Petrobras reduz gasolina no meio da guerra
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[20/10/2023]
… A tensão geopolítica no Oriente Médio, junto com a nova onda de pressão nos Treasuries, continua no foco dos investidores, enquanto aqui soma-se a decisão da Petrobras de anunciar, ontem à noite, a redução do preço da gasolina, com o petróleo escalando e no meio da guerra que ninguém sabe onde vai dar. O anúncio dos combustíveis foi feito poucos minutos antes do pronunciamento de Biden, que praticamente liberou Netanyahu para ocupar Gaza, na volta de sua viagem a Tel Aviv. O presidente dos EUA atacou igualmente o Hamas e Putin para defender o pacote de segurança que enviará hoje ao Congresso em apoio a Israel e a Ucrânia. A agenda prevê, ainda, o balanço da Amex e discursos de dois Fed boys em NY e, no Brasil, o IBC-Br (9h), uma entrevista de Haddad e um painel de Campos Neto.
… A fala de Biden, esperada pelo mercado como uma sinalização do que poderá acontecer no Oriente Médio nas próximas horas, incluiu ressalvas ao direito dos palestinos e contra a islamofobia, mas omitiu qualquer referência a uma negociação para a paz.
… Mais de uma vez, ele insistiu que o sucesso de Israel é importante para a segurança dos Estados Unidos.
… “Não podemos deixar terroristas como o Hamas ou tiranos como Putin ganharem.” Para a Rússia, deu um aviso adicional: “Se atacar um aliado da Otan, vamos reagir como prevê a aliança.” Sobre Israel, disse que “estão fortes, mas com raiva”.
… Segundo a agência Dow Jones, o pacote de Biden prevê recursos suplementares da ordem de US$ 100 bilhões para investimentos em segurança. Desse montante, ao menos US$ 10 bilhões iriam para Israel e US$ 60 bilhões para a Ucrânia.
… A proposta deve enfrentar dificuldades no Congresso, diante da crise política na Câmara, que está sem presidência há semanas por falta de acordo entre os republicanos, que têm uma estreita maioria. O deputado Jim Jordan tentará uma nova eleição.
… Além disso, há resistências para o fornecimento de mais dinheiro à Ucrânia, embora a ajuda a Israel seja consenso.
… Em meio às incertezas da guerra e receios de que os conflitos possam se espalhar pela região, o petróleo voltou a subir nesta 5ªF com o Brent para dezembro fechando a US$ 92,38 (+0,96%), em Londres. Já o WTI subiu para US$ 88,37 (+1,26%), em NY.
… Especialistas ainda avaliam o peso do petróleo venezuelano para a oferta global, em acordo fechado pelos EUA, mas os rumores de que Israel orientou suas tropas a se prepararem para uma invasão terrestre a Gaza prevaleceram para sustentar os preços.
… O motivo alegado para a Petrobras reduzir o preço da gasolina é a defasagem negativa de 5% estimada pela Abicom. Com o corte de 4%, praticamente zerou a diferença com os preços internacionais. A partir de amanhã, o litro fica R$ 0,12 mais barato, a R$ 2,81.
… Já no caso do diesel, a alta de 6,6% reduziu em menos da metade a defasagem com o preço internacional, calculada em 14%. Também amanhã, o diesel será elevado em R$ 0,25 por litro, para R$ 4,05 por litro.
… Minutos antes do anúncio, o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, havia declarado que a empresa estava “no limiar” de fazer um reajuste nos combustíveis. Na sequência, uma nota citou a “estratégia comercial bem-sucedida da companhia”.
… Segundo o comunicado, a prova disso é que, mesmo, com o Brent mais alto este ano, os preços acumulam quedas, diferentemente de 2022. A Petrobras afirma estar tornando a “empresa mais competitiva, evitando o repasse de volatilidade para o consumidor”.
… A questão é o timing. Se a Petrobras já evitou o ajuste da gasolina, de outras vezes, estendendo a defasagem por tempo maior, por que se apressou em reduzir os preços, justo quando o petróleo opera sob a pressão de uma guerra que está longe de ser resolvida?
… O impacto positivo já surge em uma série de revisões para o IPCA deste ano, que irrompeu no mercado tão logo foi anunciado o corte. Segundo apurou o Broadcast, economistas estimam um impacto negativo em torno de 0,10pp com a queda da gasolina.
… Considerando que a mediana do último Focus já indicava um IPCA de 4,75%, no teto da meta, as chances de fechar o ano abaixo disso são melhores, “salvo uma disparada nos preços do petróleo”, em consequência de um recrudescimento da guerra.
… Resta torcer, por todos os motivos, para que o pior não venha se concretizar.
REFORMA TRIBUTÁRIA – Relator no Senado, Eduardo Braga (MDB) estuda a possibilidade de criar uma quarta alíquota para acomodar as pressões de setores que querem ser beneficiados por uma tributação menor e não foram atendidos na votação da Câmara.
… Segundo o Estadão, a quarta alíquota reduziria o custo para atender às pressões dos descontentes, que têm encontrado eco junto aos senadores. Uma das possibilidades é fixar o valor numa faixa de 70% da alíquota cheia, ou seja, com desconto de 30%.
… O texto aprovado pelos deputados previu três alíquotas: a alíquota cheia (referência); uma alíquota de 40% da cheia (reduzida); e outra zerada, para produtos, por exemplo, da cesta básica nacional e medicamentos de combate ao câncer.
… Fontes disseram ao jornal que alguma exceção adicional pode ser inevitável para garantir a aprovação do projeto.
… Em outra frente, Braga não está disposto a ceder à pressão do agronegócio, que quer um desconto maior, de 80% da alíquota cheia. Na votação da Câmara, entrou para a lista de exceções com a alíquota reduzida equivalente a 40% da cheia (desconto de 60%).
