento da meta de 5% do PIB.
BARRIL DE PÓLVORA – O petróleo saltou quase 6% no último pregão, com o deadline de 24h dado por Israel para os civis deixarem a faixa de Gaza, interpretado como sinal de que as forças de defesa estão prestes a lançar a invasão.
… Diante da ofensiva, o conflito ganhou nova dinâmica e proporção nos mercados globais, disparando o Brent para dezembro em 5,69%, a US$ 90,89, enquanto o WTI para novembro registrou uma arrancada de 5,77%, a US$ 87,69.
… A Bloomberg Economics avaliou três cenários possíveis para o conflito Israel-Hamas e, no pior deles, a cotação do petróleo poderia subir a US$ 150 por barril. Essa perspectiva envolveria um confronto direto entre Israel e Irã.
… No cenário menos hostil, o conflito ficaria limitado a Gaza e Israel e elevaria os preços do petróleo em US$ 4. No cenário intermediário, o confronto se estenderia para o Líbano e para a Síria e puxaria o valor do barril em US$ 10.
… Qualquer um dos cenários cogitados desaceleraria o crescimento econômico global, mas acarretaria pressões inflacionárias e manteria as taxas de juros mais altas por mais tempo entre os maiores BCs do mundo.
… Mais do que a guerra, a StoneX acredita que é a decisão dos EUA de impor as primeiras sanções aos petroleiros que transportam petróleo russo com preços acima de US$ 60 que tem projetado o barril rapidamente às alturas.
… A escalada do petróleo na 6ªF disparou as ações da Petrobras, sem conseguir, porém, evitar que o Ibovespa embarcasse no ambiente defensivo da guerra declarada contra o Hamas, que até aqui vinha em segundo plano.
… No retorno do feriado na B3, o Ibovespa fechou com queda de 1,11%, perdeu os 116 mil pontos (115.754,08) e voltou a exibir sinal negativo no acumulado do mês (-0,70%). O volume financeiro somou R$ 21,2 bilhões.
… Petrobras bombou (PN, +3,30%, a R$ 36,28; e ON, +3,15%, a R$ 39,32), mas os bancos sentiram a escalada da tensão externa e Vale (ON, -1,14%; R$ 66,59) precificou o risco de a China não cumprir a meta de crescimento de 5%.
… Apesar dos estímulos econômicos de Pequim e tentativas de evitar a piora da crise no setor imobiliário, a inflação chinesa veio mais fraca do que o esperado, sugerindo perda de tração na segunda maior economia do mundo.
… O setor financeiro registrou queda em bloco: Santander unit (-1,79%, a R$27,48); Bradesco PN perdeu 1,50%, negociado a R$ 14,49; Bradesco ON (-1,48%; R$ 12,67); Itaú (-1,04%; R$ 27,69); e BB ON (-0,31%; R$ 48,82).
… O sentimento de cautela e o avanço dos juros futuros prejudicaram as ações ligadas ao consumo. Nas primeiras posições do ranking negativo do Ibovespa ficaram Soma (ON, -7,26%), Natura ON (-7,01%) e Casas Bahia (-6,56%).
… A sessão foi favorável para papeleiras, apoiadas na alta do dólar. Suzano ON subiu 3,37% e Klabin unit, +1,46%.
DORME COMPRADO – Já desde cedo, o câmbio doméstico e a curva do DI contratavam desconforto com o CPI mais alto do que o esperado nos EUA, divulgado no feriado. A isso, somou-se o desdobramento do conflito Israel-Gaza.
… O temor de que a escalada de violência se espalhe para outros países acelerou o dólar a R$ 5,0885 (+0,77%) no mercado à vista e para perto de R$ 5,10 no câmbio futuro, com o contrato/novembro valendo R$ 5,0970 (+0,65%).
… Os números comportados da inflação na China também contribuíram para tirar força do real e de outras moedas de países produtores de commodities, diante das dúvidas sobre o ritmo de crescimento da economia chinesa.
… Apesar do repique de alta na 6ªF, o dólar acumulou queda de 1,43% na semana, diante da guinada dovish do Fed.
… O dólar apreciado, combinado aos novos capítulos da guerra no Oriente Médio, embutiram forte prêmio de risco aos juros futuros. Foi inevitável antecipar pressões inflacionárias, com o petróleo disparando feito foguete.
… O contrato DI para jan/24 subiu a 12,214% (de 12,211% na 4ªF); jan/25, 11,000% (de 10,879%); jan/26, 10,810% (de 10,655%); jan/27, a 10,995% (de 10,847%); jan/29, a 11,450% (de 11,307%); e o jan/31, a 11,710% (de 11,596%).