MAIS AGENDA – O desempenho negativo do setor de serviços e das vendas no varejo em agosto deve impor queda ao IBC-Br no mês, após duas altas seguidas. A mediana no Broadcast é de contração de 0,6%, após +0,44% em julho.
… As projeções dos analistas de mercado são todas de baixa para o “PIB do BC”, de 1,10% (piso) até 0,30% no teto.
… À 11h, Haddad, participa de coletiva, em SP, sobre resolução da CVM para o Plano de Transformação Ecológica. Em Miami, Campos Neto (BC) estará em evento sobre o PIX (13h35) e receberá prêmio da Americas Society (19h30).
… Mais dois Fed boys falam hoje: Patrick Harker/Filadélfia (10h) e Loretta Mester/Cleveland (13h15).
… O balanço da American Express (AMEX) sai antes da abertura de NY. Os dados da Baker Hughes saem às 14h.
… Ontem à noite, o Western Alliance Bancorp subiu forte no after hours (quase 3%), após lucro líquido de US$ 216,6 milhões no terceiro trimestre, com lucro por ação ajustado de US$ 1,97, acima do esperado por analistas da FactSet (US$ 1,91).
… Mais cedo, no pregão regular, a ação do Morgan Stanley fecharam em queda de 2,62% depois de balanço com queda no lucro.
CHINA HOJE – O PBoC manteve os juros de referência para empréstimos (LPR) de 1 ano (3,45%) e 5 anos (4,320%).
A BARRA ALTA – O corte na gasolina reforça a bola que já vinha sendo cantada pela Focus, de IPCA abaixo do teto da meta pela primeira vez em três anos, mas não serve de garantia nenhuma de Selic terminal de um dígito em 2024.
… A rotina de máximas em quase duas décadas dos rendimentos dos Treasuries e o risco de o petróleo estourar, dependendo dos impactos (imprevisíveis) da guerra no Oriente Médio, reduzem o espaço para o Copom manobrar.
… Economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa acredita que os juros mais altos nos EUA podem fazer com que a taxa Selic encerre o ciclo de aperto monetário mais próxima de 10% do que de 9% no ano que vem.
… Seguindo à risca a pressão externa, a curva do DI embutiu prêmio de risco ontem, pelo terceiro dia consecutivo. Com exceção do contrato de juro para jan/24, que ficou de lado (12,160%, contra 12,159%), os demais dispararam.
… O jan/25 investiu para 11,245% (de 11,073% no pregão da véspera); o jan/26 saltou para 11,270% (de 10,961%); o jan/27 pagou 11,450% (de 11,123%); o jan/29, 11,790% (de 11,510%); e o jan/31 foi até 11,980% (de 11,723%).
… É curioso que o dólar, aqui e lá fora, venha resistindo ao fôlego dos juros. No câmbio doméstico, o petróleo caro pode estar ajudando o real a segurar a onda. A moeda americana fechou estável (-0,03%), valendo R$ 5,0528.
FINGIU INDIFERENÇA – Desconsiderando o novo rali dos juros dos Treasuries e as perdas nas bolsas em NY, o Ibov conseguiu fechar no zero a zero (-0,05%) e defender, ainda que por pouco, os 114 mil pontos (114.004,30).
… A resistência aos focos de estresse externos (guerra e Fed) levanta a dúvida se a bolsa doméstica já pode ter reagido mais especulativamente ontem aos interesses relacionados ao game das opções sobre ações, hoje.
… O volume financeiro somou R$ 21,9 bilhões, mas é possível que melhore nesta 6ªF com o exercício.
… Em véspera de disputa entre comprados e vendidos, os bancos avançaram em bloco: Itaú (+1,16%; R$ 27,06), Santander (+1,13%; R$ 26,81), BB (+0,77%), Bradesco ON (+0,64%; R$ 12,61) e Bradesco PN (+0,49%; R$ 14,43).
… Caminho contrário foi tomado pelas blue chips das commodities. Vale (-1,44%) foi à mínima do dia (R$ 64,42), digerindo o pedido de indenização de R$ 100 bi à empresa, Samarco e BHP pela ruptura da barragem do Fundão.
… Petrobras corrigiu a máxima histórica em valor de mercado atingida na véspera, quando foi avaliada em R$ 524,5 bilhões, e registrou queda de 0,72% (ON, a R$ 41,26) e de 0,47% (PN, a R$ 38,34), ignorando a alta do petróleo.
… Após liderar os ganhos na sessão de 4ªF, Magalu (-6,94%) ocupou ontem o topo da lista negativa, em meio à pressão da curva do DI com os juros dos Treasuries, que derrubou também CVC (ON, -5,54%) e Gol (PN, -4,97%).
… A maior valorização do dia no Ibov foi de Cielo (+6,53%). Analistas observaram que a movimentação ocorreu em meio às negociações sobre proposta do BC envolvendo tarifas pagas por empresas de maquininha de cartão.
… Copel (+2,97%) repercutiu positivamente o PDV, que deve levar a empresa a economizar R$ 428 mi por ano.
NÃO PAROU O TREM – Powell liquidou a chance de o juro subir em novembro, ao dizer que o Fed se moverá “cautelosamente”, mas não quis se comprometer com dezembro, deixando correr as taxas dos Treasuries longos.
… Segundo ele, “evidências adicionais de crescimento econômico persistente ou de tensão no mercado de trabalho podem colocar em risco novos progressos na inflação e podem justificar um maior aperto da política monetária.”
… Apesar de recentemente muitos Fed boys terem incorporado um discurso mais dovish e sugerido que a escalada dos retornos dos Treasuries dispensaria aperto monetário adicional, o cenário é repentinamente agitado pela guerra.
… As consequências desconhecidas, dependendo da proporção que o conflito tomar, além das pressões fiscais dos gastos militares defendidos por Biden junto ao Congresso, muito provavelmente levaram Powell a fazer o hedge.