O CPI elevou os juros dos Treasuries, ontem, com a T-note de 2 anos novamente acima de 5%. Os rendimentos caíram hoje, diante do movimento global de fuga do risco, ainda assim permaneceram acima daquela marca.
TUDO JUNTO E MISTURADO – Difícil é saber se a queda dos juros dos Treasuries na 6ªF deve ser mais fortemente atribuída à fuga de proteção com a cautela geopolítica ou se tem maior explicação nos últimos recados do Fed.
… O BC dos EUA opera a curva, orquestrando a mudança coletiva de tom, até mesmo entre os falcões de carteirinha, para sinalizar que os Fed Funds não precisam subir mais, porque as taxas dos Treasuries já fizeram este serviço.
… O rendimento da Note-2 anos caiu para 5,041%, contra 5,071% na véspera, e o da Note-10 anos recuou para 4,626%, de 4,704%, apesar da alta nas expectativas de inflação registradas pela Universidade de Michigan.
… As apostas para os preços em 1 ano subiram para 3,8% (de 3,2% em setembro) e em 5 anos, a 3,0% (de 2,8%). Na ferramenta do CME, seguem altas as chances de o juro nos EUA ficar estável em novembro (90%) e dezembro (70%).
… Apesar de os rendimentos do Tesouro americano tem retrocedido das recentes máximas em 16 anos, o BofA adverte que não haverá bull market nas bolsas “até que o Fed e governo dos EUA parem de bancar o Superman”.
… Para o banco, as autoridades precisam colocar o cinto de segurança e expressar a urgência de déficits mais baixos.
… Na busca por hedge, na 6ªF, faltou fôlego para os índice de ações em Wall Street. O Dow Jones subiu só 0,12%, a 33.670,29 pontos; o S&P 500 recuou 0,50%, para 4.327,78 pontos; e o Nasdaq perdeu 1,23%, em 13.407,23 pontos.
… Wells Fargo subiu 3%, após registrar lucro e receita acima do esperado no 3Tri, JPMorgan ganhou 1,5%, com os resultados que também superaram as apostas, e Citigroup teve leve queda de 0,24%, apesar dos números positivos.
… O risco de invasão da Faixa de Gaza elevou o apelo defensivo pelo iene (149,50/US$) e pelo dólar, que derrubou a libra (-0,32%) para US$ 1,2139, e o euro (0,17%) para US$ 1,0511, apesar de um dado mais forte no bloco europeu.
… A produção industrial da zona do euro cresceu 0,6% em agosto ante julho, acima da previsão de 0,5%.
EM TEMPO… Depois de passar por Ásia, EUA, Europa, o BB concluiu em Marrakesh, no Marrocos, durante as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, uma rodada de captações de cerca de R$ 30 bilhões para apoiar a agenda de sustentabilidade do Brasil…
… No Marrocos, foram fechadas mais duas transações, uma em dólar, outra em euros, e que juntas somam em torno de R$ 5,9 bilhões.
PETROBRAS. Prorrogou pela segunda vez o prazo para o fechamento do Acordo Coletivo de Trabalho deste ano para que os sindicatos avaliem a contraproposta de aumento real de 1% nos salários, além da reposição do IPCA…
… Segundo apurou o Broadcast, a tendência é de que a oferta seja rejeitada em assembleia…
… Os petroleiros pedem 3,8% de reposição das perdas passadas e equiparação entre as tabelas salariais da Petrobras e das subsidiárias, além de mudanças no plano de saúde e previdência e outros benefícios…
… A Federação Única dos Petroleiros (FUP) e a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) vão realizar assembleias até o dia 26 de outubro, seguidas de paralisações por segmentos, envolvendo todos os trabalhadores da Petrobras.
FLEURY. Conselho de administração aprovou a realização da oitava emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, da espécie quirografária, em série única, no valor total de R$ 500 milhões. Serão emitidas 500 mil, a R$ 1 mil o valor nominal unitário…
… As debêntures terão prazo de cinco anos, com vencimento em 23 de outubro de 2028 e juros remuneratórios correspondentes à variação acumulada de 100% das taxas médias diárias dos DI, acrescida de spread (sobretaxa) de 1,23% ao ano.
ELETROBRAS. Concluiu na 6ªF o resgate antecipado da 1ª Emissão de Notas Comerciais, com valor total de R$ 6.284.425.507,49, em linha com a estratégia de gestão de passivos da companhia…
… Após o pagamento e considerando as captações recentes, a Eletrobras tem um caixa consolidado de cerca de R$ 23 bilhões.
RAIADROGASIL. Informou na 6ªF à noite que o J.P. Morgan Chase &Co aumentou a sua participação acionária na companhia, passando a deter 86.284.554 ações, o equivalente a 5,02% do total de ações.
CIELO. Faturamento do varejo subiu 1,1% entre os dias 6 e 12 de outubro, na comparação com o período de 2022, de acordo com o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA). O crescimento foi puxado pelo varejo online, com alta de 5,5%.
AMERICANAS. Relatório divulgado pelo administrador judicial do processo de recuperação da varejista, referente a agosto, indica que a empresa fechou o mês com 42,9 milhões de clientes ativos, uma queda de 13% sobre os números de dezembro/22…
… A perda de clientes passou a acontecer mensalmente desde janeiro e soma 6,2 milhões em oito meses, quase 800 mil por mês.
LOJAS RENNER. BlackRock passou a deter, de forma agregada, 97.120.090 ações ordinárias (ON) e 3.703 American Depositary Receipts (ADRs) da varejista, totalizando 97.123.793 ações ordinárias…
… O montante representa 10,083% do total de ações ON de emissão da companhia e 8.915.629 instrumentos financeiros derivativos referenciados em ON com liquidação financeira, equivalentes a 0,925% do total de ações ordinárias de emissão da Renner.
FEBRE AFTOSA. Venezuela começou a vacinar o rebanho bovino do país contra a febre aftosa, em busca de certificação internacional de área livre da doença para começar a exportar, informou neste domingo o ministro da Agricultura, Wilmar Castro (EFE).
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Balanços nos EUA e inflação marcam volta do feriado
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[13/10/2023]
… Com delay de um dia, o mercado doméstico reage na volta do feriado ao CPI nos EUA. Repercute também a inflação comportada na China, que saiu ontem à noite. Os negócios podem ser influenciados ainda pelo sentimento do consumidor/Michigan de outubro (11h), que embute as expectativas de inflação em 1 e 5 anos, e pelos balanços dos bancos nos EUA. Ontem, os ADRs brasileiros foram mal, junto com NY, e antecipam hoje um ajuste negativo, pelo menos na abertura. O CPI americano recuperou as apostas de alta adicional do juro, mas o dado mais confunde do que esclarece, já que retomou também a escalada dos retornos dos Treasuries, quando o próprio Fed reconhece que a alta exagerada nos yields pode dispensar a necessidade de mais aperto.
… Mais um comentário neste sentido veio no fim da tarde de ontem. Susan Collins (Fed/Boston), que só vota em 2025, disse que, se a pressão nos retornos dos Treasuries longos persistir, reduzirá a urgência de uma alta do juro.
… “Isto reforça a minha opinião de que estamos muito próximos, e talvez já lá, do fim do ciclo de aperto”, afirmou, durante evento. Apesar de sugerir que o juro possa estar no pico, ela não acredita que cortes virão tão cedo.
… Sobre a inflação americana, a dirigente está “otimista”, mas afirmou que o CPI de setembro foi um lembrete de que a restauração da estabilidade de preços “levará tempo”, projetando taxas elevadas durante período prolongado.
… O índice de preços ao consumidor subiu 0,4% contra agosto, pouco acima da previsão de 0,3% dos analistas, e se manteve em 3,7% na taxa anual. O núcleo registrou alta de 0,3% na margem, em linha com o esperado.
… Ainda ontem, foram divulgados os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA, que ficaram estáveis na semana passada (209 mil), contra previsão de alta para 211 mil, indicando que o mercado de trabalho segue aquecido.
… A precificação de alta adicional do juro pelo Fed em dezembro subiu para 31,4%, contra 26,3% antes do CPI, segundo a ferramenta de apostas do CME. O movimento mais provável ainda é de pausa (65,6%, de 71,8%).
… Seja como for, NY estressou, com queda nas bolsas e escalada no dólar e nos juros dos Treasuries, que agora, mais do que nunca, parecem ter virado o fiel da balança para o Fed decidir ser ou não mais agressivo no ciclo.
… Resgatando ao radar a chance de uma última alta do juro, a taxa da Note-2 anos voltou a operar acima do patamar de 5%, em 5,071%, contra 4,995% na véspera. O yield da Note-10 anos foi a 4,704%, de 4,571%.
… Mas as bolsas em Wall Street caíram, sem captar as recentes mensagens do Fed de que, dentro da nova estratégia coordenada, a arrancada dos rendimentos dos Treasuries pode funcionar como um aperto adicional.