… Até a ultima reunião de política monetária deste ano, em 13 de dezembro, tem muita água para rolar, particularmente com relação aos desdobramentos no Oriente Médio, e Powell não precisa se arriscar à toa.
… Assim, preferiu manter as opções em aberto, sem descartar nova alta, ganhando tempo para decidir o que fazer.
… Se Powell não fechou a porta para mais um aperto, os juros dos Treasuries não viram motivo para encerrar o rali, cada vez mais autorizado pelo impacto da guerra nas cotações do petróleo, que contrata viés inflacionário.
… Além disso, a força do mercado de trabalho nos EUA (os pedidos de auxílio-desemprego caíram para o nível mais baixo desde janeiro, a 198 mil) botou pilha ontem para os retornos dos Treasuries longos ampliarem a escalada.
… O juro da Note-10 anos voltou a flertar com a perigosa marca dos 5%: fechou em 4,985%, contra 4,897% na véspera. A taxa do T-Bond de 30 anos rompeu 5,100%, nos níveis mais altos em 16 anos, a 5,108%, de 4,989%.
… Frustrada a esperança de Powell encerrar o ciclo de aperto do Fed e esgotar o salto das taxas dos Treasuries, as bolsas em NY caíram: Dow Jones, -0,75% (33.414,17 pts); S&P 500, -0,85% (4.278,00); e Nasdaq, -0,96% (13.186,18).
… Em teoria, o dólar teria tudo para ter subido, mas não foi o que aconteceu na prática: DXY, -0,29%, aos 106,253 pontos. O euro avançou 0,43%, a US$ 1,0587, e a libra esterlina (US$ 1,2146) e iene (149,83/US$) fecharam estáveis.
EM TEMPO… VALE solicitou à Justiça do Reino Unido permissão para recorrer à segunda instância em ação relacionada ao rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG)…
… Em primeira instância, foi rejeitado o pedido da mineradora para recorrer de decisão que reconhecia a competência do tribunal britânico para julgar a ação de contribuição contra a empresa, movida pela BHP.
PETROBRAS. O presidente da estatal, Jean Paul Prates, afirmou que a companhia petrolífera considera fazer investimentos na Venezuela, após os EUA terem reduzido as restrições ao país.
AMERICANAS. TJ de SP suspendeu até 24/11 a ação movida pelo Bradesco que pede a produção antecipada de provas contra a varejista; pedido de suspensão foi feito pela Americanas, mas teve a concordância do banco.
LOCALIZA. Fitch reafirmou rating da empresa em BB+, com perspectiva estável.
YDUQS. FMR reduziu participação na companhia de 5,05% para 4,88%, passando a deter 15,1 milhões de ações.
MRV. Resia venderá projeto Biscayne Drive no 4TRI e demais propriedades (Hutto Square, Tributary, Dallas West e Old Cutlerao) ao longo de 2024; empreendimentos têm valor geral de vendas (VGV) estimado de US$ 400 milhões.
DIRECIONAL aprovou 10ª emissão de debêntures, no valor de até R$ 312,5 milhões.
GRUPO MATEUS abriu três atacarejos em Pernambuco, passando a operar quatro lojas no Estado; inaugurações chegam a 19 lojas e quatro centros de distribuição em 2023.
CARREFOUR. O CEO de Varejo, Daniel Mora, deixou a empresa, após a integração com o Grupo Big. (Valor)
EMBRAER. Primeiro KC-390 Millennium da Força Aérea Portuguesa (FAP), fabricado pela empresa, entrou em serviço ontem na Base Aérea de Beja.
OI, em recuperação judicial, realizará a partir de 2ªF leilões das frações resultantes do grupamento anunciado em dezembro; frações foram reagrupadas em 285.767 ON e 282.807 PN, que serão vendidas em leilões sucessivos.
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Powell enfrenta pressão fiscal nos Treasuries
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[19/10/2023]
… Netflix disparou no after hours com o balanço de ontem à noite. Mas o foco do dia está na participação de Powell à tarde (13h) em evento em NY, quando terá a chance de ouro de operar os Treasuries, baixar o estresse e sinalizar pausa na política monetária. Se cumprir o script mais dovish, o presidente do Fed deverá insistir na mensagem de que os juros dos títulos do Tesouro americano já foram longe demais e que valem como um aperto adicional, endossando o fim do ciclo. Mas já não dá para saber se os potenciais comentários menos agressivos, por si só, serão suficientes para enfrentar a turbulência nos Treasuries, neste momento em que riscos fiscais de última hora nos EUA aceleram a taxa da Note-10 anos para perto da marca dos 5%.
… A guerra já acende a luz amarela, com a intenção declarada de Biden de pedir ao Congresso um pacote “sem precedentes” para injetar recursos em Israel, com o envio de equipamento de defesa e ajuda humanitária.
… Os gastos militares fora dos planos pegam o mercado em momento de incerteza sobre o orçamento americano, com as votações no Congresso engessadas pelo impasse da escolha do presidente da Câmara.
… Ontem, Jim Jordan, o candidato dos republicanos, perdeu a eleição pela segunda vez, prolongando a agonia em torno dos esforços políticos necessários para evitar a paralisação da máquina pública (shutdown) em novembro.
… Na Bloomberg, segundo profissionais, o Fed tem de lidar com a inquietação dos investidores, diante da montanha de dívida do governo americano, que já soma US$ 33,5 trilhões e contribui para o salto dos juros dos Treasuries.
… Assim, mesmo que o Fed não suba mais o juro, os fatores de pressão fiscal no radar indicam o risco de o yield da Note-10 anos operar a 5% em breve, após o rendimento ter chegado cravar 4,931% na máxima de ontem.
… Os receios sobre o futuro fiscal dos EUA colocam o Fed em uma arapuca: fica agora cada vez mais difícil de segurar o rali dos juros dos Treasuries, num efeito-dominó perigoso, que pode desancorar as expectativas de inflação.
… Se crescer percepção de que o Fed não está fazendo o suficiente para proteger a estabilidade de preços, a fim de limitar os custos de financiamento do governo Biden, o BC pode se ver envolvido numa crise de credibilidade.
… Sob mais uma onda de nervosismo ontem, os mercados globais repercutiram o sentimento de que nada segura a escalada dos juros dos Treasuries e esvaziam a esperança de que Powell possa parar a locomotiva desgovernada.
MAIS AGENDA – Além de Powell, outros seis integrantes do Fed discursam hoje: o vice, Philip Jefferson (10h), Michael Barr e Austan Goolsbee (14h30), Raphael Bostic (17h), Patrick Harker (18h30) e Lorie Logan (19h).
… Entre os indicadores econômicos, saem os pedidos de auxílio-desemprego (9h30) e vendas de moradias usadas em setembro (11h). Na China, a expectativa no final da noite é de que os juros das LPRs de 1 e 5 anos fiquem estáveis.
… A incorporadora imobiliária chinesa Country Garden perdeu o prazo final para pagar os juros de US$ 15,4 milhões de um título em dólar. A incapacidade de cumprir suas obrigações mostra a extensão da desaceleração no setor.
… A Country Garden deveria ter feito o pagamento de juros em 17 de setembro, mas os termos do título permitiram à empresa um período de carência de 30 dias antes de ficar oficialmente inadimplente nesta 4ªF.
AFTER MARKET – Netflix saltou mais de 12%, com lucro por ação (US$ 3,73) acima do esperado (US$ 3,43) no 3Tri.
… A empresa disse que medidas implementadas no primeiro semestre, como a proibição do compartilhamento de contas, o lançamento do pacote com anúncios e os lançamentos mundiais impulsionaram os seus números.
… A companhia anunciou que vai encerrar o plano básico para novos assinantes da plataforma em diversos países, incluindo o Brasil (R$ 25,90 mensais). A decisão deve ter efeito a partir da semana que vem, ainda sem data fixada.
… Tesla afundou 4,24% no after hours, com lucro por ação (US$ 0,53), abaixo da previsão dos analistas, de US$ 0,73.
PETRÓLEO – Os EUA emitiram licença de seis meses que autoriza de forma temporária as transações com o setor de petróleo e gás da Venezuela, após Maduro concordar em retomar as negociações para eleições livres em 2024.
AQUI – O dia começa com a segunda prévia do IGP-M (8h). O mercado ouvirá RCN em duas oportunidades nesta manhã: em palestra gravada ao congresso CoopTalks Crédito (9h) e em encontro da Fenabrave em Cuiabá (9h30).
… Em Brasília, Haddad tem fala prevista às 9h30 no Congresso Internacional de Direito Constitucional.
… À tarde (15h), serão apresentadas em coletiva de imprensa as novidades do programa Tesouro Direto.
BOLA DE NEVE – Wall Street teve mais uma sessão de fuga do risco, com os rendimentos Treasuries longos escalando em direção aos 5%. As incertezas sobre o Fed agora se somam ao conflito em Israel e receio com o quadro fiscal.
… “Estamos testemunhando o início de uma mudança fundamental na forma de perceber a sustentabilidade fiscal.”
… Ontem, Biden piorou a percepção, ao anunciar que vai pedir ao Congresso americano que aprove o “pacote de defesa sem precedentes a Israel”. Biden anunciou US$ 100 milhões em apoio humanitário à Faixa de Gaza.
… Segundo fontes da NBC, o pacote deve alcançar os US$ 100 bilhões, sendo US$ 60 bilhões para a Ucrânia e o restante a ser dividido entre Israel, Taiwan e o reforço da fronteira com o México.
… Os Treasuries continuaram em modo de guerra nesta 4ªF. O juro da T-note de 2 anos subiu a 5,212% (de 5,203%); o da T-note de 10 anos avançou a 4,897% (de 4,832%) e o do T-bond de 30 anos alcançou 4,989% (4,930%).
… Sem clima para risco, os índices das bolsas em NY fecharam no vermelho. O índice Dow Jones caiu 0,98%, aos 33.665,08 pontos. O S&P 500 recuou 1,34%, aos 4.314,60 pontos, e o Nasdaq perdeu 1,62%, aos 13.314,30 pontos.
… A divulgação do Livro Bege não mudou em nada a trajetória dos negócios. O documento mostrou que o mercado de trabalho segue arrefecendo e a inflação deve continuar desacelerando.
… Os Fed boys também não trouxeram novidades em seus discursos. Patrick Harker (Filadélfia) defendeu em entrevista ao WSJ que a pausa no juros deveria durar até o início de 2024.
… Christopher Waller disse que é preciso ver como a inflação se comportará no próximo semestre, antes de pensar em cortes nos juros, e Michelle Bowman repetiu que a inflação americana ainda está muito alta.
ENTREGANDO OS PONTOS – Refém do exterior, o Ibov (-1,60%) devolveu quase dois mil pontos e, por pouco, não perdeu os 114 mil pontos (114.059,64). O giro de R$ 49,2 bi só bombou, porque foi inflado pelo game especulativo.
… Foi dia de exercício de opções sobre o índice e vencimento do Ibovespa futuro. Na 6ªF, tem opções sobre ações.
… Vale ON tombou 3,67%, a R$ 65,36, mesmo após o relatório de produção e vendas do terceiro trimestre trazer números dentro do esperado. A queda de mais de 1% no preço do minério de ferro na China pesou sobre o papel.
… O investidor ainda parece pouco convencido de que Pequim vai bater a meta de PIB de 5% este ano, apesar de o crescimento econômico no 3Tri e de a produção industrial e vendas no varejo em setembro terem impressionado.