… Mesmo com uma eventual pausa do juro americano à vista, o Dow Jones cedeu 0,51%, a 33.631,21 pontos; o S&P 500 perdeu 0,62%, para 4.349,61 pontos; e o Nasdaq fechou em baixa de 0,63%, em 13.574,22 pontos.
… O dólar se fortaleceu e impulsionou o índice DXY (+0,74%) para 106,599 pontos. O iene recuou 0,47%, a 149,82/US$, o euro caiu 0,84%, para US$ 1,0531, e a libra esterlina teve baixa de 1,10%, para US$ 1,2179.
… A moeda foi prejudicada pela fraqueza da produção industrial do Reino Unido em agosto (-0,7%).
ADRS NO FERIADO – O mau humor externo despertado pelo CPI se refletiu também nos ativos domésticos negociados em NY durante o feriado. Principal fundo de índice (ETF) brasileiro, o EWZ caiu 2,05%, aos US$ 30,11.
… Entre os ADRs, Vale registrou queda firme de 2,06% antes dos dados de ontem à noite na China, e os bancos (Bradesco, -2,40%; e Itaú, -1,72%) também foram mal. Já Petrobras (ON, -0,36%; e PN, -0,25%) caiu menos.
… Sem maior fôlego, o Brent para dezembro avançou 0,21%, a US$ 86,00. A Opep manteve a previsão para a demanda no ano e a AIE alertou que os riscos cresceram, no contexto do conflito militar entre Israel e o Hamas.
… A tensão generalizada ontem em NY contrata um ajuste negativo nos primeiros negócios hoje para o Ibovespa, que na 4ªF saiu para o feriado em leve alta de 0,27%, aos 117.050,74 pontos, com giro de R$ 17,9 bi.
MAIS AGENDA – A temporada dos balanços reserva para antes da abertura os números do Citigroup, JPMorgan e Wells Fargo. Ainda nos EUA, o Fed boy Patrick Harker fala (10h). À tarde (14h), saem os dados da Baker Hughes.
… Na zona do euro, sai a produção industrial de agosto (5h). Andrew Bailey (BoE) participa de painel em Marrakesh.
CHINA HOJE – A inflação ao consumidor (CPI) ficou estável em setembro, na comparação anual, contrariando a previsão de +0,2%. A queda de 2,5% dos preços ao produtor (PPI) veio mais intensa do que o esperado (-2,3%).
… Ainda ontem à noite, saíram os dados da balança. As exportações tiveram queda anualizada de 6,2% em setembro, melhor do que a previsão -8,3%. As importações também recuaram 6,2%, perto da estimativa de -6%.
… Nos dois casos, o ritmo de queda desacelerou em relação a agosto, já que as exportações chinesas caíram 8,8% naquele mês, enquanto as importações cederam 7,3%.
… A balança fechou setembro com superávit de US$ 77,71 bilhões, acima da previsão de US$ 69,5 bilhões.
O RUÍDO DO PACE – Presente aos eventos do FMI no Marrocos, o ex-BC Fabio Kanczuk (da ASA Investments) disse que RCN não fez nenhum comentário ontem sobre a chance de o Copom reduzir os juros em 0,25pp ou 0,75pp.
… Também em Marrakesh, fonte do PicPay contou que Campos Neto negou categoricamente nesta 5ªF, em reunião, que tenha citado riscos para o ritmo de corte da taxa Selic, durante encontros fechados com investidores na 4ªF.
… Naquele dia, relatos na imprensa indicavam que o presidente do BC teria dito que a probabilidade de desacelerar o pace de redução do juro de 0,50 pp para 0,25pp seria maior do que a chance de aumentar o ritmo para 0,75pp.
… Ainda segundo os relatos, na ocasião, RCN teria esclarecido que o ritmo de corte de meio ponto ainda era de longe a precificação majoritária dentro do Copom e que a barra estava muito alta para mudar para qualquer dos lados.
… Haddad disse a jornalistas que conversará com Campos Neto para entender o contexto da fala. “De várias formas, ele pode ter dito isso. Inclusive, como forma de manter o propósito de que os cortes sigam no passo que estão.”
… Os rumores antes do feriado de que Campos Neto teria feito comentários mais duros causaram impacto no mercado de juros futuros. A ponta curta embutiu prêmio, mesmo em um dia de boas notícias da inflação (abaixo).
… Na interpretação hawkish, o DI jan/24 foi a 12,220% (de 12,200% um dia antes); jan/25, 10,870% (de 10,745%); jan/26, 10,635% (de 10,549%); jan/27, 10,820% (10,779%); jan/29, 11,290% (11,267%); e jan/31, 11,570% (11,565%).