… No cenário de risk-off desta 4ªF, a bolsa não pôde contar com a ajuda dos bancos, que caíram em bloco: Itaú PN (-2,09%, a R$ 26,75); Bradesco ON (-1,10%; R$ 12,53) e PN (-0,90%; R$ 14,36); Santander (-0,97%); e BB ON (-0,49%).
… Nem mesmo os ganhos acentuados de Petrobras, ancorados na alta do petróleo, salvaram o dia. O papel ON subiu 2,34%, a R$ 41,56, e PN, +2,26%, a R$ 38,52, com o Brent para dezembro avançando 1,77% (US$ 91,50) na ICE.
… Além da tensão no Oriente Médio, os preços da commodity reagiram à queda maior do que a esperada nos estoques semanais dos EUA (-4,5 milhões de barris), contra expectativa de aumento de 400 mil barris.
… Em Cushing, as reservas estão no nível mais baixo desde 2014 (21 milhões de barris), próximo do piso operacional.
… Ontem, a Opep informou que não planeja realizar uma reunião ou tomar qualquer ação imediata depois que o Irã pediu embargo de petróleo e outras sanções a Israel. “Não somos uma organização política”, disse fonte do cartel.
… Voltando à B3, Magazine Luiza ON (+2,37%, a R$ 1,73) liderou os ganhos do índice, corrigindo as perdas do dia anterior. Gol PN fez o movimento oposto: saiu da liderança na 3ªF para a lista de maiores baixas: queda de 7,18%.
… Na lanterna, MRV ON recuou 10,08% (R$ 8,30), após prévia de resultados considerada fraca pelos analistas.
SEM BOI NA LINHA – Campos Neto (BC) aproveitou a participação em evento aberto promovido ontem pelo Credit Suisse para esclarecer os ruídos sobre o pace da Selic gerados durante comentários recentes em Marrakesh.
… “Em nenhum momento falei nada nem remotamente parecido com o que foi interpretado, de que a probabilidade de uma coisa [corte de 0,25pp no juro] era maior do que a outra [-0,75pp]”, disse.
… “Se um dia a gente fosse dar uma mensagem como essa, jamais seria uma reunião fechada”, garantiu. Ele ainda aproveitou para reforçar que o Copom entende que o ritmo de redução de juro de 0,5pp é adequado.
… Ontem, o IBGE informou que as vendas no varejo no conceito ampliado registraram queda de 1,3% em agosto contra julho, resultado pior do que o consenso (-0,8%), favorecendo apostas de corte de meio ponto na Selic.
… O DI para jan/24 mostrou algum alívio com a fala de Campos Neto, caindo para 12,166% (de 12,171%).
… Apesar de a chance de o juro cair mais, ao invés de só 0,25pp, a maior parte da curva do DI ampliou os prêmios de risco, no movimento novamente desencadeado pela pressão das taxas de longo prazo dos Treasuries.
… Outro fator de atenção é o petróleo, cuja disparada dos últimos dias é uma ameaça inflacionária. Mas Prates (Petrobras) afirmou que, por enquanto, o conflito entre Israel e Hamas não deve afetar os preços dos combustíveis.
… Jan/25 subiu a 11,120% (de 11,038%); jan/26 foi a 11,030% (de 10,893%); jan/27 avançou para 11,180% (de 11,079%); e jan/29 passou a 11,550% (de 11,508%). Na contramão, o jan/31 recuou, para 11,760% (de 11,767%).
… No câmbio domésticos, o dólar à vista registrou ganhos moderados (+0,38%), negociado a R$ 5,0545, monitorando as preocupações com a crise no Oriente Médio e a deterioração do quadro fiscal nos EUA.
… Ainda que os Treasuries estejam fazendo o “trabalho sujo” da política monetária neste momento, os juros terão que permanecer elevados por mais tempo para enfrentar a inflação ainda elevada e persistente.
… A piora no clima do mercado nos últimos dias se refletiu nos números do BC de fluxo cambial. Na semana passada, US$ 1,468 bilhão deixou o País, sendo US$ 883 milhões pela conta financeira e US$ 585 milhões pela comercial.
… No acumulado do mês, até o dia 13, o fluxo total ainda é positivo em 4,078 bilhões, com entradas líquidas de 1,133 bilhão pelo lado financeiro e de US$ 2,945 bilhões pela via comercial.
… Lá fora, o índice DXY registrou alta de 0,30%, aos 106,565 pontos, em mais um dia de busca por proteção. O euro caiu 0,40%, para US$ 1,0537; a libra esterlina recuou 0,36%, cotada a US$ 1,2138; e o iene caiu para 149,89/US$.
EM TEMPO… Defensorias Públicas e MPs de MG, ES e Federal pediram à Justiça julgamento antecipado de parte de ações civis públicas contra a VALE, Samarco e BHP pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG).
PETROBRAS reiterou posicionamento de que nomeação dos conselheiros Pietro Mendes e Efrain Cruz ocorreu de maneira legal, técnica e independente, por meio de eleição pela assembleia de acionistas.
PRIO recebeu correspondência em que Credit Suisse informou deter 12,01% em posição de derivativos.
AMERICANAS. Os advogados do Bradesco concordaram em suspender por 180 dias o processo de produção antecipada de provas em seu litígio contra a varejista e os acionistas Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Sicupira.
MULTIPLAN aprovou a 12ª emissão de debêntures, no valor de R$ 750 milhões.
UNIPAR concluiu a emissão de R$ 750 mi em debêntures, a maior de sua história, e se prepara para novas emissões.
COPEL. Programa de desligamento voluntário (PDV) teve 1.437 adesões efetivadas, ao custo total de R$ 610 mi.
CEMIG. Zema apresentou a deputados estaduais uma prévia da proposta de privatização da empresa, que se tornaria uma corporação, com ações negociadas na bolsa, sem controlador definido.
… O plano é converter ações PN em ON, diluindo o peso de MG na tomada de decisão sem emissão de novos papéis.
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PIB da China, Livro Bege e guerra no foco
Por Rosa Riscala e Mariana Ciscato*
[18/10/2023]
… De largada, a boa notícia é que o PIB/3Tri da China (+4,9%) superou a previsão (+4,3%), apesar de ter desacelerado forte contra o 2Tri (+6,3%). O dado pode recuperar a esperança de que Pequim bata a meta de crescimento de 5% no ano. Nos EUA, um dia após dados de atividade mais fortes do que o esperado terem induzido os juros dos Treasuries a saltarem novamente, a agenda conta com o Livro Bege (15h) e com a presença de seis Fed boys em eventos. Antes da abertura, sai o balanço do Morgan Stanley e, à noite, vêm Netflix e Tesla. Aqui, saem as vendas no varejo em agosto (9h). Campos Neto (BC) está em SP, onde participa de prêmio da BandNews (9h30) e faz palestra (11h45) em evento do Credit Suisse. O investidor tem ainda de olhar a guerra.
… Biden desistiu de sua viagem à Jordânia após o cancelamento de cúpula com líderes árabes. Segundo a Casa Branca, o presidente americano visitará Israel nesta 4ªF e manterá contato por telefone com as lideranças.
… O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, cancelou sua participação na reunião com Biden, em protesto contra um suposto ataque aéreo israelense a um hospital em Gaza, que matou mais de 500 pessoas.
… Israel rejeitou a acusação e atribuiu a explosão a um foguete com defeito lançado pela Jihad Islâmica, aliada do Hamas. O Hezbollah do Líbano disse que hoje é um dia de “raiva sem precedentes”, devido à visita de Biden a Israel.
… Nas agências internacionais, a Casa Branca tem discutido uma resposta militar se o Hezbollah resolver aderir à guerra na Faixa de Gaza, o que provocaria um sério agravamento do pior conflito do Oriente Médio em décadas.
… Apesar do risco de que a situação escale para um outro patamar, não foi este o gatilho de estresse nos negócios globais ontem, que se assustaram com a nova disparada dos juros dos Treasuries e o revés republicano na Câmara.
… Aliado de Trump, o deputado Jim Jordan fracassou na disputa à presidência da Casa. Com apenas 200 votos, contra os 217 necessários, ele não obteve apoio da maioria dos 435 deputados e manteve o vazio de liderança.
… Sem comando, o Congresso segue paralisado e a novela do shutdown em novembro está de volta ao radar.
OFFSHORES – Confirmando as suspeitas de que o PL de taxação de fundos não seria votado sem a presença de Lira, que está em missão oficial no exterior, um acordo entre líderes transferiu a votação para semana que vem.
… À saída de reunião com Haddad ontem, o relator Pedro Paulo disse que ganhou mais tempo para trabalhar no texto e que a Fazenda vai avaliar sugestões que ainda precisam ser endereçadas, como as regras para os Fiagros.
… Para não ter que mexer no piso do número de cotistas dos fundos não tributáveis, de 50 para 300, o relator iria propor limitar as cotas familiares a 30% do total do patrimônio líquido até parentes de segundo grau.
… Em reunião com o parlamentar, contudo, a equipe econômica apontou que ainda prefere o plano de aumentar o número de cotistas dos Fundos de Investimento em Cadeias Agroindustriais, mesmo que isso aconteça em fases.
… Pedro Paulo já havia sinalizado que buscaria equiparar a tributação entre fundos exclusivos e offshore, mas ontem afirmou que, na reunião com Haddad, ainda não foi tomada a decisão sobre reduzir ou não as alíquotas.
… Ainda segundo o deputado, no encontro, não foi discutido o projeto para acabar com a dedutibilidade dos JCP.
ADRS – No noticiário corporativo, o ADR da Vale (-0,30%) não exibiu empolgação no after market ao relatório de produção e vendas do 3Tri (abaixo). Ainda Sabesp (-0,25%) oscilou pouco, após Tarcísio acelerar a privatização.
… O governador de SP informou à noite que enviou o projeto em regime de urgência para a Assembleia Legislativa (Alesp). Após articulações políticas, ele confia que o texto seja votado até o início de dezembro.
… Após a privatização, a participação do Estado de São Paulo na empresa deve cair dos 50,3% atuais para algo entre 15% e 30%, afirmou a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende.
MAIS AGENDA – O dia começa com a leitura final da inflação ao consumidor (CPI) na zona do euro, às 6h. Nos EUA, saem as construções de moradias iniciadas em setembro (9h30) e os estoques de petróleo do DoE (11h30).
… A previsão é de alta de 400 mil barris. Ontem à noite, o API informou queda de 4,4 milhões nas reservas.
… No Fed, falam Christopher Waller (13h), John Williams (13h30), Michelle Bowman e Thomas Barkin (14h), Patrick Harker (16h15) e Lisa Cook (19h55). Ontem à noite, Kashkari disse que a inflação segue “muito alta”.
MAIS CHINA – Além do PIB, também outros dois indicadores de atividade divulgados ontem à noite vieram fortes. A produção industrial cresceu 4,5% em setembro e superou a estimativa de 4,3% dos analistas.
… As vendas no varejo cresceram 5,5% no período, na comparação anual, acelerando em relação ao resultado de agosto, quando haviam crescido 4,6%, e ficando bem acima da previsão, que apontava avanço de 4,5%.
… No noticiário da crise imobiliária chinesa, a Reuters informou na noite de ontem que a Country Garden, maior incorporadora imobiliária do país, está perto de default da dívida offshore e prepara uma reestruturação.
… Durante a madrugada, o minério de ferro caía mais de 1%, mas o petróleo disparava quase 2%.
AQUI – A perspectiva negativa para as vendas de veículos em agosto deve prejudicar o varejo ampliado (-0,8% na mediana de pesquisa Broadcast). Pelo conceito restrito, o mercado também espera retração de 0,8%.