… Grande parte da pressão também foi atribuída à cautela antes do CPI, que ofuscou a surpresa positiva do IPCA de setembro (+0,26%) bem abaixo da mediana das estimativas (+0,32%). O dado resgatou apostas de inflação na meta.
… Apesar de benigno, o indicador não animou o mercado a especular sobre corte maior (0,75pp) da Selic.
… No alívio do IPCA, a LCA diminuiu sua projeção de inflação no ano de 4,8% para 4,7%, já abaixo do teto da meta (4,75%). Bradesco e Itaú conservaram as estimativas entre 4,8% e 4,9%, mas reconheceram viés de baixa.
… O banco britânico Barclays destacou que a redução da defasagem entre os preços domésticos e internacionais de combustíveis – de 20%, há duas semanas, para 9% hoje – sugere espaço para inflação menor no Brasil.
… No câmbio, colado a R$ 5,05, o dólar à vista foi para o feriado em leve baixa de 0,13%, negociado a R$ 5,0498.
EM TEMPO… O Conselho Nacional de Previdência Social aprovou a redução no teto de juros do CONSIGNADO do INSS de 1,91% para 1,84% ao mês, no desconto em folha…
… As contratações feitas em cartão de crédito consignado terão teto de 2,73% ao mês, de 2,83% antes…
… A resolução deve ser publicada no Diário Oficial da 2ªF (16). As taxas entrarão em vigor em cinco dias úteis a partir da publicação. Em nota, a Febraban criticou a redução “artificial e arbitrária” do teto dos juros do consignado.
VALE e BHP dividiram de forma equivalente no Brasil os prejuízos relacionados ao rompimento da barragem da Samarco (MG). Mas na Justiça inglesa, a australiana pretende apontar maior responsabilidade da Vale pela tragédia.
PETROBRAS. Prates disse em seminário na 4ªF que o susto com início da guerra não perdurou e que avalia que será possível garantir a segurança de abastecimento e os preços da estatal para a população brasileira…
… Mercadante (BNDES) informou que a separação do banco da BNDESPar está encaminhada e que, depois de efetivada, o banco poderá apoiar ainda mais a transição energética da Petrobras…
… Por lei, é proibido uma instituição financeira financiar empresas em que tenha mais de 25% de participação. Apesar de abaixo desse limite, a BNDESPar, que detém as ações da Petrobras, está dentro do balanço do BNDES.
RAÍZEN. Conselho aprovou distribuição de dividendos de R$ 250 milhões, a R$ 0,024 por ação; ex dia 18.
ELETROBRAS. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) homologou acordo que permite a retomada de PDV.
CPFL. O conselho de administração aprovou a realização da 13ª emissão de debêntures no valor de R$ 750 milhões.
CEEE-T. Conselho de administração aprovou a realização da 10ª emissão de debêntures, no valor de R$ 450 milhões.
LIGHT. A Justiça do Rio aprovou a prorrogação pelo prazo de 180 dias do stay period (período em que ficam suspensas as ações e execuções durante um processo de recuperação judicial).
ECORODOVIAS. O conselho de administração aprovou a 13ª emissão de debêntures no valor de R$ 1 bilhão.
EZTEC registrou Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 85 milhões em lançamentos no 3Tri, segundo prévia operacional. O resultado representa uma redução de 82,1% em relação ao VGV registrado no 2Tri, que somou R$ 474,5 milhões.
TENDA. O conselho de administração aprovou a 10ª emissão de debêntures simples no valor de R$ 150 milhões.
DIRECIONAL. O Santander informou que os resultados da prévia operacional da companhia, divulgados na 3ªF, ficaram abaixo das estimativas, mas que mantém a recomendação de compra das ações, com preço-alvo de R$ 31.
OI divulgou comunicado sobre procedimentos e cronograma que serão adotados para enquadrar a cotação de ações ordinárias em valor igual ou superior a R$ 1,00 até março. Os papéis não ultrapassam esse piso desde agosto.
AMBEV. Cade homologou acordo que limita contratos de exclusividade da empresa com bares e restaurantes pelo prazo de cinco anos. A companhia disse que colaborou com acordo para “ambiente concorrencial justo”.
JALLES MACHADO divulgou na CVM o prospecto da sua oferta pública de distribuição da quarta emissão de debêntures, no montante de R$ 300 milhões.
CORREÇÃO. Ao contrário do publicado pelo BDM na última 3ªF, a parceria entre a Magalu e o BNP Paribas Cardif, denominada de Proteção Saúde, não configura plano de saúde e nem seguro saúde.
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