… À tarde (14h30), o BC divulga os dados semanais do fluxo cambial.
CHOQUE REDOBRADO – O DI não conseguiu driblar a pressão renovada dos juros dos Treasuries, puxados pela reviravolta hawkish dos indicadores fortes de atividade nos EUA e pela derrota republicana na Câmara dos EUA.
… Com as taxas dos Treasuries voltando a rodar nas máximas em quase duas décadas, os juros futuros por aqui seguiram à risca o estresse externo, que reduz a margem de manobra para o Copom acelerar os cortes da Selic.
… Desde a última reunião de política monetária, a intenção declarada do BC é de manter o ritmo de redução da taxa básica em meio ponto, esvaziando a esperança de -0,75pp, apesar da inflação mais comportada do IPCA.
… Ontem, o volume de serviços prestados em agosto apontou queda de 0,9% contra julho e veio mais fraco do que o piso das apostas (-0,8%). Nem assim, o mercado se animou a exigir maior ousadia do Copom nos cortes.
… A fraqueza no setor de serviços reforçou a percepção de desaceleração da economia, com maior chance de PIB levemente negativo no terceiro trimestre, segundo economistas ouvidos pelo Broadcast.
… O “higher for longer” nos EUA dominou a cena e recuperou prêmio de risco na curva do DI. Com exceção do contrato de mais curto prazo, o jan/24, que caiu a 12,178% (de 12,187% na véspera), os demais subiram.
… Jan/25 avançou para 11,065% (de 10,912% na 2ªF); o jan/26, a 10,925% (de 10,694%); o jan/27 superou de novo os 11% (11,105%, de 10,880%); jan/29, a 11,510% (de 11,326%); e o jan/31, a 11,770% (de 11,620%).
DOIS PASSOS – O ex-BC Bruno Serra (Itaú Asset) aposta que o Copom fará o ciclo de flexibilização em duas fases, devido à disparada dos Treasuries, que diminui o diferencial de juros e restringe o espaço para cortes.
… Ele prevê a Selic perto de 11% até o final do ciclo atual, acima dos 10,5% precificados pelos operadores e dos 9% previstos pelos economistas.
… Serra acha que é muito cedo para discutir a desaceleração dos cortes, por conta dos atuais diferenciais de juros e defende que essa discussão pode começar em dezembro ou fevereiro.
… “Minha preocupação é mais no ponto que esse diferencial de juros vai bater no câmbio. Estamos em uma situação em que, se o real se depreciar 10% contra os pares, haverá um custo no ciclo de juros”, disse à BBG.
… Em seu fundo multimercado, a Itaú Asset está com posições vendidas em real e aplicada em juros dos EUA.
… Apesar do estresse nos Treasuries, o dólar terminou de lado ontem no câmbio doméstico, depois de ter ensaiado alta logo após os dados de varejo e indústria mostrarem a resiliência da economia americana.
… Tom Barkin (Fed Richmond) ajudou a acalmar a moeda, voltando a afirmar que o Fed tem tempo para ver se já fez o suficiente para segurar a inflação, ou se é necessário subir mais os juros.
… O dólar à vista terminou praticamente estável, em leve baixa de 0,04%, a R$ 5,0353, após oscilar entre R$ 5,0105 e R$ 5,0658. O dólar futuro para novembro subiu 0,06%, para R$ 5,0525.
PERDEU A BRIGA – O Ibov tentou lutar pelos 116 mil pontos, mas nem mesmo as altas expressivas da Petrobras e os ganhos da Vale conseguiram enfrentar o peso negativo dos bancos e de ações ligadas ao consumo interno.
… No fechamento, o índice à vista caía 0,54%, aos 115.908,43 pontos, com giro financeiro de R$ 21,1 bilhões.
… Foi negativa para as ações do setor financeiro a repercussão da proposta do BC para o crédito rotativo, de restringir o parcelamento sem juros a até 12 prestações e limitar a tarifa de intercâmbio.
… Santander unit caiu 2,30% (R$ 26,77), seguido por Itaú PN (-1,48%, a R$ 27,32), Bradesco ON (-1,09%, a R$ 12,67); Bradesco PN (-1,02%, a R$ 14,49); e Banco do Brasil ON (-0,90%, a R$ 49,36).
… Sensíveis à pressão dos juros futuros, os papéis de varejo e educação ficaram entre as maiores baixas do Ibovespa. Magalu puxou a fila (-5,59%), seguida por Cielo (-4,32%), Carrefour (-4,21%) e Yduqs (-4,15%).
… A onda de perdas ofuscou a alta firme das ações da Petrobras (PN, +2,70%, a R$ 37,67; e ON ganhou 2,27%, a R$ 40,61), que desde cedo eram contagiadas pelo anúncio do recorde na produção de óleo e gás no 3Tri.
… Além disso, os papéis contaram com o impulso extra do petróleo, que permaneceu próximo dos US$ 90. O contrato do Brent para dezembro subiu 0,28%, a US$ 89,90, com o mercado atento à guerra e à Venezuela.
… Washington e Caracas assinaram acordo para destravar exportação de petróleo do país latino-americano.
… O barril chegou a cair mais de 1% nesta 3ªF, depois que o BC da Rússia reiterou as expectativas de que a Opep+ possa considerar um aumento na produção no início de 2024.
… Pouco depois, contudo, o vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, disse que ainda é muito cedo para falar sobre quais decisões o cartel poderá tomar.
… Vale ON (+0,82%, a R$ 67,85) operou na expectativa dos números de produção, divulgados após o fechamento. Gol PN (+4,28%) ficou no topo dos ganhos do Ibov, depois da prévia operacional do 3Tri.
TRUCANDO O FED – Por mais que o BC americano esteja orquestrando a estratégia dovish, na tentativa de conter os juros dos Treasuries, as taxas voltaram a escalar ontem, com a surpresa de dois indicadores fortes.
… A produção industrial americana cresceu 0,3% em setembro, contrariando o consenso do mercado, de queda de 0,1%, e atingindo o maior nível em quase 5 anos. O dado de agosto foi revisado de +0,4% para zero.
… Já as vendas no varejo subiram 0,7% em setembro, bem acima da previsão de 0,3%. Além disso, o dado de agosto foi revisado de +0,6% para +0,8%. As vendas subiram em oito das 13 categorias.
… Embora o crescimento salarial comece a enfraquecer, o mercado de trabalho forte oferece margem de manobra para o consumidor americano continuar a gastar.
… Os dados causaram alguma reprecificação nas apostas para o Fed em dezembro. Caiu de 65% para 57% a chance de o juro seguir estável na última reunião do ano, mas esta probabilidade ainda segue majoritária.
… Os novos sinais de economia bombando também levaram vários bancos, do Goldman Sachs ao JPMorgan e Morgan Stanley, a aumentar os ‘trackings’ para o PIB do 3º trimestre.
… Na linha dovish do Fed, Tom Barkin (Richmond) disse que vê “progresso” na luta contra a inflação.
… Mas os sinais de que a atividade econômica segue aquecida nos EUA deram o start para os rendimentos dos Treasuries abrirem uma nova rodada de pressão. Até onde vai o rali é a pergunta que vale dinheiro no mercado.
… “Não acreditamos que o processo [de alta] tenha terminado”, escreveram estrategistas do BlackRock Investment Institute, braço da maior gestora de ativos do mundo, em relatório enviado a clientes.
… Segundo o documento, os yields devem continuar subindo para compensar a maior volatilidade macroeconômica, a inflação persistente, os grandes déficits fiscais e o aumento da emissão de dívida pública.
… Pela previsão do BlackRock, o retorno da Note-10 anos deve atingir 5% ou mais em um horizonte mais distante. Ontem, fechou a 4,833%, contra 4,715% na véspera, aproximando-se dos recordes em 17 anos.
… O juro da T-note de 2 anos subiu a 5,203% (de 5,096% na 2ªF) e o do T-bond de 30 anos avançou a 4,931% (4,852%). A taxa da Note de 5 anos atingiu o nível mais alto desde 2007, perto da marca de 4,90%, em 4,894%.
MORNO – No câmbio, o dólar não seguiu o estresse dos Treasuries, ficando praticamente estável (+0,01%) frente à cesta de moedas do DXY (106,250 pontos).
… A moeda perdeu terreno para o euro (US$ 1,0575), mas conseguiu sustentar leve alta contra o iene (149,76/US$) e a libra (US$ 1,2182), que sentiu a desaceleração no crescimento dos salários no Reino Unido.
… O dado passou do recorde de +7,9% em julho para +7,8% em agosto, reforçando a tese de que o BoE não precisará elevar juros na próxima reunião, segundo o CMC Markets.
… Em Wall Street, o dia foi de balanços no setor financeiro. Goldman Sachs caiu 1,60%, mesmo após trazer lucro de US$ 2,06 bilhões no trimestre, ou US$ 5,47 por ação, acima do esperado (US$ 5,31).
… Já o Bank of America subiu 2,33%, depois de apresentar lucro líquido de US$ 7,8 bilhões, ou US$ 0,90 por ação, também acima da projeção do mercado, de US$ 0,82 por ação.
… Apesar da disparada dos Treasuries e do ataque a um hospital na faixa de Gaza terem gerado volatilidade nos mercados, os índices de Wall Street encerraram a sessão perto da estabilidade.
… O Dow Jones subiu 0,04%, aos 33.997,65 pontos, enquanto o S&P 500 cedeu 0,01%, aos 4.373,20 pontos. Já o Nasdaq caiu 0,25%, aos 13.533,75 pontos, pressionado pelas ações de fabricantes de chips.
… Nvidia (-4,68%) e Intel (-1,37%) foram mal, após o Departamento de Comércio dos EUA anunciar o aumento das restrições à venda de semicondutores para a China.
… A Casa Branca tem receio de que os chineses aprimorem a tecnologia de inteligência artificial para uso militar.
EM TEMPO… VALE informou que produção de minério no 3Tri foi de 86,24 milhões de toneladas, redução de 4% na comparação anual; venda de minério de ferro foi de 69,7 mt, aumento de 6,6% contra igual período de 2022…
… Preço realizado do minério de ferro foi de US$ 105,1/ton, alta de 13,5% sobre mesmo trimestre do ano passado…
… Produção de cobre no 3TRI foi de 81,6 mil toneladas, alta de 9,8% ante mesmo período de 2022; venda de cobre foi de R$ 73,8 mil toneladas, avanço de 4,7% ante 3TRI22…
… O MP do Espírito Santo protocolou petição em que cobra R$ 100 bilhões da Vale, BHP e Samarco pelo rompimento da Barragem do Fundão, ocorrido em 5 de novembro de 2015, em Mariana (MG).
PETROBRAS informou que o processamento de gás natural no pré-sal foi recorde em setembro, somando 28,96 milhões de m³/dia; recorde inclui unidades de Caraguatatuba e Cabiúnas…
… Estatal assinou contrato de dez anos com a Excelerate Energy para afretamento do navio regaseificador (FSRU) Sequoia; serviço entrará em vigor em 1º/1/24.
MRV. Lançamentos somaram R$ 1,811 bilhão no 3TRI, alta de 2,9% na comparação anual, segundo prévia operacional; vendas líquidas atingiram R$ 2,213 bilhões, avanço de 54,5% ante mesmo período do ano passado.
ALLOS, ex-Aliansce Sonae, será negociada na B3 com o novo ticker #ALOS3 a partir do dia 25.
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*com a colaboração da equipe do BDM Online
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